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Posts tagged blog livros e pessoas

‘Biblioteca a cavalo’ leva livros para regiões sem internet na Argentina

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Estudantes de Condor Huasi distribuem leitura para a comunidade.
Animal puxa carroça com alunos três vezes por semana.

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Publicado no G1

Na pequena aldeia de Condor Huasi, na região noroeste da Argentina, não há conexão com a internet. As crianças e adolescentes que estudam ali adquirem e distribuem informação e conhecimento para os moradores locais transportando uma biblioteca móvel puxada por uma carroça.

O pequeno cavalo Pepe puxa a carroça cheia de livros e alunos. Por três vezes na semana, os estudantes levam os livros para a comunidade local e promovem um encontro de leitura ao ar livre.

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A ideia da biblioteca móvel surgiu a partir de um projeto para ter atividades extracurriculares na escola e na comunidade. Em entrevista à agência APTN, a jovem Julia Lazarte disse que “queria que as crianças tivessem acesso à internet para conseguirem obter informações de forma mais rápida e fácil, mas por enquanto estudar da maneira antiga é a única opção”.

Condor Huasi fica a 27 km de distância de San Miguel de Tucumán, cidade com um milhão de habitantes no norte da Argentina.

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Livro segue minha própria lógica, diz Tico Santa Cruz sobre ‘Pólvora’

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Músico lançará o livro em Araxá, no projeto Sempre Um Papo.
Artista revelou: “Seria lindo se Pólvora se tornasse filme”.

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Publicado no G1

“Eu sou fora dos padrões. O livro segue minha própria lógica”. Foi assim que o músico e escritor, Tico Santa Cruz, definiu o romance policial “Pólvora”. O artista está em Araxá, onde participa do projeto Sempre um Papo, nesta terça-feira (7), às 19h30, no Teatro Municipal. A entrada é gratuita.

Ele falará sobre carreira literária e do livro que se tornou um sucesso na internet, com mais de 100 mil downloads.

Pólvora surgiu a partir de crônicas publicadas no blog do cantor em 2011. Três anos depois, ganhou edição impressa. Por gostar do gênero policial, Tico contou que a história foi surgindo de forma natural, a partir das vivências dele.

De acordo com o cantor, a saga pode ser classificada como “policial, psicótica, suja, politicamente incorreta e sem compromisso algum com qualquer tipo de estética literária”. Na primeira incursão no mundo da ficção, o autor transborda excitação e apresenta um misto de loucura e fantasia urbana por meio de personagens, fazendo com que a trama da linda, provocante e misteriosa Lorena, deixe um rastro de morte por onde passa. O livro é ainda, uma crítica contundente e caricata ao sistema político, social e econômico brasileiro.

Apesar do gosto pela escrita, o cantor disse que a ideia inicial era apenas a produção de crônicas e que ‘Pólvora’ se materializou ao longo dos anos. “Comecei esse livro fazendo apenas uma crônica no meu blog. Depois virou uma novela e então fui desenvolvendo, mas nunca com a intenção de ser um livro. Ele se materializou muitos anos depois nesse formato. Gosto muito do gênero policial, então foi naturalmente sendo conduzido de tal forma”, comentou.

Em relação aos personagens, Tico contou que não há um que se refere a ele, porém as vivências do artista se refletem na trama. “Todos os personagens partiram de fantasias, vivências, experiências que já tive ou que vi em filmes, livros ou conversas com amigos e pessoas próximas. Não é um livro biográfico, mas tem traços de questões particulares e visões minhas nele, sem dúvida”, contou.

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Já a inspiração para a história veio através de filmes, especialmente os de QuentinTarantino e autores como Mario Prata, Patrícia Mello, Bukoswisk, entre outros. Segundo ele, levar a obra para as telas, seria a realização de um sonho. “Seria lindo se Pólvora se tornasse um filme. Pretendo lançar muitos livros, inclusive uma continuação deste”, revelou.

Tico é escritor, cantor, compositor, alimenta um blog e também é presente nas redes sociais, com quase de 1,5 milhão de seguidores. E o tempo para fazer tanta coisa? Ele resume. “Faço o que gosto, então ao que me dedico, é por amor”, afirmou.

