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Menino de 7 anos lança livro em Brasília e dá dicas de português na internet

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Marília Marques, no G1

Apaixonado por livros, o brasiliense Ryan Maia aprendeu a ler aos 4 anos. Hoje, aos 7, o menino já tem um livro lançado, está escrevendo o segundo volume e, recentemente, criou um canal na internet para dar dicas de português e de matemática para crianças e adultos.

“O objetivo é ajudar quem tem dificuldades”, diz ele, sorrindo. A facilidade com as palavras, a criatividade e o amor pela escrita chamam a atenção em Ryan.

O próprio menino conta que desde pequeno, com 2 ou 3 anos, já falava muito. As frases eram longas e “tudo certinho”, diz ele. Segundo Ryan, isso foi assustando os pais, que logo perceberam o interesse da criança pelos livros e as letras.

Aos 7 anos, Ryan Maia dá aulas de português e matemática na internet — Foto: Marília Marques/G1

Em menos de um ano, as frases bem formadas da criança de conhecimentos precoces começaram a ser transferidas para o papel. Foi aí que Ryan diz ter descoberto o “poder transformador da escrita e da leitura”.

Altas habilidades

No início de 2018, com 6 anos, Ryan foi diagnosticado com “superdotação e altas habilidades”. O laudo é da Secretaria de Educação do Distrito Federal e só foi emitido após seis meses de avaliação psicopedagógica.

Ele frequenta aulas regulares pela manhã, em uma escola particular – em Ceilândia – e à tarde, uma vez na semana, é acompanhado na sala de recursos de altas habilidades/superdotação da secretaria.

Para o pai, Márcio Maia, o desempenho do menino é motivo de alegria, mas tem sido acompanhado “com os pés no chão”. Ele descreve Ryan como uma criança que tem um tipo de brincadeira diferente: ler, escrever, inventar histórias”.

Ryan Maia, 7 anos, abraça os livros prediletos; entre eles, o de sua autoria, ‘uma heroína e uma herói’ — Foto: Marília Marques/G1

O desafio, diz o pai, é fazer com que o menino aprenda a lidar com as altas habilidades que possui e, ao mesmo tempo, aproveite a infância. Ryan, que sabe do diagnóstico, parece entender.

“É bem divertido ter altas habilidades, mas não gosto de me gabar. Se tem um colega que não sabe, eu ensino ele.”

Como gosta de livros, ele vem sendo chamado para participar de rodas de leitura em escolas. Já a facilidade que tem em falar se transformou em pequenas apresentações – para outras crianças e até para adultos.

Ryan já foi chamado para falar sobre inclusão social, corrupção, política e também sobre a importância dos estudos.

Vitória do bem contra o mal

O livro escrito por Ryan, “Uma heroína e um herói”, foi lançado em maio. A versão ilustrada tem 28 páginas e conta a vitória do bem sobre o mal.

A inspiração veio dos personagens de filmes e desenhos que ele admira. Mas, para criar a narrativa, Ryan preferiu inventar os próprios super-heróis.

O homem-tomada, a menina-ema e o homem-televisão foram inspirados na vivência do garoto, que também pesquisa o magnetismo e a eletricidade.

A publicação foi toda custeada pelos pais e os exemplares são vendidos na internet. Cada livro custa R$ 25 e parte da renda será doada para uma instituição social.

Teoria dos três anéis

Para a psicóloga Rachel Marinho, que acompanha Ryan, o menino apresenta as três características do modelo dos três anéis, que atesta a superdotação. “Ryan é uma criança muito criativa, tem fluência de palavras e vocabulário acima da média esperada para idade dele”.

A especialista explica que o estímulo que o menino recebe é adequado para a idade dele, que tem que ser “mais do que crianças ditas normais”. A psicóloga diz que orienta aos pais de crianças com altas habilidades para que procurem saber as áreas de interesse dos filhos.

Rachel explica que as crianças com superdotação não devem ser sobrecarregarregadas com muitas atividades. Além disso, é fundamental que os pais sempre escutem o que eles dizem.

“Que tenham momentos de interação com outras crianças, lembrando sempre que eles também são crianças antes de mais nada”, afirma.

