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Livro e exposição resgatam pioneiros da edição artesanal no país

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Se hoje editoras artesanais como a carioca A Bolha e a paulista Mínimas são vedetes, com seus livros cuidadosamente trabalhados, no extenso cenário de casas independentes do país, devem isso a nomes como os dos poetas João Cabral de Melo Neto, Geir Campos e Thiago de Mello, que nos anos 50 mostraram que livros podem ser obras de arte –sem custar uma fortuna.

Numa época em que o apuro gráfico não era uma preocupação de editores, atentos apenas ao conteúdo –à exceção de pioneiros como José Olympio, no cenário não artesanal–, eles e alguns poucos colegas abriram as portas para edições em pequena escala, com atenção especial para o papel escolhido, a tipologia, a diagramação e a capa.

Um recorte desse movimento foi realizado pela produtora editorial Gisela Creni, da Companhia das Letras, como dissertação de mestrado em história na USP, nos anos 1990, e ganha agora edição caprichada em livro, com apoio da Fundação Biblioteca Nacional, pela editora Autêntica. Com a parceria, foi possível disponibilizar o livro, todo colorido, por R$ 39,90.

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

“Editores Artesanais Brasileiros” investiga a produção caseira de João Cabral de Melo Neto (sob o selo O Livro Inconsútil), Manuel Segalá (Philobiblion), Geir Campos e Thiago de Mello (Hipocampo), Pedro Moacir Maia (Dinamene), Gastão de Holanda (O Gráfico Amador, Mini Graf e Fontana) e Cleber Teixeira (Noa Noa).

EXPOSIÇÃO
A obra originou exposição homônima, sob curadoria de Cristina Antunes, em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária da USP, cujo acervo foi usado para a pesquisa de Gisela Creni.

“A ideia surgiu quando trabalhei com [o poeta e editor] Augusto Massi na antologia Artes e Ofícios da Poesia [Secretaria Municipal de Cultura/Artes e Ofícios, 1991]. Comecei a entrar em contato com esses nomes e percebi que todos tinham uma característica em comum: todos se autopublicavam e trabalhavam com esmero as próprias edições”, ela conta.

Todos também se preocupavam em editar autores da mais alta qualidade, especialmente nomes que ainda não eram tão reconhecidos como hoje, como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles.

“O próprio Thiago de Mello se autopublicou, o João Cabral, e ambos vieram a ser reconhecidos como grandes escritores. Só depois alguns desses livros hoje centrais para a literatura brasileira ganharam edições comerciais”, diz Gisela.

Cada capítulo inclui um levantamento inédito da produção de cada um desses editores, além de, na maior parte do caso, vir acompanhado de depoimentos dos retratados, que contam suas visões pessoais dessa história.

‘CROWDFUNDING’
Há curiosidades como o modelo de financiamento trabalhado por editoras como a Hipocampo, que antecipou o modelo hoje conhecido como “crowdfunding”, com obras sendo produzidas a partir de um pagamento prévio dos interessados.

A autora não pôde falar com todos os editores –João Cabral, por exemplo, à época da pesquisa, informou não ter condições de dar entrevista (viria a morrer em 1999)–, mas conseguiu depoimentos emocionados como o de Thiago de Mello, que explicitou o orgulho do serviço prestado como editor, do qual não tinha a dimensão na época.

Para Gisela, esse trabalho pioneiro inferferiu não só na produção de casas artesanais hoje como na das maiores editoras do país, inclusive a própria Companhia das Letras onde ela trabalha, já que o bom acabamento passou a ser dissociado da ideia de uma edição cara demais.

“Além de terem sido responsáveis por um salto na qualidade da produção editorial no país, essa é uma história intimamente ligada à história da poesia brasileira”, ela conclui.

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro 'Editores Artesanais Brasileiros' (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

Imagem do livro ‘Editores Artesanais Brasileiros’ (Autêntica), de Gisela Greni, que deu origem a mostra na Biblioteca Mindlin (Divulgação)

EDITORES ARTESANAIS BRASILEIROS
AUTORA Gisela Creni
EDITORA Autêntica
QUANTO R$ 39,90 (160 págs.)
EXPOSIÇÃO em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária da USP; de seg. a sex., das 9h30 às 18h30, e sáb., das 9h às 13h

Mercado de Frankfurt acorda para o Brasil

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País convidado da próxima Feira de Frankfurt, 72 obras de literatura brasileira ganharão edição alemã até o final de 2013

Publicado em O Povo

Daniel Galera: entre os escritores que terão obras traduzidas

Nada mais fácil do que achar um livro de Paulo Coelho numa livraria alemã. Difícil, nas últimas duas décadas, era encontrar outro autor brasileiro. Mas toda história tem suas reviravoltas.

Com a homenagem que a Feira do Livro de Frankfurt faz ao Brasil, em outubro próximo, e os subsídios para tradução da FBN (Fundação Biblioteca Nacional), a literatura brasileira renasce no maior mercado de livros da Europa.

