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Ele fez um livro infantil ilustrado para pedir seu amor em casamento

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Vicente Carvalho, no Hypeness

Em uma época de mídias digitais, um esperançoso e criativo namorado, Paul Phillips, optou por pedir a mão da namorada, Erika Ramos, em casamento através de um livro infantil. Em uma incrível demonstração de criatividade, ele planejou tudo com semanas de antecedência.

Ele vasculhou a internet para encontrar um ilustrador para ajudá-lo a criar um livro infantil relatando o seu relacionamento amoroso. Depois de tê-lo ilustrado e impresso, ele contratou um fotógrafo que secretamente colocou o livro na seção infantil de uma biblioteca local, e esperou por trás de algumas prateleiras para documentar a proposta.

Paul planejou uma noite romântica com a namorada, com vinho e jantar, mas precisava passar pela biblioteca primeiro para devolver alguns livros (ele havia retirado alguns na semana anterior para que fossem obrigados a devolver antes do jantar), e aproveitou para pegar outros para os sobrinhos de Erika.  O namorado pegou um livro, disse a ela que parecia uma boa, e pediu para ela ler para ele.

Quando ela chegou na página da história sobre o gorila propondo a girafa em uma biblioteca, ele ficou de joelhos e fez a proposta, igual ao livro. Ela disse sim. Vejam a história do livro:

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Era uma vez um gorila
Que se apaixonou por uma girafa.
Ela o surpreendeu pelo quanto
Podia fazê-lo rir.

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Os dois, vejam só,
Eram de mundos diferentes
Em seu primeiro encontro, de tão nervoso,
Ele achou que fosse vomitar.

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Apesar de suas diferenças,
Foi amor à primeira vista.
Seus sentimentos cresceram rapidamente,
Seu coração levantou vôo.

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O gorila, em sua vida,
Antes rude e dispersa
Agora refinada e focada
Sobre as coisas que importam.

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Simplesmente não haviam palavras 
Para o quanto de sorte ele teve.
Sem ela ao seu lado
A vida certamente seria vazia.

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É difícil de acreditar
Apenas como eles eram felizes.
Ele não podia imaginar
Um dia sequer sem ela.

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Então ele ficou de joelhos
E fez o pedido:
“Minha querida girafa,
Quer se casar comigo?”

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Ele sentiu seu coração batendo
Forte dentro de seu peito.
Ele não podia fazer nada além de esperar
E esperar que ela dissesse SIM.

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Quando ela finalmente respondeu
Ele não conseguia parar de sorrir
Porque ele sabia, em seu coração,
Que isso foi só o começo!

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Veja como evitar que a sua redação seja anulada no Enem

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Marcelle Souza, no UOL

Neste ano, o candidato que colocar receita de miojo ou hino do time no meio da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá o seu texto anulado pela banca. Além de trechos sem conexão com o tema, é preciso ficar atento à quantidade de linhas, aos argumentos usados e à estrutura do texto para não zerar a redação.

O exame será realizado nos dias 26 e 27 de outubro e, na hora de escrever a redação, é preciso ter cuidado com argumentos que podem ser interpretados como desrespeito aos direitos humanos, o que pode acabar com o sonho da vaga em uma universidade.

“A redação do Enem exige que o candidato demonstre o mínimo de respeito pela vida, então é importante evitar opiniões unilaterais, extremas, radicais e discriminatórias”, afirma Francisco Platão Savioli, professor da USP (Universidade de São Paulo) e supervisor de português do Anglo Vestibulares.

Por isso, é recomendável que o estudante evite defender no texto atitudes extremas e questionáveis, como a pena de morte, a violência policial e a deportação de imigrantes. “A boa redação é a que mostra uma visão ampla, sustentada com bons argumentos, que tenham o menor grau de refutação possível”, afirma Savioli.

Para a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do curso e colégio Objetivo, o texto do Enem é um exercício de cidadania e deve evitar deboches e preconceitos. Se o tema for violência no trânsito, por exemplo, o candidato pode ter a redação zerada se defender a máxima “olho por olho, dente por dente”.