A vida do homem que era catador e virou médico com a ajuda de livros encontrados no lixo

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Vicente Carvalho, no Hypeness

Quais são seus obstáculos na vida? Você pode falar que o seu problema é maior do que o de outra pessoa, mas a verdade é que a única solução para qualquer problema é simples: enfrentá-lo e resolvê-lo.

Existem pessoas com tanta vontade de vencer na vida de forma correta, que mesmo diante dos maiores obstáculos, conseguem encontrar saída e tornar-se vencedoras. É o caso de Cícero Pereira Batista, 33 anos, que comemora – merecidamente -, o diploma de médico, conquistado graças à sua obstinação, como ele mesmo define.

Cícero cresceu em Brasília, em uma área com altos índices de violência, junto com mais 20 irmãos, e sua mãe entrou para o mundo do alcoolismo (depois da morte do pai) pra tentar fugir das dificuldades que apareciam. Os problemas cresciam e o irmão mais velho de Cícero passou a traficar e usar drogas.

Diante de grandes dificuldades, Cícero teve que aprender bem cedo a encontrar meios para sua subsistência, procurando no lixo algo para comer e alimentar seus 20 irmãos. Muitas vezes encontrava pedaços de alimentos estragados, iogurte vencido, dentre outros, mas era aquilo que os alimentava. E o mesmo lixo que o alimentava foi também o lugar onde lhe surgiu a oportunidade de uma vida melhor.

Cícero guardava livros e vinis que descobria no lixão e que passaram a ser seu refúgio e chance de fugir momentaneamente da realidade, embarcando em outros pensamentos lendo livros ao som de Bethoven e Bach, seus músicos preferidos (que só podia escutar graças à boa vontade de um vizinho, que deixava usar sua vitrola).

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Vendo a aptidão e gosto pela leitura de Cícero, uma das irmãs resolveu matriculá-lo em uma escola pública, onde conseguiu, com ajuda de amigos e professores, chegar ao ensino técnico decidindo logo depois fazer o curso técnico de enfermagem, onde passou em segundo lugar na seleção feita pelo Cespe, banca que integra a UnB (Universidade de Brasília).

Logo depois de concluir o curso, conseguiu aprovação no concurso da Secretaria de Saúde para Técnico em Enfermagem e começou a trabalhar em um hospital público. Mas ele não pensou parar de estudar e fez então vestibular para Medicina em uma faculdade particular. O salário que recebia ia todo para o pagamento da mensalidade.

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Como a rotina estava muito difícil, Cícero decidiu fazer o Enem e tirou nota suficiente para lhe garantir uma bolsa de estudos, e passou a estudar medicina no Gama (DF), onde enfrentou o preconceito racial e a rotina de estudos. Mas para quem trazia cicatrizes da infância, ser vítima de preconceito era apenas mais uma etapa a ser vencida.

“Eu nunca pensei em desistir. Meus companheiros sempre foram os livros e a música clássica me dava leveza de espírito para seguir em frente. Eu pensava que se Beethoven se tornou um dos grandes compositores da história, eu também poderia me tornar um bom médico.”

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Sua forma otimista de levar a vida deu certo. No dia 6 de junho deste ano, o ex-catador de lixo tornou-se médico e está focado em ser um bom médico, dar uma vida melhor para sua mãe e especializar-se em psiquiatria ou pediatria. E ainda pensa em estudar Direito – “quem sabe?”, diz o agora Dr. Cícero. Alguém duvida?

Abaixo um vídeo onde ele conta um pouco de sua história em um programa de TV local:

Foto: Breno Fortes/CB/D.A. Press

Cursos rápidos são opções para as férias

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Algumas das principais faculdades de São Paulo oferecem alternativas para quem busca treinamento profissional de curta duração

Bárbara Ferreira Santos, no Estadão

Cursos de férias oferecidos por algumas das principais faculdades de São Paulo vêm surgindo com formatos cada vez mais compactos, de pouquíssimos dias e módulos intensos. Tudo isso para otimizar o tempo do aluno, focar em temas específicos e atrair estudantes de outras regiões do País.

