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Jude Law, Evanna Lynch e mais atores de Harry Potter participarão de primeiro audiolivro de Os Contos de Beedle, O Bardo

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Atores de Harry Potter participarão do primeiro audiolivro de Os Contos de Beedle, o Bardo, publicação derivada de Harry Potter – Divulgação/Warner Bros./Pottermore

 

Lançada em 2008, publicação faz parte do universo mágico da saga

Publicado no Exitoína

Quase doze anos após o seu lançamento, Os Contos de Beedle, o Bardo, livro de histórias que existe dentro da franquia Harry Potter, será lançado pela primeira vez em versão audiolivro.

A publicação foi introduzida em Harry Potter e as Relíquias da Morte e contém O Conto dos Três Irmãos, que deu origem à lenda dos três objetos pertencentes à Morte, responsável por todo o enredo do livro que encerrou a franquia.

Ao todo, o livro conta com cinco histórias, que são como os nossos contos de fada só que no mundo dos bruxos, e cada uma será lida por um ator da franquia mágica criada por J. K. Rowling.

Warwick Davis, que interpretou o professor de feitiços Fílio Flitwick, lerá O Bruxo e o Caldeirão Saltitante, onde um mago bondoso e amigo dos trouxas (as pessoas sem poderes mágicos), que usava o seu caldeirão mágico para fazer o bem, morre e deixa o artefato para o filho, que não é tão bom quanto o pai e acaba amaldiçoado.

A Fonte da Sorte será contado por Evanna Lynch, que deu vida à aluada Luna Lovegood, e revelará uma fonte mágica que atrai bruxos e trouxas de todo um reino a fim de superar os obstáculos até ela para conquistar a fortuna eterna.

Já O Coração Peludo do Mago, onde um bruxo atraente e poderoso despreza a “fraqueza” do amor e usa das artes das trevas para que nunca caia nessa falácia, ganhará a voz do vilão Lúcio Malfoy ou, melhor, do ator Jason Isaacs, que o interpretou na franquia.

A única filha do casal Molly e Arthur Weasley, Gina Weasley, foi interpretada por Bonnie Wright, que emprestará a sua voz ao conto Babbity, a Coelha e seu Toco Gargalhante, o mais longo de todo o livro, onde um rei decide manter toda a magia para si, mas acaba com dificuldades para que o seu desejo se conclua.

Por fim, O Conto dos Três Irmãos, a mais importante das histórias na publicação – e, até onde sabemos, a única real no mundos dos bruxo – será narrado por Noma Dumezweni, que não ficou conhecida pelos fãs dos filmes de Harry Potter, mas deu vida a Hermione Granger na peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

O livro ainda conta com uma introdução do professor Alvo Dumbledore, que será lida por Jude Law, o homem por trás do personagem na franquia Animais Fantásticos, derivada de Harry Potter. Confira o trailer do lançamento.

s Contos de Beedle, o Bardo foi escrito por J. K. Rowling em 2007 e apenas sete cópias foram disponibilizadas inicialmente, todas escritas à mão e com acabamento especial, que tiveram o objetivo de arrecadar fundos para instituições de caridade. Apenas no ano seguinte, em 2008, o livro foi publicado oficialmente.

O audiolivro estará disponível, em inglês, a partir do próximo dia 31 de março na Audible, plataforma de streaming de audiolivros da Amazon, pelo valor de 14,95 dólares.

BYBLOS – Uma rápida incursão pela História do Livro

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Este artigo, na verdade, é um capítulo de um trabalho de mais extenso intitulado: “Letramento Literário – para a Humanização do Aluno”, apresentado no ano de 2010 na Universidade Vale do Acaraú, em Belém do Pará, Brasil, pelo prof. Marcelo Freitas (Awmergin, o Bardo)

Publicado em A Taverna do Bardo

Bem longe de serem escritores, fundadores de um lugar próprio, herdeiros dos lavradores de antanho – mas, sobre o solo da linguagem, cavadores de poços e construtores de casas -, os leitores são viajantes: eles circulam sobre as terras de outrem, caçam, furtivamente, como nômades através de campos que não escreveram, arrebatam os bens do Egito para com eles regalar. A escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar, e multiplica a sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo (nós nos esquecemos e nós a esquecemos); ela pouco ou nada conserva de suas aquisições, e cada lugar por onde ela passa é a repetição do paraíso perdido.

Michel Certeau

Não se pode falar da história do livro sem abordar um pouco os avanços tecnológicos que proporcionaram sua criação, conservação, acesso à leitura, da facilidade de seu manuseio e aquisição, amplamente influenciados por circunstâncias econômicas, políticas, culturais e religiosas que imperavam nas civilizações que foram partícipes deste processo de seu aperfeiçoamento material.

