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Como um robô está tentando prever qual livro é um potencial best-seller

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Algoritmo faz o trabalho de encontrar livros com alto potencial, diz empresa

Algoritmo faz o trabalho de encontrar livros com alto potencial, diz empresa

 

Empresa pretende explorar melhor obras que podem fazer sucesso e intermediar contato com editoras

André Cabette Fabio, no Nexo

O clássico literário “O Senhor das Moscas”, de William Golding, foi rejeitado 20 vezes antes de ser publicado. “Carrie a Estranha”, de Stephen King, 30 vezes. “E o Vento Levou”, 38 vezes. Marcel Proust teve que pagar ele mesmo com os custos de publicação de “Em Busca do Tempo Perdido”. E editores disseram a J. K. Rowling, autora da série “Harry Potter”, que não abandonasse seu emprego para seguir carreira na literatura quando ela apresentou “Harry Potter e A Pedra Filosofal”. Ela diz que guarda até hoje em seu sótão as cartas que rejeitavam o livro.

Histórias de livros rejeitados inicialmente que depois vieram a fazer muito sucesso são comuns. E é provável que muitos potenciais “best sellers” ainda estejam em alguma gaveta (ou publicada discretamente em algum site obscuro da internet). Diante desse cenário, uma startup fundada em 2012 em Berlim, a Inkitt, tenta lidar com a questão usando um robô que detecta o potencial de venda de um livro.

O algoritmo de inteligência analisa como o público responde a obras literárias em desenvolvimento publicadas na rede. A expectativa é que esse sistema seja capaz de captar o que agrada ao público e encontrar livros com alto potencial de sucesso.

Como a empresa analisa o potencial de um livro

1 -Publicação

O autor escreve uma obra e a publica no site da startup, onde pode ser lido por uma comunidade de cerca de 500 mil pessoas.

2 -Algoritmo

Conforme leitores têm acesso ao trabalho, o algoritmo de inteligência artificial analisa como essas leituras são feitas. A empresa não revela exatamente como seu algoritmo funciona (se leva em conta o tempo gasto na obra ou as vezes em que um leitor abandona ou retoma a leitura, por exemplo). Mas afirma que a inteligência artificial desenvolvida é capaz de identificar quais livros têm potencial de sucesso.

3 -Negociação com editoras

Quando esse potencial é detectado, a companhia oferece a obra a grandes editoras e negocia os termos de licenciamento.


4 -Publicação de versão digital

Se não há interesse por parte de uma editora, a própria empresa publica uma versão digital (o livro, dessa forma, é lançado em plataformas de venda, extrapolando o ambiente do site da startup). Se o número de cópias vendidas não chegar a mil em um período de 12 meses, os direitos sobre o trabalho voltam para o autor.


5 -Segunda negociação

Se o livro vender bem, a empresa volta a tentar negociar com as grandes editoras, agora com mais argumentos a favor de uma publicação.

Onde a empresa quer se encaixar no mercado de livros?#

Com seu método, a companhia quer se tornar uma intermediária entre autores e editoras tradicionais para chegar ao grande público. E capitalizar com um fenômeno que já existe: o nascimento de obras de sucesso em fóruns e plataformas de publicação on-line.

Segundo o site Author Earnings, que analisa dados da empresa de venda de livros Amazon, obras publicadas pelos próprios autores ou por pequenas editoras independentes – com frequência de propriedade dos próprios autores – somam 39% dos e-books vendidos ali.

Publicado em 2011, o bestseller “Cinquenta Tons de Cinza”, da inglesa E. L. James foi gestado na internet e vendeu mais de 125 milhões de cópias pelo mundo. Inicialmente, a obra foi lançada na plataforma fanfiction.net. A escritora viu o potencial do livro com base na reação dos leitores, que também usou para adaptar a obra antes de levá-la a editoras.

Da mesma forma que E. L. James se precisou do retorno dos primeiros leitores da obra no fanfiction.net, o algoritmo da Inkitt seria incapaz de fazer qualquer seleção eficiente se não tivesse como fonte de dados o trabalho de sua comunidade.

Primeira parceria com grande editora sai em 2017#

O método está trazendo à tona uma primeira obra: “Bright Star”, da escritora Erin Swan, que chegou até a plataforma através do concurso “Joias Escondidas” (“Hidden Gems”).

