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‘O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial’, diz André Schiffrin

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Iona Teixeira Stevens, no PublishNews

Começou ontem o Simpósio Internacional Livros e Universidades da Edusp. Na primeira mesa, André Schiffrin, da New Press, falou sobre conglomeração e monopólio nas mídias. Já o acadêmico Laurence Hallewell, da universidade de Columbia, contou sobre sua experiência como pesquisador da História do livro no Brasil. Paulo Franchetti, diretor editorial da Editora da Unicamp, refletiu sobre o papel das editoras universitárias.

André Schiffrin fez uma apresentação incisiva, lançando inúmeras críticas sobre o rumo da indústria editorial nos últimos anos. Comentando sobre a fusão Penguin Random House e a compra da Mondadori, ele ressaltou que a maioria dos grupos que possuem editoras têm outros interesses, maiores e mais lucrativos, como é o caso da Bertelsmann, News Corp, Pearson etc. O objetivo das fusões seria então “não perder tanto dinheiro com livros”. O resultado, segundo ele, são menos pessoas, e menos livros. “Hoje em dia as editoras têm mais contadores que editores. E não são os contadores que vão perder o emprego com as fusões”, disse o publisher, que possui 55 anos de mercado, “a Random house tem orgulho do fato de estar em cima de um cemitério de umas duzentas editoras pequenas, que hoje não passam de selos colocados nos livros na saída da linha de impressão” critica o editor.

Mas, para Schiffrin, a maior mudança no mercado editorial aconteceu quando os grupos passaram a exigir que todos os livros tivessem lucro: “Não podíamos mais dizer ‘vamos usar a receita do nosso best seller para financiar Foucault’. Todo mundo sabe que você tem que ir devagar com os livros importantes”. E isso afeta as editoras universitárias também. Schiffrin conta o caso da editora universitária de Oxford, na Inglaterra, cujos publishers devem ter retorno de 1 milhão de dólares pelos livros por ano. “Isso exclui livros difíceis e politicamente inovadores.” Ele lembra que , nos anos 50 e 60, o catálogo das editoras comerciais era similar ao das universitárias, e que hoje isso mudou. “Com uma indústria que publica milhares de livros por ano, é interessante entrar numa livraria e ver o que não está lá”, lamenta André Schiffrin.

A Amazon também não escapa de sua crítica: “A Amazon já declarou que quer ‘eliminar o meio de campo’, ou seja, as livrarias. Eles querem, com os preços que colocam nos livros, acabar com o paperback. E sem o paperback as editoras não se sustentam”. A previsão de Schiffrin é pessimista, ele acredita que no futuro haverá 5, 4 ou até 3 editoras em cada país controlando o mercado editorial: “O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial”.

O acadêmico Laurence Hallewell fez um apanhado de sua palestra sobre a aparição do livro, mostrando como a tipografia influenciou a expansão das línguas na Inglaterra, Itália, França, Portugal e Brasil. Também explicou a origem de seus estudos sobre a história do livro no Brasil. “A superioridade física e estética dos livros brasileiros em relação aos da região da América latina despertou meu interesse nesse mercado no país” disse Hallewell, em português correto e com sotaque que poderia ser ao mesmo tempo do Rio de Janeiro, Portugal e Goa. Ele concluiu a mini-palestra com o caso do da língua tupi guarani na indústria editorial nacional. “Esquecemos até quando o tupi guarani sobreviveu, e a importância que teve no início da colonização. O Brasil poderia ter tido destino igual a do Paraguai, expressando-se e sentindo o mundo pelo guarani e usando a língua velha da Europa pra questões de governo”.