Temos de iniciar nosso trajeto pela Antiguidade, com a invenção da escrita que, segundo os arqueólogos e historiadores, teria ocorrido há aproximadamente 6.000 anos a.C. na Mesopotâmia. Os primeiros registros da escrita foram encontrados em tabuinhas de argila, em escrita cuneiforme.

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Séculos mais tarde outra técnica foi desenvolvida pelos egípcios: o processo em papiros, feitos de folhas de junco manufaturadas. A técnica de manufatura do papiro era realizada a partir da colheita da planta que abundava nos charcos ao longo do rio Nilo. Uma parte da planta era liberada, livrada (do latim libere, livre). Daí surge nosso atual vocábulo em português “livro”, originada do latim librus, libri (Katzenstein, 1986).

Papiro egípcio

Tal técnica foi utilizada em larga escala por praticamente todas as civilizações que margeavam o Mar Mediterrâneo, especialmente os egípcios, gregos e romanos, ao longo de muitos séculos, sem grandes alterações em seu processo de produção. O pergaminho foi uma inovação concebida na cidade de Pérgamo, foco da civilização grega, cidade da Ásia Menor, onde hoje se situa a Turquia. O pergaminho era feito de couro bovino raspado e sua vantagem estava em ser mais durável do que o papiro, feito de junco. A utilização do pergaminho durou por todo o período histórico que constitui a chamada Idade Antiga europeia e adentrou pela Alta Idade Média.

pergaminho velho testamento

Com o fim do mundo antigo e a ruína das chamadas “Civilizações Clássicas” – Grécia e Roma – a Europa adentrou na chamada Idade Média, dominada por povos germânicos, cuja religião – o nascente Cristianismo – dominou o continente europeu por quase um milênio.

As circunstânncias históricas medievais não favoreciam a educação, tampouco a leitura, como ocorria na Era Clássica, onde o saber era fomentado nas chamadas Escolas Filosóficas e nas grandes Bibliotecas, cujos exemplos maiores são as de Alexandria, no Egito, e a da cidade de Pérgamo. Entretanto, na Era Medieval, houve uma inovação: os textos – embora inacessíveis ao público – começaram a ser copiados pelos monges dos mosteiros cristãos, espalhados por todo o continente europeu. Uma nova técnica de “encadernação” dos textos foi paulatinamente substituindo os antigos pergaminhos por folhas de papel. Os mercadores europeus da era medieval viajavam ao Oriente distante pela chamada “Rota da Seda” e através deste contato trouxeram consigo à Europa aparatos tecnológicos. Graças ao contato destes mercadores com os chineses adveio à Europa o papel, que permitiu mais uma inovação na produção e portabilidade dos textos escritos. Por meio desta inovação tecnológica, concebida pelos chineses, os europeus puderam criar os primeiros livros manufaturados, escritos à mão e em caligrafias trabalhadas chamadas “iluminuras”. A produção destes livros era demorada e meses eram necessários para se terminar um exemplar. Seus preços eram elevadíssimos e somente acessíveis aos nobres e primeiros burgueses ricos que já começavam a surgir (Febvre, 1992).

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O processo de produção manufaturada do livro durou alguns séculos, pois somente os mosteiros e bibliotecas da Igreja Católica e de raros nobres medievais, continham textos que pudessem ser copiados por copistas especializados. Todavia, a grande revolução ainda estava por vir. Somente em meados do século XV, o engenhoso inventor alemão Johannes Gutenberg concebeu a tipografia e a impressão, a partir da adaptação das máquinas já utilizadas na Europa para a produção do vinho. Sua invenção revolucionou a produção textual, pois os textos já não seriam mais copiados, produzidos manualmente. Através do processo mecânico da impressão, os livros passaram a ser produzidos em maior escala, em menos tempo e a custos menores.

Com o advento da era mercantilista e posteriormente do modo capitalista de produção, o livro tornou-se um objeto de produção em larga escala. Por consequência seu conteúdo, o texto, passou a ser acessado por cada vez mais pessoas, aumentando, assim, o número de leitores em uma proporção nunca antes vista em toda a história humana.

Este boom intelectual atingiu seu ponto culminante com a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e especialmente no século XIX, quando países como a Inglaterra, Alemanha e França dominavam as tecnologias industriais e passaram a produzir massivamente e expandindo seus horizontes mercantis por todo o mundo em processo imperialista.

Neste período, em especial na França, surge um novo tipo de leitura: a (mais…)

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