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Inclusão desigual amplia distância entre negros e brancos na educação

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Sala de aula de escola estadual, em Guarulhos, na Grande São Paulo - Rivaldo Gomes/Folhapress

Sala de aula de escola estadual, em Guarulhos, na Grande São Paulo – Rivaldo Gomes/Folhapress

 

Angela Pinho, na Folha de S.Paulo

Embora tenha ampliado o acesso à educação, o Brasil incluiu de maneira desigual crianças brancas e negras na escola na última década. Com isso, a distância entre elas não só persiste como até aumentou recentemente em algumas etapas de ensino.

A conclusão está em relatório sobre o Plano Nacional de Educação feito pelo Inep, instituto federal que realiza pesquisas sobre o setor.

O estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, sobre o número de crianças dentro e fora da escola. Foram consideradas negras as declaradas como pretas e pardas.

Com exceção do ensino fundamental, praticamente universalizado, a distância entre a população negra e branca subiu em todas as etapas nos últimos anos, segundo o trabalho (veja quadro ao lado). O monitoramento usa dados de 2004 a 2014, ano com estatísticas mais recentes.

A fase mais problemática é a de 0 a 3 anos, correspondente à creche. Em 2014, 38% das crianças brancas nessa faixa etária estavam matriculadas. Entre as negras, o índice era de 29%. Em 2009, a distância era menor –28% ante 24%.

Na faixa de 4 e 5 anos, correspondente à pré-escola, a diferença subiu 2,3 pontos de 2013 para 2014. No mesmo ano, cresceu também entre jovens de 15 a 17 anos, com idade para o ensino médio.

Para especialistas, após uma expansão forte das matrículas nas últimas décadas, houve uma primeira onda de inclusão de crianças tanto brancas como negras. Passado esse momento, restaram populações mais vulneráveis, o que penalizaria mais os negros, devido à renda. Mas não é a única explicação.

“O fator socioeconômico é relevante, mas não podemos esquecer que a sociedade discrimina de forma recorrente os jovens negros”, diz Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Para ele e outros especialistas na área, é necessário adotar políticas específicas para essa população na educação básica. “Se continuarmos tratando todos como iguais, a desigualdade até vai cair, mas vai demorar muito para isso acontecer”, afirma Henriques.

Presidente da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz concorda. Para ela, é preciso fazer uma radiografia para saber onde estão as crianças negras dentro e fora da escola e incluir ações específicas voltadas para elas em todas as políticas educacionais, o que hoje não ocorre.

“Tirando as cotas no ensino superior, não há outras ações que mexam com a mesma intensidade na cultura escravocrata do Brasil.”

Presidente do instituto Idados, Paulo Oliveira afirma que é preciso esperar os próximos resultados do IBGE para saber se há de fato uma tendência de aumento da desigualdade.

Ele afirma, porém, que a distância tende a cair na pré-escola, pelo fato de essa etapa, por lei, estar perto da universalização. Em 2014, 89,6% nessa idade estavam matriculadas. O maior desafio é a creche, que só atende um terço das crianças e ainda exclui mais as negras do que as brancas –embora penalize ambas.

Negra, Cleia Lima, 36, diz que chegou a dormir na porta de uma unidade para conseguir vaga para os filhos. Foi a primeira da família a entrar na universidade. “Meus pais diziam: todo mundo aqui trabalha, por que só você quer estudar? Com os meus filhos quero que seja diferente.”

RENDA

A diferença de renda entre negros e brancos com a mesma formação é maior no Brasil do que nos Estados Unidos, indica estudo feito pelo IDados, instituto de pesquisa de estatísticas educacionais.

Para Paulo Oliveira, presidente da entidade, o resultado indica que uma melhora do acesso à educação não será suficiente para reduzir a desigualdade entre brancos e negros. “O buraco é mais embaixo. Há ainda uma discriminação do mercado de trabalho.”

Segundo o estudo, nos dois países negros ganham menos do que brancos com a mesma escolaridade.

A diferença é o valor do diploma para reduzir essa distância. Nos EUA, os negros têm ganho salarial maior do que os brancos quando obtêm nível superior –181% contra 177%.

Já no Brasil, ocorre o contrário. Quando um negro obtém diploma universitário, passa a receber, em média, 268% a mais. Quando o mesmo ocorre com um branco, o ganho aumenta em 363%.

ENSINO SUPERIOR

O estudo mostra ainda que também no ensino superior o acesso da população negra aumentou nos últimos anos, mas continua desigual.

Em 2014, ano com dados mais recentes, 7% dos jovens de 18 a 24 anos negros estavam no ensino superior. Em 2009, esse índice era de apenas 2%.

Entre os brancos da mesma faixa etária, no entanto, essa proporção cresceu de 6% para 14% no mesmo período.

Melhorar a equidade no atendimento de creche e pré-escola é fundamental para reduzir a desigualdade entre os jovens, diz Frei David Santos, diretor-executivo da ONG Educafro.