Já Paulo Franchetti, diretor da editora da Unicamp, afirmou que não vinha como exemplo de sucesso, mas de problema das editoras universitárias brasileiras. Para ele, há duas diferenças entre as editoras comerciais e as universitárias. Primeiramente, a produção dos livros por docentes; o intuito de utilizar os títulos na sala de aula; o papel na formação de bibliotecas universitárias e a avaliação criteriosa dos pares caracterizam as editoras universitárias. Em segundo lugar está o retorno acadêmico, e não financeiro, que buscam as editoras universitárias, diferentemente de editoras comerciais voltadas para o mundo acadêmico. “Eu creio que as editoras universitárias de primeira linha possuem não um lugar concorrente, mas um lugar que ninguém mais ocupa, de formação de catálogo especializado e de intervenção no mercado de forma ‘anti-mercadológica’”. Franchetti também só vê interesse em editoras universitárias que publicam títulos com abrangência nacional, não apenas regional, e que ainda não compensa investir em livros digitais. “O custo de produção é muito alto, representa 30% de um livro em papel. O público é restrito, não temos como fazer esse investimento e ter o retorno com livro digital.”

Para especialistas, ‘Cinquenta Tons’ é sucesso pois protagonista personifica sonho feminino

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Heloísa Noronha, no UOL Mulher

As pilhas de exemplares em lugar de destaque nas livrarias, algumas com direito à presença de chicotes, máscaras e algemas para chamar ainda mais a atenção dos consumidores, não deixam dúvidas de que a trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” é um fenômeno editorial. Nas redes sociais, as chamadas “Greyzetes”, apelido das fãs do protagonista Christian Grey, comentam o tempo todo sobre as qualidades do milionário e suspiram, inconformadas, com a possibilidade remota de um dia serem tratadas como Anastasia Steele.

A curiosidade em saber o que há de tão interessante nas páginas dos livros de capa acinzentada tem levado cada vez mais os homens a se renderem ao romance erótico da britânica E L James. E essa excitação toda ainda vem fazendo a alegria dos donos de sex shops, que afirmam que as vendas aumentaram em suas lojas por causa do best-seller.

Especialistas em literatura, críticos e até leitores apaixonados afirmam que a trilogia é superficial, previsível, com personagens inverossímeis e, principalmente, mal escrita. Então, o que explica tamanho alvoroço? Para a escritora Noemi Jaffe, doutora em Literatura Brasileira pela USP (Universidade de São Paulo) e crítica do jornal Folha de S. Paulo, o sucesso da saga de E L James se deve justamente à fácil leitura. “Trata-se de uma historinha linear, sequencial, permeada por estereótipos amorosos e clichês dos tempos da fotonovela”, declara.

Para ela, o enredo com pitadas de sadomasoquismo e erotismo dá o sabor que faltava ao enredo dos tradicionais livrinhos estilo água com açúcar, vendidos em bancas de jornais, como “Sabrina”.

Na opinião da escritora, tradutora e ex-agente literária Celina Portocarrero, que recentemente organizou a antologia de poesias “Amar, Verbo Atemporal” (Editora Rocco), a humanidade, de um modo geral, está precisando de mais romance –na vida e como leitura. “E como as mulheres, em geral, consomem mais literatura, isso explica o furor do público feminino em torno da criação de E L James”, diz.

O fato de a obra ser uma trilogia e de cada volume ter quase 400 páginas, ao contrário de espantar, atrai. “As mulheres não gostam de romances curtos, porque elas precisam de tempo para mergulhar na história e entrar no clima das situações”, afirma Celina.

Segundo Noemi, outro fator que justifica o encantamento por “Cinquenta Tons de Cinza” (o nome do primeiro volume acabou batizando toda a trilogia) é Christian Grey. “O personagem masculino da história é muito cativante. Apesar de à primeira vista ele ser mostrado como um dominador, no decorrer da trama, ele leva o que Anastasia quer em consideração”, explica.

“Ele preenche todos os sonhos que toda mulher tem desde a infância”, diz Leonardo Berenger, professor de literatura inglesa e americana da faculdade de Letras da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Quem compartilha da mesma opinião é Mariana Teixeira, doutora em Literatura Comparada pela USP (Universidade de São Paulo), pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em literatura libertina.