“O texto deve propor civilidade, educação no trânsito, campanhas na mídia, atuação mais rígida dos órgãos fiscalizadores, mas jamais defender a morte de um motorista que causou um acidente”, afirma.

Para ter uma boa nota
Quem pretende tirar uma boa nota deve, em primeiro lugar, ler atentamente o enunciado da redação e os textos de apoio. A partir daí, o aluno precisa entender qual é a proposta central e pensar em um texto que mostre o seu próprio repertório de leitura e que utilize dados dos textos da coletânea apresentada pelo exame.

Nesse sentido, se o tema proposto é a violência causada pela desigualdade social, por exemplo, o aluno vai perder pontos se abordar outro aspecto ligado à violência, já que a banca pode entender a abordagem como fuga do tema.

A leitura atenta da proposta também costuma indicar qual ponto de vista é proposto pelo exame. Como exemplo, ela cita o tema do Enem 2012 “Movimento imigratório para o Brasil no século XXI“. A partir dos apresentados na proposta, a professora diz que não foi bem vista a redação que defendia a expulsão dos imigrantes do país ou a redução de direitos desses cidadãos.

Se o estudante for contra, vai precisar usar argumentos muitos sólidos e que em nenhum momento agridam os direitos humanos. “Não é para fazer média com a banca, mas usar os textos para apresentar uma análise crítica, com uma proposta de intervenção”, afirma a professora do Objetivo.

Outras dicas
Além do cuidado com os argumentos utilizados, o candidato precisa ficar atento ao tipo de texto pedido: dissertativo-argumentativo. Escrever uma narração ou uma poesia, por exemplo, é garantia de anulação da prova.

A banca exige ainda que o texto tenha no mínimo sete linhas, ou então será considerado insuficiente e será zerado pela banca.

Inserir desenhos e textos completamente desconexos com o tema da proposta serão considerados “descompromisso com o exame” e redação será anulada.

Correção
A redação do Enem será corrigida por dois especialistas, de forma independente. Cada corretor dará uma nota entre zero e 200 para cada uma das cinco competências exigidas, totalizando mil pontos. A nota final corresponde à média aritmética simples das notas dos dois corretores.

Caso ocorra uma diferença de 100 pontos ou mais entre as duas notas totais ou se a diferença de suas notas em qualquer uma das competências for superior a 80 pontos, a redação passará por uma terceira correção.

Se não houver discrepância entre o terceiro corretor e pelo menos um dos outros dois corretores, a nota final do candidato será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo descartadas as notas não convergentes.

Caso o terceiro corretor apresente discrepância com os outros dois corretores, a redação corrigida por uma banca composta por três corretores que atribuirá a nota final ao texto do candidato.

Como escolas podem transformar alunos em bons leitores

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Pesquisadora investiga instituições que têm estudantes com maiores notas em leitura na avaliação internacional Pisa. Ela aponta cinco razões para o sucesso

Publicado na revista Veja

"Leitura o eixo de todas as disciplinas", afirma Suley Corradini

“Leitura é o eixo de todas as disciplinas”, afirma Suely Corradini (Thinkstock). Lecticia Maggi

Boa gestão, definição de metas e formação de professores são alguns dos fatores que influenciam a capacitação dos alunos para a leitura. A conclusão é da tese de doutoramento de Suely Nercessian Corradini, pesquisadora e diretora pedagógica do colégio Vital Brasil, em São Paulo.

O estudo, realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analisou as práticas desenvolvidas por três instituições — duas particulares e uma pública — que estão entre as que obtiveram a melhor avaliação no exame internacional Pisa em 2009. Coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa é uma das avaliações educacionais mais respeitadas do mundo: realizada a cada três anos, pretende aferir a qualidade do ensino em nações que pertencem à OCDE, as mais desenvolvidas do planeta, além de países convidados, caso do Brasil.

A prova é aplicada a estudantes com 15 anos de idade, não importando a série escolar que eles frequentam. A prova avalia a competência dos alunos em leitura, matemática e ciências — havendo, a cada edição, ênfase em um dos componentes. Em 2009, edição analisada pela pesquisadora brasileira, o foco foi leitura.

