Posts tagged Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Xico Sá vai à Bienal e diz que literatura ajuda homem feio com mulheres

0
O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

Publicado no UOL

Não é de hoje que as mulheres que se desmancham pelo romantismo escancarado e exacerbado de Xico Sá. A nova obra do escritor é uma prova disso: “O Livro das Mulheres Extraordinárias” traz 264 páginas nas quais faz odes a 127 moças diferentes, de Lygia Fagundes Telles a Gaby Amarantos, passando por musas do momento, como Isis Valverde e Fernanda Lima.

Segundo ele, o que o guiou nas escolhas dos nomes foi o desejo –e o tesão– que sente por cada uma das beldades. E não para por aí: ele já tem outras cem homenagens prontas, de nomes como Marieta Severo e Tainá Müller, para um segundo volume da obra, que deverá ser lançado em julho de 2015.

Xico estará nesta terça-feira (26) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, às 16h, no Salão de Ideias, onde conversará com Antonio Prata e Gregorio Duvivier sobre a importância da ironia. Em entrevista ao UOL, o escritor fala do personagem que criou para si mesmo, da recepção das musas às suas declarações e da chance de, um dia, se tornar uma espécie de Wando das letras.

UOL – Em “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você vai de Lygia Fagundes Telles e Ilze Scamparini a Gaby Amarantos, MC Pocahontas e até Rê Bordosa, personagem do Angeli. Seu gosto é bastante amplo, não? Há como defini-lo com algo a mais do que apenas “eu gosto de mulher”?
Xico Sá –
Todas as mulheres do livro me despertam uma forma de tesão. Nem sempre o tesão intelectual (risos). Toda essa diversidade só prova que não há padrão em matéria de mulher. O que vale é a lei do desejo.

O que é a mulher para você?
Minha ideia do sagrado, seja ela santa ou “vadia”, no bom sentido do termo.

Além de fantasias, você teve algo real com alguma daquelas mulheres do livro?
Algumas são ex-namoradas, amores, casos passageiros ou belas aventuras da noite. Uma minoria, diga-se. Prefiro não citá-las. A grande maioria, como digo na apresentação do livro, é fantasia que divido deliciosamente com a massa que vê televisão, cinema ou folheia revistas.

E alguma das homenageadas lhe agradeceu, reclamou ou fez algum tipo de manifestação por estar na obra?
Todo dia tenho uma linda resposta das moças. E o melhor: elas têm ido nos lançamentos. Recebi manifestações emocionantes de Patrícia Pillar, Maria Flor, Dira Paes, Fernanda Lima, Camila Morgado, Maria Ribeiro, Nicole Puzzi e Mayana Moura. A Luiza Brunet disse que quase (risos) aceita meu pedido de casamento feito na crônica dedicada a ela. Fora as selecionadas para a ilustração da capa, nenhuma ficou sabendo antecipadamente, então, modestas, dizem que foram surpreendidas. Só estou esperando a Sônia Braga ligar.

Em Paraty, na Flip, você levou pequenas multidões para onde foi e muitas dessas pessoas eram mulheres. Acha que pode virar uma espécie de Wando das letras?
Seria a glória em vida. O Wando das cantadas literárias. Se bem que tem um quê de Serge Gainsbourg e suas baladas de motel também. Aliás, esse gênio francês é um dos guias do livro.

Já lhe aconteceu algo semelhante ao que acontecia com o Wando? De repente uma calcinha atirada em meio a uma leitura.
Em uma apresentação do “Trovadores do Miocárdio”, projeto de declamação de textos passionais e calientes que faço com o Fausto Fawcett, já ameaçaram (risos). Tudo vale a pena para tirar a literatura da solenidade chata que ela tem, essa nossa eterna herança beletrista. Que venham as calcinhas!

Quanto a literatura lhe ajudou para fazer sucesso entre as mulheres?
Tudo, 100%. Se a literatura já faz bem a homem bonito, imagina a um feio, digo, a um mal diagramado pela própria natureza como este cronista do amor. Tudo que aprendi sobre cantadas literárias está nos truques de Balzac para fazer a sua série de “retratos de mulheres” ou nas sacanagens de Henry Miller.