O livro é uma ficção para adultos que inaugura uma série contando a história de Paerolia, uma terra onde “conflito e guerra trouxeram amplas cisões”. Um líder rebelde, chamado Kael, ajuda a escrava Andra a “descobrir a força que sempre esteve com ela” para lutar e recuperar um dragão. Os direitos sobre o trabalho foram vendidos para a editora Tor Books, que deve lançá-lo em 2017. Para Ali Albazaz, criador da startup, isso é um sinal de que seu algoritmo e seu modelo de negócios estão indo pelo caminho certo:

Esse acordo é um claro sinal à indústria editorial de que a análise de dados é o caminho para o futuro. Estamos na dianteira do movimento que usa dados para edição, e esse acordo mostra que nosso modelo de negócios funciona.”

Como se tornar um escritor best-seller após os 60 anos

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Parece que é exceção, mas não. O sucesso na literatura tem relação proporcional aos anos de vida: as chances de dar certo crescem com a idade. Só que as portas desse mercado estão fechadas por preconceitos, é preciso arrombar com persistência, confiança e talento.

Christiane Britto, no Pé na Alcova

Aqui vamos falar dos escritores temporões, especificamente, os de 65 anos (ou mais): que chances têm de se tornar best-sellers? Esse tópico de discussão surgiu em uma rede social e gerou quase mil comentários, inclusive o meu, ingênuo: “sim, lógico, no Brasil temos a Cora Coralina”…

Consegui me divertir e me instruir, divido com vocês estatísticas, previsões e reflexões que acrescentei.

1.Metade dos escritores publicados têm, na media, 64 anos. Então “65” é uma idade razoável para se lançar.

2.Mais de 4,2 milhões de livros publicados no mundo foram escritos por pessoas com mais de 80 anos.

3.Em 2014, 79% dos escritores, nos Estados Unidos, faturaram menos de 30 mil dólares, subtraídas todas as despesas. É pouco, por isso pessoas que trabalham com artes têm avaliação negativa de crédito nos bancos e dificuldade para pagar contas. Considerando-se que essa média incorpora também o faturamento dos best-sellers, pode-se dizer que muitos escritores não recebem nada por seus livros em um ano.

4.Já o escritor britânico médio ganha £11.000 por ano. “Eles adorariam ganhar £22.000 (30 mil dólares)”, garante um autor veterano.

5.Uma senhora — que estreou na literatura com 83, tem 86 e já lançou o segundo livro em 2014 — se dedica a escrever o terceiro. Sente-se realizada, embora distante de um título best-seller. Admirável empenho o dela na discussão, questionou, foi questionada (todos discutiram como se tivessem a mesma idade, coisa bem americana que achei legal, o excesso de respeito sacrificaria a honestidade das respostas), e não perdeu o ânimo.

6.Uma autora de 61 anos, estreante, diz que se sente realizada porque a sua visão de sucesso é: “a)Termina de escrever a porra do livro; b)Publique via Kindle (KDP); c)Acompanhe o “aguarde aqui” nas vendas pela Amazon.” Publicar pela primeira vez foi uma “experiência gloriosa” que quer repetir: “Durante 40 anos fui uma pessoa de hábitos rígidos, agora, com a aposentadoria, quero agenda livre. Há dias em que escrevo muito, em outros, nem uma linha. Talvez a disciplina venha com o segundo livro.”

7.Há outras motivações para a escrita após os 65, como o contato com um público interessado: “Eu nunca tive nenhuma inclinação para escrever poesia ou qualquer outro gênero até que conheci as crianças e elas sabiam exatamente o que queriam. Produzi 400 poemas para elas, já publiquei 344 em cinco livros. O bom de ser aposentada, é que não preciso do dinheiro das vendas para sobreviver. Faço por diversão e realização”, revela uma autora de quase 70.

8.Um escritor definiu duas regras para se dar bem com publicações após aposentadoria (e antes), afinal, o mercado literário está despontando como oportunidade de segunda carreira para uma grande maioria de maiores de 60. A regra número 1 é “nenhum editor ou editora pode garantir o sucesso do seu livro”. Regra número 2: nunca se esqueça da regra número 1.

