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Na onda do Pokémon Go, livros apostam na realidade aumentada

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Tecnologia didática. Apresentado na última Bienal do Livro, “Diário dos sonhos” ensina educação financeira às crianças com desafios de realidade aumentada - Agência O GLOBO / Edílson Dantas

Tecnologia didática. Apresentado na última Bienal do Livro, “Diário dos sonhos” ensina educação financeira às crianças com desafios de realidade aumentada – Agência O GLOBO / Edílson Dantas

 

Editoras querem tornar leitura mais atraente por meio de interações virtuais

Publicado em O Globo

RIO — A mesma tecnologia que permite a jogadores caçarem criaturas virtuais pela cidade pode ser a solução para dinamizar um mercado editorial em crise no país. Surfando na onda do Pokémon Go, editoras investem cada vez mais na utilização da realidade aumentada em suas publicações. O recurso não é novo — vinha sendo utilizado sem muito alarde em obras físicas e digitais desde 2008 — mas ganha força à medida que é aperfeiçoado e invade progressivamente nossas vidas. Quem comprou a aposta, garante: chegou a hora e a vez da realidade aumentada na indústria do livro.

Seja na ficção, no didático ou no infantil, as possibilidades são múltiplas, desenvolvendo elementos gráficos em 3D, vídeo e interações entre o virtual e o real. O princípio é o mesmo que o do famoso jogo dos bichinhos japoneses, só que a serviço da leitura. Pela mediação de tablets e smartphones, personagens saem da página e ganham vida, cenários fixos viram mundos virtuais quase palpáveis, e a apresentação interativa de conteúdos difíceis como matemática ou ciência tornam o aprendizado mais lúdico e atrativo.

— Com a febre mundial do Pokémon Go, houve uma popularização da tecnologia, o que sinaliza o óbvio: se já está sendo assim nos games, será assim com os livros — avalia Josué Matos, da editora PenDragon, que exibiu na última Bienal de São Paulo, encerrada no sábado passado, publicações com a tecnologia em seu estande.

Seus mais recentes lançamentos (como a fantasia “Adelphos — A Revelação”, de M. Pattal) incluem interações em 3D entre público e obra. Os próximos prometem ir mais longe, oferecendo mapas virtuais em romances de fantasia e personagens animados saltando dos livros e brincando com os leitores.

— Felizmente o uso da tecnologia em um jogo mostrou o caminho para a união perfeita entre imaginação e realidade — diz o editor. — Saber fazer uso dessa tecnologia colocará definitivamente os livros de ficção, ou de qualquer outro gênero, como ferramenta lúdica, com potencial para mudar o mundo.

Por enquanto, as iniciativas atuais nesse sentido envolvem principalmente os universos didático e infantil. Também na última Bienal, a DSOP, especializada em educação financeira, exibiu o seu “Diário dos sonhos”, de Reinaldo Domingos (com ilustrações de Bruna Assis Brasil). O livro traz desafios animados, em que cenários e personagens saltam das páginas para ensinar crianças sobre o uso de dinheiro.

Presidente da DSOP, Reinaldo Domingos aponta diversas razões na demora para a ferramenta ganhar a indústria como um todo — e de continuar sendo ainda apenas uma aposta no mercado editorial.

— O custo de criação ainda é relativamente alto em relação ao processo de criação de um livro, o que torna um investimento arriscado — diz ele. — Tem também o fato de ser uma ferramenta relativamente recente. Contudo, tenho certeza que essa será uma tendência para o mercado de editoras, pela necessidade cada vez maior de integrar o livro físico com novas tecnologias, para sobreviver a uma evolução natural da comunicação.

Fundador da Ovni Studios, um estúdio independente de games, Tiago Moraes desenvolveu, no final do ano passado, o projeto “Perônio”, que junta a dinâmica dos livros animados com a interatividade digital das telas sensíveis, e foi um dos primeiros lançamentos na linha híbrida 3D, realidade virtual e aumentada. Ele acredita que, só agora, os dispositivos móveis ideais para este tipo de experiência passaram a oferecer a performance necessária para a difusão da tecnologia.

— Por muito tempo se usou a webcam dos computadores para experiências de realidade aumentada, mas é fácil entender que os computadores e notebooks não eram os dispositivos ideais para este tipo de experiência — explica Moraes. — Antes do Pokémon Go, a grande maioria das pessoas não fazia ideia do que se tratava. Agora, ao serem confrontadas com esse termo, já associam ao jogo e sabem do que se trata. Devido à popularidade do aplicativo, outros estão tentando surfar na onda da realidade aumentada, pois o mindset das pessoas muda e as oportunidades aparecem.

