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Biblioteca iraniana guarda antigos manuscritos da Bíblia

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Publicado no Blog do Galeno [via Público]

A Biblioteca Central de Tabriz (Irão) guarda uma das mais antigas edições de uma parte da Bíblia – um manuscrito do livro Actos dos Apóstolos, do Novo Testamento, que conta a história das origens cristãs. O livro foi escrito em siríaco, uma língua que viria a ser substituída pelo árabe, e é feito em pele de peixe. Devido à sua importância, o Vaticano já mostrou interesse em comprá-lo.

“Representantes do Vaticano propuseram, em diversas ocasiões, comprar o manuscrito à Biblioteca Central de Tabriz e estavam prontos para oferecer um cheque em branco”, disse a semana passada Manuchehr Jafari, responsável pela organização das bibliotecas públicas da província do Azerbaijão Oriental, ao jornal iraniano Farhikhtegan. Pelo valor espiritual e material que detém – segundo o jornal espanhol El Mundo terá mesmo chegado, “em tempos muito antigos”, a servir de garantia à moeda iraniana –, o Irão tem-se recusado a vendê-lo.

Há 80 anos, o dono do manuscrito tencionava vendê-lo no estrangeiro, mas foi impedido pelo governo iraniano. O documento ficou então guardado na Biblioteca Central de Tabriz. Segundo o jornal espanhol El Mundo, as páginas do manuscrito “conservam em perfeito estado a tinta com que foi estampado o texto”.

Não se sabe quando foi redigido nem como é que foi levado para o Irão, mas segundo o mesmo jornal, os especialistas responsáveis pela análise do manuscrito asseguram que foi restaurado pela última vez há 800 anos.

Numa primeira fase, os especialistas julgaram tratar-se de um conjunto de livros sagrados que, segundo o islamismo, teriam sido revelados por Deus antes do Corão, como o Zabur (o livro de David) ou a Torah de Moisés, mas peritos europeus na língua siríaca perceberam que se tratava, afinal, de uma parte do Novo Testamento.

Uma das questões que este manuscrito levanta é a do seu grau de fidelidade ao original, que foi redigido em grego koiné, ou helénico, uma conformidade difícil de certificar por serem muito poucos, em todo o mundo, os especialistas com um conhecimento profundo da antiga língua síríaca.

Idosa encara preconceito e aprende a ler aos 65 anos por incentivo do neto

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Maria das Mercês mora em Curitiba e tem o neto de 10 anos como filho.
‘Sempre tive muita vergonha de ser analfabeta’, desabafa a idosa.

Maria das Mercês, de 66 anos, adotou o neto após ele ter sido abandonado pela mãe (Foto: Adriana Justi / G1)

Maria das Mercês, de 66 anos, adotou o neto após ele ter sido abandonado pela mãe (Foto: Adriana Justi / G1)

Adriana Justi, no G1

A oportunidade em poder dar orgulho ao neto foi um dos motivos que fizeram a aposentada Maria das Mercês Silva a superar o preconceito e iniciar os estudos aos 65 anos. A motivação partiu do próprio garoto, de 10 anos, ao perceber o sofrimento da avó que passou parte da vida sem saber ler.

A avó conseguiu a guarda do menino Felipe Feitosa dos Santos porque a mãe não tinha condições de criá-lo. Hoje, aos 66 anos, Maria das Mercês comemora ter aprendido a escrever o nome e ter sido aprovada para o segundo ano do Ensino Fundamental. Ela também destaca que encara o mundo de outra forma e que passa boa parte do tempo tentando ler frases da Bíblia, outra conquista realizada.

“Ela é minha avó, mas eu considero como mãe. Ela sempre passava pelos lugares assim (…) e não conseguia ler. Aí tinham vezes em que ela pegava o ônibus e ficava perdida. Agora ela consegue ler bastante coisa e eu que ajudo nas lições que a professora passa”, conta Felipe.

