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Editoras miram fãs que criam blogs para livros românticos

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Foto: reprodução / Divulgação

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Espaços para discussão de obras aproximam leitores e ajudam a pautar lançamentos

Alexandre Lucchese, no Zero Hora

Uma boa história de paixão fica ainda melhor se for compartilhada. Essa é a premissa para que muitas consumidoras de livros românticos saiam da posição de leitoras e migrem para a internet para indicar ou criticar suas leituras.

Discutindo desde clássicos de Jane Austen, como Orgulho e Preconceito, até best-sellers que chegaram às livrarias recentemente, um amplo número de blogueiras especializadas em romances românticos usa a internet como um grande clube de leitura. Mais do que fóruns para informar e trocar opiniões, os blogs servem como fonte de indicação de livros e ajudam a pautar lançamentos das editoras.

– Depois que comecei a ler romances, tanto de livraria quanto de banca, passei a colecioná-los e reparei que alguns eram interligados. Na internet, encontrei sites da Argentina e da Europa que relacionavam as séries. Como eu tinha algumas, pensei em fazer o blog para relacionar minha coleção e encontrar outras pessoas que também gostassem desses livros – conta a jornalista Roberta Oliveira, 36 anos, que mora em Juiz de Fora (MG) e há 10 anos mantém o Literatura de Mulherzinha

As blogueiras também ajudam a formar leitoras. É o caso da designer gaúcha Gabriela Orlandin, 25 anos, que mantinha o Fluffy como um blog pessoal, mas acabou direcionando-o à literatura:

– O blog tem uma grande parcela de culpa na minha paixão por livros, pois foi por meio dele que conheci outros blogs do gênero e comecei a gostar de ler. Por isso, o conteúdo foi migrando aos poucos, até se tornar quase essencialmente literário.

O tom pessoal é uma constante nas resenhas dessa turma. “Tive vontade de jogar o livro contra a parede no final, mas tudo melhora”, escreveu Roberta sobre Um Homem de Sorte, de Nicholas Sparks. Sobre o mesmo romance, Aurilene Vieira, do Sempre Romântica, contou que “Pelo menos dessa vez aconteceu comigo de ler um livro inteiro do Nicholas sem me desmanchar em lágrimas”.

Cada uma das postagens tem mais de uma dezena de comentários, alguns deles com links para outros blogs. Não há como rastrear o número de sites como esses, mas a próprias blogueiras atestam a diversidade na oferta. Em resposta à pergunta “Quais são seus blogs preferidos?”, sete delas apontaram a ZH mais de 30 endereços diferentes.
A movimentação não escapa aos olhos das editoras.

– É sempre importante acompanhar as atividades dos blogs. Além de observar novas tendências para futuros lançamentos, também podemos acompanhar a repercussão de nossos títulos – afirma Michelle Lopes, da editora Verus.

– Várias informações dos blogs podem ser de grande valia. Por exemplo, para um editor de aquisições, quando o blog está resenhando uma obra estrangeira ainda não publicada no país e que, portanto, pode vir a ser avaliada e adquirida para tradução – diz Renata Mello, da Novo Conceito.

Já a escritora estreante Lais Rodrigues de Oliveira contou com a colaboração das administradoras desses blogs para ajustar detalhes do seu romance Primeiras Impressões. Depois de ter enviado a elas a primeira versão do livro, recebeu comentários que nortearam alterações.

– Elas me ajudaram a identificar erros, que acabei corrigindo – conta a escritora.

Amor ideal
O que uma boa história romântica deve ter na opinião das blogueiras entrevistadas nesta reportagem:

– Deve abordar diferentes possibilidades e fases do amor, como paixões não correspondidas, início de relacionamentos, brigas e reconciliações.

– Bons diálogos ajudam a dar ritmo e aproximar o leitor dos personagens.

– Mocinha melosa não agrada muito. Ela pode ser sensível, mas também precisa se mostrar forte e determinada.