Responsável por vídeos polêmicos e por expor ideais, Tico diz que as redes sociais é uma forma de sugerir pensamentos e debates. “Acredito que é propor ideias e pensamentos num ângulo e com um olhar diferente. Não prego verdades, eu proponho que pensemos sobre elas apenas e isso é um papel que sempre fiz na minha vida. Se hoje é potencializado por conta da notoriedade da minha personalidade ou do meu trabalho, acho mais válido ainda usar os espaços que cabem a mim, sem interferência de terceiros”, comentou.

Somos todos canalhas? Livro escrito por WhatsApp busca a resposta

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Os autores Clóvis Barros Filho e Júlio Pompeu dialogam sobre questões filosóficas e a busca de valores pela sociedade

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Publicado em Revista Galileu

Um mês e meio de mensagens de voz pelo WhatsApp entre os filósofos Clóvis Barros Filho e Júlio Pompeu foram o suficiente para compilar ideias para um livro.

Clóvis mora em São Paulo e Júlio mora em Vitória e essa foi a forma mais fácil que eles encontraram para dialogar – o resultafo foi o livro Somos Todos Canalhas: filosofia para uma sociedade em buscas de valores (Leya, R$ 23,90).

publicação conta com diálogos dos dois autores do início ao fim. Começando com os filósofos gregos até chegar nos dias atuais, de fidelidade e tolerância, discutindo os conceitos filosóficos de valor, belo, justo e sagrado. O título comercial chama atenção pela afirmação, mas Clóvis conta que o nome do livro deveria ser seguido por um ponto de interrogação: somos todos canalhas?

“O ‘canalha’ é o atributo de uma conduta, não de uma pessoa – como se poderia imaginar. Até por que para afirmar que alguém é canalha, precisaria que esse alguém agisse ‘canalhamente’ 100% do tempo, o que é muito pouco provável”, explica Barros Filho. “É completamente absurdo pensar que alguém seja canalha o tempo todo. O título é por conta da editora”.

Logo na introdução os autores tratam de elucidar que, apesar do título, o livro não pertence a editoria de auto-ajuda e sim de filosofia.

‘Nem conclusão nem considerações finais”

As conversas entre os autores não são conclusivas, mas reflexivas, já que não trazem uma resposta final sobre a nossa ‘canalhice’. De fato, não somos canalhas o tempo todo, mas em algum momento de escolhas certamente já agimos de forma canalha.

“Todo homem delibera sobre sua trajetória pessoal. Projeta situações desejadas, decide sobre meios adequados, descarta outros e age. Intervém no mundo transformando-o ininterruptamente”, afirma um trecho da última parte do livro.

“Sendo a canalhice o atributo de uma conduta, essa pergunta [somos todos canalhas?] é improcedente. Mas se a pergunta for ‘agirmos todos de forma canalha?’ Eu diria sim, agimos todos de forma canalha em algum momento. Porque em nosso cotidiano tomamos decisões a fim de garantir conforto pessoal, atrapalhando a convivência com o próximo”, afirma Barros Filho.

Exame internacional desfaz 7 mitos sobre eficiência da educação

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Publicado em BBC

A cada três anos, estudantes de vários países fazem o exame internacional Pisa (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), cujo objetivo é avaliar sistemas educacionais no mundo por meio de uma série de testes em assuntos como leitura, matemática e ciências.

Cerca de 510 mil estudantes de 65 países participaram da rodada mais recente de testes, realizada em 2012. Os resultados foram divulgados em dezembro de 2013.

O Brasil ocupa a posição 55 no ranking de leitura, 58 no de matemática e 59 no de ciências. Xangai (China) está no topo da lista nas três matérias, Cingapura e Hong Kong se revezam na segunda e terceira posições.

No artigo a seguir, o responsável pelo exame, Andreas Schleicher, usa dados revelados pelo Pisa para destruir alguns dos grandes mitos sobre o que seria um bom sistema de educação.

1. Alunos pobres estão destinados a fracassar na escola

Em salas de aula de todo o mundo, professores lutam para impedir que alunos mais pobres fiquem em desvantagem também no aprendizado.

No entanto, resultados do Pisa mostram que 10% dos estudantes de 15 anos de idade mais pobres em Xangai, na China, sabem mais matemática do que 10% dos estudantes mais privilegiados dos Estados Unidos e de vários países europeus.

