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Especial Capa: As facetas da crônica no século XXI

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Marcio Renato dos Santos, no Cândido

De relatos do cotidiano no século XIX à condição de texto literário de qualidade no século XX, a crônica foi reinventada no Brasil e se apresenta como espaço livre para diversos assuntos sob variadas abordagens

Antonio Prata é unanimidade. Especialistas, professores universitários, leitores e colegas de ofício o apontam como um dos melhores cronistas brasileiros do tempo presente. Aos 35 anos, tem espaço fixo no caderno “Cotidiano”, do jornal Folha de S.Paulo, toda quarta-feira. Qual é o segredo de Prata? Ou, então, sobre o que ele escreve?

“A única coisa que não pode entrar na crônica é a chatice, o tédio”, diz o sujeito que aos 14 anos escreveu a sua primeira crônica, sobre a rua onde passou a infância — que seria demolida para dar vez a uma avenida. Desde então, produz continuamente, apesar de também ter flertado com o conto. “O que produzi de melhor foram crônicas.”

Autor do livro Meio intelectual, meio de esquerda (2010), o filho do escritor Mario Prata tem os olhos abertos para assuntos contemporâneos, por exemplo, a mania que os universitários têm de tentarem ser diferentes, sobretudo, do resto da humanidade. Em um de seus textos mais conhecidos, “Bar ruim é lindo, bicho”, ele trata desse tema.

“O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo frequentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto frequentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma”, escreveu o cronista no texto que, inclusive, integra As cem melhores crônicas brasileiras (2007), coletânea organizada por Joaquim Ferreira dos Santos.

O assunto, aparentemente banal, torna-se interessante, principalmente, por causa do humor, uma das marcas da prosa de Prata. Ele consegue elaborar textos leves e engraçados em meio ao caos do cotidiano da grande São Paulo, onde mora, e também em território estranheiro. Já esteve a trabalho na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e no Japão, onde acompanhou — no ano passado — a bem-sucedida performance do Corinthians no Campeonato Mundial de Clubes. “Acima de tudo, a crônica tem a obrigação de agrador o leitor”, afirma o cronista da Folha, há algum tempo também contratado para escrever roteiros para a Rede Globo — colaborou com a equipe da novela Avenida Brasil e está envolvido em projetos a respeito dos quais pede sigilo.

Antonio Prata tem olhos abertos para o mundo contemporâneo e sabe radiografar, por exemplo, a juventude letrada, meio intelectual, meio de esquerda, que gosta de bar ruim.

Antonio Prata tem
olhos abertos para o
mundo contemporâneo
e sabe radiografar, por
exemplo, a juventude
letrada, meio
intelectual, meio de
esquerda, que gosta
de bar ruim.

O melhor do Brasil

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luís Augusto Fischer acredita que a crônica é um dos gêneros nos quais os autores brasileiros atingem os melhores resultados. “O Brasil é bom em gêneros artísticos breves: crônica, canção e caricatura, talvez também o conto. Nos gêneros mais longos temos coisa boa com o melhor que o mundo já produziu, como Machado de Assis e Guimarães Rosa, mas parece que nos breves a gente se dá bem de modo mais tranquilo”, afirma Fischer, escritor e também cronista do jornal Zero Hora.

O estudioso gaúcho conhece o tema. Debruçou-se sobre as crônicas de Nelson Rodrigues, tema de sua tese de doutorado e conteúdo do livro Inteligência com dor — Nelson Rodrigues ensaísta (2009). Além de identificar na crônica o melhor da prosa brasileira, Fischer aponta para outra questão: o gênero adquiriu características próprias no Brasil. “Tem mesmo algo de particular na crônica brasileira, embora se possa encontrar gente escrevendo impressões pessoais em jornais e revistas mundo afora. Talvez seja o fato de a crônica ter-se constituído, ao longo da história, num gênero afinado com a informalidade brasileira, ter acolhido a língua cotidiana”, argumenta o professor de Literatura Brasileira da UFRGS.

Em língua portuguesa, explica Fischer, a palavra — crônica — nasceu na Idade Média para designar relato da vida dos reis; no século XIX, começou a ser usada, mas sem regularidade, para comentários sobre a vida. No Brasil, José de Alencar, Machado de Assis, Olavo Bilac, João do Rio, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e outros escritores assinaram crônicas em impressos diários, onde defenderam (e combateram) ideias, além da divulgação de seus nomes.

De maneira resumida, é possível dizer que a crônica é um texto breve escrito para jornal. A definição é do especialista da UFRGS, para quem o gênero abriga qualquer assunto, em especial temas cotidiano, por meio de uma abordagem pessoal, assinada por um indivíduo que de alguma forma conquistou para a sua voz um reconhecimento na comunidade em que o impresso circula.

Rubem Braga dedicou-se integralmente à crônica: escreveu mais de 15 mil textos e devido à sofisticação de linguagem elevou o gênero ao patamar da chamada alta literatura.

Rubem Braga dedicou-se
integralmente à crônica:
escreveu mais de 15
mil textos e devido à
sofisticação de linguagem
elevou o gênero ao
patamar da chamada alta
literatura.