9.A vocação pode despertar cedo, aos 12, caso de Brian Morgan. Mas só se realizar décadas depois. Conta Morgan: “Publiquei o primeiro livro aos 62 e me tornei best-seller. Aos 72, me tornei um escritor independente, hoje, com 74, já tenho sete livros no total. Pretendo me aposentar aos 100.”

10.Certamente a indústria discrimina os escritores velhos, sempre foi assim, diz uma autora consagrada. Conta que publicou seu primeiro romance pela Harper Collins quando estava com 55 anos. As vendas foram excelentes. A partir daí, sua idade deixou de contar. Hoje tem 85 anos, 15 livros publicados nos Estados Unidos, Irlanda e Inglaterra.

11.Cassie Harte, best-seller aos 64 anos com a biografia I did tell I did, 2009, discorda: “Eu escrevi minha autobiografia com 64 anos e fui para a posição número 1 nos rankings de não ficção de jornais como o Sunday Times”. O livro ficou nessa posição por quatro semanas, vendeu 90 mil cópias e está publicado em quatro países. “Meu segundo livro está em fase de lançamento”, diz,”portanto, se você tem uma boa história, escreva e boa sorte!”

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12.Uma atriz e também autora afirma que, lamentavelmente, aos 65 anos, o autor é praticamente impublicável porque não tem longevidade – na visão do mercado – para fazer uma carreira: “Do ponto de vista tradicional de publicação, a possibilidade de um escritor se lançar aos 65 com sucesso é mínima. Em nossa edição de inverno 2015, fizemos uma peça sobre James Anderson, que escreveu um livro verdadeiramente magistral, chamado The Never-Open Desert Diner. Ele tem sido elogiado por alguns realmente importantes meios de comunicação e é um grande sucesso do ponto de vista de vendas. Mas quase não foi publicado. Por quê? Porque – com 62 anos de idade – agentes e editoras disseram que James não tinha nenhuma “longevidade”. Em outras palavras, ele era velho demais para escrever mais livros. Felizmente, a Caravel Books, em Nova York, publicou o livro simplesmente porque é muito bom, do contrário a obra nunca teria visto a luz do dia. Se um escritor talentoso como James quase “perdeu o barco da oportunidade” – que será do destino de outros escritores “mais velhos”. “Por outro lado, a história dele prova que talento + persistência = sucesso. Está vendendo bastante em quatro países”, diz a atriz e autora.

13.Há autor que até tem nome para os jovens que julgam suas obras com má vontade e pouco conhecimento: “O problema é que existem (mais…)

7 conceitos da Física ‘simplificados’ por livro que virou best-seller na Itália

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Publicado no CO News [via BBC]

Uma obra que trata de mecânica quântica, partículas elementares, arquitetura do cosmo e buracos negros, entre outros temas de física teórica, está há meses na lista de livros mais vendidos na Itália.

Em Sete Breves Lições de Física (publicado no Brasil pela Ed. Objetiva), o professor Carlo Rovelli resume de modo simples os principais conceitos da ciência contemporânea, desde a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, passando pelas descobertas do astrofísico inglês Stephen Hawking, até a provável extinção da espécie humana.

“A maior parte dos livros de física são escritos para quem já é apaixonado pelo assunto e quer saber mais. Por isso, pensei num livro para quem conhece pouco ou nada sobre a matéria. Poupei os detalhes e concentrei-me no essencial”, disse o autor à BBC Brasil.

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“É como escrever poesia: quanto mais se tira, mais bonita ela fica.”

Nascido em Verona, no norte da Itália, e atual responsável pelo centro de pesquisas sobre gravidade quântica da Universidade Aix-Marseille, na França, Rovelli explica que o ensaio não trata apenas de física, mas de temas relacionados à natureza humana.

“O livro oferece uma possível resposta, do ponto de vista científico, às perguntas que todos nós, vez ou outra, nos fazemos durante a nossa vida: ‘quem somos?’, ‘de onde viemos?’, ‘o que existe além daquilo que enxergamos?‘. É a visão de alguém que se esforça para compreender isso tudo.”

O sucesso da obra superou as expectativas da editora, que inicialmente havia imprimido três mil cópias. Passado pouco mais de um ano, o livro está em sua 18ª edição, teve 300 mil exemplares vendidos no país e foi traduzido para 28 idiomas.

