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Jovem monta biblioteca pública em praia de Vila Velha, ES

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Suzana Lordelo Braga monta biblioteca pública na Praia da Costa (Foto: Vitor Jubini/ A Gazeta)

Suzana Lordelo Braga monta biblioteca pública na Praia da Costa (Foto: Vitor Jubini/ A Gazeta)

 

Publicado no Jornal Floripa

Neste mês de janeiro, a tradutora Suzana Lordelo Braga, de 24 anos, marca presença na orla da Praia da Costa, em Vila Velha , Grande Vitória, nas manhãs de terça e quinta. Com mochila nas costas e um carrinho de supermercado cheio de livros, ela implantou uma biblioteca pública nas areias da praia.

A jovem contou que decidiu pela iniciativa porque queria oferecer alternativas gratuitas de leitura para quem passa pela orla. Suzana disse que, como o acesso a livros é difícil, já que muitas vezes eles não são baratos, e as opções de bibliotecas são bem limitadas, ela decidiu emprestar os cerca de 120 obras que arrecadou em dezembro de 2016.

Suzana explica que escolheu a praia para realizar o projeto porque o local é um ambiente democrático, frequentado por pessoas de todas as origens e classes sociais.

“Eu achei que seria legal ser na praia porque, assim, eu consigo ter acesso a todas as comunidades. Às vezes, aquela pessoa que está na periferia fica distante do acesso a esses serviços. Mas a praia é para todos”, falou.

O trabalho feito pela tradutora é voluntário e, atualmente, ela tem se esforçado bastante para conseguir carregar todos os livros que expõe em uma tenda na praia para poder ajudar as pessoas a adquirirem o hábito da leitura.

A biblioteca funciona em uma tenda instalada na orla da Praia da Costa, próximo ao cruzamento entre a avenida Antônio Gil Veloso com a rua Pernambuco, às terças e quintas, das 9h30 às 17h30, com pausa para almoço.

Para pegar um livro emprestado, o interessado deve fazer um cadastro. O empréstimo é de uma semana.

Quem quiser doar livros para o projeto pode levá-los até a tenda nos mesmos dias em que a biblioteca funciona ou buscar pela tradutora Suzana Lordelo Braga no Facebook e oferecer as obras.

MEC e STF firmam acordo por doações de livros a presídios

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A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, recebe o ministro da Educação, Mendonça Filho - Nelson Jr./STF

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, recebe o ministro da Educação, Mendonça Filho – Nelson Jr./STF

 

Publicado na Isto É Via Estadão

O Ministério da Educação e o Supremo Tribunal Federal (STF) assinaram, nesta terça-feira, 17, um acordo para a doação de cerca de 20 mil livros para 40 bibliotecas que serão montadas em presídios nacionais. A primeira entrega será feita na próxima semana em uma penitenciária feminina próxima a Belo Horizonte, segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, com a presença da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça.

O ministro explicou que o cronograma completo da entregas e os presídios que serão contemplados ainda estão em fase de definição, sob a coordenação da presidente do STF, que estará em contato com tribunais de justiça e secretarias estaduais de segurança. “A partir dessa primeira doação nós faremos um cronograma para as demais”, disse. O STF não confirmou ainda data e local da primeira entrega.

Segundo ele, os custos totais do projeto não estão definidos, e a montagem dos espaços físicos das bibliotecas dependerá das secretarias de segurança. “É um ato importante para garantir em diversas penitenciárias o acesso a bibliotecas. E, ao mesmo tempo também funciona como instrumento válido para a chamada remissão de pena, já que o preso pode remir (diminuir) a pena pela questão da leitura, de acordo com os critérios definidos pelo juiz de execução penal”, disse Mendonça, defendendo a leitura como instrumento importante para a “humanização” do sistema penitenciário brasileiro.

Mendonça também falou que está buscando viabilizar projetos para fornecer educação a distância e formação técnica a presidiários.

Enem

O ministro disse também que o MEC pretende oficializar na a separação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em relação à certificação da conclusão do Ensino Médio. Atualmente feita pelo Enem, essa atribuição passará a ser feita pelo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O Enem permanece com a função de definir o acesso ao Ensino Superior.

“O Encceja vai valer como certificado de conclusão do Ensino Médio. A partir do segundo semestre de 2017, oferecemos o Encceja ao sistema penitenciário nacional. E, para a ministra Cármen Lúcia, isto é muito positivo”, disse Mendonça.

Mendonça explicou que o motivo é ter uma prova mais adequada para a obtenção do certificado de conclusão do ensino médio, pois o nível de avaliação não deveria ser o mesmo exigido das pessoas que buscam acesso ao Ensino Superior.