“Sempre tive muita vergonha de ser analfabeta e, muitas vezes, nem contava para as pessoas. Também porque eu achava que já estava velha para isso. Mas eu comecei a me sentir mal mesmo com essa situação quando o Felipe chegava da escola com as lições de casa e eu não podia ajudá-lo. Eu me acabava de chorar por causa disso, mas nunca na frente dele”, conta Mercês.

Segundo ela, a motivação começou depois que Felipe flagrou uma das cenas de choro em um canto da pequena casa onde moram no bairro Uberaba, em Curitiba.

“Aí eu desabafei com ele, tadinho. Expliquei que dependia das pessoas para todas as coisas, até mesmo para pegar um dinheiro no banco porque nem os números eu conhecida”, disse Maria das Mercês.

Para garantir que a matrícula fosse feita e que a avó realmente pudesse estudar, o garoto a acompanhou até a escola. Desde então, como não pode ficar sozinho em casa no período da noite, Felipe acompanha a avó também na sala de aula durante todos os dias da semana.

O trajeto, conta dona Mercês, é feito de bicicleta. “Não tenho outro jeito. Não tenho ninguém pra cuidar dele. Então, eu coloco ele na garupa da minha bicicleta, coloco um capa porque ele não pode tomar chuva porque tem bronquite, e nós vamos para a escola. Ele, pela segunda vez, porque estuda de manhã”, explica a avó.

“Tenho muita dó de ter que levar ele junto. No primeiro ano, ele dormia sentadinho lá no cantinho da sala, era de partir o coração. Eu sofria vendo o sofrimento dele”, lembra a avó, emocionada. “Agora, a prefeitura arrumou uma salinha na escola para que os filhos possam brincar enquanto os pais estudam. O Felipe adora e eu fico bem tranquila”, diz.

Mas o sacrifício diário compensa, garante ela. “Graças ao meu netinho, hoje eu não dependo mais de ninguém. Faço tudo sozinha e, com a ajuda dele, nós ainda vamos conquistar muita coisa. O que não dá é para perder a fé”, destaca a avó.

Vida sofrida
Maria das Mercês é mãe de nove filhos e, em 2006, perdeu um deles para o câncer. Por conta disso, ela também cuidou de outros três netos. Atualmente, eles já são casados. A mãe de Felipe, segundo ela, morava em São Paulo, mas nunca mais apareceu. Já o pai do menino, dona Mercês nem conheceu.

“Eu passei fome, passei frio, dei amor aos meus filhos, e eles me abandonaram. É muito triste ter que contar isso, mas é a verdade”, desabafou.

O preconceito na vida dela começou cedo, quando o pai proibiu as mulheres da família de estudar. Apenas os homens puderam ter acesso ao ensino. “Meu pai achava que mulher não podia sair de casa e que tinha que ficar só na cozinha”, declara Maria das Mercês.

A ausência de carinho, também marcou a vida da idosa. “O amor que eu dei para os meus filhos, meus pais nunca me deram. Minha mãe nunca deu um abraço em mim, nunca deu um beijo. E meu pai também não”, contou.

Aluna nota 10
Feliz por ter acompanhado o primeiro ano de aula da Dona Maria Mercês, a professora Marli Pimentel da Silva conta que a idosa teve um bom desempenho logo no primeiro dia de aula.

“Ela sempre foi uma aluna que cobrou bastante dos professores. Sempre foi nítida a força de vontade dela em querer aprender. Ou seja, ela sempre fez o papel de cidadã questionadora e sempre quis uma escola de qualidade. Nota dez pra ela”, destaca Marli, que atualmente atua como pedagoga.

“A gente percebe que o interesse dela com a educação foi muito importante para o desenvolvimento do Felipe. Eu sempre digo que quando há parceria entre escola, aluno e família, as coisas acontecem de forma bem tranquila”, acrescenta Marli.

Futuro
Dona Maria das Mercês contou que o maior dos sonhos ela já conquistou, que era o de aprender a ler. Ela também disse que quer ir muito além nos estudos e escrever um livro sobre a história de vida dela. Mas o desejo mais próximo de se realizar é mais uma necessidade do que um sonho.