“A capacidade de leitura não está atrelada apenas ao conhecimento de língua portuguesa. Ao contrário, é o eixo de todas as disciplinas”, diz Suely. “O jovem que não consegue ler e interpretar um texto, não consegue assimilar nenhum outro conteúdo curricular.” Confira a seguir cinco características comuns das escolas em que os alunos apresentaram bom desempenho em leitura.

Cinco características das escolas bem avaliadas no Pisa

Fonte: Suely Nercessian Corradini, pesquisadora e diretora pedagógica do colégio Vital Brasil

Diretor preparado

A importância do diretor escolar é inquestionável. Nas unidades de ensino analisadas, a pesquisadora encontrou gestores bem preparados e que acompanham de perto o plano de ensino dos professores e sua aplicação em sala de aula.

“Os diretores entrevistados possuem formação acadêmica sólida, com curso de mestrado ou de aperfeiçoamento, conhecem bem a escola e os alunos e são referência para os professores. Em uma das unidades chamou a atenção o fato de a diretora ter conversado com alunos, pais e docentes sobre a importância da avaliação Pisa. Ela explicou que, ainda que não conte pontos no boletim escolar, a prova deveria ser realizada com seriedade, já que seu resultado é importante para avaliar o ensino no Brasil.”

Metas de ensino definidas

Explicitar à equipe docente qual é a proposta pedagógica da escola e o que deve ser feito para atingi-la é um fator fundamental, segundo a pesquisadora.

“Todas as ações e decisões devem ser coerentes com a proposta pedagógica e a filosofia da instituição. Ter clareza de objetivos auxilia no trabalho do corpo docente. Uma das escolas que visitei, por exemplo, é totalmente focada no vestibular. Não vejo isso como um problema, desde que fique claro a alunos, pais e professores que fazer com que os estudantes ingressem no ensino superior é a meta principal.”

Estímulo ao aprendizado extracurricular

O bom desempenho dos alunos em leitura é determinado também, segundo a pesquisa, pela exposição dos estudantes a conteúdos que extrapolam o currículo escolar. A ideia é que o aluno se depare com situações que exigem pesquisa por conta própria.

“Ir além do currículo acadêmico é essencial. O professor deve lançar desafios intelectuais a seus alunos e estimulá-los a buscar conhecimento para, a partir deles, pensar de forma crítica. As escolas pesquisadas trabalham com projetos e possuem práticas de estímulo à leitura, além de nível de proficiência elevado em todo o grupo. Esta é prática mais recomendada: estabelecer metas altas para toda a classe.”

Investimento na capacitação de professores

Tanto na escola pública como nas particulares, a principal queixa dos professores está relacionada à indisciplina dos alunos. Nesse ponto, segundo a pesquisadora, quanto mais bem preparado e capacitado é o docente, mais controle ele tem sobre a turma. Capacitação, vale lembrar, não se resume a conhecimentos acadêmicos: a aprendizagem proveniente da experiência conta pontos importantes.

“O professor com boa formação tem condição de desafiar os alunos, bem como de perceber as principais dificuldades enfrentadas por eles. Um método frutífero é a aprendizagem colaborativa: por ela, um professor é convidado a assistir à aula de outro – mesmo que não tenha nenhuma relação com a matéria que leciona – para trocar experiência e aprender práticas pedagógicas eficientes.”

Reforço escolar

Tão importante quanto reconhecer as dificuldades dos alunos é organizar programas de apoio e recuperação que possam ajudá-los. Dessa forma, os estudantes são capazes de superar defasagens e acompanhar o restante do grupo.

“As escolas que tiveram bom desempenho em leitura têm programas de recuperação e, principalmente, gestão de resultados. Isso é muito importante: não adianta colocar o aluno em uma sala nas horas vagas e considerar que ele está aprendendo. É preciso verificar se a aula de reforço está, de fato, suprindo as carências daquele aluno. Se ele não está aprendendo, algo está falhando: metodologia, conteúdo, professor. A gestão de resultados deve ser contínua no processo de ensino e aprendizagem.”