De 2012 até o fim de 2013, a Alemanha ganhará 72 obras de literatura (54 inéditas), 19 antologias e 19 livros infantis. Incluindo títulos de não ficção, serão cerca de 250 livros de autores brasileiros ou que têm o Brasil como tema.

É bem mais do que os 59 títulos brasileiros que circulavam na Alemanha em 2011, sendo 39 edições de Paulo Coelho. O cálculo é de Michael Kegler, tradutor que compilou os números para a Feira de Frankfurt.

Tradicionalmente, a literatura do país convidado do principal evento editorial do mundo atrai investimento das editoras alemãs. “A atenção que o país recebe da mídia, essencial para vender livros, estimula os editores”, diz Nicole Witt, agente literária que representa 50 autores brasileiros na Alemanha.

O bom momento criado pela feira foi ajudado pelas bolsas de tradução da FBN. Criado em 2011, o programa subsidiou até agora parte dos custos de tradução para a língua alemã de 56 obras de ficção e 10 antologias.

“O momento é este”

A Suhrkamp, a S. Fischer e a Wagenbach são as editoras que mais estão publicando livros brasileiros. De nove a 10 títulos cada, elas mesclam autores clássicos, contemporâneos e antologias.

A primeira fez uma seleção que vai de Mário de Andrade a Daniel Galera. Já a S. Fischer aposta especialmente em Jorge Amado e Chico Buarque, enquanto a Wagenbach tem, entre outros, Guimarães Rosa e Paulo Scott.

A pequena Assoziation A se destaca com as obras de Luiz Ruffato e Beatriz Bracher. A DTV, de grande porte, colocou suas fichas em Francisco Azevedo. E a Schöffling & Co. optou por relançar toda a obra de Clarice Lispector, projeto para 10 anos.

Mesmo com o forte impulso, as 72 traduções que o Brasil conseguiu é menos do que outros países homenageados por Frankfurt alcançaram. A Argentina, convidada em 2010, teve cerca de 100 novas traduções, enquanto a Islândia teve 90.

Para alguns editores, a demora na criação das bolsas de tradução da FBN justifica a diferença, assim como a indecisão das editoras. “Muitas queriam o melhor romance de todos e acabaram por perder várias oportunidades”, afirma a tradutora Marianne Gareis.

“Cada país tem uma trajetória internacional”, diz Fábio Lima, coordenador do programa de traduções da FBN. “Chegar a Frankfurt com alto número de publicações é um feito, mas o principal desafio é a continuidade, ou seja, manter um número considerável de traduções nos próximos anos.”

É o mesmo desafio que o Brasil tinha em 1994, quando foi convidado de Frankfurt pela primeira vez, e que não conseguiu cumprir. Após a feira, não houve nenhum estímulo sistemático à promoção da literatura brasileira. Desta vez, há as bolsas de tradução, com orçamento total de R$ 17,5 milhões até 2020.

O que esperar para depois de 2013? “O momento para publicar é este. No ano que vem, será difícil motivar os livreiros alemães com obras do Brasil” afirma Marco Bosshard, da Wagenbach. Já Witt mostra-se otimista. “Ainda há muitos brasileiros que merecem tradução, e hoje temos condições melhores para conseguir isso”, diz. ( Roberta Campassi, da Folhapress)

Veja dez bibliotecas para conhecer durante as férias

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Publicado por UOL

1- Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo – Possui um dos maiores acervos do país, formado por livros, periódicos, mapas e multimeios. Para a coleção circulante, coleção São Paulo, sala de atualidades e sala de estudos, o local fica aberto de segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; aos sábados, das 10h às 17h. Endereço: rua da Consolação, 94.

Sylvia Masini

Sylvia Masini

2- Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo – São cerca de 17 mil títulos, ou 40 mil volumes de livros e manuscritos. O local fica aberto de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30; aos sábados, das 9h às 13h para exposições. Endereço: rua da Biblioteca, s/n, cidade universitária.

Marcos Santos/USP Imagens

Marcos Santos/USP Imagens

3- Gabinete Real Português de Leitura, no Rio de Janeiro – O seu acervo é o maior do país, com cerca de 300 mil volumes. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 18h. A biblioteca fica na rua Luís de Camões, 30.

Alexandre Macieira/Riotur

Alexandre Macieira/Riotur

4- Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro – Considerada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como a sétima maior biblioteca nacional do mundo e, também, é a maior biblioteca da América Latina. A pesquisa ao acervo funciona de segunda a sexta, das 9h às 20h; aos sábados, das 9h às 15h. Endereço: avenida Rio Branco, 219.

Alexandre Macieira/Riotur

Alexandre Macieira/Riotur

5- Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte – Com cerca de 260 mil títulos disponíveis para consulta, entre livros, revistas e jornais correntes e históricos, recebe diariamente 1.500 pessoas. Para empréstimo, referência e estudos periódicos, o local fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h; aos sábados, das 8h às 12h. Endereço: praça da Liberdade, 21.