O ministro disse que, de 8 milhões de candidatos ao Enem, apenas 1,2 milhão o fazem para obter a certificação de conclusão do ensino médio. E, deste 1,2 milhão, apenas 70 mil pessoas obtêm o certificado, cerca de 7%.

Charles Cosac aceita convite para dirigir Biblioteca Mario de Andrade em SP

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O editor Charles Cosac - Bruno Poletti/Folhapress/24-09-2015

O editor Charles Cosac – Bruno Poletti/Folhapress/24-09-2015

 

Editor era dono da Cosac Naify, editora especializada em literatura e livros de arte

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO – Charles Cosac, 52 anos, será no novo diretor da Biblioteca Mario de Andrade, no centro de São Paulo, uma referência entre os equipamentos culturais administrados pela Prefeitura da capital paulista. O convite foi feito pelo secretário de Cultura, André Sturm, que confirmou a informação para O GLOBO:

— Foi ideia minha chamá-lo — disse ele, em entrevista por telefone. — Conheci-o no ano passado e ficamos muito próximos. Eu o havia procurado para conversar sobre uma doação de dez mil livros e ele ficou muito contente com a ação. Quando pensei em alguém para dirigir a Mario de Andrade, logo pensei nele. Porque à frente da Cosac Naify ele teve uma gestão ousada e cheia de ideias.

Sturm tem planos de revitalizar a rede de bibliotecas municipais, num projeto que foi batizado de Biblioteca Viva. Mas, segundo o secretário, a Biblioteca Mario de Andrade é única, principalmente por causa de seu acervo, uma referência no Brasil e no mundo:

— O Charles vai se dedicar exclusivamente à Mario de Andrade. Por isso, eu costumo dizer: “São 52 bibliotecas, mais uma”. Não podemos esquecer que tem um acervo único no país e é uma referência. O outro conjunto de bibliotecas precisa mais de uma coordenação geral — ponderou ele, que tem como objetivo transformar esses equipamentos não apenas em locais de leitura, mas centros de cultura com outros eventos ligados à cultura.

Fundada em 1925, a Biblioteca Mario de Andrade tem mais de 4 mil itens distribuídos em dois prédios na Praça Dom José Gaspar, no centro de São Paulo. Com cerca de R$ 9 milhões de orçamento anual, o equipamento passou por uma modernização na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad, abrindo aos finais de semana e abrigando outros eventos culturais. Sob a direção de Cosac, o que Sturm pretende é torná-lo “mais vivo”:

— O trabalho feito até agora foi muito bom. O que queremos é ampliá-lo, trazendo mais eventos que não sejam ligados apenas à literatura. E também transformar a biblioteca em um local de aprendizado e formação, principalmente para outras bibliotecas — completou ele.

Bibliotecas dos EUA se tornam cenário para mensagens de ódio contra muçulmanos

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Livro que analisa o Alcorão aparece com inscrições ofensivas e suástica em biblioteca de Illinois

Livro que analisa o Alcorão aparece com inscrições ofensivas e suástica em biblioteca de Illinois

 

Publicado no UOL

A onda de crimes de ódio e de xenofobia que atingiu os Estados Unidos tem agora um novo cenário: as bibliotecas, onde livros sagrados do islamismo foram vandalizados e mensagens racistas têm sido propagadas.

O caso ocorreu em Evanston, Illinois, segundo reportagem do “New York Times”, quando uma funcionária preparava um material com foco em analisar o Alcorão.

Foi então que ela viu, no livro “O Alcorão para Leigos”, a inscrição ‘mentira do começo ao fim’ ao lado de uma suástica e um xingamento sobre Maomé. Outros seis livros sobre o islamismo tinham sido vandalizados de maneira semelhante.

A biblioteca fez um boletim de ocorrência, mas ninguém foi detido. Segundo responsáveis pelo local, alguns desses livros foram emprestados há alguns meses, o que indica que o vandalismo é recente, já que os funcionários checam as publicações quando elas são retornadas. Nem todo o prédio é coberto por câmeras de vigilância.

Além do caso em Evanston, a Associação de Bibliotecas Americanas contabilizou outros três episódios de racismo, um deles no Canadá.

Na biblioteca da Universidade do Novo México, uma estudante foi atacada por um homem que tentou tirar seu hijab – ela conseguiu escapar sem se machucar; na Reed College, em Portland, mensagens de ódio e suásticas foram encontradas na biblioteca; em Toronto, uma pichação antissemita apareceu na vitrine de uma biblioteca.