“O conteúdo erótico de ‘Cinquenta Tons de Cinza’ contribui para a leitora ver em Christian Grey uma versão moderna do príncipe encantado. Afinal, mesmo os contos de fadas infantis têm uma carga erótica”, diz.
A mudança do parceiro através do amor é outro componente que desperta forte interesse. “Além de acreditar que essa mudança é possível na realidade, os leitores se deslumbram com a expectativa de que algo muito maravilhoso e importante pode acontecer em suas vidas, como o encontro amoroso entre Ana e Christian”, afirma Leonardo, da PUC-RS. Para ele, as cenas de sexo entre o casal atiçam o lado “voyeur” do público.

“As descrições, embora meio açucaradas, em especial as da lua de mel dos personagens, são detalhadas. O leitor se coloca na cama, na companhia dos dois”, explica ele, dizendo que, mesmo com toda a evolução sexual e comportamental da sociedade, o sadomasoquismo ainda é um tabu, o que desperta ainda mais fascínio.

“É cheio de clichês e situações previsíveis? Claro que sim. É uma fórmula pronta, banal. Mas não podemos deixar de admitir que é atraente, principalmente se quem a encara se sente espiando o buraco da fechadura”, diz Leonardo. Assim como ele, Noemi Jaffe e Celina Portocarrero definem “Cinquenta Tons” como má literatura, mas não ignoram seus méritos.

“É melhor do que não ler nada”, diz Noemi. “Mesmo os livros ruins podem levar aos bons. Quando o leitor se apaixona por um romance erótico como esse, pode se interessar em conhecer outros e acabar encontrando autores com uma linguagem mais refinada”, afirma Celina.

Livros digitais impulsionam o mercado editorial brasileiro

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Publicado no Boa Informação

Embora represente uma fração do mercado editorial brasileiro, a venda de livros digitais começa a ganhar corpo e deverá sustentar o crescimento futuro do setor.

Só a livraria Saraiva, maior rede do país, vendeu R$ 500 mil no mês de outubro. E 30% das vendas do best seller “50 Tons de Cinza” na saraiva.com foram na versão digital. “Na medida em que as editoras começam a fazer lançamentos simultâneos no papel e no meio digital, os números deverão crescer rapidamente”, diz o presidente da Saraiva, Marcílio Pousada.

Se fosse contabilizado como uma loja da rede, as vendas com livros digitais já estariam na 11ª posição dentre as 102 lojas da rede em volume de venda de livro. No início do ano, a venda de e-books ocupava o 79º lugar.

“O negócio digital cresce com força e estamos muito satisfeitos”, diz Pousada, que nega rumores de que a Saraiva estaria negociando sua venda para a Amazon.

Ele diz não temer a concorrência da Amazon, que planeja entrar no Brasil no ano que vem. “Acreditamos nas nossas fortalezas e conhecemos o mercado. Entregamos 200 mil títulos em São Paulo em 24 horas”, diz Pousada.

O presidente da Livraria Cultura, Sérgio Herz, diz que a concorrência com a Amazon é bem-vinda, mas que a companhia americana vai encontrar um mercado com muitas peculiaridades.

“Não dá para desrespeitar. Mas lá eles jogam em um campo bonito e eu aqui a bola é murcha e o campo esburacado”, diz Herz. “Pagamos tudo adiantado, fornecedor, imposto. Lá fora não, eles recebem à vista do cliente e pagam o fornecedor depois.”

Até o final do mês, a Cultura começa a vender o leitor digital Kobo, sua aposta para impulsionar a venda de livros digitais.

(mais…)

Cinquenta Tons de Cinza é responsável por criação de verbete em dicionário americano

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Expressão de best-seller vira verbete de dicionário /Foto: Reprodução The Guardian

Bruno Astuto, na Revista Época

O best-seller Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James, consagrou a expressão Mommy Porn (pornô para mamães) e acabou virando verbete no famoso dicionário online Collins, como “literatura erótica voltada para mulheres”.

O livro mais falado dos últimos tempos é o primeiro da trilogia sobre o relacionamento sexual de Christian Grey e a estudante de jornalismo Anastasia Steele. Virgem, a garota se submete aos jogos de sedução sadomasoquistas de Christian Grey, que lhe ensina a prática sexual e avalia seu desempenho na cama. O Collins também incluiu 80 novos verbetes como frenemy (inimigo disfarçado de amigo), blooted (palavra escocesa para bêbado) e floordrobe (pilha de roupas deixada no chão).