Mesmo sendo aposentada e com um emprego fixo, ela sobrevive com R$ 500 mensais. “Só sobra isso porque eu precisei fazer empréstimos para construir a minha casa, aí tem desconto todo mês. Então, como eu gosto de cozinhar, eu queria muito uma máquina de assar frangos para tentar ganhar uma renda extra”, ressalta.

Uma dúzia de livros que ninguém leu, mas mentem que sim

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Ademir Luiz, na Revista Bula

Faz parte das regras de etiqueta da alta sociedade PIMBA (Pseudo-intelectuais metidos a besta) exaltar efusivamente ou criticar severamente livros que não leu, que leu apenas a orelha, leu trechos ou breves comentários na internet. O importante é posar de especialista, seja para elogiar ou criticar. Na condição de Mister M da comunidade PIMBA, revelo aqui uma dúzia de livros que, considerando a margem de erro, provavelmente aquele seu amigo descolado, reluzente em sua fina camada de verniz cultural, não leu, mas diz com todas as letras (menos as letras do livro) que sim.

1 — Finnegans Wake, de James Joyce

“Finnegans Wake” é o Clovis Bornay dessa lista. É “hors-concours”. Praticamente ninguém leu, mas todo mundo exalta seu magnífico experimentalismo linguístico. Se seu amigo PIMBA comentar com ares de inteligência que acha “Finnegans Wake” melhor que “Ulisses” é xeque-mate. Essa é a prova de que não leu mesmo.

2 — O Capital, de Karl Marx

Sabe aquele seu conhecido comunistinha de sandália de dedo? Sim, aquele com a tatuagem do Che, que bate ponto em passeatas em geral e na marcha das vadias em particular (para ver peitinhos com consciência social!). Não, ele não leu “O Capital”. Esse é um fato inapelável da teoria materialista dialética histórica.

3 — Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

Quase todo mundo leu “O Caminho de Swann”. O problema é que os PIMBA de plantão costumam tomar a parte pelo todo e, convenientemente, se esquecem que existem mais seis volumes no romance catedral de Proust. O quê? Sete livros? Sete não é o número do infinito? Infinito é muita coisa para ler!

4 — A Nervura do Real, de Marilena Chauí

Só o Olavo de Carvalho leu, como estratégia de guerra.

5 — O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

Experimente pedir para um pretenso leitor de “O Jogo da Amarelinha” que explique o livro. Provavelmente vai se confundir, tropeçar, cair de uma casa para outra, ir para frente e para trás; mas sair do inferno para o céu, nada!

6 — A Origem das Espécies, de Charles Darwin

A seleção natural existente nos encontros sociais de gente inteligente e descolada exige a defesa do Evolucionismo como regra básica para garantir a preservação da espécie (ou pelo menos a transa no final da noite). Do contrário o indivíduo será rotulado como o “amigo crente” e motorista da rodada.

7 — Minha Luta, de Adolf Hitler

Tem mais de meio século que só malucos (e alguns poucos pesquisadores) leem “Minha Luta”. Por que então é tão importante socialmente afirmar (mentir) que leu? Dois motivos. Primeiro para poder dizer que “li, não gostei e reprovo veementemente”. Em segundo lugar para dar a si mesmo certo ar de “bad boy” misterioso e envolvido com leituras não ortodoxas. Infelizmente, para o antinazista de Facebook, alguns milhões de pessoas tiveram a mesma ideia.

8 — A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Uma viagem que vai do Inferno, passa pelo Purgatório e chega ao Paraíso. Acredite, se bem explorada, essa sinopse dura uma festa inteira. E, com sorte, no final ainda rende uma Beatriz de óculos escuros e cabelos pintados de verde.

9 — Os Sertões, de Euclides da Cunha

O livro em seu conjunto é genial. Contudo, a primeira parte, a Terra, é meio monótona, mas as outras duas, o Homem e a Luta, são muito estimulantes. Quem nunca usou esse clichê atire a primeira pedra cabralina.