“Estou chocado que temos sete ou oito exemplos desse tipo, porque nunca vimos esses crimes ocorrerem em bibliotecas. Estamos em situação cada vez mais difícil, porque as comunidades estão mais divididas do que nunca”, afirmou Julie Todaro, presidente da associação, que agora começa a investigar as ocorrências para verificar se são tendência ou casos isolados. (Com “The New York Times”)

Nunca desisti de estudar, diz ex-morador de rua que se formará em direito

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Jéssica Nascimento, no UOL

Jovem trocou as ruas pelas bibliotecas

Jovem trocou as ruas pelas bibliotecas

Um ex-morador de rua do Distrito Federal trocou o chão frio da Rodoviária do Plano Piloto, no centro de Brasília, pelo calor das bibliotecas da cidade. Com o sonho de fazer faculdade, Walisson dos Reis Pereira, 30, voltou a estudar, abandonou as ruas, fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio e passou no curso de direito de uma universidade particular. Hoje, no oitavo semestre da graduação, ele trabalha como estagiário da Casa Civil, no Governo do Distrito Federal.

Nascido no interior de Minas Gerais, o estudante foi criado pelos avós até os 18 anos e não chegou a completar o ensino médio na época. Como almejava um diploma de ensino superior, decidiu se mudar para Brasília e passou a morar com o pai. Infelizmente, a aproximação com o familiar não foi o que esperava.

“Meu pai me batia sem motivo, era muito violento. Sofri muito durante esse tempo. Até hoje, não nos damos bem. Preferia passar frio, preconceito, pedir esmolas e até passar fome do que morar com ele”, lembra o rapaz que, cansado da violência, fugiu de casa e passou a morar na rodoviária da cidade.

Entre as amizades com comerciantes e passageiros da rodoviária, certo dia Walisson conheceu um idoso que havia decidido pagar um lanche para ele. Foi aí que conversaram sobre o futuro e o ex-morador de rua confessou o desejo de voltar a estudar.

“Eu sempre quis terminar o ensino médio, ficava folheando as revistas e livros de uma banca de jornais que fica por lá [Rodoviária do Plano Piloto]. Então, contei para o senhor que havia procurado uma colégio para concluir os estudos, mas como não tinha residência fixa, não conseguia ser matriculado. Ele então me deu uma conta de luz. Foi o dia mais feliz da minha vida”, conta.

No mesmo dia, o Walisson pegou um ônibus, com dinheiro obtido por esmolas, e foi até o Centro de Educação de Jovens e Adultos na Asa Sul se matricular.

Era o ano de 2012 e o jovem iniciou uma rotina árdua de estudos. Acordava às 5h, ia para a escola e depois passava à tarde toda na biblioteca. Já à noite, por volta de 22h, voltava para dormir na rodoviária.

“Eu nunca desisti de estudar, mesmo nas dificuldades. Queria me esforçar cada dia mais, para sair daquela situação, entende? Tanto que no mesmo ano conclui o ensino médio. Depois, consegui um emprego como entregador de panfleto. Ganhava R$ 20 e aluguei um quarto em Samambaia. Isso foi em 2012”, relembra.

Da rua para a faculdade

Após conseguir sair das ruas e ter o próprio espaço, o estudante decidiu que persistiria no sonho de infância: entrar em uma faculdade. Durante um ano, ele frequentou bibliotecas públicas e se preparou para o Enem.

“Eu sabia das minhas dificuldades. Mas sempre pensava: ‘os outros candidatos têm internet em casa, mais estudo. Não posso ter preguiça, né? Tenho que estudar todos os dias'”, lembra.

Com o esforço, veio o resultado. Walisson garantiu uma vaga numa universidade particular da região. A pontuação no Enem também assegurou o financiamento do curso de direito por meio do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

Apesar da história de superação, o estudante confessa que não gosta de contá-la para professores e colegas. “Muitos nem sabem o que eu passei. Vão saber agora com a reportagem”, brinca. “Eu sei que tem muita gente metida em faculdades particulares. Fiquei com medo de me acharem coitadinho e ficarem com dó. Eu estou onde estou porque me esforcei.”

Vaquinha para a formatura

Para fechar com chave de ouro a conquista da graduação, Walisson sonha com a festa de formatura, que será realizada no ano que vem. O problema é o gasto que ele terá com a festa.

Financeiramente, a vida do jovem continua com altos e baixos. Ele ganha R$ 760 no estágio. Desse valor, R$ 500 são usados para pagar o aluguel da quitinete onde vive. “O que sobra [quando sobra] eu uso para comer, andar de ônibus e tirar cópia das apostilas”, conta.

Por isso, o rapaz resolveu fazer uma vaquinha virtual para tentar arrecadar R$ 6 mil que precisa para pagar o baile, fotos, roupas e a colação de grau.

Depois que se formar, o estudante espera passar em um concurso público para o cargo de defensor público. O motivo? Ajudar pessoas de baixa renda. “Muita gente não sabe os direitos que têm. Por isso, quero ajudá-los.”

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