Segundo Moraes, novas tecnologias demoram para chegar ao consumo de massa. A partir de agora, contudo, a realidade aumentada tende a evoluir de forma rápida — e quem souber aproveitá-la melhor deve sair na frente.

— A tecnologia de hoje tenta fazer com que tudo esteja dentro de nossos celulares. Muitas das coisas que fazíamos nos computadores são feitas nos celulares, como e-mails, redes sociais, GPS, fotos e entretenimento de forma geral — diz. — Em um período curto, tudo estará nos celulares, computadores e TVs deixarão de existir.

“LIVROS INFANTIS SAEM NA FRENTE”

Com tese de doutorado sobre novas narrativas em mídias, a professora e coordenadora do curso de Jornalismo da Eco-UFRJ Cristiane Costa acredita que, de todas as novas estratégias para o livros animados, a realidade aumentada é a que tem mais possibilidade de vingar. Uma de suas principais vantagens em relação ao livro pop-up, que cria animações em dobraduras por meio de um complexo trabalho com o papel, é que ela não demanda os altos custos de impressão.

— Embora tenha uma linguagem única, a realidade aumentada é uma evolução dessa estética que já existia no impresso com os livros pop-up — explica. — Seu desenvolvimento a popularizou e aumentou o nível de interatividade.

Depois de pesquisar o assunto com Cristiane na UFRJ, a produtora editorial Aline Pina passou a editar um site sobre as novidades do uso da tecnologia nos livros. Segundo ela, os grandes grupos editoriais no Brasil continuam alheios às inovações nesse campo, que estão sendo introduzidas no mercado principalmente por editoras independentes, startups e agências de publicidade.

— Um bom projeto com realidade aumentada precisa ter um projeto gráfico pensado para o digital, que explore ao máximo as interações e as possibilidades oferecidas pelo conteúdo multimídia, e que esteja intimamente ligado com o conteúdo do impresso ou do aplicativo — opina Aline. — Atualmente, os livros infantis saem na frente porque têm maior apelo com as imagens, é mais fácil adaptar as histórias às animações. Estes livros são como brinquedo nas mãos das crianças, elas adoram. Nos didáticos, o uso da ferramenta torna o conteúdo mais fácil de vivenciar e aprender, mais empírico, construindo um novo entendimento baseado nas interações com objetos virtuais que trazem um material complementar e de fixação das aulas.

País homenageado pela Bienal do Livro, Argentina promove eventos culturais no Rio

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O músico Daniel Pipi Piazzolla, neto de Astor Piazzolla, faz show em homenagem ao avô (Foto: Divulgação)

O músico Daniel Pipi Piazzolla, neto de Astor Piazzolla, faz show em homenagem ao avô (Foto: Divulgação)

No Riocentro, sede da Bienal, e outros pontos da cidade vão acontecer encontros literários, exposições e shows

Bruno Astuto, na Época

País homenageado da XVII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, a Argentina promove uma extensa programação cultural no Riocentro, sede do evento, e em diversos pontos da cidade. Promovidos pela embaixada da Argentina no Brasil, chegam ao país em breve nomes representativos da literatura argentina – entre os destaques está a maior poetisa contemporânea do país, Diana Bellesi, que aos 69 anos lança seu primeiro livro com tradução em português e faz encontro com Geraldo Carneiro e, o premiado autor de ‘O segredo dos Seus Olhos’. Também estará presente a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, que achou seu neto ano passado após 37 anos de busca – ela falará sobre Direitos Humanos. Na música, Ariel Ardit Quinteto se apresenta na Sala Cecília Meireles para uma homenagem a Carlos Gardel e o músico Daniel Pipi Piazzolla, neto de Astor Piazzolla, faz show em homenagem ao avô.

Na cerimônia de abertura Bienal, que aconteceu nesta quinta-feira (3), autoridades da Argentina como Magdalena Faillace (diretora geral de assuntos culturais) e o embaixador da Argentina no Brasil, Luis María Kreckler, inauguraram o stand de 400 m2 no pavilhão azul do evento. O local foi batizado de Manuel Puig, nome do mais carioca dos escritores argentinos, e tem auditório com capacidade para 80 pessoas. “Para a Argentina é uma honra receber este reconhecimento justamente no ano em que a Cidade Maravilhosa celebra seus 450 anos de vida. Uma data simbólica na qual decidimos presentear com uma pequena amostra do nosso universo cultural. Sem dúvida, todas estas manifestações artísticas serão os nossos melhores presentes para os cariocas”, diz Luis María Kreckler.