Arquivo da BPELB/Divulgação

Arquivo da BPELB/Divulgação

6- Biblioteca Nacional de Brasília – O acervo é dividido em coleções e subcoleções que atendem às necessidades informacionais dos usuários e aos objetivos da biblioteca. É constituído pelas coleções brasiliana e popular. O local funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h45. Já aos sábados e domingos, das 12h30 às 18h30. Endereço: setor cultural sul, lote 2, edifício da Biblioteca Nacional.

Lula Marques/Folhapress

Lula Marques/Folhapress

7- Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte – Oferece um acervo de obras infanto-juvenis de variados gêneros literários e de pesquisa; coleções de jornais e revistas; jogos de montar e de memória. O local funciona de terça a sexta, das 9h às 17h30, e aos sábados, das 9h30 às 13h. Endereço: rua Carangola, 288.

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Reprodução/Facebook

8- Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba – Possui um acervo de cerca de 600 mil volumes, entre livros, periódicos, fotografias e materiais multimídia. Recebe cerca de 3 mil pessoas e realiza 1,5 mil empréstimos diariamente. O atendimento na biblioteca acontece de segunda a sexta, das 8h30 às 20h, e aos sábados, das 8h30 às 13h. Endereço: rua Cândido Lopes, 133.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

9- Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife – É uma das mais ricas do Brasil em edições raras, constituindo um importante patrimônio pelo seu acervo que inclui obras dos tempos coloniais e do império, do período holandês no Estado, sobre história, economia e de outras áreas. Horário de funcionamento: das 8h às 20h45. Endereço: rua João Lira, s/n.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

10- Biblioteca Pública do Estado da Bahia – É uma das maiores bibliotecas públicas do Brasil. Possuiu um acervo de 7.028 livros, 230 catálogos e 68 títulos de revistas só no setor infanto-juvenil. O local funciona todos os dias da semana, incluindo os sábados, das 8h30 às 12h, e os domingos, das 10h às 16h. Endereço: rua General Labatut, 27.

Divulgação

Divulgação

Na feira do livro de Frankfurt, o Brasil sem exotismos

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Maria Fernanda Rodrigues no Clic Folha

A feira não é ao ar livre, mas organizada dentro de enormes pavilhões, com várias entradas. / Divulgação

A feira não é ao ar livre, mas organizada dentro de enormes pavilhões, com várias entradas. / Divulgação

No pavilhão de 2.500 m² que o Brasil terá na Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, de 9 a 13 de outubro, nada de passistas ou de fotos de onças pintadas e vitórias-régias.

“Pretendemos mostrar um Brasil onde a produção contemporânea é muito contemporânea, mas que não nega as raízes tradicionais, só foge do exótico”, disse Antonio Martinelli, que ao lado de Manuel da Costa Pinto, de Daniela Thomas e de Felipe Tassara, idealizou o espaço onde o País fará sua apresentação cultural.

Isso tudo porque o Brasil será o convidado de honra da feira alemã deste ano, convite aceito pelo governo brasileiro há dois anos e que custará R$ 18 milhões ao País. A Câmara Brasileira teve licença para captar cerca de R$ 13 milhões, mas não conseguiu patrocínio.

Jürgen Boos, presidente da Feira de Frankfurt; Renato Lessa, presidente da Fundação Biblioteca Nacional; e Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro aproveitaram a movimentação em Paraty para anunciar o que pretendem fazer na Alemanha.

Ao lado deles, Costa Pinto e Martinelli. Embora o pavilhão esteja sendo preparado para funcionar como uma grande vitrine da produção artística brasileira – passam pela feira, todos os anos, cerca de 300 mil profissionais do mercado editorial -, a programação não será concentrada nele e vai se espalhar por outros espaços da feira, como um restaurante, o estande coletivo do Brasil e das editoras que vão viajar de forma independente e também por museus, centros culturais e bibliotecas de Frankfurt e de outras cidades.

O pavilhão foi idealizado como uma grande praça pública. De um lado, um auditório onde os 70 escritores escalados – entre os quais Luiz Ruffato e Ana Maria Machado, escolhidos para o discurso de abertura, e ainda Adélia Prado, Nuno Ramos, Daniel Galera e Ziraldo, entre outros – se revezam em conversas com o público.

No meio, uma mesa no formato da marquise do Ibirapuera. Sobre ela, edições estrangeiras de livros brasileiros. Ao redor, uma instalação de Heleno Bernardi – colchões no formato de corpos, onde o visitante pode relaxar.

Haverá também seis bicicletas. Ao pedalar, a projeção de filmes sobre formas de circulação do livro – de bibliotecas ambulantes a projetos mais quixotescos – é acionada.

Ali por perto, um redário e, ao lado das redes, totens com música popular brasileira.

Encerrando a exposição – ou iniciando, não há ordem -, um canto com uma instalação multimídia criada pelos videoartistas Gisela Mota e Leandro Lima Serão seis grandes telas que exibirão filmes com imagens que remontam ao universo do imaginário ficcional e poético brasileiro e que fazem referência aos temas: metrópole, subúrbio, campo, floresta, mar e sertão.

(mais…)

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