Crianças de níveis sociais similares podem ter desempenhos muito diferentes, dependendo da escola que frequentam ou do país onde vivem. Sistemas de educação em que estudantes mais pobres são bem sucedidos tem capacidade para moderar a desigualdade social. Eles tendem a atrair os professores mais talentosos para as salas de aula mais difíceis e os diretores mais capazes para as escolas mais pobres, desafiando os estudantes com padrões altos e um ensino excelente.

Alguns americanos criticam comparações educacionais internacionais, argumentando que elas têm um valor limitado porque os Estados Unidos têm divisões sócioeconômicas muito particulares.

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Mas os Estados Unidos são mais ricos do que a maioria dos outros países e gastam mais dinheiro com educação do que a maioria. Pais e mães americanos têm melhor nível educacional do que a maioria dos pais e mães em outros países e a proporção de estudantes de nível sócioeconômico baixo nos EUA está perto da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

O que as comparações revelam é que as desvantagens sócioeconômicas têm impacto particularmente forte sobre o desempenho de estudantes nos Estados Unidos.

Em outras palavras, nos Estados Unidos, dois alunos de níveis sócioeconômicos diferentes variam muito mais em seu aprendizado do que se observa em outros países que integram a OCDE.

2. Países onde há muitos imigrantes têm pior desempenho

Integrar estudantes imigrantes, ou descendentes de imigrantes, pode ser um desafio.

No entanto, resultados dos exames Pisa mostram que não há relação entre a porcentagem de estudantes imigrantes – ou descendentes de imigrantes – em um dado país e o desempenho dos estudantes daquele país nos exames.

Estudantes com históricos de imigração e níveis sociais similares apresentam desempenhos variados em países diferentes, o que sugere que as escolas onde os alunos estudam fazem muito mais diferença do que os lugares de onde os alunos vêm.

3. É tudo uma questão de dinheiro

A Coreia do Sul – país com melhor desempenho (em termos individuais) em matemática na OCDE – gasta, por estudante, bem menos do que a média. O mundo não está mais dividido entre países ricos e bem educados e países pobres e mal educados. O sucesso em sistemas educacionais não depende mais de quanto dinheiro é gasto e, sim, de como o dinheiro é gasto.

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Se quiserem competir em uma economia global cada vez mais focada no conhecimento, os países precisam investir em melhorias na educação. Porém, entre os integrantes da OCDE, gastos com educação por estudante explicam menos de 20% da variação no desempenho dos alunos.

Por exemplo, aos 15 anos de idade, estudantes eslovacos apresentam uma média de desempenho similar à de um estudante americano da mesma idade. No entanto, a Eslováquia gasta cerca de US$ 53.000 para educar cada estudante dos 6 aos 15 anos de idade, enquanto os Estados Unidos gastam mais de US$ 115.000 por estudante.

4. Salas de aula menores elevam o nível

Por toda parte, professores, pais e autoridades responsáveis por políticas educacionais apontam salas de aula pequenas, com poucos alunos, como essenciais para uma educação melhor e mais personalizada.

Reduções no tamanho da classe foram a principal razão para os aumentos significativos nos gastos por estudante verificados na maioria dos países ao longo da última década.

Apesar disso, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o tamanho da classe e o aprendizado, seja internamente, em cada país, ou se compararmos os vários países.

E o que é mais interessante: os sistemas educacionais com melhor desempenho no Pisa tendem a dar mais prioridade à qualidade dos professores do que ao tamanho da classe. Sempre que têm de escolher entre uma sala menor e um professor melhor, escolhem a segunda opção.

Por exemplo, em vez de gastarem dinheiro com classes pequenas, eles investem em salários mais competitivos para os professores, desenvolvimento profissional constante e cargas horárias equilibradas.

5. Sistemas únicos de educação são mais justos, sistemas seletivos oferecem resultados melhores

Parece haver um consenso, entre educadores, de que sistemas educacionais não seletivos, que oferecem um mesmo programa de ensino para todos os estudantes, são a opção mais justa e igualitária. E que sistemas onde alunos aparentemente mais inteligentes são selecionados para frequentar escolas com programas diferenciados oferecem melhor qualidade e excelência de resultados.

No entanto, comparações internacionais mostram que não há incompatibilidade entre qualidade do aprendizado e igualdade. Os sistemas educacionais que apresentam melhores resultados combinam os dois modelos.