Livro vai se adaptar à revolução das plataformas digitais, diz especialista

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A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros, realizada entre junho e julho de 2011, foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Publicado por Diário de Pernambuco

O fim do livro impresso representa, para os apaixonados pelo cheiro e textura do papel, o apocalipse, sem exageros — mais aterrorizante que qualquer saga de zumbis ou vampiros. Mas os especialistas em mercado literário tranquilizam o público do livro impresso. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — realizada pelo Ibope em parceria com o Instituto Pró-Livro — apesar da crescente ascensão dos tablets, os chamados e-books ainda não são muito populares entre os leitores brasileiros, uma vez que 82% afirmam nunca ter lido um.

O professor da Unesp, João Ceccantini, especializado em literatura e mercado, acredita se tratar de uma “falsa guerra”. Ceccantini admite ter lido estimativas bem apocalípticas que apontam para a extinção do livro impresso. Mas, para ele, a tendência é que cada tipo de leitura se adapte à plataforma mais adequada e que tanto o eletrônico quanto o papel terão espaço no mercado.

“O escritor está muito ligado às práticas contemporâneas e a trama conta muito na hora de escolher o tipo de suporte de leitura. Se o livro impresso vai acabar, o tempo vai dizer. Porém, o que eu vejo é uma falsa guerra, porque, se alguns gêneros precisam de recursos eletrônicos para que as pessoas tenham acesso, há os gêneros que se encaixam melhor no impresso. Por exemplo, muitas pessoas preferem ler poesia no papel.”

A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros — realizada entre junho e julho de 2011 — foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De acordo com o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. A presidente da Câmara do Livro, Karine Pensa, avalia que os resultados podem ser considerados bons.

“Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média — que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 —, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”, afirma ela.

Bienal aposta em novos autores da literatura fantástica nacional

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Visitantes na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Pavilhão de Eventos do Anhembi. EFE

Visitantes na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Pavilhão de Eventos do Anhembi. EFE

Rodrigo Casarin, no UOL

Nesta quinta-feira (28), às 18h, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo realizará a mesa “Literatura Fantástica – a fantasia ganhando espaço”, com os escritores Affonso Solano, Carolina Munhóz e Raphael Draccon. O título da conversa soa bastante oportuno, principalmente se observarmos como a literatura feita com dragões, magos, vampiros, gnomos, elfos e outros seres do tipo ocupa a Bienal. São diversos eventos que tratam do gênero. “A Bienal é o evento de literatura mais popular do país. Por essa característica, atrai o público que ama a cultura pop, onde nós incluímos a maioria do público jovem, principal consumidor da literatura fantástica”, diz Draccon, autor da bem-sucedida trilogia “Os Dragões de Éter”.

André Vianco, um dos principais nomes do segmento, tem uma opinião complementar. “Parece que grande parte dos organizadores, curadores de feiras e eventos do mercado do livro se renderam à fantasia vendo o grande número de leitores que os escritores do gênero atraem para os eventos”. Já Eduardo Spohr, outro autor de destaque, enxerga essa presença como uma consequência da força que o nicho possui. “Ele não está só na Bienal, mas em diversos eventos que têm se espalhado pelo Brasil. Não me refiro só aos com organização oficial, mas falo também de clubes de livros e de encontros agendados por donos de blogs, por exemplo. A internet tem se tornado uma belíssima ferramenta de comunicação para os amantes da literatura, e o legal é ver que essas pessoas também têm se reunido ao vivo, para trocar ideias e experiências.”

Além de discussões e encontros de leitores, analisando a programação oficial do evento e das editoras é possível encontrar dezenas de lançamentos de autores nacionais do gênero. O próprio Draccon é um dos que apresentará seu novo livro, “Cemitérios de Dragões”, ao público na Bienal, no sábado, dia 30, com direito a show de cosplay. Por lá, Carolina Munhóz, sua parceira de mesa, já lançou “O Reino das Vozes que Não se Calam”, escrito em co-autoria com a atriz Sophia Abrahão. Algumas outras novidades são “Átina Black e o Império de Cronos”, de Valentine Cirano, “Eterno Castigo”, de Kizzy Ysatis, “Sombra de um Anjo”, de Ana Beatriz Azevedo Brandão – uma menina de 14 anos – e “Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues”, de Eric Novello.

