Contando e Cantando (Volume 2)

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O macabro assassinato da escritora britânica pelo noivo que conheceu na internet

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Polícia de Hertfordshire / PA Wire Image caption Helen Bailey deixou fortuna de mais de R$ 15 milhões para o noivo; seu corpo foi encontrado junto com o de seu cachorro

Polícia de Hertfordshire / PA Wire
Image caption Helen Bailey deixou fortuna de mais de R$ 15 milhões para o noivo; seu corpo foi encontrado junto com o de seu cachorro

 

Publicado na BBC Brasil

A vida da escritora britânica Helen Bailey, de 51 anos, mudou por completo com a morte do marido em 2011.

Tomada pelo pesar da perda e por solidão, ela criou um blog, o Planet Grief (Planeta Luto, em tradução livre), em que narrava sua experiência e se comunicava com outras pessoas que também sofriam com a dor de perder entes queridos.

Foi assim que conheceu e se apaixonou pelo homem que chamava de “viúvo grisalho gato” e que passou a tratar como seu futuro companheiro de vida.

Nesta semana, o noivo, Ian Stewart, de 56 anos, foi condenado a 34 anos de prisão pelo assassinato da escritora, após sete semanas de julgamento.

A promotoria disse que Stewart, descrito como “narcisista”, “frio” e “calculista”, planejou o assassinato para herdar a fortuna de Bailey, estimada em 4 milhões de libras (cerca de R$ 15,3 milhões), amealhada com a publicação de mais de 20 livros, entre eles a série Electra Brown, bastante popular entre adolescentes no Reino Unido – ainda inédita no Brasil.

Secretamente, ele administrou, por semanas, um remédio para dormir à sua noiva, até resolver asfixiá-la até a morte com um travesseiro.

Desaparecimento

Helen Tipper Image caption Ian Stewart, de 56 anos, alegou que mulher tinha sido sequestrada por dois colegas de trabalho de marido falecido de sua noiva

Helen Tipper
Image caption Ian Stewart, de 56 anos, alegou que mulher tinha sido sequestrada por dois colegas de trabalho de marido falecido de sua noiva

 

O caso de Helen Bailey começou a tomar os jornais por causa das notícias de seu desaparecimento, em abril do ano passado.

Familiares, amigos e o noivo estavam preocupados. Stewart chegou a avisar a polícia que tinha encontrado um bilhete de Bailey, no qual ela dizia precisar de “espaço” e que havia ido à casa de férias que tinha no condado de Kent.

Logo depois, Stewart divulgou um apelo emocionado dirigido a Bailey, pedindo para que ela voltasse: “Você não só arrematou meu coração há cinco anos, como o tornou maior, mais forte e mais gentil. Agora sinto como se meu coração não existisse mais. Nossos planos ainda não estão completos e sem você não fazem sentido”.

Ele também mandou mensagens de texto para a escritora, pedindo notícias e implorando para que o chamasse.

Amigos organizaram buscas e fãs enviaram mensagens de solidariedade pelo telefone e redes sociais.

Mas, durante todo esse tempo, o corpo de Bailey – junto com o de seu cachorro, Boris – estava escondido embaixo da própria casa, bem distante de onde a polícia procurava por ela: na fossa séptica, embaixo da garagem.

Tania Butler / Polícia de Hertfordshire / PA Wire Image caption Polícia só descobriu a fossa graças a comentário de uma vizinha

Tania Butler / Polícia de Hertfordshire / PA Wire
Image caption Polícia só descobriu a fossa graças a comentário de uma vizinha

 

O corpo foi encontrado pela polícia três meses depois de seu assassinato. A polícia só encontrou o corpo graças ao comentário de uma vizinha de Bailey, revelando a existência da fossa escondida.
‘Viúvo grisalho gato’

Bailey foi casada com John Sinfield – seu companheiro por 22 anos. Ele morreu afogado no mar em 2011, durante férias do casal em Barbados, no Caribe.

Durante o luto, achou que o blog poderia ajudar a dissipar seu sofrimento.

Começou escrevendo sobre lembranças do marido morto, sobre o primeiro Natal sem ele e sobre as várias coisas que passou a fazer sozinha.

O blog também registrou como Bailey conheceu Stewart, através de uma foto no Facebook que chamou sua atenção. Ela passou a se referir a ele no próprio blog com as iniciais GGHW em inglês para “Viúvo Grisalho Gato”.

Polícia de Hertfordshire / PA Wire Image caption Juiz disse que Stewart representava 'perigo para as mulheres com quem tem relacionamento'

Polícia de Hertfordshire / PA Wire
Image caption Juiz disse que Stewart representava ‘perigo para as mulheres com quem tem relacionamento’

“Desde o primeiro encontro senti como se o conhecesse toda minha vida”, escreveu.

