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Bandido invade Biblioteca Nacional na madrugada, circula livremente e rouba computador e monitor

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Ladrão entrou pela janela de um banherio e percorreu dois andares da instituição
Crime acontece em momento em que órgão vinha tentando se recuperar de histórico de furtos e acidentes

O prédio da biblioteca, no Centro do Rio, abriga mais de oito milhões e meio de obras, incluindo raridades: desta vez, invasor não chegou à área onde estão os itens mais valiosos Custodio Coimbra/13-5-2011

O prédio da biblioteca, no Centro do Rio, abriga mais de oito milhões e meio de obras, incluindo raridades: desta vez, invasor não chegou à área onde estão os itens mais valiosos Custodio Coimbra/13-5-2011

André Miranda em O Globo

RIO — Há quase uma semana, a sede da Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, foi invadida e roubada. Lá estão guardados mais de oito milhões e meio de peças, um patrimônio público que forma a maior coleção bibliográfica da América Latina. Porém, apesar do valor incalculável desse acervo, na madrugada do último sábado um homem conseguiu pular os tapumes e a grade de proteção que cercam a biblioteca, ao lado da Rua Pedro Lessa. Depois, arrombou a janela de um banheiro feminino que fica no segundo andar e entrou no prédio. Lá dentro, pôde circular livremente para roubar um laptop e um monitor, antes de sair pelo mesmo lugar por onde entrou. A direção da Biblioteca Nacional preferiu não trazer o incidente a público, mas, procurada pelo GLOBO, confirmou que o crime ocorreu e disse que já reforçou a segurança.

As imagens do roubo foram registadas pelas câmeras da biblioteca, mas os vigias noturnos disseram que não perceberam a movimentação. O laptop roubado era de um brigadista e estava guardado numa sala no primeiro andar. Já o monitor ficava no balcão de atendimento para visitas guiadas, no andar de cima. No próprio sábado, o crime foi informado à polícia. E as gravações, passadas para a Superintendência Regional da Polícia Federal do Rio de Janeiro, onde foi lavrada a certidão de ocorrência número 383.

Pelas imagens das câmeras de segurança, o ladrão, ainda não identificado, aparenta ser jovem. Há meses, os funcionários da instituição reclamam que a Rua Pedro Lessa tem servido como concentração para usuários de crack, e dentro da instituição suspeita-se que o bandido teria vindo desse grupo. Mas, independentemente de quem tenha cometido o crime, o que mais chama a atenção é a facilidade com que uma pessoa conseguiu entrar no prédio sem ser notada.

Informada do crime pelo GLOBO, a Associação de Servidores da Biblioteca Nacional (ASBN) divulgou nota em que lembra os problemas estruturais do edifício: “A invasão do prédio sede, que abriga um dos maiores e mais preciosos acervos bibliográficos do mundo, vem confirmar a vulnerabilidade do sistema de segurança da Biblioteca Nacional. A ASBN espera que todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis sejam tomadas em relação ao crime ocorrido dentro da biblioteca. Entretanto, é preciso ir além, atuando preventivamente para que casos como esse ou ainda mais graves, como o furto de peças do acervo, não ocorram.”

Para piorar, a invasão ocorreu num momento em que a Biblioteca Nacional vem tentando se recuperar depois de anos marcados por acidentes e furtos devido à precaridade de sua estrutura. Uma verba de R$ 30 milhões, prometida pela ministra da Cultura, Marta Suplicy em 2012 para obras na claraboia, no telhado, na fachada e nos vitrais, enfim começou a ser aplicada neste ano, e a revitalização já está em curso.

Além disso, já nas próximas semanas deve ser publicado um edital para a contratação de um projeto arquitetônico a fim de recuperar o prédio anexo da Biblioteca Nacional, localizado na Zona Portuária. O edifício sofre com infiltrações e deterioração da fachada. Nos últimos dias, o presidente da Biblioteca Nacional, Renato Lessa, viajou a Portugal para viabilizar a criação de uma biblioteca lusófona, integrando os acervos digitais de instituições públicas dos países de língua portuguesa.

São ações que visam melhorar a imagem da Biblioteca Nacional, arranhada por furtos, inundações, danos ao acervo e críticas a gestões. Na última década, o órgão teve quatro presidentes: Pedro Corrêa do Lago (2003 a 2005), Muniz Sodré (2005 a 2010), Galeno Amorim (2011 a 2013) e Lessa, que completa um ano no cargo em abril.

O episódio da semana passada fez com que a biblioteca cogitasse rescindir o contrato com a empresa de segurança que trabalha para a instituição, mas a solução acabou sendo o reforço no efetivo. De acordo com a direção da biblioteca, nos dias de carnaval, quando muitos foliões circulam pela região, haverá o dobro de vigilantes. Também será pedido à polícia um reforço no policiamento do entorno.