– Já os galãs podem ter seus defeitos, mas devem admitir suas falhas para se redimir
ao longo da narrativa.

– Sexo é bom, mas não é fundamental. Muitos dos romances prediletos das blogueiras não têm cenas de sexo. Quando ocorrem, é importante que não sejam muito descritivas, deixando espaço para a imaginação.

Bruna Vieira usa YouTube para apresentar ‘feminismo às mais novas’

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bruna vieira

Em Depois dos quinze, ela critica padrões de beleza: ‘Peso o quanto quiser’.
Ela lucra em média US$ 10 mil por mês com publicidade e views no canal.

Letícia Mendes, no G1

A mineira Bruna Vieira, de 21 anos, pode ser considerada veterana das youtubers. Aos 14, começou a escrever o blog Depois dos Quinze, com mais de 60 mil acessos diários. Dois anos depois, decidiu fazer vídeos também para desafiar a timidez. Assista ao vídeo acima.

Hoje, tem mais de 500 mil inscritos no seu canal e lucra em média US$ 10 mil por mês com publicidade e visualizações. “É incrível que eu possa ganhar esse dinheiro com a minha criatividade”, diz ao G1.

Há três anos, ela tem uma empresa que a ajuda a negociar contratos: “Não tem um valor fixo na verdade. No Natal, por exemplo, tem mais campanhas.”

Elas se posicionam em frente a uma câmera, mas vão na contramão das centenas de vlogs dedicados apenas à maquiagem e à moda. Além de ganhar fama, essas youtubers mobilizam na web discussões sobre o feminismo. Leia o especial.

A youtuber Bruna Vieira (Foto: Divulgação)

A youtuber Bruna Vieira (Foto: Divulgação)

Bruna mora em São Paulo desde os 17 anos e adiou a faculdade para conseguir se dedicar integralmente ao Depois dos Quinze. Também foi contratada pela editora Gutenberg: lançou quatro livros. “Agora estou aproveitando oportunidades, mas talvez ano que vem ou no próximo eu estude Cinema, Jornalismo ou Publicidade. Ainda estou escolhendo”, conta.

Ao contrário da Jout Jout, que fez sucesso quase instantâneo, Bruna viu seu canal crescendo aos poucos. Nele, ela dá conselhos para um público adolescente, “90% feminino”.

“A relação com os meus fãs é de amizade. Se encontro na rua, é como se estivesse encontrando uma amiga, que sabe tudo da minha vida”, diz. “Falo das minhas experiências naturalmente. A ideia é que a menina assista e sinta que está conversando com uma amiga.”

Trabalho de madrugada
Bruna diz que o processo de gravação é muito simples. “Normalmente eu ligo a câmera no meu quarto, gravo, e edito também. Trabalho de madrugada. Quase sempre começo a gravar umas 23h porque é mais silencioso, não tem barulho de carro. Como eu uso iluminação artificial é tranquilo.”
Ela diz que considera alguns vídeos do começo do canal bem bobinhos, mas deixa online para que as pessoas acompanhem sua evolução. “Quando mudei para SP, gravei um falando como era morar aqui e eu tinha uma visão muito fantasiosa. Achava tudo em SP muito diferente. Não sou mais assim”, afirma.

A youtuber Bruna Vieira, do canal Depois dos quinze (Foto: Divulgação)

A youtuber Bruna Vieira, do canal Depois dos quinze (Foto: Divulgação)

Dicas de fotos e apps
Seus vídeos sobre “dicas para tirar fotos boas” e “quais aplicativos de fotos usar” foram os que mais fizeram sucesso.

Fã das youtubers Flavia Calina e Taciele Alcolea, Bruna diz que seu diferencial é “falar de feminismo para as meninas mais novas”. “Elas não têm muita noção do que é. Por isso eu sempre tento inserir a pauta feminista no conteúdo que eu já faço.”