A escritora começou a trocar mensagens com GGHW. Passaram a sair juntos e logo compraram uma casa em Royston, no condado de Hertfordshire, para onde se mudaram.

Planejavam se casar e estavam organizando a cerimônia, quando, em abril do ano passado, Helen Bailey foi dada como desaparecida.
‘Calado e reservado’

Descrito por muitos como “calado” e “reservado”, Ian Stewart ficou viúvo em 2010, quando sua mulher, Diane, morreu após um ataque epilético no jardim de casa, na Inglaterra.

Trabalhou como engenheiro de sistemas até ser forçado a se afastar do emprego por problemas de saúde. Sofria de insônia crônica e os médicos lhe receitaram um remédio chamado zopiclone, o mesmo encontrado pela perícia no corpo de Bailey.

Mavis Drake, vizinha do casal, disse que Stewart “não era muito comunicativo e era preciso tirar qualquer informação dele à força”.

“Nunca, em um milhão de anos, os juntaria como um casal. Para mim, tinham personalidade completamente opostas”, opinou.

Durante o julgamento, foi revelado que, no dia em que Bailey foi morta, ele foi visitar o filho Jamie, jogou boliche e depois pediu comida chinesa “pra viagem”.

Policía de Hertfordshire / PA Wire Image caption Bailey e Stewart viviam juntos numa casa no condado de Hertfordshire, próximo a Londres, e planejavam se casar quando ela desapareceu

Policía de Hertfordshire / PA Wire
Image caption Bailey e Stewart viviam juntos numa casa no condado de Hertfordshire, próximo a Londres, e planejavam se casar quando ela desapareceu

 

Também foi revelado ,enquanto a polícia ainda procurava pela escritora, ele renovou o cartão de sócio-torcedor do time de futebol Arsenal e foi de férias para Mallorca, na Espanha, usando a conta conjunta do casal.

Ele negou que tivesse assassinado Bailey, e alegou que foi chantageado por dois colegas de trabalho do falecido marido da escritora que a teriam sequestrado.

Alegou, durante o julgamento, que esses dois homens o ameaçaram matar seus filhos, caso ele informasse a polícia.
‘Meu final feliz’

Durante a sentença, o juiz Andrew Bright descreveu o crime como “horrível” e disse ao réu: “Sou firmemente da opinião que você atualmente representa um perigo real para as mulheres com quem você tem um relacionamento”.

Policía de Hertfordshire Image caption Bailey era 'uma mulher valente e cheia de bondade', contou uma amiga

Policía de Hertfordshire
Image caption Bailey era ‘uma mulher valente e cheia de bondade’, contou uma amiga

 

Shelley Whitehead, que conheceu a escritora pouco depois da morte do primeiro marido, diz que ela era uma “mulher valente e cheia de bondade”, que, com seu blog, “ajudou a muitos que sofreram perdas”.

“Helen continua viva em seus livros. Guardo cópias de seu último livro dar a pessoas que ficam viúvas”, contou a amiga.

Seu último livro, When Bad Things Happen in Good Bikinis, lançado em 2015, foi baseado na sua experiência com o blog Planet Grief – e sua “jornada pelo luto”.

O livro traz uma dedicatória a Stewart.

“Por último, dedico esse livro ao meu viúvo grisalho gato, Ian Stewart: te amo. Você é meu final feliz.”

Cultura brasileira invade Frankfurt às vésperas da Feira do Livro

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Desde o final de agosto, cidade alemã abre seus museus, bibliotecas, cinemas e praças públicas para receber programação paralela das artes brasileiras.

Publicado no DW

Graffiti da brasileira Fernanda Talavera diante da sede do Deutsche Bank em Frankfurt

O outono de 2013 chegou à Alemanha com gosto de Brasil. Ao menos em Frankfurt, é essa a sensação que o cidadão experimenta ao andar pelas ruas e se deparar com edifícios, muros, tapumes e até calçadas que, como num passe de mágica, viraram galerias de arte a céu aberto.

A poucos dias do início da Feira Internacional do Livro, que acontece de 9 a 13 de outubro e tem o Brasil como país homenageado, coube a 12 artistas de street art brasileiros a tarefa de “inaugurar” a presença brasileira na grande mídia alemã, com destaque no noticiário cultural.

Ainda que os eventos da programação paralela tenham começado bem com a música – em shows de Zélia Duncan, Criolo, Guinga, Lucas Santtana, Jards Macalé e Jorge Mautner, entre outros –, foram artistas como Alexandre Orion, Tinho, Herbert Baglione e Onesto que ocuparam as páginas dos cadernos de cultura dos principais diários alemães e até da televisão.