O Xico Sá que aparece em seus textos é um personagem, um recorte da sua personalidade ou a sua pessoa escancarada?
Um personagem com uma vocação danada para ser eu mesmo. Tudo que o personagem faz eu gosto muito, mas o personagem é mais exagerado, hiperbólico, obcecado. A desgraça é que o personagem bebe e eu que pago pelas ressacas monstruosas.

Antes de “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você havia escrito “Big Jato”, duas obras completamente distintas. Por que essa mudança? Pensa em fazer outro romance?
“Big Jato”, que acaba de ser adaptado para o cinema pelo gênio Cláudio Assis, nosso Bigas Luna, é um delírio sobre a infância e adolescência, o tal romance de formação. Embora seja meu livro mais reconhecido, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, não é o melhor. Prefiro “Se um Cão Vadio aos Pés de uma Mulher-Abisco”, que é um romance fragmentado que classifico como idílio. Também completamente diferente do livro das mulheres. Tenho uma baciada de livros, uma dúzia mesmo, e cada um bem distinto do outro. Se eu tiver alguma marca essa é a da contradição e da incoerência.

Na Bienal de São Paulo você vai falar sobre a importância da ironia. Por que ela é fundamental?
Ironia ainda é a melhor forma de tirar uma onda com a vida, com a nossa miserável finitude, como faz, por exemplo, o mais irônico dos nossos escritores, o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Mas vou avisar: não funciona para conquistar mulheres. Pelo menos comigo nunca deu certo.

Qual a expectativa de dividir uma mesa com o Antonio Prata e o Gregorio Duvivier? O que acha deles?
Admiro os dois. Sou amigo do Antonio antes de ele nascer, pelo simples ato de ler o pai, o Mário, que adoro. Aliás, amo a mãe dele também, a Marta Góes, assim como a linda Maria, a irmã. O Gregorio não sou amigo ainda por falta de oportunidade, mas a minha chance chegou.

Os dois são garotos novos, têm cara de bons meninos. Se fosse aprimorá-los na arte da sacanagem, quais dicas daria?
Devem ser mais sacanas que todos os catecismos do Zéfiro juntos, mais sacanas que as obras completas do Costinha… Não ter cara de sacanagem é só esperteza, vai por mim. Tenho mais é que aprender essa arte deles.

Evento com vlogueiras atrai centenas de pessoas e causa tensão na Bienal

0
Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Pâm Gonçalves, de 23 anos, e Tatiana Feltrin, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

Ninguém esperava tanta gente para acompanhar a mesa com as vlogueiras Pâm Gonçalves, do canal Garota It, e Tatiana Feltrin, de Tiny Little Things, na noite de sábado (23) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento era para acontecer em um espaço que comportava 80 pessoas, contudo, como aproximadamente 400 fãs queriam ouvir as garotas, o papo rolou de forma improvisada no estande do Espaço Imaginário.

Pâm, de 23 anos, e Tatiana, de 32, são garotas que fazem vídeos veiculados no Youtube nos quais falam de literatura. A quantidade de pessoas dispostas a ouvi-las na Bienal apenas comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem; impressiona a influência que possuem sobre seus seguidores.

Quando o mediador do papo perguntou quem ali já havia lido obras por indicação das duas, praticamente todos levantaram a mão. Ao abrirem espaço para perguntas da plateia, alguns confessaram ler clássicos da literatura nacional e até mesmo estudar tradução por conta de Tatiana, que demonstrou preocupação com essa segunda revelação. “Acho complicado influenciar pessoas a seguir um ramo tão importante, mas tão pouco valorizado”.

Ambas disseram que hoje se sentem mais à vontade falando do que escrevendo resenhas, e a preferência é falar sobre o que gostam. “Não faço mais vídeos de livros que não gostei porque às vezes as pessoas se doem muito fácil. E nem sempre é o autor, mas os fãs”, disse Pâm.