Capa do livro “Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues”, de Eric Novello, aposta da nova literatura fantástica

Apostas
Novello é apontado por Draccon como um dos nomes do gênero que devem despontar com força em breve. Outro que o indicou como grande promessa foi Felipe Pena, escritor, doutor em Letras e organizador da coletânea “Geração Subzero”, que deu destaque a muitos autores do segmento. “Ele tem perfeito domínio da narrativa, não é óbvio e conhece bem seu instrumento de trabalho, que é a língua portuguesa”, declarou Pena.

Quem também é indicada como alguém a se prestar atenção é Bárbara Morais, autora de “A Ilha dos Dissidentes”, que, na Bienal, lança “A Ameaça Invisível”. “Ela honra a tradição feminina que se vê hoje em dia na literatura internacional em relação às distopias”, diz Draccon. “Ela se inspira em distopias e mutantes (X-Men) para falar de segregação social e abordar diversidade étnica e sexual”, argumenta Novello.

Felipe Castilho, autor de “Ouro, Fogo e Megabytes”, que faz fantasia a partir do folclore brasileiro e já começa a ser lido até mesmo em escolas, é outra aposta. Vianco o considera um exemplo de quem sabe dar caráter nacional a um gênero bastante influenciado pelo que é feito no exterior. ” A maioria das obras lançadas soa muito como emulação de franquias de mercado norte-americano e inglês, faltando brasilidade nos livros. Ainda que o autor eleja criaturas tradicionais do folclore estrangeiro, é preciso pôr uma tinta brasileira nesses bichos, é preciso inventar com mais coisas daqui, como faz bem o Felipe.”

Ao ser perguntado como está a literatura fantástica no Brasil, Vianco se queixa da ausência de ousadia. “Por incrível que pareça, acho que falta um pouco de invenção”. Entretanto outros autores têm uma visão mais positiva. Draccon diz que ela está “consolidada, seja na confiança dos leitores ou dos editores”, enquanto Pena define o momento como “pulsante”. “É o gênero que mais cresce. As editoras estão investindo, novos escritores estão aparecendo e os leitores continuam aumentando.”

Nos últimos anos, com o crescimento do interesse do leitor brasileiro pela fantasia – em muito graças a adaptações para o cinema e televisão, como “O Senhor dos Anéis” e “Game of Thrones”, e do sucesso de séries como “Jogos Vorazes” ou até mesmo “Harry Potter” –, o nicho despertou real interesse das editoras. Uma prova disso é que duas importantes casas, a Rocco e a Leya, recentemente criaram selos (Fantástica Rocco e Fantasy – Casa da Palavra, respectivamente) para abrigar esse tipo de livro. Outras já haviam feito movimento semelhante, como a Record, que publica obras do gênero pelo Galera Record.

A trinca fantástica
Se o momento da literatura fantástica nacional é de efervescência, isso muito se deve a Vianco, apontado como principal representante do gênero. Seu primeiro romance, “O Senhor da Chuva”, saiu em 1998 e foi sucedido de “Os Sete”, de 1999, que teve a primeira edição bancada pelo próprio autor, mas despertou atenção do mercado editorial. Com narrativas normalmente protagonizadas por vampiros, a partir de então vieram títulos como “O Vampiro – Rei” e “Vampiros do Rio Douro”. Se somados todos seus títulos, Vianco já vendeu acima de 900 mil exemplares. Mais do que isso, foi uma espécie de abre-alas para que diversos autores pudessem ter seu espaço.

Outro que despontou com uma força estrondosa é Eduardo Spohr, que em 2010 lançou “A Batalha do Apocalipse”. Para compor a obra – sucedida de títulos como “Filhos do Éden” – o escritor criou uma espécie de mitologia própria, em movimento semelhante ao feito por J.R.R. Tolkien em “O Senhor dos Anéis”. Spohr já ultrapassou a marca dos 600 mil livros vendidos, entretanto, procura afastar os holofotes de si mesmo. “Os principais nomes da nossa literatura são e sempre foram os leitores, não os autores. Os autores são apenas coadjuvantes nesse processo. São os leitores que movimentam essa máquina e que nos permitem continuar trabalhando”.