Zelia Duncan foi uma das artistas brasileiras a se apresentar na cidade alemã

Um dos trabalhos mais comentados foi o graffiti de Fernanda (Fefe) Talavera, de São Paulo, realizado num suporte pouco usual: a envidraçada e suntuosa fachada do arranha-céu do Deutsche Bank, um dos bancos mais poderosos do mundo.

Fefe diz que se sentiu em casa, apesar do convite inusitado. “Senti-me perturbada. Havia exposto antes em dois lugares em Berlim, em 2006, um deles uma casa abandonada, onde um grupo de artistas organizou uma exposição chamada Atitude. A outra foi um live painting (pintura performática) com um amigo músico, num evento chamado Party Arty”.

Admiradora do grafiteiro alemão Boris Hopek, Fefe criou um dragão alado num mosaico colorido, de corpo formado por cédulas de dinheiro. Indagada se seria menos excitante pichar um banco como artista convidada, afirmou: “Sempre que é possível criar o que você quer, é interessante, em qualquer situação. As escolhas feitas pela curadoria do museu [de Carolin Köchling, do museu Schirn Kunsthalle] foi excelente. Admiro os artistas que foram convidados, ainda que outros talentosíssimos tenham ficado no Brasil”.

Além de Fefe, outra artista que está expondo seu graffiti em Frankfurt é Jana Joana, que atuou ao lado de Vitché, num grupo que tinha ainda Rimon Guimarães, Nunca, Speto, Gais e Zezão.

Sem clichês

Show de Lucas Santtana, Jards Macalé e Jorge Mautner foi em homenagem à Tropicália

O que mais chama a atenção na programação cultural paralela que brasileiros e alemães vêm organizando é a opção em superar os clichês associados à cultura brasileira.

Para Antonio Carlos Martinelli, representante do Ministério da Cultura do Brasil, os shows surpreenderam muito o público alemão, principalmente o concerto de Fabiana Cozza realizado com uma das mais importantes big bands alemãs, a hr (da emissora Hessischer Rundfunk). “No show de Criolo, vi muitos alemães mais velhos, animados e impactados com o poder da performance desse novo rapper”, afirma.

Entre os programas que estão por vir, Martinelli destaca o projeto PUZZLE, de Felipe Hirsch. “Ele é um dos mais audaciosos e provocadores diretores brasileiros da atualidade em teatro, ópera, cinema e vídeo.” O curador ressalta também o apoio de instituições como o Sesc São Paulo e a Funarte, além da Biblioteca Nacional e de diversos órgãos de cultura alemães.

Cultura cosmopolita

Os alemães estão tendo a oportunidade de descobrir um Brasil cosmopolita, que dialoga com a arte internacional nas mais diversas linguagens.

O artista plástico Hélio Oiticica terá a mais ampla retrospectiva de sua obra exposta em Frankfurt e a mesma Schirn Kunsthalle exibirá, de 2 de outubro a 5 de janeiro de 2014, a mostra Brasiliana, dedicada exclusivamente a instalações realizadas no período de 1960 até a atualidade (com trabalhos de Cildo Meireles, Maria Nepomuceno, Lygia Clark e Ernesto Neto, entre outros).

Nomes como o quadrinhista Fernando Gonzales, criador do ratinho Níquel Náusea, verdadeiro clássico das comics brasileiras, e Rogério Duarte, designer, poeta e um dos mentores do movimento Tropicalista, estarão se apresentando em encontros abertos ao público.

Já o poeta e agitador cultural Chacal, uma das maiores referências da chamada Geração Mimeógrafo surgida nos anos 70 (e revelada pela ensaísta Heloísa Buarque de Hollanda em seu livro 26 Poetas Hoje, de 1975), estará montando em Frankfurt seu monólogo autobiográfico Uma história à margem, que ele vem apresentando no Brasil. Seu relato, que passa pelos tempos em que participava do coletivo Nuvem Cigana, da experiência com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, e do núcleo que fundou o Circo Voador, no Rio de Janeiro, chegou a ser traduzido para o alemão, em versão assinada por Patricia Sojka.

Os espectadores que estiveram presentes nos concertos à beira do rio Meno, no Palmengarten, ou no espaço alternativo Portikus, onde estreou em 21 de setembro a exposição Capacete, com o badalado show do guitarrista e performático Arto Lindsay, parece já terem aprendido uma coisa sobre o Brasil: que vale a pena deixar se surpreender por um país que ainda aguarda para ser descoberto pelos estrangeiros.

 

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