Relatividade no horário nobre

“Logo depois do lançamento, comecei a receber e-mails de leitores entusiasmados, dizendo que comprariam outros exemplares para darem de presente. Em pouco tempo, o título apareceu na lista dos mais vendidos, algo estranho para uma obra de física teórica e, a partir daí, a coisa explodiu: editoras, jornais, rádios e revistas começaram a me procurar.”

O professor, de 59 anos, chegou a falar sobre a teoria da relatividade de Einstein e de gravidade quântica em programas do horário nobre da televisão italiana. “Na verdade, as TVs passaram a me convidar só depois que o livro fez sucesso. Do contrário, acho que não teriam dado espaço a para assuntos difíceis como este.”

Também nas escolas, segundo Rovelli, falar sobre física é quase sempre “chato”.

 

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

 

“Os períodos de férias são os melhores para se estudar, porque não há a distração da escola”, diz, em um trecho do livro sobre o período em que era estudante universitário e, em uma praia da Calábria, leu pela primeira vez “a mais bela das teorias” (a da relatividade, de Albert Einstein), em um livro roído por ratos.

“Em vez de programas curriculares muito extensos e precisos, para atrair o interesse dos jovens pela ciência é necessário tratar bem os professores e deixar que eles tenham mais liberdade para abordarem os temas que mais gostam. O que faz um aluno se apaixonar por uma determinada matéria é o entusiasmo do próprio professor“, afirma.

“Para compreender a ciência é preciso um pouco de empenho e esforço, mas o prêmio é a beleza. E olhos novos para enxergar o mundo.”

Confira alguns trechos das explicações de Rovelli sobre personagens, teorias e conceitos da física:

Copérnico:

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“Se eu quiser explicar a Revolução Copernicana, posso falar durante horas, apresentar cálculos e citar exemplos. Mas também posso dizer apenas que (Nicolau) Copérnico descobriu que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário. Este é o coração da descoberta, e isto as pessoas entendem.”

Darwin:

“Outra extraordinária descoberta científica que pode ser explicada em poucas palavras é a teoria de (Charles) Darwin, que escreveu um livro difícil com pesquisas de (mais…)

Best-seller juvenil vira minissérie na Globo com empurrão de Manoel Carlos

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Laura Neiva (esq.) vive personagem inspirada na 'narradora-conselheira' de Isabela Freitas

Laura Neiva (esq.) vive personagem inspirada na ‘narradora-conselheira’ de Isabela Freitas

Gabriela Sá Pessoa, na Folha de S.Paulo

Um dos 410 mil exemplares vendidos do best-seller “Não se Apega, Não”, da autora mineira Isabela Freitas, foi parar nas mãos de Manoel Carlos. O livro saiu em 2014, pela Intrínseca, e a sequência, “Não se Iluda, Não” foi publicada recentemente pela mesma editora.

Maneco, autor de novelas globais como “Mulheres Apaixonadas”, gostou do que leu: histórias confessionais sobre relacionamentos e conselhos para dar a volta por cima em términos (“em caso de dor, desapego por favor”, diz um deles).

Tanto que convidou a moça de 24 anos para um café no Rio. A proposta: adaptar o texto para a televisão.

O resultado estreia neste domingo (8) no “Fantástico”, da TV Globo. Serão seis episódios de dez minutos, em que as desventuras amorosas da garota viraram esquetes protagonizadas por Laura Neiva, José Loreto e Rafael Vitti, destaque da última temporada de “Malhação”.

Antes de chegar aos atores, porém, o texto passou pelas mãos das roteiristas Juliana Peres e Mariana Torres, colaboradoras de Maneco há dez e seis anos. A dupla assina, pela primeira vez, uma produção sozinha.

O que Manoel Carlos —criador de oito Helenas, um dos personagens femininos mais longevos da TV—, encontrou de novidade na maneira com que Isabela Freitas aborda o universo das mulheres?

“Talvez nada que já não tenha sido feito, até mesmo por mim”, diz ele. “Mas no caso da Isabela, oriunda de um universo que eu pouco conheço, o que me cativou foi a maneira direta de se expressar, com a convicção de estar falando às pessoas certas, capazes de entendê-la.”

Coisa que a jovem escritora diz ver pouco na televisão. “Outro dia vi uma reportagem, falando que a TV está muito velha, com programação para pessoas mais velhas”, comenta ela. “O jovem tem muita vontade de ter voz na TV, por isso recorre à internet, ao YouTube.”

