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Margaret Atwood, de ‘O Conto da Aia’, ganha prêmio Booker Prize

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A escritora canadense Margaret Atwood (//Getty Images)

Pela primeira vez em 27 anos, jurados decidiram quebrar as regras e eleger duas vencedoras

Publicado na Veja

Pela primeira vez em 27 anos, o prêmio literário The Booker Prize não teve uma vencedora, mas duas: a canadense Margaret Atwood, com Os Testamentos, e a britânica Bernardine Evaristo, com Girl, Woman, Other. As escritoras foram declaradas as vencedoras da honraria nesta segunda-feira, 14, e vão dividir igualmente o prêmio de 50.000 libras esterlinas.

“Fomos informados com firmeza de que as regras permitiam apenas um vencedor. Nosso consenso foi de que era nossa decisão quebrar as regras e dividir o prêmio deste ano”, disse Peter Florence, um dos jurados do prêmio, ao jornal The Guardian. “Quantos mais falávamos sobre os dois livros, mais os valorizávamos e queríamos as duas (autoras) como vencedoras.”

De acordo com o júri, ambos os livros são “romances completamente engajados”, “linguisticamente inventivos” e “aventureiros de todas as maneiras, dando insights sobre o mundo atual e criando personagens que soam como nós e vão soar por muito tempo”.

A obra Os Testamentos, de Margaret Atwood, é a esperada continuação do best-seller O Conto da Aia. O romance distópico avança 15 anos no tempo e narra três histórias de mulheres que estão embrenhadas com a República de Gilead. Duas narradoras são jovens adolescentes, uma cresceu na ditadura teocrática, e a outra no Canadá, para onde os refugiados do que antes era os Estados Unidos vão. A terceira narradora é ninguém menos que tia Lydia, personagem famosa no livro e na série inspirada na trama, The Handmaid’s Tale. O livro chega ao Brasil em novembro, pela editora Rocco.

Já Girl, Woman, Other, de Bernardine Evaristo, narra a vida de doze mulheres negras e britânicas, cujas histórias se cruzam ao levantar questões importantes sobre machismo, preconceito e raça.

Flip divulga primeiras atrações para a 11ª edição

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Evento marcado para o começo de julho confirmou Maria Bethânia, em homenagem a Fernando Pessoa; a escritora Lydia Davis e o irlandês John Banville

Publicado no Divirta-se

Esta é a 11ª edição da feira (Reprodução/ Facebook)

Esta é a 11ª edição da feira

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), já começou a divulgar as atrações para a 11ª edição, que ocorre de 3 a 7 de julho. Entre os selecionados, se destaca a participação de Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli, que se encontram para homenagear o poeta português Fernando Pessoa. Professora emérita da UFRJ e da PUC-Rio, Cleonice, 96 anos, soma mais de cinco décadas dedicada ao estudo do poeta. Bethânia, por sua vez, dispensa apresentações.

Outra participação confirmada é da escritora norte-americana Lydia Davis. Durante a Festa, será lançado o seu livro mais recente, ‘Tipos de perturbação’. Nos 57 textos que compõem a obra, Davis vale-se das mais variadas formas, abordagens e estilos para flagrar seus personagens em suas inseguranças e em seus desajustes com o cotidiano. A obra em português será lançada pela Companhia das Letras.

Outro destaque da 11ª edição fica por conta irlandês John Banville, que também aproveita para lançar sua obra mais recente, ‘Luz antiga’. O romance é o 16º publicado por John e acompanha a história de um ator cuja carreira parece decadente – assim como sua própria vida. Banville já venceu o Booker Prize e é um dos nomes cotados ao Prêmio Nobel de Literatura.

Scliar e o felino

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Detalhe da capa de Max e os felinos

Detalhe da capa de Max e os felinos

Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Poucos dias após o livro A vida de Pi ganhar o Booker Prize — o prêmio literário mais prestigioso do Reino Unido e um dos mais sérios e bem organizados do mundo —, um escândalo veio à tona, através de uma matéria publicada no Guardian. O jornal inglês foi o primeiro a notar que A vida de Pi tinha uma trama idêntica a Max e os felinos, de Moacyr Scliar. O prêmio já tinha suscitado certa polêmica por conta do livro ser bem menos erudito e literário do que os tradicionais vencedores, mas essa nova acusação chegou à minha porta.

Embora o livro original não tenha sido publicado pela Companhia das Letras, Scliar vinha editando seus trabalhos conosco e me ligou indignado:

— Temos que fazer alguma coisa, tchê. Isso é plágio, Luiz. Vamos acionar advogados, uma coisa como essa não pode acontecer.

Eu falava constantemente com Scliar, como os leitores deste blog sabem — ele foi dos grandes amigos que tive, desde o início da minha carreira profissional.

— Calma, Moacyr, vou me aconselhar com advogados e ver o que é possível.

Enquanto buscava me inteirar do caso, a polêmica fervia. Indelicadamente, Yann Martel, o autor do livro premiado, declarava não ter lido o livro de Scliar, mas apenas uma resenha negativa de John Updike publicada no New York Times, o que o fizera pensar mais ou menos o seguinte: “Que boa ideia mal aproveitada. E se ela fosse retrabalhada por um escritor com o meu talento?”. Scliar nunca fora resenhado por Updike. As declarações de Martel caíam cada vez pior.