Relembre problemas recentes na Biblioteca Nacional:

Julho de 2005 – Fotografias, desenhos e gravuras, num total de 991 obras, desapareceram do acervo. No conjunto havia originais dos fotógrafos Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Liebenau (acima). Apenas 101 obras foram recuperadas e, apesar da prisão de cinco suspeitos em 2007, o crime nunca foi completamente esclarecido. A Justiça estimou que, no total, as peças valiam cerca de R$ 7,5 milhões.
Maio de 2010 – As duas primeiras edições do almanaque “O Tico-Tico” foram furtadas da biblioteca. O crime ocorreu meses após a instituição ter recebido R$ 1,7 milhão de investimentos em segurança. E só veio a público um ano depois, em reportagem do GLOBO. As revistas nunca apareceram, mas a polícia prendeu, ainda em 2010, o estudante Leonardo Jorge da Silva: ele estava de posse da tela “Enterro”, de Candido Portinari, furtada do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, e sua agenda tinha anotações sobre as duas “O Tico-Tico”.

Maio de 2012 – Um temporal provocou um vazamento no sistema de refrigeração, atingindo quatro dos seis andares do armazém de periódicos. Centenas de obras foram molhadas. A direção da biblioteca só admitiu a gravidade do problema depois que O GLOBO publicou imagens de periódicos pendurados em varais, nos corredores do prédio, para secagem. O acidente fez com que o ar-condicionado só voltasse a funcionar plenamente em setembro de 2013.

Outubro de 2012 – Cinco pedaços de reboco se soltaram da fachada e caíram na área dos jardins e na varanda do terceiro andar. O incidente levou a instituição a isolar áreas no entorno e motivou um laudo da Defesa Civil com recomendações de segurança, como a construção de para-lixo e instalação de telas na fachada.

Fevereiro de 2014 – Um ladrão entrou pelo banheiro feminino do segundo andar da Biblioteca, na madrugada do último sábado. Ele circulou livremente pelo primeiro e pelo segundo andares da instituição, antes de sair por onde veio. Levou consigo um laptop e um monitor. A Polícia Federal investiga o crime.

Torturadores de palavras

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Luciano Pires, no Café Brasil

Este texto é de 2009. Mas precisa ser relido já.

Olha que história sensacional recebi por email: Judy Wallman é uma pesquisadora na área de genealogia nos Estados Unidos. Durante a pesquisa da árvore genealógica de sua família deu de cara com uma informação interessante. Um tio-bisavô, Remus Reid, era ladrão de cavalos e assaltante de trens. No verso da única foto existente de Remus (em que ele aparece ao pé de uma forca) está escrito: “Remus Reid, ladrão de cavalos, mandado para a Prisão Territorial de Montana em 1885, escapou em 1887, assaltou o trem Montana Flyer por seis vezes. Foi preso novamente, desta vez pelos agentes da Pinkerton, condenado e enforcado em 1889.”

Acontece que o ladrão Remus Reid é ancestral comum de Judy e do senador pelo estado de Nevada, Harry Reid. Então Judy enviou um email ao senador solicitando informações sobre o parente comum. Mas não mencionou que havia descoberto que o sujeito era um bandido.A atenta assessoria do Senador respondeu desta forma:

“Remus Reid foi um famoso cowboy no Território de Montana. Seu império de negócios cresceu a ponto de incluir a aquisição de valiosos ativos eqüestres, além de um íntimo relacionamento com a Ferrovia de Montana. A partir de 1883 dedicou vários anos de sua vida a serviço do governo, atividade que interrompeu para reiniciar seu relacionamento com a Ferrovia. Em 1887 foi o principal protagonista em uma importante investigação conduzida pela famosa Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889 Remus faleceu durante uma importante cerimônia cívica realizada em sua homenagem, quando a plataforma sobre a qual ele estava cedeu.”

Não é sensacional? Palavras e números podem ser torturados pra dizer o que o torturador quiser!

Portanto, é indispensável se preparar para os discursos, matérias e reportagens com os quais você se depara diariamente. E esse processo de preparo começa com o estudo, com a leitura. Quem não lê não está preparado para assistir televisão, por exemplo. É a leitura que nos ajuda a construir um repertório suficiente para embasar nossas reflexões, enriquecer nossas comparações, orientar nossos julgamentos e refinar nossa capacidade de tomada de decisão.

Através da leitura tomamos contato com as idéias de homens e mulheres que ao longo da história trataram dos problemas que nos afligem. Com a leitura aprendemos como o mundo funciona e como o homem se comporta em sociedade. Aprendemos sobre po-lí-ti-ca.

Através da leitura e do estudo é possível desenvolver uma espécie de “sexto sentido” para perceber os malabarismos dialéticos, a tortura das palavras. No mínimo isso ajuda a não fazer papel de trouxa.

Sem leitura, repertório e pensamento crítico nos tornamos reféns dos torturadores profissionais de palavras. E então um “não”passa a significar “sim”. E vice versa. Erros viram acertos. Ladrões são tratados como empresários. Planos eleitoreiros são vendidos como a salvação da pátria. Terroristas passam por refugiados. Corrupção vira caixa dois. Assassinos transformam-se em vítimas.

Ah, ia me esquecendo! Em vez de simplesmente acreditar e repassar, decidi ler e estudar. E descobri que a história de Judy, Harry e Remus Reid é falsa. É uma mentira que circula pela internet há mais de dez anos…

Viu só?

dica do Rogério Moreira

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