Posts tagged boas notas

Quer fazer faculdade nos EUA? Aprovados em Harvard dão 8 dicas de como chegar lá

0
Gustavo Coutinho e Pietro Leite, de 19 anos, estão entre os brasileiros aprovados em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

Gustavo Coutinho e Pietro Leite, de 19 anos, estão entre os brasileiros aprovados em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)


Gustavo Coutinho e Pietro Leite explicam como se dar bem no application, processo de seleção das universidades norte-americanas

Vanessa Fajardo, no G1

Diferente do vestibular brasileiro, para conseguir uma vaga em uma universidade norte-americana é preciso passar pelo application, que é um processo que inclui provas, cartas de recomendação e uma análise abrangente do candidato. Para ser aprovado, não basta ser somente um excelente aluno, as instituições avaliam principalmente o que o candidato faz fora da sala de aula, quais são suas atividades extracurriculares.

Veja abaixo oito dicas de Gustavo Coutinho e Pietro Leite, ambos de 19 anos, dois dos brasileiros aceitos em Harvard para a turma deste ano, para quem quer chegar lá (assista ao vídeo):

Tenha boas notas

Um dos pontos importantes da seleção é a análise do boletim escolar do ensino médio. Para despertar a atenção dos avaliadores, é fundamental ter boas notas e manter o equilíbrio entre as disciplinas. A melhora do desempenho de um ano para outro é bem vista, pois os americanos gostam de ver o esforço do estudante. Por outro lado, a piora é encarada com desconfiança.

“É parte importante porque eles querem ver sua constância e ver como você se desenvolveu durante o ensino médio”, diz Pietro, que vai estudar ciências sociais em Harvard.

Invista nas atividades extracurriculares

Para conseguir uma vaga em uma universidade americana, é importante não se limitar às experiências da sala de aula e investir nas atividades extracurriculares. Mostrar como o candidato desenvolve sua paixão e entender de que forma isto impacta em sua comunidade é um dos pontos chave desse critério do application.

Gustavo Coutinho estudou na rede pública, desenvolveu projetos tecnológicos ligados à educação e fez trabalhos voluntários. A dica dele é para que os candidatos se engajem em projetos e atividades que realmente gostem.

“No Brasil é muito comum o aluno ir para a sala de aula, fazer seus deveres e pensar: pronto, acabou. Mas para estudar nos EUA é preciso fazer muito mais que isso”, diz Gustavo.

Afie o inglês

Para fazer faculdade nos Estados Unidos não tem como escapar de ter um bom domínio do inglês. Até porque para concorrer às vagas é preciso fazer testes de proficiência, como o Test of English as a Foreign Language (Toefl). Quanto maior a nota, melhor.

Para treinar e aprender, Pietro sugere videaulas, além de métodos menos convencionais como ouvir música e assistir séries.

Procure um mentor

Como o procedimento é complexo, uma boa dica é procurar programas de mentoria. Os mentores são profissionais experientes, muitas vezes ex-alunos de universidades americanas. Instituições com o a Fundação Estudar e Education USA oferecem este tipo de auxílio, porém, é necessário passar por uma seleção ou atender a alguns critérios como o socioeconômico, por exemplo.

Expanda a lista de universidades

Os Estados Unidos possuem cerca de 4.000 instituições de ensino superior, a sugestão é abrir o leque de opções e aplicar para outras universidades além das que fazem parte da Ivy League (composta pelas oito universidades americanas de maior prestígio, entre elas estão Harvard, Princeton, Yale e Columbia), o que aumenta a chance de sucesso.

A dica de Pietro é para que o candidato escolha nomes que contemplem três tipos de instituições “safety” (são as que você passa com mais segurança), “target” (talvez você passe) e “reach (são seu sonho).

As solicitações para bolsas de estudo são trâmites que correm paralelamente, por isso é fundamental verificar as políticas de assistência estudantil de cada escola, antes de se candidatar às vagas.

Planeje

Todo o processo é longo e burocrático, por isso exige planejamento. O ideal é iniciá-lo com um ano de antecedência.

“Cada faculdade vai pedir cinco ou seis redações. Eu que apliquei pra dez fiz cerca de 50. Você precisa de tempo, são muitos documentos, por isso, comece antes”, aconselha Gustavo.

Saiba para quem pedir as cartas de recomendação

As cartas devem ser solicitadas para professores, coordenadores ou diretores que sejam próximos dos alunos. Caso o autor não domine o inglês, ela pode ser traduzida posteriormente.

“O importante delas não é dizer que você é um aluno que tem notas excelentes, isso eles já sabem pelo seu boletim. O mais importante é ter cartas que reflitam seu caráter e sejam completamente sinceras”, afirma Pietro.

Seja genuíno

As universidades americanas são as líderes em todos os rankings de qualidade, por isso são cobiçadas por alunos excelentes do mundo todo. As mais prestigiadas como Harvard e MIT, por exemplo, destinam apenas 10% das vagas para os alunos internacionais, por isso não é fácil “ouvir” o tão sonhado sim. O importante em todo o processo da candidatura é ser transparente.

“Não existe uma fórmula para o application, ele é muito individual. Não se apegue às histórias que você lê. Trilhe seu caminho e seja genuíno”, finaliza Gustavo.