MAIS RÁPIDO

O ambiente virtual ela domina como a palma da mão. Seu site diz contabilizar 100 mil visitas diárias e sua página no Facebook é seguida por 406 mil pessoas.

A maneira com que Isabela se comunica com seu público foi algo que as roteiristas tentaram desvendar.

Habituadas a escrever novelas, as roteiristas contam que precisaram adaptar suas técnicas de escrita para “Não se Apega, Não”.

O fluxo “muito mais rápido” da narrativa, diz Juliana Peres, exige que o gatilho de uma cena esteja “dentro” da que a antecedeu, sem tempo para passagens.

A agilidade do texto, para Mariana, é o “mistério do talento e do sucesso” de Isabela Freitas. “Ela encontrou uma maneira de se comunicar com o público jovem, que é muito difícil”, afirma.

Com quatro anos de experiência como blogueira e escritora, Isabela dá a letra: o segredo da fama em tempos de “youtubers” é manter a autenticidade, “sem forçar ser o que você não é”.

“Sendo autêntico, direto e sincero, sem ficar pensando no que vai falar, sem se prender muito a roteiros”, conta. “As pessoas vão gostar e se sentir próximas”, acredita.

A qualidade literária do best-seller

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Publicado em Nova Escola

Quando eu era criança, escolhia minhas leituras pelas indicações dos professores. Quando adolescente, passei a verificar assiduamente a lista dos mais vendidos. Já adulta, entrei em crise. Muitas pessoas ao meu redor diziam que os tais best-sellers eram literatura pobre e, então, passei a considerar somente as opiniões de críticos literários. Assim nasceu meu preconceito com aqueles que se davam bem no comércio.

Depois de um tempo, me deparei com ótimos livros que também figuravam nas tais listas e fiquei ainda mais atrapalhada. Um deles foi O Caçador de Pipas, do afegão Khaled Hosseini (Globo Livros, 368 págs., tel.: 11 / 3767-7514, 39,90 reais). A obra conta a história de Amir, um afegão radicado nos EUA, mas que volta ao seu país de origem para acertar contas ligadas à sua infância. A história envolvente me prendeu, me emocionou e me marcou bastante. Aspectos que eu valorizo na apreciação de um texto.

Decidi pesquisar e falar com alguns especialistas para compreender melhor o assunto. Descobri, por exemplo, que em 1893, no Brasil, o título O Aborto, de Figueiredo Pimentel, já havia sido considerado um best-seller por vender mais que os mais prestigiados da época. Mas o conceito só foi efetivamente definido na década de 1940 , quando o historiador e jornalista americano Frank Luther Mott estabeleceu um mínimo de um por cento da população do país em vendas durante a década de sua publicação para que uma obra fosse considerada best-seller.

Ou seja, a classificação de um livro como best-seller tem a ver exclusivamente com suas vendas. Na verdade, não faz lá muito sentido que seja visto como um gênero textual. A pesquisadora Jéssica Kurak Ponciano, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), comenta: “Apenas o fato de ter vendido muito não é capaz de anular toda a riqueza artística, a literariedade e a qualidade estética que uma obra pode conter”. Concordo com ela. Mas, por outro lado, sabemos que muitas vezes uma literatura mais fácil de ser apreendida tem mesmo um público maior. Enquanto algo mais complexo perde popularidade por exigir repertório e disponibilidade para ser lido. Porém, isso também não quer dizer que livros “cabeça” sejam, necessariamente, melhores. Vanessa Ferrari, editora da Cia. Das Letras, com quem conversei no post da semana passada, afirma: “Se uma obra é muito ruim ou muito boa, todo mundo reconhece. Mas existe uma faixa muito grande de bons autores que atuam entre as duas vertentes”. E, nessa faixa, é difícil definir taxativamente o veredicto sobre qualidades e fragilidades de um livro.

Depois desse pequeno estudo, conclui que, em geral, há validade na leitura e há mais ainda em um leitor que lê de tudo e sabe reconhecer as qualidades e defeitos do que está consumindo. É possível mesmo ler livros que sabemos não serem literariamente tão bons mas, mesmo assim, ter prazer na leitura. A preferência literária é uma escolha que deve ser respeitada , seja pelas obras mais simples ou mais complexas.

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