“Tipo criticar padrões de beleza, que é um assunto que eu acho importante. Há uma cobrança muito grande. Dizem: ‘Bruna, você tem que emagrecer’. ‘Eu tenho que pesar o quanto eu quiser. O importante é estar saudável’, digo para elas. Passo uma mensagem positiva e de aceitação para as meninas que querem usar biquíni, mas tem vergonha do corpo.”

Como seu público é mais jovem, falar sobre sexo também é algo especial. Um de seus vídeos mais vistos fala sobre “a primeira vez”. “É tabu porque as meninas não devem ter alguém para falar sobre isso em casa. Quando você não passou por aquilo, a coisa parece um monstro, parece que vai dar tudo errado. ‘Me apaixonei pelo meu melhor amigo e agora?’. Conto o que passei e elas sentem que sou alguém que tem um pouquinho mais de experiência que elas.”

Apaixonadas por leitura, blogueiras produzem próprias obras e conquistam leitores

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Apaixonadas por leitura, blogueiras produzem próprias obras e conquistam leitores

Jovens que se dizem “viciadas em livros” já criaram trilogias e chegaram a ler até 200 livros por ano. “Não pretendo parar tão cedo”, ressaltou uma delas

Publicado no A Crítica

Muitas pesquisas apontam que o índice de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano. Mas se excluídas as obras indicadas por escolas e faculdades, ou seja, quando considerada apenas a leitura espontânea, chega-se ao baixíssimo índice de pouco mais de um livro por ano por pessoa. Porém existe aquela minoria que não se encaixa nessa realidade. E não bastasse o amor pela leitura, resolveram passar para “o outro lado”: se tornaram escritores e conseguiram lançar as próprias obras.

“Lembro que, desde pequena, já gostava muito de ler. Ganhava meu dia quando me presenteavam com aqueles livrinhos infantis que têm mais figuras que texto. Uma vez, ganhei o livro baseado no filme da Disney “A Bela e a Fera”, que eu já amava. E esse tinha mais texto do que figuras e foi um desafio ler ‘tuuuuudo’ aquilo. Mas, daí, me encantei com aquele mundo que eu mesma criava na minha imaginação; já nem olhava as imagens, apenas imaginava”, diz Marcia Luisa Bastilho Gonçalves, 23.

Natural de Santana do Livramento (RS), a jovem universitária do quinto período de Letras se declarou uma “viciada em livros” e chega a ler até 200 por ano. Aos dez anos, ela “descobriu” a biblioteca da escola onde estudava e se deslumbrou com a história de “Harry Potter”, os poemas de Cecília Meireles e Ferreira Gullar, e as peças de Shakespeare. “Mas o meu livro preferido, até hoje, é “Os Miseráveis”, de Victor Hugo”, afirma, ao ressaltar que ele foi a inspiração para se arriscar na arte de escrever.

“Tenho certeza absoluta que comecei a escrever por causa desse livro. Lembro que peguei a versão escolar – mais fininho e com linguagem mais ‘acessível’ – na sexta-feira. E, no sábado à tarde, já estava acabando de ler. Quando me dei conta que estava chorando, fechei o livro após a última frase e disse baixinho para mim mesma: ‘É isso. É isso que eu quero fazer’. Me referia a fazer alguém chorar, ser tocado com as palavras escritas por mim, deixar de ver a personagem para vê-la como pessoa. Como real”, completa Marcia.

Após essa “epifania literária”, a gaúcha se dedicou a escrever pequenos contos, poemas e histórias. Sempre em meio aos livros, a blogueira se encontrou na Internet. “Aos 14 anos, meu vício literário ‘piorou’. Conheci outro mundo mágico: dos PDFs, fanfics [ficção criada por fãs] e comunidades do Orkut. Foi quando cheguei a ler mais de 200 livros em um ano”, diz.