10 — Por que Ler os Clássicos, de Italo Calvino

Uma frase célebre dessa obra é “os clássicos são livros que sempre se costuma ouvir dizer ‘estou a reler’ e nunca ‘estou a ler’”, incluindo o “Porquê Ler os Clássicos”, de Italo Calvino.

11 — O Corão, de Deus

Todo PIMBA politicamente engajado tem a obrigação moral (ou social?) de afirmar categoricamente que leu todo “O Corão” e não encontrou nenhuma passagem sequer que incite a violência.

12 — A Bíblia, de Deus

Todo PIMBA é um leitor crítico da “Bíblia”. Falam que acima de tudo é alta literatura da antiguidade, que é um importante documento histórico, que o Evangelho de João é uma sublime peça gnóstica, que o “Cântico dos Cânticos” é uma obra-prima do erotismo e por aí vai. Como mentir é pecado, vamos dar um desconto e considerar que no Ocidente Cristão a leitura completa da “Bíblia” pode mesmo ser feita por osmose.

Bíblia, uma bússola para navegar pela arte

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Escritor francês Philippe Lechermeier: reescreveu a Bíblia como se fosse um livro de literatura / yves Tennevin/Flickr/Creative Commons

Escritor francês Philippe Lechermeier: reescreveu a Bíblia como se fosse um livro de literatura / yves Tennevin/Flickr/Creative Commons

Catalina Guerrero, na Revista Exame

Madri – Entrar em uma pinacoteca sem conhecer a Bíblia é como navegar no mar sem bússola porque o texto sagrado é um bem comum: seus mitos, contos e lendas transcenderam a religião e moldaram nossa sociedade.

Conhecê-los é um presente cultural, como disseram vários autores de literatura juvenil.

“Como entender o mundo sem os relatos do Antigo e o Novo Testamentos? Como compreendê-lo sem saber quem são Abraão, Golias, a Rainha de Sabá ou Maria Madalena?”, questiona o escritor francês Philippe Lechermeier no prefácio do livro “Une bible”, ou “Uma bíblia”, em bom português (Edelvives), ilustrado por Rebecca Dautremer.

O livro, no entanto, não é a Bíblia, com maiúscula, explica Lechermaier, mas uma junção das histórias que a compõem e que, “independentemente de acreditar ou não, gostar ou não”, “moldou” nossa sociedade, “penetram” na nossa vida cotidiana e “circulam” em nosso inconsciente coletivo.

“Sem conhecer os fabulosos alicerces da nossa sociedade não se pode decifrar a arte, a arquitetura ou a literatura”, ressaltou Lechermeier.

Esta é a primeira vez que alguém reescreve a Bíblia, do Gênesis à ressurreição de Jesus, como se fosse um livro de literatura, em um projeto cuja ideia surgiu para Lechermaier há cinco anos e que desde o começo contou com o apoio de Rebecca.

“A intenção de ambos era fazer uma bíblia o mais laica possível, uma bíblia cultural, mas com um imenso respeito a um texto que é sagrado para muitos e com o cuidado de não ferir ninguém”, disse à Agencia Efe a ilustradora, nascida no seio de “uma família católica muito devota”.

Em suas páginas estão os personagens de maior destaque do Antigo Testamento: Adão e Eva, Caim e Abel, Noé, Judite, Jonas, Moisés, Abraão, Jacó, Isaque e muitos outros.

São histórias de famílias, de amor, de guerras. E também as do Novo Testamento, com Jesus Cristo como protagonista: sua vida, seus amigos, suas aventuras, seus ideais.

Lechermeier conta todas essas histórias a sua maneira, com muita sensibilidade, com uma linguagem muito cuidadosa, muitas vezes poética, com contos, canções e, inclusive, com uma peça teatral.

