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‘Não queria fazer carta de amor para Nabokov’, afirma Lila Azam Zanganeh

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Escritora falou sobre ‘entrevista’ com russo: ‘Sonhei várias vezes com ele’.
Francesa foi o centro das atenções de mesa na manhã desta sexta, na Flip.

Candidata a “musa” da Flip a francesa Lila Azam Zanganeh (Foto: Flavio Moraes/G1)

Candidata a “musa” da Flip a francesa Lila Azam Zanganeh (Foto: Flavio Moraes/G1)

Letícia Mendes, no G1

Teses das obras do russo Vladimir Nabokov e do francês Roland Barthes parecem temas menores para uma discussão perto da presença da autora francesa Lila Azam Zanganeh, que participou da mesa “O prazer do texto”, na manhã desta sexta-feira (5), na 11ª Flip, ao lado do brasileiro Francisco Bosco.

O mediador Cassiano Elek Machado apontou as semelhanças entre os dois convidados: “Ambos têm 36 anos, são professores e têm desenvolvido novas formas de praticar o gênero ensaio”, disse. Porém, a franco-iraniana foi o centro das atenções do debate.

Lila é filha de iranianos, mas nasceu em Paris. Quando bebê, durante a Revolução Islâmica de 1979, sua mãe ficou presa em Teerã e quase não conseguiu deixar o país. Aos 20 anos, se mudou para os Estados Unidos e, com 23, já ministrava aulas de literatura e cinema em Harvard.

Ela colaborou com os principais jornais e revistas do mundo e seu livro, “O encantador: Nabokov e a felicidade”, foi elogiado por nomes como Orhan Pamuk e Salman Rushdie. Segundo o mediador, Lila viaja frequentemente a São Paulo, é fã do molho vinagrete, do limão verde, do bar Mercearia São Pedro e seu livro favorito é “Contos de Nabokov”. A escritora ainda é fluente em seis línguas e conversou com o público da Flip em português.

Francisco Bosco participa da mesa denominada 'O prazer do texto' (Foto: Flavio Moraes/G1)

Francisco Bosco participa da mesa denominada ‘O
prazer do texto’ (Foto: Flavio Moraes/G1)

Quando Nabokov morreu, Lila tinha apenas dez meses de idade, mas isso não a impediu de “entrevistá-lo” para seu livro. “Sonhei várias vezes com ele. Ele não era perfeito, tinha muitas ideias erradas, e não gostava de escritoras e tradutoras mulheres. Eu queria falar com ele. Dedicar um livro a um artista que a gente ama não pode ser somente uma carta de amor, como “Nabokov, te adoro”. Eu queria saber como, depois de dois exílios, falecimento do pai e outras tragédias, ele encontrou outra vez a felicidade nos EUA”, afirma.

Lila conta quando teve que ler seu livro para o filho de Nabokov, Dmitri, para que ele pudesse conceder os direitos autorais. “Ele estava muito doente e tive que ler em voz alta. Foi a coisa mais edificante da minha vida. Ele ficou bravo e disse ‘Por que você inventou essa coisa?”, mas no final ele me ajudou”.

Por sua vez, Bosco, autor de “Alta ajuda”, relacionou o tema da mesa com as manifestações que estão acontecendo pelo país. “Barthes tem uma relação forte com a política. No livro ‘O prazer do texto’, ele declara uma renúncia ao conflito. A linguagem dos protestos é a dos cartazes, com palavras de ordem, e a de Barthes é subversiva e sutil”, disse.

Lila Azam Zanganeh é filha de iranianos, nasceu em Paris e vive agora nos EUA (Foto: Flavio Moraes/G1)

Lila Azam Zanganeh é filha de iranianos, nasceu em Paris e vive agora nos EUA (Foto: Flavio Moraes/G1)

Poeta Manoel de Barros pode ser indicado ao Prêmio Nobel de Literatura de 2013

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Carlos Martins, no Campo Grande News

Manoel de Barros ao lado do jornalista Bosco Martins (Foto: Maurício Almeida)

Manoel de Barros ao lado do jornalista Bosco Martins (Foto: Maurício Almeida)

O nome de Manoel de Barros, o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários, consta em uma lista interna da União Brasileira dos Escritores (UBE) como um dos possíveis indicados para a Academia Sueca para concorrer ao prêmio Nobel de Literatura de 2013.

Nascido em Cuiabá, no então Mato Grosso Uno, em 19 de dezembro de 1916, o poeta vive em Campo Grande. Manoel Wenceslau Leite de Barros, conhecido como Manoel de Barros, recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis.

Por enquanto, além do nome de Manoel de Barros, constam também na lista os nomes de Ferreira Gullar (poeta nascido em São Luis em 10 de setembro de 1930) e Nélida Pinõn (escritora nascida no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1937). A informação é do jornalista Bosco Martins, em post publicado em sua página do Facebook.

Segundo o jornalista, que já entrevistou o poeta algumas vezes, a reunião decisiva acontece na próxima semana. “Toda torcida para o nosso poeta maior. Ta super confirmado”, escreveu Bosco.

O jornalista diz, ainda: “Na minha humilde e insignificante opinião os três são merecedores da citação. Mas com todo respeito aos demais, o nome de Manoel de Barros destoa e tudo de bom seria ele não só ser o indicado, mas o vencedor do prêmio…”

Sobre a obra de Manoel de Barros, Bosco Martins diz que “sua poesia tem tudo a ver com O Nobel, pois tem muita paz e luz em tudo o que escreveu em toda sua obra poética. Em sua obra originalíssima no universo literário mundial, a poesia está sempre recorrente, de seres amiúdes…”

Prossegue o jornalista: “Com uma estética insuperável é uma voz permanente em favor dos que habitam o oco do mundo. Um poeta de raríssima escrita e que aparece somente em tempos seculares, como no caso de Rosa (Guimarães). Manoel que fala da natureza sem ser “o poeta da natureza” e em seu “escritório de inutensílios” inventa sua poesia como outro olhar sobre as coisas e o mundo. Embora Manoel já tenha recebido os principais prêmios da literatura, estamos empolgados e felizes, pela possibilidade de também ser reconhecido com um prêmio da desenvoltura do Nobel literário…”

O Nobel de Literatura é um prêmio literário concedido anualmente desde 1901. A Academia Sueca é quem escolhe o escritor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Conforme o criador da distinção, Alfred Nobel, o prêmio é atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que tenha produzido, através do campo literário, o “mais magnífico trabalho em uma direção ideal”. “Trabalho” significa para Nobel a obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular.

dica da Luciana Leitão

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