Paixão virou trilogia

Com o “boom” do vampirismo em livros, filmes e séries, a universitária mergulhou de cabeça nas histórias de fantasia. “Cinema e literatura sempre andam juntos. Tudo que era de vampiro, eu corria atrás. Então, me deparei com um filme realmente ruim, enredo previsível e efeitos visuais precários… E tive outra epifania. Pensei: ‘se eu gosto tanto de vampiro, por que eu mesma não escrevo um filme?’. Foi nessa época que me veio a história ‘The Burns’, minha série de livros de vampiros”, declara.

Três anos depois, ela lançou a primeira obra da série, “Chamas de Sangue”, em 2011. A continuação, “Cidade em Chamas”, chegou às livrarias 12 meses depois. Ambos publicados pela editora Literata, selo da Arwen. “Agora, estou escrevendo o terceiro: ‘Fugindo das Chamas’. Acredito que qualquer escritor tem que ser leitor. Amar tanto imaginar que, ao ler um livro, crie suas próprias imagens, não se contente em apenas viver em um mundo inventado por alguém; e, sim, criar um completamente novo”, suspira.

Leitura precoce

Enquanto a maioria das crianças cresce em meio a brinquedos, Barbara Dewet, 28, foi rodeada por literatura. Filha de professora e de um músico, sempre ganhou livros de presente. Aos três anos de idade aprendeu a ler sozinha e devorou “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”. “As pessoas custam a acreditar. Acabei aprendendo a identificar letras e palavras sem a ajuda de ninguém e isso me ajudou muito a ser uma leitora voraz por anos a fio. Li sozinha, sentada em um quarto de brinquedos que eu e minha irmã dividíamos”, lembra.

Babi aprendeu a ler sozinha, com apenas três anos, e sempre amou livros (Foto: Divulgação)

Babi aprendeu a ler sozinha, com apenas três anos, e sempre amou livros (Foto: Divulgação)

Enquanto os coleguinhas corriam pelo playground, Babi Dewet, como é conhecida no cenário literário, se dedicava aos cadernos, canetas, giz de cera e brincadeiras de escolinha. “Meu livro favorito quando criança era ‘O Mundo de Sofia’ que, hoje em dia, não é comum na leitura das crianças. Mas eu adorava, junto com alguns do Paulo Coelho e outros autores”, revela a escritora, professora e administradora.

Após descobrir a série “Harry Potter” na adolescência, a carioca foi apresentada às fanfics e começou a compartilhar as próprias histórias, guardadas em cadernos, com outros fãs online. Desde então, pegou o “gosto” pela escrita e desistiu de contar a quantidade de livros lidos. “Decidi lançar meu próprio livro, baseado em uma fanfic, em 2009. Assim, minha vida como escritora começou de verdade. Hoje, tenho três livros lançados: a trilogia “Sábado à Noite”. E muitos projetos para esse ano”, conclui Babi.

‘Caminho natural’

Aos 22 anos, a também carioca Iris Figueiredo já lançou dos livros — “Dividindo o mel” e “Confissões de uma adolescente online” — e a série “Amores Proibidos”. “A leitura sempre esteve presente em minha vida, já que meus pais também são amantes de livros. Em um ano, cheguei a ler uma média de cem livros. Hoje em dia, com o ritmo corrido, me mantenho entre 50 ou 60 por ano, mas ainda é bem mais que a média nacional, quatro. Costumo brincar que leio por muitas outras pessoas”, declara.

A autora sempre teve vontade de escrever e, aos 14 anos, publicava alguns textos na Internet. “Foi um caminho natural. A Iris escritora sempre andou ao lado da Iris leitora. Terminei meu primeiro livro aos 17 anos, mas publiquei apenas aos 19, por causa da agenda da editora. Foi uma emoção incrível. Este ano, lanço o terceiro e já estou escrevendo o quarto. Não pretendo parar tão cedo”, ressalta.

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