“O resultado é um belo objeto, de quase 400 páginas, e que foi pensado e feito com carinho cada desenho, cada palavra”, ressaltou Rebecca.

“As histórias da Bíblia esculpiram nossa cultura, portanto, não há razão para virar as costas para elas. É muito importante conhecê-las seja crente ou não, depois cada um interpreta como quiser”, disse a ilustradora, que contou ter ficado “exausta” após o “maior” trabalho que já realizou.

Para Rosa Navarro Durán, a adaptação deste “livro maravilhoso” é “apaixonante”. Segundo ela, que escreveu “La Biblia contada a los niños” (“A Bíblia contada às crianças”), é um matrial importante, pois trata de uma das “fundações da cultura ocidental”.

A autora lembra que sofreu “muito” durante a elaboração do seu livro porque o conteúdo era “imenso” e tinha que selecionar apenas alguns episódios.

Além disso, se sentia “pisando em ovos” porque em suas mãos tinha a “palavra sagrada” para os crentes de duas religiões: judeus e cristãos.

“É um livro essencial na transmissão da cultura”, ressaltou a especialista no Século de Ouro Espanhol.

O fato é que, quando uma pessoa lê estas versões mais simplificadas e atualizadas da Bíblia acumula conhecimento essencial para “ir a museus e entender o que está vendo, ler e entender as referências, e não ficar à margem de nossa cultura”, explicou Rosa.

Essa também é a opinião de escritora Maite Carranza, prêmio Cervantes Chico de 2014, para quem “as histórias da Bíblia, como Adão e Eva, Jonas e a Baleia, entre outras, são extremamente necessárias para entender a arte, a história e o mundo em que vivemos”.

Já para Diego Arboleda, ganhador do Prêmio de Literatura Infantil e Juvenil da Espanha em 2014, essas histórias, assim como as influências greco-latinas ou árabes, fazem parte de “nosso acervo cultural” e “nos enriquecem muito”.

Privar alguém desse “elemento fundamental” da cultura representa condená-lo a uma grande “carência”.

A ‘Bíblia’ se diversifica para atrair mais leitores

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Edições requintadas convivem com outras despojadas

José Maria Mayrink, no Estadão

De edições despojadas de uso cotidiano a versões requintadas para pesquisa e estudo, as editoras evangélicas e católicas usam a criatividade no marketing, o aprimoramento das traduções e uma renovação gráfica aprimorada para atrair mais leitores da Bíblia, o livro mais vendido no mercado editorial.

A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) distribuiu mais de 131 milhões de textos das Escrituras Sagradas, desde a inauguração de sua gráfica, em setembro de 1995, até 25 de outubro de 2014. Foram 114.926.286 da Bíblia completa e 16.742.102 do Novo Testamento. Em 2013, foram distribuídas 7.910.360 exemplares do Antigo Testamento, com crescimento de 7% em comparação com o ano anterior. Essa tem sido a média anual, informa o pastor luterano Erni Seibert, secretário de Comunicação e de Ação Social da SBB. O total de Escrituras – somando-se a Bíblia completa, Novo Testamento, livretos com trechos escolhidos e folhetos – alcança 265.151.267 de publicações. A SBB tem parceria com Edições Paulinas, católica, para publicação da Bíblia católica, com os oito livros canônicos não reconhecidos pela Reforma protestante.

“Um de nossos lançamentos mais recentes é a Bíblia GPS, projeto vindo da Alemanha e climatizado no Brasil, com um roteiro de referências e mapas que ajuda o leitor a situar-se no texto”, explica Seibert. A interligação entre diferentes passagens permite ao leitor ter acesso a informações, por exemplo, sobre que relação existe entre o Antigo e o Novo Testamento. O termo GPS, moderno instrumento de localização para se traçar um roteiro entre pontos geográficos, deve ser entendido, nessa apresentação das Escrituras, como uma analogia.