Concurso Cultural Literário (12)

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O que você faria se pudesse voltar no tempo?
Será que, ao fazer escolhas diferentes, você conseguiria mudar sua vida para melhor?

Anita tem 30 anos, e sua vida é muito diferente do que ela sonhou para si. Um dia, ao reencontrar seu primeiro blog, escrito quando tinha 15 anos, algo inusitado acontece, e tudo ao seu redor se transforma de repente. Com cabeça de adulto e corpo de adolescente, ela se vê novamente vivendo as aventuras de uma das épocas mais intensas da vida de qualquer pessoa: o ensino médio. Ao procurar modificar acontecimentos, ela começa a perceber que as consequências de suas atitudes nem sempre são como ela imagina, o que pode ser bem complicado. Em meio a amores impossíveis, amizades desfeitas e atritos familiares, Anita tentará escrever seu próprio final feliz em uma página misteriosa na internet.

Quer concorrer a 3 exemplares do primeiro romance da blogueira Bruna Vieira?

Na mesma vibe do livro, é só responder na área de comentários: O que você faria se pudesse voltar a ter 15 anos?

O resultado será divulgado no dia 12/9 às 17h30 aqui no post e no perfil do Twitter @livrosepessoas.

Lembrete: se você participar através do Facebook, por gentileza deixe o seu e-mail de contato.

Boa sorte! 🙂

 

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Parabéns: Kaia Clarice Salinet, Isabela Lapa e Talita Rodrigues! =)

Por gentileza enviar seus dados completos para: [email protected] em até 48 horas.

“10 livros para idiotas [?]” e 1 texto para o maior deles – #ARTIGO RESPOSTA

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Gustavo Magnani, no Literatortura

*este é um ARTIGO RESPOSTA. Leia na íntegra e entenderá que eu não ataco os livros, mas os defendo.

Ontem foi publicado um texto na revista bula [de quem sou seguidor e admirador, pra constar] ao qual os colaboradores do literatortura trouxeram ao nosso grupo, para discutirmos. Não demorou muito, então, para eu receber os links direto dos leitores, abismados com tanta bestialidade bobeira em um único artigo de teor cultural. E veja você, leitor, que poucas vezes aqui usamos palavras sem volta, de teor ofensivo ou pesado, prezamos pelo bom senso, equilíbrio e boa argumentação nas matérias cá escritas. Se por vezes erramos? Naturalmente, mas jamais com a intenção de soar pretensioso ou ofender uma classe, enquanto olhamos de cima, desprezando-a.

Foi isso, porém, que fez o publicitário que escreveu o respectivo artigo: 10 livros para idiotas, repleto de falácias, ignorância teórica (e humana, por que não?) da área e uma pretensão, hum, que não faz jus ao conhecimento aplicado no artigo: por isso o título, que espelha a infeliz afirmação do autor que, por sair conclamando idiotice à torto e à direito, acaba apontando pra si mesmo o que tanto condena. – eu questionei, também, se o texto não seria uma sátira, uma grande ironia… e não [o autor até pode vir a dizer algo do gênero, para amenizar a discussão, mas não há pistas pra tal interpretação. O texto não é falacioso pra ser irônico, é falacioso porque é falacioso mesmo]

Diferente do autor de lá, não quero bater o martelo aqui e concluir a discussão que apontarei, pelo contrário, quero apenas enriquece-la e apontar, dentro da fala originária, os erros, contradições e furos que ele cometeu ao conclamar idiota milhões de pessoas – por pura aleatoriedade.

Antes disso, citarei aqui a introdução do autor (mas você pode acessar o texto na íntegra e ler aqui, enquanto vai lendo lá:

Está enganado quem acha que idiotas não leem. A verdade é que boa parte da literatura está voltada para eles, que tratam de transformar autores sem talento em multimilionários. Acontece desde antes do tempo em que seu bisavô era criança. Antes disso, Schopenhauer já dizia que “quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público”.