Ao serem questionadas sobre suas bibliotecas básicas, a vlogueira do Garota It respondeu de pronto “A Lista Negra”, de Jennifer Brown, obra a qual fez referência e implorou para que o público lesse durante boa parte do evento, e ainda lembrou de “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, e “Peças Infernais”, de Cassandra Clare. Já Tatiana também deu seu pitaco de literatura pop ao falar de John Green, mas ainda destacou Edgar Alan Poe, Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges.

Enquanto falavam e as perguntas iam chegando, o mediador tinha o cuidado de separar piadinhas, xavecos ou elogios à beleza das duas –ao todo, foram cinco pedidos de casamento destinados a Pâm e Tatiana. Elas admitem que esse tipo de assédio também acontece em suas páginas na internet. Pâm diz que vem principalmente de quem chega às páginas por acaso, sem conhecer o seu trabalho. Já Tatiana contorna a situação fazendo com que seu marido marque presença em alguns vídeos.

Tensão

Pouco antes das 19h, hora marcada para o início do papo, o clima era de bastante tensão no Espaço Imaginário. Enquanto organizadores andavam de um lado para o outro buscando soluções para atender o enorme público que queria adentrar ao lugar –que já estava lotado há horas–, pessoas do lado de fora reclamavam bastante, alegando problemas variados.

“A mulher da organização disse que não adiantava chegar antes das 18h30, que só distribuiriam ingressos nessa hora. Então cheguei às 18h, mas não tinha mais ingresso. Disseram que às 16h já estava cheio de gente aqui e deixaram elas entrar”, queixou-se Viviane Paganotti, 34 anos, vendedora, de São Paulo. “Teve um evento antes e as pessoas que estavam nele não iriam sair, para ficar também para este. Nós estamos em muitos, então não nos deixaram entrar. Umas 17h30 disseram que não tinha mais lugar”, relatou Natália Lima, estudante de 15 anos, que veio do Rio de Janeiro para a Bienal.

Segundo Sergio Lopes Servollo, agitador cultural do Sesc e responsável pela programação e coordenação do espaço, o que aconteceu foi que, às 15h, houve uma primeira aglomeração de pessoas para esperar pela distribuição das 80 senhas para a mesa, que só aconteceria às 18h30. Após explicarem como funcionaria a retirada dos bilhetes, esse público de dispersou. Contudo, às 16h30 já havia, novamente, mais de duzentas pessoas aguardando para acompanhar o papo de Pâm e Tatiana. Como a fila apenas aumentava, optaram por distribuir as senhas, imaginando que o problema se resolveria. Não foi o que ocorreu.

Com o espaço lotado e seus arredores tomado por pessoas querendo acompanhar o papo, tiveram que procurar uma solução. “O público tem toda razão em reclamar. Nosso medo era que houvesse algum tumulto, nos preocupamos com a segurança”, disse Sergio. Ao final, a solução encontrada – as garotas na rampa e todo o público acompanhando o papo –pareceu agradar a todos. “Não esperávamos uma procura tão grande, impressionou a todos”, revela Sergio. As palavras de Pâm vão ao encontro do que disse o responsável pelo espaço. “Isso é muito estranho para gente, imaginei que não ia nem lotar o lugar”.

As garotas

O canal do “Garota It” no Youtube conta com mais de 50 mil assinantes, enquanto o do “Tinny Little Things” se aproxima dos cem mil. O esquema das garotas é semelhante: uma câmera ligada, um único ângulo, frontal, registrando o que elas pensam sobre os livros que andam lendo ou que recebem em casa das editoras. Costumam durar entre 10 e 15 minutos e as avaliações e discussões quase sempre se resumem às histórias e aos personagens das obras abordadas. Mas, ainda que ambas sejam uma referência para esse formato de publicação na internet, há sensíveis diferenças entre as duas.