Variação. Milhares de exemplares são vendidos no País

Variação. Milhares de exemplares são vendidos no País

O texto inclui-se na série de edições destinadas a acadêmicos e estudiosos, mas, ao alcance dos leitores comuns, na grande maioria evangélicos de várias igrejas. A mesma coisa ocorre com outras versões da Bíblia. A SBB adapta apresentação gráfica e explicações a segmentos bem definidos. A editora tem A Bíblia da Mulher, Bíblia Sagrada Entre Meninas e Deus, Bíblia Missionária de Estudo, Bíblia do Samaritano e outras variações, além de panfletos com histórias bíblicas para crianças. A tradução da maioria delas é a Almeida (Antônio Ferreira de Almeida) Revista e Atualizada, na linguagem de hoje.

No caso da Bíblia GPS, a editora parceira é a Esperança, ligada à Allianz Mission na Alemanha, com trabalhos em mais de 20 países, entre os quais China e Vietnã. Edições do Antigo Testamento em hebraico e do Novo Testamento em grego, nos dois casos com tradução interlinear, são dirigidas a professores, estudantes e biblistas evangélicos, católicos, ortodoxos e judeus. Uma edição do Novo Testamento, Salmos e Provérbios em chinês, lançada em parceria com a Sociedade Bíblica de Hong Kong, destina-se à colônia chinesa no Brasil e aos cristãos na China. No Brasil, há traduções para línguas indígenas (guarani e kaingang) e para dialetos alemães falados por pequenos grupos no Sul e do Espírito Santo. O Livro de Rute foi publicado em Calon Chibi em parceria da SBB com a Missão Amigos dos Ciganos. A SBB tem também edição em Braile.

O best-seller da editora é a Bíblia de Lutero, editada em 2012. A tradução do alemão para o português (Almeida Revista e Atualizada) é baseada na versão protestante de Martinho Lutero que, na Reforma, lançou as Escrituras em língua vernácula, quando a Igreja Católica só oferecia o texto da Vulgata em latim. Essa edição contém mais de 900 reflexões de Lutero intercaladas no texto e anexos com partituras e hinos de autoria do reformador. Essa Bíblia despertou enorme interesse também entre os católicos, com a aproximação, incentivada pelos últimos papas, entre Roma e os luteranos. A diferença das bíblias evangélicas em relação às católicas é que elas não incluem oito livros que Lutero e outros reformadores não consideram canônicos, ou seja, de inspiração divina.

A publicação anual da SBB corresponde a cinco vezes a tiragem somada da Bíblia nas principais editoras católicas, que venderam ano passado cerca de 1,6 milhão de exemplares. A Ave Maria publicou 600 mil cópias. Seu produto mais conhecido é a Bíblia Sagrada Ave Maria, cuja primeira edição saiu em 1959. Foi uma novidade na época, porque a Igreja Católica não divulgava traduções em português. A editora lançou em 2009 Minha Primeira Bíblia com a Turma da Mônica, em forma de historinhas infantis.

Além da Editora Ave Maria, publicam a Bíblia, em diversos modelos e traduções, as editoras católicas Loyola, Paulinas, Paulus, Santuário e Vozes. Outras editoras, como a da Canção Nova, participam de coedições. A Paulus, dos padres paulinos, lançou, em 2013, a Nova Bíblia Pastoral, em linguagem acessível a tradução feita das línguas originais. Em 1990, Edições Paulinas (das irmãs paulinas) havia publicado a Bíblia Sagrada – Edição Pastoral. O texto só foi ligeiramente revisado. As diferenças mais notáveis estão nas notas de pé de páginas e nos entretítulos. A Bíblia Pastoral é muito utilizada nas comunidades eclesiais de base e nos movimentos populares da Igreja.

Há sete anos no mercado, a Edições CNBB lançou uma versão comemorativa pelos 500 anos de evangelização do Brasil e dos 50 anos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 2001. “No próximo ano, será lançada a Bíblia Sagrada, resultado de oito anos de estudos de doutores em Bíblia”, informa o diretor geral da Edições CNBB, padre Valdeir dos Santos Goulart.

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