A indignação de Moacyr só aumentava. A fumaça também. O New York Times resolveu cobrir o episódio, e em suas páginas dava valor ao talento de Scliar. Foi o suficiente para que meu telefone começasse a tocar, com chamados de duas agências importantes dos Estados Unidos querendo representar mundialmente a obra do nosso grande escritor.

Liguei para Moacyr com essas informações.

— Amigo, a ICM e outras agências querem te representar nos Estados Unidos. Apesar de tudo isso ter surgido através de um episódio lamentável, é uma grande oportunidade. Você tem que aproveitar.

Enquanto isso, os advogados diziam ser impossível mover um processo com base na apropriação de uma ideia, além do custo de uma causa internacional como esta ser altíssimo.

Meu telefone continuava a tocar, e desta vez não eram agentes mas o editor de Martel, Jamie Byng, da Canongate, querendo minha mediação no caso. Jamie é um editor de grande energia, uma figura ímpar no mundo editorial por seu empreendedorismo e criatividade. DJ nas horas vagas, organiza festas famosas durante as feiras de livros, nas quais ele mesmo assume o comando musical.

No telefone ele garantia a boa fé de Martel e me pedia, em conjunto com o autor, que alcançássemos uma solução pacífica. Dar conta da polêmica literária sobre a premiação já era o suficiente para os dois.

Convenci Moacyr de que o processo seria inviável e propus que Martel desse uma entrevista valorizando a obra do brasileiro e se retratando das declarações infelizes. Moacyr, por seu lado, daria declarações dizendo que não moveria processo algum. O leitor do blog pode acessar as matérias publicadas na ocasião pelo Estado e pela Folha.

Ao assistir As aventuras de Pi no cinema agora, não pude deixar de sentir um gosto amargo, além das saudades do grande amigo que partiu.

Infelizmente, seguindo seu caráter superdevotado aos amigos, Scliar não aceitou as propostas das grandes agências que queriam promovê-lo. Se manteve fiel ao agente literário que o representava, que prometeu tirar algum proveito da polêmica e recolocar as obras de Moacyr no mercado de língua inglesa e na Europa — promessa não cumprida. E enquanto o romance de Yann Martel ganhou as telas numa megaprodução, o mundo continua merecendo conhecer melhor os livros de um dos maiores escritores brasileiros do século XX.

As mulheres são destaque na literatura em 2012

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Publicado na revista Marie Claire


Se na antiguidade as mulheres eram mantidas bem longe dos livros, em muitos casos analfabetas, hoje elas estão mais próximas da literatura do que nunca. Atualmente, não só são leitoras mais assíduas – 53% contra 47% dos homens, de acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro (IPL) no Brasil – como também tiveram um grande destaque na produção de sucessos literários durante 2012.

Além do fenômeno Cinquenta Tons de Cinza, escrito pela inglesa E.L.James, tivemos muitos outros destaques femininos, confira só:


Hilary Mantel: A escritora britânica ganhou pela segunda vez em 2012 o Man Booker Prize, mais importante prêmio literário de língua inglesa do mundo, com seu livro Bring up the Bodies. A publicação é a segunda parte de sua trilogia histórica sobre Thomas Cromwell, um dos homens de confiança do Rei Henrique VIII. O foco neste segundo volume é a trama que acabou resultando na morte de Ana Bolena, segunda mulher do monarca inglês. A escritora foi a primeira mulher a ganhar duas vezes o prestigiado prêmio de melhor livro do ano.

Louise Erdrich: A americana ganhou este ano o National Book Award de ficção, um dos mais importantes prêmios do universo literário nos Estados Unidos. A obra, The Round House, conta a história de um filho que quer vingar a mãe, uma nativa-americana da tribo Ojibwe, que foi violada. A publicação também foi nomeada para o famoso prêmio Pulitzer.


Almudena Grandes: a escritora espanhola teve seu último romance El Lector de Julio Verne eleito como o melhor livro do ano pelo respeitado jornal espanhol El País. A publicação conta as percepções de Nino, filho de um guarda civil, sobre as leis que regem uma guerra e a relação que o garoto estabelece com a literatura.

Autor de livro que inspirou “As Aventuras de Pi” foi acusado de plagiar Moacyr Scliar

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Publicado no Bahia Notícias

Autor de livro que inspirou 'As Aventuras de Pi' foi acusado de plagiar Moacyr Scliar
O escritor do romance “A Vida de Pi” (2001), Yann Martel, era um ilustre desconhecido antes da publicação que inspirou o filme “As Aventuras de Pi”, de Ang Lee, que estreia este final de semana no Brasil. Além da fama, o livro rendeu a Yann Martel a acusação de plágio. Jornais de vários países acusaram Martel de ter roubado ideias do romance “Max e os Felinos”, escrito pelo brasileiro Moacyr Scliar, morto ano passado. Publicado em 1981, o livro de Scliar conta a história de Max, garoto alemão que, após um naufrágio, se vê confinado a um pequeno barco com um jaguar.
Na introdução de seu livro, Martel reconhece que se inspirou na ideia de Scliar. Em entrevistas posteriores, porém, o autor afirmou que só leu “Max e os Felinos” depois de ganhar o Booker Prize, em 2002. “Existe uma similaridade quanto à premissa, claro, mas o resto é muito diferente”, disse em entrevista à Folha em 2004. Scliar também considerou que não houve plágio. “Há no prefácio do livro um agradecimento a mim, e, como não sou litigante, resolvi dar o episódio por encerrado”, afirmou o escritor gaúcho.
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