Sergio Castro/Estadão Ailton Mesquita veio de Brasília e, em 7 dias, fez 2 cusos

Sergio Castro/Estadão
Ailton Mesquita veio de Brasília e, em 7 dias, fez 2 cusos

Essa proposta de curso agradou ao brasiliense Ailton Mesquita, de 27 anos. No começo do ano, o analista de mídia social veio a São Paulo para fazer um curso de Comunicação de poucos dias na ESPM. Gostou tanto que, na semana passada, voltou à cidade. Em sete dias, fez dois cursos: um novamente na ESPM e outro na São Paulo Digital School.

“São Paulo é o polo para alguns cursos, principalmente nessa área de comunicação e inovação. Já Brasília nem sempre tem os cursos mais atualizados. Se for um curso maior, tenho de fazer na minha cidade. Se for um curso de pouca duração, consigo sair e vir para cá”, explica.

Para a coach de carreira Dayse Gomes, essa oferta de cursos em um período curto é positiva para o aluno. “É uma maneira de a pessoa fazer uma imersão nos estudos e trocar conhecimentos”, explica Dayse. “As férias de fim e começo de ano são um período em que as pessoas têm mais disponibilidade para viajar e fazer cursos. É também um momento favorável no quesito financeiro, porque há as bonificações de fim de ano.”

O coordenador acadêmico de educação executiva do Insper, Rodrigo Amantea, concorda com Dayse. “Esse é um formato que funciona bem e é adotado pela maioria das universidades fora do Brasil.” Ele explica que os executivos estão entre os que mais procuram essa modalidade. “Como eles têm uma agenda menos previsível, só podem acompanhar a turma com menos dias de aulas.” Mas ele faz um alerta: “Quem se matricular precisa ter disponibilidade nesses dias. Um dia de aula perdido compromete todo o curso”.

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Especial Capa: As facetas da crônica no século XXI

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Marcio Renato dos Santos, no Cândido

De relatos do cotidiano no século XIX à condição de texto literário de qualidade no século XX, a crônica foi reinventada no Brasil e se apresenta como espaço livre para diversos assuntos sob variadas abordagens

Antonio Prata é unanimidade. Especialistas, professores universitários, leitores e colegas de ofício o apontam como um dos melhores cronistas brasileiros do tempo presente. Aos 35 anos, tem espaço fixo no caderno “Cotidiano”, do jornal Folha de S.Paulo, toda quarta-feira. Qual é o segredo de Prata? Ou, então, sobre o que ele escreve?

“A única coisa que não pode entrar na crônica é a chatice, o tédio”, diz o sujeito que aos 14 anos escreveu a sua primeira crônica, sobre a rua onde passou a infância — que seria demolida para dar vez a uma avenida. Desde então, produz continuamente, apesar de também ter flertado com o conto. “O que produzi de melhor foram crônicas.”

Autor do livro Meio intelectual, meio de esquerda (2010), o filho do escritor Mario Prata tem os olhos abertos para assuntos contemporâneos, por exemplo, a mania que os universitários têm de tentarem ser diferentes, sobretudo, do resto da humanidade. Em um de seus textos mais conhecidos, “Bar ruim é lindo, bicho”, ele trata desse tema.

“O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo frequentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto frequentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma”, escreveu o cronista no texto que, inclusive, integra As cem melhores crônicas brasileiras (2007), coletânea organizada por Joaquim Ferreira dos Santos.

O assunto, aparentemente banal, torna-se interessante, principalmente, por causa do humor, uma das marcas da prosa de Prata. Ele consegue elaborar textos leves e engraçados em meio ao caos do cotidiano da grande São Paulo, onde mora, e também em território estranheiro. Já esteve a trabalho na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e no Japão, onde acompanhou — no ano passado — a bem-sucedida performance do Corinthians no Campeonato Mundial de Clubes. “Acima de tudo, a crônica tem a obrigação de agrador o leitor”, afirma o cronista da Folha, há algum tempo também contratado para escrever roteiros para a Rede Globo — colaborou com a equipe da novela Avenida Brasil e está envolvido em projetos a respeito dos quais pede sigilo.