Viúvo segue receita deixada por mulher para criar os filhos e vira best-seller

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St. John Greene e seus filhos, Reef e Finn

St. John Greene e seus filhos, Reef e Finn, em Bristol (Reino Unido)/ Foto Divulgação

IARA BIDERMAN, na Folha de S. Paulo

Um pouco antes de morrer, aos 37 anos, a inglesa Kate Greene preparou uma lista para o marido pedindo que realizasse seus últimos desejos. São cem tópicos sobre a criação dos filhos do casal.

O marido, Singe St. John, professor de esportes de aventura, começou a seguir as lições deixada pela mulher, logo depois de sua morte, causada por um câncer de mama. Isso o ajudou não apenas a enfrentar o luto: é a sua tábua de mandamentos para criar sozinho os filhos Reef, 8, e Finn, 6.

A lista teve também um desdobramento inesperado: transformada em livro, virou best-seller no mercado britânico e norte-americano.

Em “A Lista de Kate” (ed. Outono, 360 págs, R$ 39,90), Singe fala de algumas coisas que sua mulher queria que ele fizesse com os filhos: levá-los para mergulhar no Mar Vermelho, ensiná-los a dizer o que sentem e a respeitar as mulheres (começando por suas futuras namoradas), preparar festas de aniversário inesquecíveis e dar dois beijos de boa noite.

O livro conta também a história da família: o primeiro encontro de Siege e Kate, quando ela era ainda adolescente, o nascimento do primeiro filho, que recebeu o diagnóstico de um câncer raro quando tinha 18 meses, o parto prematuro do segundo bebê, as viagens de aventura do casal e a doença e a morte de Kate.

Siege afirma estar surpreso com o sucesso do livro, mas diz que ele e os dois filhos estão encarando numa boa a nova vida de celebridades — os três deram entrevistas para os principais jornais e canais de TV do Reino Unido e uma produtora britânica comprou os direitos para fazer um filme baseado na história da família Greene.

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Folha – Na sua opinião, por que “A Lista de Kate” fez tanto sucesso?

Siege St. John Greene – As pessoas gostam de ler nossa história porque percebem que o mundo às vezes pode ser um lugar muito bom quando você está com as pessoas que ama. E também acho que todos gostam de saber como uma outra pessoa passou por dificuldades e o que fez para superá-las.

Pode também ajudar outros pais a criarem seus filhos?

Espero que sim. Hoje muitos pais deixam as crianças vivendo numa bolha, querem que tenham muita segurança, mas não deixam que as crianças tenham experiências, boas ou más, que dão graça à vida. O que tento fazer com meus filhos, e conto no livro, é ensiná-los a experimentar sempre, fazer todo dia algo que seja surpreendente e de que se lembrarão pelo resto da vida.

Qual foi o tópico da lista de Kate mais fácil de cumprir?

Dar dois beijos de boa noite em cada um dos garotos. É a mais fácil e a mais gostosa de cumprir.

E a mais difícil?

Kate disse para eu encontrar um novo amor, pensando não só em mim, mas também nos meninos, que precisam ter uma figura de referência feminina. Sempre disse que seria o mais difícil, mas estou tentando. Depois disso, pensando em conjunto, é ter que ser o cara legal (que leva para viajar, inventa aventuras) e o malvado (que faz eles cumprirem deveres etc.) sozinho.

Quais os seus conselhos para os pais hoje?

Que deixem as crianças terem o máximo de experiências que puderem e que aproveitem ao máximo o tempo que têm com seus filhos. Que aproveitem também as pequenas coisas –um sorvete de chocolate, um dia de sol no quintal de casa — elas são a cereja do bolo. E que se conscientizem de que não podem e não precisam fazer tudo pelos seus filhos, mas que podem e devem pedir ajuda: a família e os amigos querem ajudar e ficam felizes em poder fazer isso

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