Também é notado que não só os livros ruins conseguem leitores idiotas. Clássicos da literatura, alguns dos livros mais brilhantes já escritos, também carregam esse fardo. Nesta lista, elejo os 10 maiores livros para idiotas, que chamam de burro quem fala “indiota”, mas citam “Harry Potter” como um dos melhores livros já escritos na história.

O teor de verdade absoluta tá aí, deu pra sentir, não? “autores sem talentos em multimilionários”. Tem a citação de um autor renomado (Schopenhauer) – fora de contexto, pra melhorar -, que supostamente corrobora a afirmação, né, pra mostrar como ele encontra base nos gênios. E aí começa a ficar ainda mais legal, pois o autor entra no terreno dos clássicos, trata de escrever um deboche sutil (“indiota” e Harry Potter”) e parte pra lista.

Antes de dissecar, um por um, os livros que ele traz, vou deixar claro que: é óbvio que existem idiotas leitores, como existem idiotas cinéfilos, idiotas fazendeiros, idiotas políticos, idiotas sacerdotes e, pasmem, idiotas publicitários. Isso é algo inerente a estar no mundo, a existir. Sempre terão idiotas. Em todos os lugares. Em todas as classes. Em todas as atividades. Todavia, isso não limpa a barra do autor, pois ele não vai por esse lado, mas para o lado de conclamar a idiotice de todos os leitores que ele cita, sem chance de questionamento ou reflexão. Aponta sua arma e pimba!

E o que torna tudo isso ainda mais abismal é que não há lógica definida em seu texto, nem lógica interna [de raciocínio, mesmo], nem amparada em qualquer escola de crítica literária. Nada. Há um bocado de falácias, ao qual, tentarei tratar aqui, à pedido do nosso querido leitor, que sempre envia mensagens desejando saber sobre nossa opinião em cima de determinado fato, matéria. E aqui já aproveito para dizer que não há nada pessoal contra o autor do texto base, obviamente.

Antes da lista, dou a palavra para a linguista e colaboradora Cecília García dar uns pitacos técnicos:

“O que foi dito a respeito do valor dos livros tem, inclusive, um equivoco de concepção de letramento. O conceito de sujeito letrado abrange, por exemplo, como um indivíduo lida com o hábito da leitura. Isto é, ler é um hábito adquirido, que tem passos e etapas. Isso significa que, basicamente, (quase) ninguém sai do “Meu pé de laranja lima” para um Ulysses de uma hora para a outra. Existe um processo, uma escada. Livros com a forma mais fácil – como é o caso das sagas adolescentes – são alguns destes degraus e colaboram para que o indivíduo crie o hábito de sentar, ler, manusear o livro, entender a capa, a organização de capítulos. Tudo é letramento e, tendo este hábito cultivado, é mais fácil mediar o processo até os livros de maior valor acadêmico. Todo leitor precisa passar por este processo – na escola, com os pais, os amigos, a avó, enfim. Ler Crepúsculo também é letramento, por mais que haja muita divergência acadêmica sobre seu real valor enquanto arte literária. Só a arte literária e ela por si só não compõem o letramento de ninguém nem tornam ninguém proficiente na leitura”

10- O morro dos ventos uivantes e a contradição que marca toda a falácia do artigo

[10 livros para idiotas – o link do artigo que eu rebato, pra você acompanhar.]

Existe uma contradição tão notável que já deixa perceptível que a matéria ali é totalmente pessoal e sem nenhuma apuração técnica, visto que, ao longo do texto inteiro, é dito que “best-sellers” não servem para nada, mas quando um deles (crepúsculo), cita O Morro dos Ventos Uivantes, de repente, como quem não quer nada, o autor acha ruim (!) que Stephenie Meyer tenha disseminado um clássico (!!!!!), mas… não era esse o ponto da idiotice dos best? que eles não disseminam nada de “útil”?