“A criança negra começa a ser discriminada desde quando nasce”, afirma.

EUA: pela 1ª vez, escola integra brancos e negros em baile de formatura

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Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial Foto: Daily Mail / Divulgação

Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial
Foto: Daily Mail / Divulgação

Publicado por Terra

Pela primeira vez na história de um colégio da Geórgia alunos brancos e negros puderam dançar juntos no baile de formatura, no último sábado. A festa aconteceu quase 60 anos após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter decidido pela proibição da segregação racial nas escolas do País. As informações são do Daily Mail.

A festa contou com toda a pompa de uma formatura de ensino médio normal americana, com casais chegando juntos em limusines, as meninas usando vestidos longos com babados e muita animação. A única diferença é que os alunos da Wilcox County High School terminaram com a tradição de segregação da comunidade depois de levantar dinheiro para um baile integrado.

Durante décadas, o distrito escolar evitou a união das raças, promovendo bailes separados organizados pelos pais. Mas este ano quatro amigos – dois negros e dois brancos – se uniram para acabar com a prática de fazer festas de formatura separadas para brancos e negros. Eles começaram uma campanha no Facebook pelo baile integrado, que rapidamente ganhou mais de 26 mil seguidores.

Após o sucesso da festa, o distrito escolar anunciou que a partir do próximo ano o baile de formatura integrado será adotado oficialmente pelas escolas. A decisão pode representar o fim definitivo de um dos bastiões da segregação racial que ainda perduram nos Estados Unidos.

dica da Rina Pri

Pesquisa mostra que 62% dos brasileiros apoiam cotas em faculdades

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Publicado por UOL

Quase dois em cada três brasileiros são a favor de cotas em universidades públicas tanto para negros quanto para pobres como para alunos da escola pública. Pesquisa nacional do Ibope feita a pedido do jornal “O Estado de S.Paulo” mostra que 62% da população apoia a implementação dos três tipos de cotas – mecanismos que facilitam o acesso desses segmentos sociais às vagas do ensino superior.

Há variações significativas, porém. O grau de apoio muda de região para região, entre classes sociais, de acordo com a cor da pele do entrevistado e segundo o seu grau de escolaridade.

Outra constatação importante da pesquisa é que há um apoio significativamente maior às cotas que levam em conta a renda (77%) e/ou a origem escolar (77%) dos pretendentes às vagas que às cotas baseadas só na cor autodeclarada do aluno (64%).

Em contraposição aos 62% que apoiam todos os tipos de cotas, 16% dos brasileiros são contra qualquer uma delas, segundo o Ibope. Os restantes não souberam responder (5%) ou são a favor de um ou dois tipos de cotas, mas contra o terceiro: 12%, por exemplo, defendem cotas para alunos pobres e para alunos da rede pública, mas são contrários às cotas para alunos negros.

A oposição às cotas para pobres, negros e alunos da rede pública tende a ser maior entre brancos, entre brasileiros das classes de consumo A e B, entre pessoas que cursaram faculdade e entre os moradores das capitais e das Regiões Norte e Centro-Oeste.

Já o apoio à política de cotas nas universidades públicas é proporcionalmente mais alto entre quem estudou da 5.ª à 8.ª série, entre os emergentes da classe C, entre nordestinos e moradores de cidades do interior do país.

Essa diferença de perfil entre os contrários e os a favor sugere que aqueles que estão em busca de ascensão social e econômica tendem a ter mais simpatia por políticas que aumentem suas chances de chegar à faculdade, enquanto aqueles que já chegaram lá – a maioria sem ter se beneficiado desses mecanismos – têm maior probabilidade de serem contrários a esse favorecimento. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

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Fellipe Sampaio/SCO/STF

Ministro Ricardo Lewandowski: “A política de reserva de vagas não é de nenhum modo estranha à Constituição”. Por unanimidade, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram nesta quinta-feira (26) a favor das cotas raciais em universidades públicas.

Alan Marques/Folhapress

Alan Marques/Folhapress

Ministro Luiz Fux: “A opressão racial dos anos da sociedade escravocrata deixou cicatrizes que refletem no campo da escolaridade”. Por unanimidade, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram nesta quinta-feira (26) a favor das cotas raciais em universidades públicas.

Alan Marques/Folhapress

Alan Marques/Folhapress

Ministra Rosa Weber: “As cotas não ferem o critério do mérito”. Por unanimidade, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram nesta quinta-feira (26) a favor das cotas raciais em universidades públicas.

Alan Marques/Folhapress

Alan Marques/Folhapress

Ministra Carmen Lúcia: “As ações afirmativas não são as melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo seja igualmente livre para ser o que quiser. As cotas são uma etapa na sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”. Por unanimidade, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram nesta quinta-feira (26) a favor das cotas raciais em universidades públicas. (mais…)

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