O velho Braga e os novos tempos

O Rio de Janeiro, então capital federal, foi território onde a crônica brasileira vingou, e se desenvolveu flertando com a literatura. Naquele contexto, nomes do primeiro time da ficção passaram a colaborar com jornais. “No século XX, a profissão de escritor começou a se desenvolver mas, como os livros não garantiam retorno financeiro, escritores que ascenderam das classes baixas e médias, muitas vezem atuavam como funcionários públicos e encontravam na crônica uma renda extra. Os baixos salários geraram a crônica literária brasileira”, afirma Charles Kiefer, escritor e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Kiefer se refere — sobretudo — aos mineiros Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, entre outros (leia mais no artigo de Carlos Herculano Lopes). Além desses autores, um outro sujeito — chamado Rubem Braga — deixou a sua cidade natal, Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, para viver no Rio de Janeiro e carimbar o passaporte rumo à eternidade. Este ano, centenário de seu nascimento, o Brasil festeja o “Velho Braga”, como o autor se referia a si mesmo, com exposições, peças, shows e a reedição de alguns de seus livros, entre os quais 200 crônicas escolhidas e Na cobertura de Rubem Braga, de José Castello. (mais…)

O nascimento de um livro

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Publicado por Publistagram

Que tal ver um pouco como os livros são publicados com métodos tradicionais e não eletrônicos?

Em apenas 2 minutos é possível se encantar ainda mais pela magia dessa compilação de páginas envolventes, mesmo na era digital.

Sei lá, talvez os e-books sejam mais práticos e as vezes não custam nada, mas será mesmo que substitui o ato de pegá-lo na mão, sentir seu cheio e tê-lo no criado mudo?

Ele pode ficar velho, pode acumular poeira, mas sempre estará ali exercendo o mesmo encanto em você. E o curta abaixo tenta trazer de volta a fantasia do trabalho artesanal que originam os livros.

O curta foi um pedido do Daily Telegraph, jornal britânico fundado em 1855, dirigido pelo diretor inglês Glen Milner e rodado na gráfica Smith-Settle, em Leeds. E o livro belissimamente confeccionado nos moldes antigos é ‘Mango and Mimosa’ da autora Suzanne St Albans.

Bom, me desculpem os tecnológicos, mas que é belo, é!

Como transformar um livro em um belo esconderijo

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Publicado originalmente no HypeScience

Ladrões dificilmente roubam livros quando invadem casas. A princípio, ladrão algum vai se interessar por seus romances e trilogias ou por suas enciclopédias. Suas prateleiras podem ser os últimos lugares em que ele vai mexer. Por isso mesmo é que os livros são esconderijos perfeitos.

Se quiser guardar pertences valiosos em casa e, ao mesmo tempo, parecer inteligente, faça isso. Mas vai doer: você precisará cortar uma área vertical do capítulo 2 ao capítulo 15. Só resta decidir qual será o livro-vítima.

Materiais e ferramentas necessárias

  • um livro de capa dura
  • uma cola branca
  • uma pequena vasilha ou pote
  • um rolo de filme plástico para embalar alimentos
  • uma lâmina afiada (de preferência uma faca)
  • um pincel
  • um lápis e uma régua
  • uma furadeira
  • um objeto pesado e mais largo que a capa do livro

Dificuldade e custos
Em uma escala de 1 a 10, essa tarefa tem um nível 4 de dificuldade. E os custos giram em torno de R$ 10 a 30. Para reduzir os gastos, não use primeiras-edições, livros raros ou autografados. Fica a dica. Avisar nunca é demais!

Construindo seu esconderijo
Pegue o livro: quanto maior, melhor. Dê preferência para livros que tenham pelo menos 300 páginas e que tenham capa dura. Isso facilitará o trabalho.

Misture a cola: faça uma solução de cola branca com um pouco de água – uma parte de cola para duas partes de água – em uma vasilha. A aparência final deve ficar semelhante à viscosidade de tinta acrílica.

Isole as páginas: agrupe as primeiras 20 páginas do livro com o plástico e se certifique de que estejam bem emboladas de todos os lados. Repita o processo para as últimas 20 páginas.

Passe cola: cubra os três lados das páginas restantes com a mistura de cola. Feche o livro, coloque o objeto pesado em cima e espere secar.

Corte: depois de seco, abra o livro e as páginas revestidas pelo plástico. Utilizando a régua e o lapis, marque a primeira página – daquelas que você passou cola nas laterais – com as margens que você desejar. Coloque o livro sobre uma superfície firme, segure e utilize a furadeira para furar as intersecções do seu desenho das margens. Pare antes de atingir as páginas plastificadas.

Cave: a ideia aqui é utilizar os buracos para que sirvam de pontos de entrada para a lâmina, que tirará o volume do livro. Cave e tenha cuidado para não estragar as partes das páginas que não devem ser retiradas. Se quiser, pode utilizar uma serrinha.
Limpe e cole: termine de limpar as páginas da cavidade e pinte-as com a mistura de cola. Feche o livro, coloque o peso em cima e espere secar.

Adicione uma última camada: uma vez que esteja seco, pinte mais uma vez as páginas e as laterais com a mistura de cola. Feche o livro e espere secar.

Esconda: quando tudo estiver seco, remova os plásticos e coloque o que desejar no espaço interno, como joias, dinheiro e o que mais for possível. Agora é só pôr na prateleira.

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