Antonio Prata tem olhos abertos para o mundo contemporâneo e sabe radiografar, por exemplo, a juventude letrada, meio intelectual, meio de esquerda, que gosta de bar ruim.

Antonio Prata tem
olhos abertos para o
mundo contemporâneo
e sabe radiografar, por
exemplo, a juventude
letrada, meio
intelectual, meio de
esquerda, que gosta
de bar ruim.

O melhor do Brasil

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luís Augusto Fischer acredita que a crônica é um dos gêneros nos quais os autores brasileiros atingem os melhores resultados. “O Brasil é bom em gêneros artísticos breves: crônica, canção e caricatura, talvez também o conto. Nos gêneros mais longos temos coisa boa com o melhor que o mundo já produziu, como Machado de Assis e Guimarães Rosa, mas parece que nos breves a gente se dá bem de modo mais tranquilo”, afirma Fischer, escritor e também cronista do jornal Zero Hora.

O estudioso gaúcho conhece o tema. Debruçou-se sobre as crônicas de Nelson Rodrigues, tema de sua tese de doutorado e conteúdo do livro Inteligência com dor — Nelson Rodrigues ensaísta (2009). Além de identificar na crônica o melhor da prosa brasileira, Fischer aponta para outra questão: o gênero adquiriu características próprias no Brasil. “Tem mesmo algo de particular na crônica brasileira, embora se possa encontrar gente escrevendo impressões pessoais em jornais e revistas mundo afora. Talvez seja o fato de a crônica ter-se constituído, ao longo da história, num gênero afinado com a informalidade brasileira, ter acolhido a língua cotidiana”, argumenta o professor de Literatura Brasileira da UFRGS.

Em língua portuguesa, explica Fischer, a palavra — crônica — nasceu na Idade Média para designar relato da vida dos reis; no século XIX, começou a ser usada, mas sem regularidade, para comentários sobre a vida. No Brasil, José de Alencar, Machado de Assis, Olavo Bilac, João do Rio, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e outros escritores assinaram crônicas em impressos diários, onde defenderam (e combateram) ideias, além da divulgação de seus nomes.

De maneira resumida, é possível dizer que a crônica é um texto breve escrito para jornal. A definição é do especialista da UFRGS, para quem o gênero abriga qualquer assunto, em especial temas cotidiano, por meio de uma abordagem pessoal, assinada por um indivíduo que de alguma forma conquistou para a sua voz um reconhecimento na comunidade em que o impresso circula.

Rubem Braga dedicou-se integralmente à crônica: escreveu mais de 15 mil textos e devido à sofisticação de linguagem elevou o gênero ao patamar da chamada alta literatura.

Rubem Braga dedicou-se
integralmente à crônica:
escreveu mais de 15
mil textos e devido à
sofisticação de linguagem
elevou o gênero ao
patamar da chamada alta
literatura.

O velho Braga e os novos tempos

O Rio de Janeiro, então capital federal, foi território onde a crônica brasileira vingou, e se desenvolveu flertando com a literatura. Naquele contexto, nomes do primeiro time da ficção passaram a colaborar com jornais. “No século XX, a profissão de escritor começou a se desenvolver mas, como os livros não garantiam retorno financeiro, escritores que ascenderam das classes baixas e médias, muitas vezem atuavam como funcionários públicos e encontravam na crônica uma renda extra. Os baixos salários geraram a crônica literária brasileira”, afirma Charles Kiefer, escritor e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Kiefer se refere — sobretudo — aos mineiros Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, entre outros (leia mais no artigo de Carlos Herculano Lopes). Além desses autores, um outro sujeito — chamado Rubem Braga — deixou a sua cidade natal, Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, para viver no Rio de Janeiro e carimbar o passaporte rumo à eternidade. Este ano, centenário de seu nascimento, o Brasil festeja o “Velho Braga”, como o autor se referia a si mesmo, com exposições, peças, shows e a reedição de alguns de seus livros, entre os quais 200 crônicas escolhidas e Na cobertura de Rubem Braga, de José Castello. (mais…)

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