Nenhum dos países com alto índice de estratificação está no grupo de sistemas educacionais com os melhores resultados – ou entre os sistemas com a maior proporção de estudantes com o melhor desempenho.

6. O mundo digital requer novas matérias e um currículo novo

Globalização e mudanças tecnológicas estão tendo um grande impacto sobre os conteúdos que estudantes precisam aprender.

Num mundo onde somos capazes de acessar tantos conteúdos no Google, onde habilidades rotineiras estão sendo digitalizadas ou terceirizadas e onde atividades profissionais mudam constantemente, o foco deve estar em permitir que as pessoas tornem-se aprendizes para a vida toda, para que possam lidar com formas complexas de pensar e trabalhar.

Resumindo, o mundo moderno não nos recompensa mais apenas pelo que sabemos, mas pelo que podemos fazer com o que sabemos.

Como resposta, muitos países estão expandindo currículos escolares para incluir novas matérias. A tendência mais recente, reforçada pela crise financeira, foi ensinar finanças aos estudantes.

Porém, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o grau de educação financeira e a competência dos estudantes no assunto. Na verdade, alguns dos sistemas de educação em que os estudantes tiveram o melhor desempenho nas provas do Pisa que avaliaram competência em finanças não ensinam finanças – mas investem pesado no desenvolvimento de habilidades matemáticas profundas.

De maneira geral, nos sistemas educacionais de melhor desempenho, o currículo não é amplo e raso. Ele tende a ser rigoroso, com poucas matérias que são bem ensinadas e com grande profundidade.

7. O segredo do sucesso é o talento inato

Livros de psicólogos especializados em educação tendem a reforçar a crença de que o desempenho de um aluno brilhante resulta de inteligência inata, e não do trabalho duro. Os resultados do Pisa questionam também este mito.

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Às vezes, professores se sentem culpados por pressionar estudantes tidos como menos capazes, acham injusto fazer isso com o aluno. O mais provável é que tentem fazer com que cada estudante atinja a média de desempenho dos alunos em sua classe. Na Finlândia, em Cingapura ou Xangai, por outro lado, o objetivo do professor é que alunos alcancem padrões altos em termos universais.

Uma comparação entre as notas escolares e o desempenho de estudantes no Pisa também indica que, frequentemente, professores esperam menos de alunos de nível sócioeconômico mais baixo. E pode ser que os próprios alunos e seus pais também esperem menos.

A não ser que aceitem que todas as crianças podem alcançar os níveis mais altos de desempenho, é pouco provável que os sistemas educacionais (com resultados piores) possam se equiparar aos dos países com índices de aprendizado mais altos.

Na Finlândia, Japão, Cingapura, Xangai e Hong Kong, estudantes, pais, professores e o público em geral tendem a compartilhar a crença de que todos os estudantes são capazes de alcançar níveis altos.

Um dos padrões mais interessantes observados entre alguns dos países com melhor desempenho foi o abandono gradual de sistemas nos quais estudantes eram separados em diferentes tipos de escolas secundárias.

Esses países não fizeram essa transição calculando a média de desempenho (entre todos os grupos) e usando essa média como o novo padrão a ser almejado. Em vez disso, eles colocaram a nova meta lá em cima, exigindo que todos os estudantes alcançassem o nível que antes era esperado apenas dos estudantes de elite.

Após anos de vida dupla, professora intersexual se assume para alunos

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Professora nasceu com órgãos femininos, mas foi identificada como menino.
Depois de manter aparência masculina na sala de aula, ela fez a transição.

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Publicado no G1

Era uma segunda-feira quando os estudantes da Chino High School, uma das sete escolas públicas de ensino médio da cidade de Chino, na Califórnia, chegaram para a aula e descobriram que o Sr. Swager, professor de química, anunciou que, a partir de então, deveria ser chamada de Srta. Swager. Foi em 16 de março o primeiro dia de Amanda Swager vivendo 100% de acordo com sua própria identidade, após anos de vida dupla.

Em entrevista ao G1, Amanda, de 32 anos, explicou que nasceu com órgãos sexuais femininos e masculinos, mas que nunca passou por exames genéticos que efetivamente determinassem seu gênero. “Sou intersexual, o que quer dizer que estou em ambos os espectros, entre masculino e feminino.”