E depois, o publicitário reclama do fato da capa de uma reedição do livro constar “O livro favorito de Bella e Edward da série Crepúsculo”, ora, eu também achei isso terrível, do ponto de vista de leitor de clássicos. Agora, do ponto de vista mercadológico, foi a referência encontrada pela editora para poder vender a obra.

“Acontece que a memória do clássico de Ellis Bell, pseudônimo da britânica Emily Brontë, está sendo perturbada nos últimos anos.”

Perturbada pelo quê exatamente? Por ser lida…? Ah sim, pois deveria repousar em berço esplêndido e apenas leitores sábios, direcionados, terem a chance de ler a obra. Entendi.

9- “Inferno”, Dan Brown.

Essa eu faço questão de citar na íntegra:

“Inferno”, o mais recente livro do autor best-seller Dan Brown, é a perfeita definição de “mais do mesmo”. O autor escreveu seis livros; são meia dúzia de histórias iguais com panos de fundo diferentes. Só muda o tema (às vezes nem isso) e as informações pesquisadas. Seus livros possuem personagens sempre iguais, superficiais e ordinários. Dan Brown é um autor para se ler de vez em quando, para relaxar a mente, não ter compromisso algum. Adorar Dan Brown é, digamos… idiotice.

A inconsistência argumentativa é, mais uma vez, notável. Há uma descrição bastante comum do que é Dan Brown e do que se trata sua obra – a qual eu não posso falar por mim, pois nunca li um livro dele -, e no final a conclusão de que quem adora Dan Brown é idiota. mas, nesse meio termo existe uma defesa, um “lado positivo”, que ler pra relaxar a mente não tem problema. Ora, existe aí quase uma vergonha em admitir que gosta de ler os textos do Dan.

“ah… eu leio sim… mas só pra relaxar a mente, né? Ah… Se eu comprei na pré-venda, com o dobro do preço, tenho edição especial, vou na pré-estreia dos filmes? ah… só pra relaxar a mente”

Isso pra não cair no mérito da “adoração”. Até parece conspiração religiosa. Vixi, aí já virou trama do Dan Brown e não pode, pra não sermos idiotas.

8-Assim Falou Zaratustra (Friedrich Nietzsche)

Vamos na íntegra, que é curtinho.

Um exemplo de um livro e escritor genial que é lido por um grande público idiota. Nove entre dez idiotas que querem falar sobre filosofia citam Nietzsche. A razão, confesso, desconheço, mas o fato sempre me incomodou. Talvez seja pelo seu conhecido ateísmo. Existe muito ateu fanático atualmente. Quer algo mais idiota?

tem até dados do Ibope ali. Nove entre dez. E daí que nove entre dez que vão falar de filosofia citam Nich? O que isso tem a ver com “Assim falou zaratustra”, confesso, desconheço, mas o fato me incomodou.

7-A Hora da Estrela (Clarice Lispector)

Ainda acaba que, por isso (popularização nas redes sociais), muita gente se interessa e busca conhecer os autores. O livro oficial desse público é “A Hora da Estrela”, muito porque o livro não chega nem a cem páginas. Esse status pop de Clarice Lispector se elevou ainda mais, recentemente, entre o público adolescente no Brasil por causa do seriado Malhação. Uma das personagens costumava soltar frases aleatórias e remetê-las a Clarice. “Então a anta pisca o olho e os burros vem atrás” — Fatinha Lispector.

Se ele admite que muita gente se interessa e BUSCA os livros (algo que eu nem sei se realmente acontece), por que, então, partindo do pressuposto estabelecido, isso é ruim? Que seja 100, 200 páginas, porque é ruim, eu não entendi. E a crítica velada de que “A Hora da Estrela” é só o livro preferido por ter 100 páginas, desmerece um pouquinho uma das obras mais aclamadas de Clarice, não?