A importância da participação dos pais na educação escolar

0

Duas pesquisas mostram que os pais fazem mais diferença na vida escolar dos filhos quando passam a mensagem de que a educação importa

PRESENÇA Daniela e Ricardo, com seus três filhos no colégio, em São Paulo. Eles acreditam que só uma escola de qualidade não garante o melhor ensino. Querem participar (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

PRESENÇA
Daniela e Ricardo, com seus três filhos no colégio, em São Paulo. Eles acreditam que só uma escola de qualidade não garante o melhor ensino. Querem participar (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

Camila Guimarães, na Época on-line

Mãe de três crianças que estudam no mesmo colégio, Daniela Khauaja se desdobra para acompanhar a vida escolar dos filhos. Professora e coordenadora de pós-graduação em São Paulo, há dez anos ela decidiu mudar de carreira (era executiva numa grande empresa) para ter mais flexibilidade de horário e estar mais perto da rotina de Luiza, de 13 anos, Carolina, de 7, e do pequeno Bernardo, de 6.

Seu marido, Ricardo, consultor, é seu companheiro nas idas e vindas entre trabalho, casa e escola. São quatro reuniões bimestrais por filho, por ano. Mais as reuniões individuais com cada professora, um total de 15. Daniela e o marido também frequentam um grupo de mães e pais que se encontram para assistir a palestras e discutir temas que envolvem a educação dos filhos. São mais duas ou três horas mensais.

O envolvimento do casal vai além da escola. Em casa, conferem a lição de casa e sabem o dia da próxima prova dos filhos mais velhos – para também olhar se a matéria foi estudada. “Apenas matriculá-los numa boa escola não garante um bom desempenho”, afirma Daniela. “Nos preocupamos em mostrar a importância da educação e o valor da escola para a vida deles.”

Daniela e Ricardo não estão sozinhos no esforço de ajudar a vida escolar dos filhos. A participação dos pais na educação formal está em alta. Há um consenso entre educadores, professores e estudiosos sobre os efeitos no desempenho dos alunos. Quanto mais ativos os pais, maior a chance de o filho tirar boas notas no boletim e terminar uma faculdade.

Nas últimas décadas, os pais passaram a ser estratégicos para políticas públicas de educação em diversos governos. Nos Estados Unidos, a participação das famílias virou assunto de uma secretaria exclusiva, que planeja como envolver os pais na escola para ajudar a diminuir as diferenças de aprendizado entre os mais ricos e os mais pobres.

Do lado das escolas, os esforços para engajar os pais não são menores. “A presença dos pais legitima a educação que oferecemos”, afirma Bartira Rebello, psicóloga do Colégio Miguel de Cervantes, de São Paulo, onde estudam os filhos de Daniela e Ricardo. “A parceria reforça o vínculo entre o aluno e o ambiente escolar”, afirma Patrícia Motta Guedes, da Fundação Itaú Social.

A concordância é generalizada, mas nunca houve tantos pais desorientados sobre como ajudar seu filho a ser um bom aluno. Muitos se atrapalham na hora de ajudar com a lição de casa, outros trabalham demais, e falta tempo para participar de todas as atividades, reuniões e apresentações escolares. Quem não conhece uma mãe que se afoga em culpa por perder uma apresentação do filho na escola? Quantas não se perguntam o que fizeram de errado para seus filhos odiarem tanto as aulas?

Não é fácil medir em que medida o envolvimento da família ajuda na nota. O desempenho escolar é afetado por muitos fatores. Passa pela qualidade do professor, do ambiente da sala de aula, do material didático, da vizinhança em que a escola está, das condições econômicas da família, e por aí vai.

Saber a parcela exata da ajuda dos pais e o tipo de atitude que funciona é um desafio antigo dos pesquisadores da área. Por isso, nas pesquisas atuais, tenta-se entender como o comportamento dos pais pode influenciar não só o desempenho acadêmico, relacionado ao boletim, mas o desempenho escolar como um todo, que envolve o comportamento do aluno na escola.

“O bom aluno tem algumas posturas em relação a sua educação, como capacidade de concentração, disciplina e perseverança. Elas ajudam a estudar e aprender melhor”, afirma Priscila Cruz, diretora do Todos Pela Educação, movimento da sociedade civil que atua para a melhoria do ensino público básico.

O Todos Pela Educação fez um estudo inédito no Brasil, com famílias de estudantes de escolas públicas. Conseguiu identificar as atitudes comuns às famílias de crianças e jovens que se destacam na escola (leia no quadro abaixo). São atitudes simples – como colocar a escola nas conversas do dia a dia e valorizar o conhecimento. Elas não se traduzem necessariamente em ajudar o filho a resolver uma equação matemática. Para famílias de baixa renda, essas atitudes podem fazer diferença no potencial acadêmico dos alunos.

Tatiane da Silva, de 34 anos, é mãe de Thaís, de 7, e de Gustavo, de 13. Ambos estudam em escolas públicas de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Tatiane estudou até o ensino médio. Seu marido, que trabalha como segurança, fez apenas as séries iniciais do fundamental. Ela acredita que a educação é o único caminho para que seus filhos vivam melhor. Além de ir a todas as reuniões  e conferir os cadernos, Tatiane conversa com frequência com o mais velho sobre o que ele escolherá como profissão, que faculdade fará.

Com a mais nova, treina a leitura, leva a bibliotecas e livrarias (mesmo se não pode comprar o livro) e lê em voz alta as historinhas que tem em casa. Thaís ainda não é alfabetizada e fica ansiosa quando não consegue decifrar as letrinhas. A atitude da mãe a ajuda a superar a insegurança. “Sinto que ela se acalma quando digo que é capaz de aprender, que ela conseguirá”, diz Tatiane. (mais…)

Go to Top