Embora identificada como do sexo masculino, ela diz que desde os primeiros anos de idade já se identificava também com o sexo feminino. “Eu sabia que algo era diferente desde os quatro ou cinco anos. Foi difícil perceber, porque eu não tive uma criação marcada pela distinção de gênero, então gostava de brincar tanto de casinha quanto de carrinhos. Mas a maioria das atividades masculinas tinham um enfoque feminino”, disse.

A reação ao fato de ser identificada como um garoto levou Amanda a uma conclusão inicial: todos os meninos querem ser meninas. “Por causa do meu histórico médico, me disseram que eu era um menino desde tão cedo que eu acabei achando que todos os meninos queriam ser meninas, usar maquiagem e vestidos, e gostavam de meninos, já que eu não tinha outro tipo de referência.”

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Vida dupla
Foi na faculdade que Amanda decidiu assumir sua identidade com o sexo feminino, mas ela diz que nunca se preocupou com a mudança do nome nos docuementos legais.

“Meus amigos, parentes e pessoas que conheço profissionalmente, mas fora do trabalho, sabiam há anos”, diz ela. “O mais difícil em fazer a transição em uma sala de aula é que é muito público. Em um ambiente de trabalho normal, talvez dez ou 20 pessoas precisem saber, e nenhuma tem pais que podem entrar com um processo, ou se preocupar com a influência que você tem na vida deles. Por isso levei tanto tempo para chegar a esse ponto”, explicou.

A vida dupla foi possível porque Amanda morava em uma cidade a cerca de 50 quilômetros de distância de onde trabalhava. “Quando mudei para a mesma comunidade em que moram as famílias dos meus alunos, ficou difícil esconder.”

Por isso, Amanda conversou com a diretoria da escola e a data em que ela assumiria sua identidade como mulher foi agendada para depois das férias de verão, no segundo semestre deste ano.

Porém, ao ser flagrada com o namorado em uma sala de cinema por alguns de seus estudantes, durante um fim de semana em meados de março, ela decidiu acelerar o processo. “O dia 16 de março foi o meu primeiro dia oficial me apresentando como mulher na sala de aula.”

Teste genético
Ao fazer um teste genético, a americana diz que, depois de muitos anos confusa, conseguiu descobrir sua condição. “Tenho a maior parte dos órgãos reprodutores femininos, mas sem um canal vaginal totalmente formado”, disse ela. A professora também tem síndrome de Kallmann, que afeta a produção de hormônios sexuais e o olfato.

A falta de olfato impediu que Amanda seguisse sua primeira vocação profissional. “Eu queria inicialmente entrar para a polícia (como uma detetive), mas por causa da falta de olfato eu não me qualificaria. Quando eu estava no ensino médio, pude ensinar em algumas aulas de laboratório, e foi a partir daí que as coisas aconteceram”, disse.

Atualmente, ela tem diplomas em química, biofísica e performance musical. Na escola em que trabalha desde 2008, em Chino, ela dá aulas preparatórias de química.

Segundo ela, há outros seis distritos escolares que já passaram por situações parecidas, com professores e professoras trans. Mas, na região da Califórnia em que vive, ela afirma que esses casos são raros. “A maioria mantém as coisas em silêncio. Ou se mudam para outro lugar durante o processo.”

Apoio e alívio
Amanda, porém, permanece na mesma comunidade em que dá aulas há sete anos. Mesmo sem se assumir como mulher dentro da escola, a professora diz que a maior parte das pessoas já imaginava.

“É meio difícil esconder quem você é quando isso transparece todos os dias. Os rumores de que eu era gay, ou feminina, correram durante anos, e a maior parte das pessoas disseram ‘finalmente’. Alguns estudantes têm tido problema com a transição, mas o apoio tem vindo de todas as partes.”

Agora, ela diz que se sente incrível, e que, como o governo da Califórnia dá diversos direitos e proteções a professores e outros funcionários, foi ela quem definiu quando a transição ocorreria, como os pais seriam informados e quais seriam os procedimentos para lidar com a imprensa. Por isso, a escola não divulgou nenhum comunicado sobre o tema, que Amanda trata como pessoal. Ela diz estar contente com o resultado.

“É uma sensação maravilhosa poder finalmente acordar de manhã e vestir a roupa certa, e apenas ser quem eu sempre estava destinada a ser. Minhas interações sociais estão melhores, eu sou uma educadora melhor, mais feliz e produtiva. E sou parte do mundo”, descreveu ela.

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