Outra coisa interessante é citar a personagem de Malhação. E agora agradeço por ter televisão na academia, porque eu me lembro exatamente de uma citação de Clarice, onde, pra mim, pareceu muito mais ironia/piada dos roteiristas do que algo a ser levado a sério. Faltou um tiquinho de interpretação aí, também. Quem diria, em…

Para você ver como era tudo uma ironia, brincadeira das roteiristas, pode clicar aqui, ou só acompanhar o diálogo que eu transcrevi de uma das cenas do vídeo, e você verá:

Fatinha: ”Como diria Clarice Lispector: pau que nasce torto nunca se endireita”

Menino: não viaja

Menina: Fatinha, essa frase não foi da Clarice Lispector, não. Essa é de uma letra do “É o tchan”

Vale se informar antes de sair atirando pro lugar errado, ou, caprichar na interpretação.

6 — Saga Crepúsculo (Stephenie Meyer)

Tanto já se disse sobre “Crepúsculo” que falar mal já virou clichê, mas uma saga que mistura história de monstros com romance platônico e que, incrivelmente, consegue ter seus livros entre os mais vendidos do mundo por anos, merece um lugar cativo entre os maiores livros para públicos idiotas.

existem inúmeros motivos pra questionar a qualidade literária de Crepúsculo, mas o autor não concede nenhum, pra que, né? TUDO IDIOTAA!!

5 — O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

um fator inusitado está seduzindo boa parte dos leitores do autor irlandês: a homossexualidade […] O que se vê ultimamente é um culto à memória de Wilde mais pela sua herança de mártir do que pela sua capacidade intelectual. E não é incomum ouvir palavras proferidas por seus personagens na boca de seus leitores sem nenhum traço de personalidade.

Veja como a matéria não possui nem lógica interna. O Retrato de Dorian Gray, segundo o autor, figura entre os seus 10 livros para idiotas. Mas a crítica dele é dirigida aos leitores “sem nenhum traço de personalidade” …? Falta nexo, falta coerência, falta tato literário, falta sentido. Só não falta ataque gratuito e presunção.

4 — Justin Bieber: A Biografia

Biografias geralmente não são grandes obras literárias e o que se pode dizer da biografia de, na época, uma criança de 16 anos? Biografias deveriam ser feitas apenas para grandes personagens da história na maturidade ou fim de suas vidas, pois praticamente toda sua estória já estaria escrita. Acontece que, para se aproveitar dos milhões de fãs idiotas que possui, Justin Bieber decidiu fazer mais dinheiro e lançar um livro sobre seus 16 anos de vida. O que me deixa horrorizado é que nem sempre são crianças que compram esse tipo de livro.

Eu acho um absurdo Justin ter lançado uma biografia com 16 anos? Lógico. provavelmente ele não viveu nem 1/4 de sua vida. Porém, chamar seus milhões de fãs de idiotas é de um ataque ridículo. Minha prima de 10 anos era uma idiota por ler um livro de 300 páginas, então? Será mesmo? 10 anos.

3 — Porta dos Fundos / Não faz Sentido: Por Trás da Câmera

De sensações do Youtube para escritores best-sellers, os comediantes do Porta dos Fundos e o vlogger Felipe Neto parece que decidiram aventurar-se em novas mídias para fazer um pouco mais de dinheiro explorando seu enorme público idiota. Pessoalmente, acho que eles estão certos mesmo, errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida.

Esse elitismo literário, crendo que só “grandes obras” devem ser publicadas e circular pelas livrarias, é o que afastou e continuará afastando as crianças, os jovens, o grande público, da literatura. Esse pensamento é vexatório, totalmente preconceituoso e soberbo. Além disso, o autor diz que “errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida”, mas admite que ler Dan Brown “pra relaxar” pode. Ora, ora, ora…

2 — Kafka para Sobrecarregados (Allan Percy)

“Livros de autoajuda já são, essencialmente, destinados a pessoas idiotas”

Não vou citar o resto. Parei por aí. Eu, Gustavo Magnani, detesto autoajuda, mas conheço pessoas de uma inteligência absurda que são leitoras assíduas do gênero. Além de que, a dona de casa, a mulher que trabalhou o dia inteiro, o pai que chegou do serviço, o pai que cuidou do filho, eles que querem só sentar, ler um livro “fácil”, “didático”, eles são idiotas? Sério mesmo?