Quem completa a trinca fantástica dos principais escritores do gênero no país é Raphael Draccon. Sua obra de maior destaque é a série “Dragões do Éter”, que já vendeu cerca de 300 mil exemplares. Draccon credita muito de seu sucesso justamente à Bienal, em especial à edição de 2010. “Era a estreia da editora Leya no Brasil, com um espaço modesto, num canto do pavilhão, e nós transformamos aquilo em uma Comic-Con, com a presença dos personagens, vikings entoando gritos de guerra com o público, bruxa com a pele derretida sendo maquiada ao vivo e animação passando na TV. Era uma aposta arriscada, mas o estande virou uma loucura!”. Assume também que não teria oportunidade melhor para marcar a sua estreia na Rocco. “A Bienal de São Paulo foi e sempre será o evento da minha vida”.

Sobre a Bienal
Com o tema de “Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado”, a 23ª Bienal do Livro de São Paulo, que vai até o dia 31 de agosto, no Pavilhão de Eventos do Anhembi, é um dos mais importantes do mercado livreiro e literário em toda a América Latina. Conta com 1.500 horas de programação e mais de 400 atrações, dentre elas nomes reconhecidos internacionalmente, como Harlan Coben (“Confie em Mim”), Ken Follet (“Os Pilares da Terra”), Sally Gardner (“Coriandra”), Kiera Cass (“A Seleção”) e Hugh Howey (“Silo”), Cassandra Clare (“Os Instrumentos Mortais”) e Sylvia Day (“Toda Sua”).

Os ingressos para a Bienal, que dão acesso ao Pavilhão do Anhembi, custam entre R$6 e R$14 – dentro do espaço, toda a programação cultural é gratuita, com sendo que os bilhetes para cada evento devem ser retirados com no mínimo 30 minutos de antecedência. O evento conta com  300 expositores, que representarão 750 selos editoriais. Nos dez dias de evento, são esperados mais de 700 mil visitantes, que, para chegarem ao Anhembi, podem utilizar ônibus gratuitos que saem das estações de metrô do Tietê e da Barra Funda (desta segunda, apenas nos finais de semana). Toda a programação oficial pode ser conferida no site www.bienaldolivrosp.com.br.

Xico Sá vai à Bienal e diz que literatura ajuda homem feio com mulheres

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O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

O jornalista e escritor Xico Sá participa nesta terça-feira da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

Publicado no UOL

Não é de hoje que as mulheres que se desmancham pelo romantismo escancarado e exacerbado de Xico Sá. A nova obra do escritor é uma prova disso: “O Livro das Mulheres Extraordinárias” traz 264 páginas nas quais faz odes a 127 moças diferentes, de Lygia Fagundes Telles a Gaby Amarantos, passando por musas do momento, como Isis Valverde e Fernanda Lima.

Segundo ele, o que o guiou nas escolhas dos nomes foi o desejo –e o tesão– que sente por cada uma das beldades. E não para por aí: ele já tem outras cem homenagens prontas, de nomes como Marieta Severo e Tainá Müller, para um segundo volume da obra, que deverá ser lançado em julho de 2015.

Xico estará nesta terça-feira (26) na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, às 16h, no Salão de Ideias, onde conversará com Antonio Prata e Gregorio Duvivier sobre a importância da ironia. Em entrevista ao UOL, o escritor fala do personagem que criou para si mesmo, da recepção das musas às suas declarações e da chance de, um dia, se tornar uma espécie de Wando das letras.

UOL – Em “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você vai de Lygia Fagundes Telles e Ilze Scamparini a Gaby Amarantos, MC Pocahontas e até Rê Bordosa, personagem do Angeli. Seu gosto é bastante amplo, não? Há como defini-lo com algo a mais do que apenas “eu gosto de mulher”?
Xico Sá –
Todas as mulheres do livro me despertam uma forma de tesão. Nem sempre o tesão intelectual (risos). Toda essa diversidade só prova que não há padrão em matéria de mulher. O que vale é a lei do desejo.

O que é a mulher para você?
Minha ideia do sagrado, seja ela santa ou “vadia”, no bom sentido do termo.

Além de fantasias, você teve algo real com alguma daquelas mulheres do livro?
Algumas são ex-namoradas, amores, casos passageiros ou belas aventuras da noite. Uma minoria, diga-se. Prefiro não citá-las. A grande maioria, como digo na apresentação do livro, é fantasia que divido deliciosamente com a massa que vê televisão, cinema ou folheia revistas.

