Contando e Cantando (Volume 2)

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10 livros que estão na lista de favoritos de Carl Sagan

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Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

André Jorge de Oliveira, na Revista Galileu

Poucos foram os cientistas que conseguiram ocupar um lugar tão especial na vida de tanta gente como Carl Sagan. A série Cosmos que ele produziu e apresentou em 1980 ficou marcada não apenas na memória intelectual de muitas pessoas, mas também se firmou como uma verdadeira recordação afetiva, uma experiência pessoal capaz de transformar o jeito como se enxerga a realidade. O programa influenciou toda uma geração a refletir de forma mais profunda e filosófica sobre o universo e também sobre o papel que desempenhamos nele. A forma poética como o astrônomo compartilhava sua paixão pela ciência com os telespectadores inspirou muita gente a seguir por carreiras científicas.

É de se imaginar que o gosto literário de alguém que mescla tantas áreas do conhecimento em suas análises também reflita esta tendência à multidisciplinaridade – e é justamente isso o que vemos na lista de leitura que o pessoal do site Brain Pickings encontrou. Escrita no outono de 1954, quando Sagan tinha apenas 19 anos, as obras incluídas vão além das áreas em que atuava diretamente, como astrofísica e cosmologia, e abrangem referências de história, filosofia, religião, artes, ciências sociais e psicologia.

Confira alguns títulos:

Ilusões Populares e a Loucura das Massas – Charles Mackay (Extraordinary Popular Delusions)

Saiba mais aqui. Baixe em inglês aqui.

The Uses of the Past: Profiles of Former Societies – Herbert Joseph Muller (Os Usos do Passado: Perfis de Sociedades Antigas, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

O Imoralista – André Gide (The Immoralist)

Saiba mais aqui.

Education for Freedom – Robert Maynard Hutchins (Capítulo um: “The Autobiography of an Uneducated Man”. Educação para a Liberdade / A Autobiografia de um Homem Ignorante, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

Young Archimedes and Other Stories – Aldous Huxley (O Jovem Arquimedes e Outras Histórias, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

Timeu – Platão

Baixe em português aqui.

Who Speaks for Man? – Norman Cousins (Quem Fala Pelo Homem?, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

A República – Platão

Baixe em português aqui ou em inglês aqui.

A History of Western Philosophy – W. T. Jones (Uma História da Filosofia Ocidental, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

But We Were Born Free – Elmer Holmes Davis (Mas Nós Nascemos Livres, em tradução livre – sem edição em português)

Saiba mais aqui.

E a lista completa, escrita à mão pelo próprio Sagan:

LISTA DE LEITURA COMPLETA ESCRITA À MÃO POR CARL SAGAN EM 1954 (FOTO: REPRODUÇÃO)

LISTA DE LEITURA COMPLETA ESCRITA À MÃO POR CARL SAGAN EM 1954 (FOTO: REPRODUÇÃO)

Os dez mandamentos do escritor, segundo Zadie Smith

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Sérgio Rodrigues, na Veja

1É praticamente impossível aprimorar a lista de dez conselhos a jovens escritores que a escritora inglesa Zadie Smith (foto), autora de “Dentes brancos” e “Sobre a beleza” – e do recente NW, ainda inédito por aqui – escreveu para o “Guardian” em 2010 (via Brain Pickings).

Não há um único item dedicado ao que escrever tem de mais essencial e misterioso, aquilo que levou Somerset Maugham a dizer: “Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente, ninguém sabe quais são elas”. Sábia, ZS se cala sobre os tesouros que cada um terá que descobrir por si mesmo, sem mapa e na mais completa escuridão – missão difícil mas não impossível, caso o caçador tenha vivido o tipo de infância mencionado no item 1 e goze do mínimo de talento citado no 3.

Deixando de lado o indizível, esses conselhos cobrem de forma admiravelmente lúcida e sucinta os principais aspectos práticos que cercam a atividade, inclusive as muitas armadilhas ao longo do caminho. Mereciam ser gravados na pedra.

1. Ainda na infância, assegure-se de ler um monte de livros. Passe mais tempo fazendo isso do que qualquer outra coisa.

2. Quando adulto, tente ler seu próprio trabalho como um estranho o leria, ou melhor ainda, como um inimigo o leria.

3. Não romantize sua “vocação”. Ou você consegue escrever boas frases ou não consegue. Não existe nada parecido com uma “vida de escritor”. A única coisa importante é o que você deixa na página.

4. Evite seus pontos fracos. Mas faça isso sem dizer a si mesmo que aquilo que é incapaz de fazer não merece ser feito. Não mascare sua insegurança com o ressentimento.

5. Deixe um espaço de tempo decente entre escrever e editar o que escreveu.

6. Evite panelinhas, grupos, gangues. A presença de uma multidão não tornará seu texto melhor do que é.

7. Trabalhe num computador desconectado da internet.

8. Proteja o tempo e o espaço em que escreve. Mantenha todo mundo do lado de fora, mesmo as pessoas que são mais importantes para você.

9. Não confunda honrarias com realização.

10. Diga a verdade através de qualquer véu que esteja à mão – mas diga. Conforme-se com a tristeza de uma vida inteira que advém do fato de nunca estar satisfeito.

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