A conclusão é de que, então, um leitor de autoajuda está destinado a idiotice suprema e irremediável. Me assusta, realmente me assusta, pessoas que supostamente leem tanto, terem uma visão tão preconceituosa, fechada, limitada, como se tudo precisasse encaixar nos seus parâmetros de vida e inteligência. O problema não é da autoajuda, não, o problema é a falta de ajuda que esses seres tiram dos clássicos que tanto veneram – muitas vezes sem a menor noção do que realmente estão lendo.

1 — Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

“Sim! Ele ainda reina soberano entre os (a) idiotas do mundo.”

Não se preocupe, há um candidato a ocupar esse trono, autor.

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Por que eu fiz questão de tratar ponto por ponto? Para mostrar que não, nenhum leitor é idiota por ler determinado livro, seja erótico, seja biográfico, seja autoajuda, seja lá o que for.

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem se mostra incapaz de coordenar idéias. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

2. Que ou quem denota estupidez. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

3. Que ou quem apresenta idiotia. [retirado de priberam]

Acredite, você não é incapaz de coordenar ideias por ler 50 tons de cinza, crepúsculo, porta dos fundos. Essa crença de que todo livro precisa acrescentar, diretamente, algo palpável em sua vida, é conto da carochinha. A literatura não foi feita pra ser uma caixinha de conhecimento facilmente codificado: “olha só, aqui eu li 1984 e não serei mais manipulado pelo governo!!!”… vai nessa, bobinho.

Aprendi [sabe quando alguém define algo que você sente, mas nunca conseguiu definir, expressar?] em uma aula sobre Bakhtin, com um dos melhores professores que já tive, que, primeiro, a arte deve ser sentida. É você e ela, amigo. No livro, é você ali, sentado, deitado, em pé, encurvado, e ela, sempre disposta, a te entregar emoção. Pode ser Dostoiévski, Machado ou Rowling. O sentimento é entre você e o livro. A técnica, o “CONHECIMENTO” são secundários, bem vindos, mas secundários. Um romance pode conter a sabedoria do mundo, mas se ele não for um bom romance, não será bem recebido pelo leitor [e quando falo de bom romance, é de uma forma abstrata. bom romance pra você é diferente de bom romance pra mim].

A recepção da obra pelo indivíduo, é muito mais importante para ele, como Ser, do que a análise crítica de tal livro. A crítica fica pra gente, que ama e adora esse assunto [sim, eu me incluo, pois por mais que defenda a suma e máxima importância da recepção individual, sou um grande aficionado por teoria e crítica literária. Porém, esse sou eu, é um adendo que funciona PRA MIM e pode não funcionar pro Zé – e não, não é de extrema importância que o Zé tenha noção das ferramentas teóricas. É de extrema importância que o Zé seja confrontado, tirado do lugar comum, emocionado. ISSO é importante. Acima de qualquer coisa.]

Quantas histórias você já não ouviu de livros que, literalmente, mudaram a vida das pessoas? Pode ter sido Os Sofrimentos do Jovem Werther, O Apanhador no campo de centeio, ou A Cabana, Kairós, Ágape. E como se mede isso? Como se mede o impacto que um livro pode ter na vida de uma pessoa, por pior que o livro seja para você? Qual a importância disso perante a interpretação da ironia machadiana?

Nós, que amamos teoria e clássicos, não devemos, de maneira alguma, subirmos num pedestal e lá de cima julgarmos os incultos leitores de best-seller, pois pareceremos bestiais, presunçosos, tolos… idiotas: incapazes de coordenar idéias.

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p.s: para deixar claro – por que eu me dei ao trabalho de escrever um artigo sobre o assunto, você pode se perguntar. Bem, tanto pela interessante discussão que tivemos no grupo, quanto pelo pedido dos leitores, quanto pela reação nos comentários da matéria, quanto pelo alcance e, principalmente, pela paixão em discutir literatura e a cultura em questão: Bakhtin neles!

p.s2: não quis, de maneira alguma, ofender pessoalmente o autor do texto, apenas confrontar suas ideias.

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