E alguma das homenageadas lhe agradeceu, reclamou ou fez algum tipo de manifestação por estar na obra?
Todo dia tenho uma linda resposta das moças. E o melhor: elas têm ido nos lançamentos. Recebi manifestações emocionantes de Patrícia Pillar, Maria Flor, Dira Paes, Fernanda Lima, Camila Morgado, Maria Ribeiro, Nicole Puzzi e Mayana Moura. A Luiza Brunet disse que quase (risos) aceita meu pedido de casamento feito na crônica dedicada a ela. Fora as selecionadas para a ilustração da capa, nenhuma ficou sabendo antecipadamente, então, modestas, dizem que foram surpreendidas. Só estou esperando a Sônia Braga ligar.

Em Paraty, na Flip, você levou pequenas multidões para onde foi e muitas dessas pessoas eram mulheres. Acha que pode virar uma espécie de Wando das letras?
Seria a glória em vida. O Wando das cantadas literárias. Se bem que tem um quê de Serge Gainsbourg e suas baladas de motel também. Aliás, esse gênio francês é um dos guias do livro.

Já lhe aconteceu algo semelhante ao que acontecia com o Wando? De repente uma calcinha atirada em meio a uma leitura.
Em uma apresentação do “Trovadores do Miocárdio”, projeto de declamação de textos passionais e calientes que faço com o Fausto Fawcett, já ameaçaram (risos). Tudo vale a pena para tirar a literatura da solenidade chata que ela tem, essa nossa eterna herança beletrista. Que venham as calcinhas!

Quanto a literatura lhe ajudou para fazer sucesso entre as mulheres?
Tudo, 100%. Se a literatura já faz bem a homem bonito, imagina a um feio, digo, a um mal diagramado pela própria natureza como este cronista do amor. Tudo que aprendi sobre cantadas literárias está nos truques de Balzac para fazer a sua série de “retratos de mulheres” ou nas sacanagens de Henry Miller.

O Xico Sá que aparece em seus textos é um personagem, um recorte da sua personalidade ou a sua pessoa escancarada?
Um personagem com uma vocação danada para ser eu mesmo. Tudo que o personagem faz eu gosto muito, mas o personagem é mais exagerado, hiperbólico, obcecado. A desgraça é que o personagem bebe e eu que pago pelas ressacas monstruosas.

Antes de “O Livro das Mulheres Extraordinárias” você havia escrito “Big Jato”, duas obras completamente distintas. Por que essa mudança? Pensa em fazer outro romance?
“Big Jato”, que acaba de ser adaptado para o cinema pelo gênio Cláudio Assis, nosso Bigas Luna, é um delírio sobre a infância e adolescência, o tal romance de formação. Embora seja meu livro mais reconhecido, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, não é o melhor. Prefiro “Se um Cão Vadio aos Pés de uma Mulher-Abisco”, que é um romance fragmentado que classifico como idílio. Também completamente diferente do livro das mulheres. Tenho uma baciada de livros, uma dúzia mesmo, e cada um bem distinto do outro. Se eu tiver alguma marca essa é a da contradição e da incoerência.

Na Bienal de São Paulo você vai falar sobre a importância da ironia. Por que ela é fundamental?
Ironia ainda é a melhor forma de tirar uma onda com a vida, com a nossa miserável finitude, como faz, por exemplo, o mais irônico dos nossos escritores, o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Mas vou avisar: não funciona para conquistar mulheres. Pelo menos comigo nunca deu certo.

Qual a expectativa de dividir uma mesa com o Antonio Prata e o Gregorio Duvivier? O que acha deles?
Admiro os dois. Sou amigo do Antonio antes de ele nascer, pelo simples ato de ler o pai, o Mário, que adoro. Aliás, amo a mãe dele também, a Marta Góes, assim como a linda Maria, a irmã. O Gregorio não sou amigo ainda por falta de oportunidade, mas a minha chance chegou.

Os dois são garotos novos, têm cara de bons meninos. Se fosse aprimorá-los na arte da sacanagem, quais dicas daria?
Devem ser mais sacanas que todos os catecismos do Zéfiro juntos, mais sacanas que as obras completas do Costinha… Não ter cara de sacanagem é só esperteza, vai por mim. Tenho mais é que aprender essa arte deles.

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