Pâm (que na verdade chama Pâmela) Gonçalves tem 23 anos, mora em Tubarão, Santa Catarina, e, por conta do blog, desistiu do curso de Sistemas de Informação para estudar Publicidade e Propaganda, curso no qual está para se formar. Ela é a típica leitora da geração Harry Potter – série que, ao ser citada na conversa, arrancou urros da plateia –, que passou a adolescência convivendo com o mundo mágico de J. K. Rowlling, sua autora favorita, e depois seguiu suas leituras com obras como “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, e “Jogos Vorazes”.

Seus vídeos costumam trazer obras que se encaixam no chamado “jovem adulto”, termo utilizado para definir os trabalhos que focam no leitor que acaba de deixar a adolescência. São títulos como “A Extraordinária Garota Chamada Estrela”,  de Jerry Spinelli, “Um Caso Perdido”, de Colleen Hoover, e “Sem Você Não é Verão”, de Jenny Han. Conta que começou a “blogar sobre livros porque não encontrava ninguém que fizesse isso”.

Já Tatiana Feltrin é formada em Letras, dá aulas de inglês, mora em Diadema e, ainda que vez ou outra fale sobre algum “Águas para Elefantes”, “O Menino do Pijama Listrado” ou quadrinhos e mangás, nos últimos tempos vem mesmo é abordando grandes clássicos em seus vídeos. Passeando pelo Tinny Little Things, surgem comentários sobre Aldous Huxley, Fiódor Dostoiévski, Umberto Eco, Miguel de Cervantes, Jack London e até mesmo uma série de vídeos sobre a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust.

A ideia é mostrar que a literatura de entretenimento, os livros pops, são sim legais, mas há coisas bacanas além deles, que os clássicos podem ser vistos, lidos e discutidos de uma maneira menos carrancuda do que a feita pela escola. “Quando falamos deles de forma mais simples, de ‘Dom Quixote” ou “Os Miseráveis’, por exemplo, as pessoas gostam e os procuram”.

Apesar disso, o vídeo que fez com que seu vlog alavancasse foi sobre “50 Tons de Cinza”, de E. L. James, que resenhou  antes da obra sair no Brasil, quando as pessoas ainda estavam curiosas com o fenômeno internacional. Sua opinião não foi favorável ao livro e até hoje a vlogueira diz receber xingamentos por conta disso.

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

A quantidade de pessoas dispostas a ouvir as voglueiras Pâm Gonçalves e Tatiana Feltrin na Bienal comprova o sucesso que ambas fazem junto ao público principalmente jovem (Foto: Rodrigo Casarin/UOL)

Kiera Cass leva mais de 2 mil pessoas à Bienal do Livro de SP

0

Autora da série ‘A seleção’ participou de bate-papo e sessão de autógrafos.
Jovens foram maioria do público no primeiro sábado do evento.

Kiera Cass dá autógrafos aos fãs durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Kiera Cass dá autógrafos aos fãs durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Publicado no G1

Cerca de 2 mil pessoas participaram da sessão de bate-papo e autógrafos com a escritora Kiera Cass na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no sábado (23). A autora da série “A seleção” falou aos fãs a partir das 19h30, e lotou o espaço no pavilhão de exposições do Anhembi.  A escritora de 33 anos publicou em 2012 seu primeiro livro, “A seleção”, que entrou para a lista de best sellers infantis do jornal “The New York Times”. Na sequência, ela lançou “A elite” (2013) e “A escolha” (2014). No Brasil, a Companhia das Letras lançou também este ano “Contos da seleção”.

Moradora da Virgínia, Cass ficou “profundamente abalada após o massacre na universidade Virginia Tech, em 2007, que resultou em 33 mortes (incluindo a do atirador) e 21 feridos”. A partir dali, passou “a escrever como uma forma de extravasar emoções, em uma espécie de ‘terapia literária'”, segundo o texto de apresentação de sua editora.

Suas histórias “se passam numa realidade futura e num país inexistente (Iléa), mas reúnem os ingredientes clássicos de uma boa trama romântica: amores, príncipes e princesas, diferenças sociais atrapalhando os sonhos das pessoas”.

Fãs de Kiera Cass participam de evento com a escritora na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Fãs de Kiera Cass participam de evento com a escritora na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Go to Top