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Posts tagged Brasil

‘Deuses Americanos’, de Neil Gaiman, ganha edição em quadrinhos

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A HQ ‘Deuses Americanos’ (//Reprodução)

 

Disputa entre os deuses antigos e novos ganha versão ilustrada com desenhos do brasileiro Fábio Moon

Publicado na Veja

O livro Deuses Americanos, de Neil Gaiman, ganhou uma nova leitura. Depois de pautar a série de sucesso da Amazon, a história reestreia no Brasil neste mês como uma bela graphic novel (Tradução de Fernando Scheibe e Leonardo Alves, Intrínseca, 264 páginas, 49,90 reais).

A trama será dividida em três volumes. O primeiro, Sombras, se restringe aos nove capítulos iniciais do livro, lançado no Brasil também pela Intrínseca. Pela ótica de Shadow Moon, um ex-presidiário contratado para acompanhar um misterioso senhor durante uma viagem de carro pelos Estados Unidos, o autor descreve uma batalha entre as crenças do presente e do passado. O personagem embarca em uma busca pelos antigos deuses que caíram no esquecimento, a fim de combater os novos ícones idolatrados pela humanidade, como dinheiro e as drogas.

As partes dois e três devem chegar no Brasil no primeiro semestre de 2019 e 2020. Os quadrinhos contam com ilustrações do brasileiro Fábio Moon.

Robinson Crusoé e outros clássicos de aventura serão relançados no Brasil

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Cesar Gaglioni, no Jovem Nerd

A editora Nova Fronteira anunciou um box que relançará três clássicos da aventura no Brasil: Robinson Crusoé, de Daniel Defoe; Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson; e As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.

Robinson Crusoé conta a história de um náufrago que passou 28 anos em uma ilha deserta. Lá, ele conhece Sexta-Feira, um nativo a qual acaba se afeiçoando. O livro se tornou tão importante e icônico que criou um gênero completo, denominado academicamente de Robinsonade. Exemplos de obras que se encaixam nesse formato são Náufrago, com Tom Hanks; Perdido em Marte; e Perdidos no Espaço (qual o sobrenome da família protagonista? Isso mesmo, Robinson).

As Viagens de Gulliver gira em torno do cirurgião Lemuel Gulliver, que roda o mundo em busca de países e culturas exóticas (e acaba encontrando, claro!). A trama de Ilha do Tesouro acompanha a busca por um antigo tesouro que está enterrado numa ilha (você não esperava por essa, né?) — o livro se tornou um clássico imediato. Uma curiosidade interessante é que foi nele que surgiu o conceito de um mapa do tesouro que possui um grande X vermelho na localização do baú. O romance também ajudou a popularizar a imagem do pirata com tapa-olho, perna de pau e um papagaio no ombro.

O box chega às lojas ainda em abril.

Livros de Agatha Christie vão virar série brasileira

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Kenneth Branagh em Assasinato no Expresso do Oriente

Caio Coletti, no Observatório do Cinema

A produtora Panorâmica acaba de assinar com a Agatha Christie Ltd. contrato para desenvolver uma série baseada nos livros da autora, com exclusividade para o Brasil e a América Latina.

“Os executivos da Agatha Christie Ltd. estavam à procura de um projeto que pudesse apresentar a autora para novos leitores, com frescor e originalidade, e nos deram toda a liberdade para buscar algo inovador, e então criamos um projeto que coloca o personagem mais querido da autora, o metódico investigador Hercule Poirot, na cidade de Salvador, Bahia”, explica Mara Lobão, Diretora Executiva da Panorâmica.

Poirot protagoniza mais de 40 livros e todos eles estão à disposição da produtora para o desenvolvimento da produção.

Ainda não há data para o lançamento.

Uma Dobra no Tempo | Produção ganha incríveis pôsteres nacionais

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Publicado no Cinema com Rapadura

O novo filme da Disney, “Uma Dobra no Tempo“, ganhou incríveis novos pôsteres para a divulgação do longa no Brasil. As artes trazem os personagens vividos por Chris Pine (“Mulher-Maravilha“), Reese Witherspoon (da série “Big Little Lies”), Oprah Winfrey (“A Estrela de Belém“), Storm Reid (“12 Anos de Escravidão“), Mindy Kaling (“Sexo, Drogas e Jingle Bells“) e Gugu Mbatha-Raw (“O Paradoxo Cloverfield“). Veja abaixo:

O filme é baseado no livro homônimo escrito por Madeleine L’Engle e publicado originalmente em 1963. Na história, Meg (Reid) parte em uma missão para além do tempo e do espaço, a fim de resgatar seu pai, o cientista Alex Murry (Pine), após seu misterioso desaparecimento. Na jornada, haverá o encontro com seres fantásticos e a descoberta de outros planetas, além do clássico confronto com entidades do mal.

O filme é dirigido por Ava DuVernay (“Selma: Uma Luta Pela Igualdade“) e o roteiro é assinado por Jennifer Lee (“Frozen: Uma Aventura Congelante”).

“Uma Dobra no Tempo” estreia no Brasil no dia 29 de março.

Contos de Edgar Allan Poe são reeditados no Brasil

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Jane Fonda como Metzengerstein no episódio de Vadim da versão de contos de Allan Poe para o cinema

‘Histórias Extraordinárias’ provam que o autor permanece aterrorizante mesmo na era do cinema high-tech

Caio Sarack, no Estadão

Ouvimos o corvo de Edgar Allan Poe grasnar “Nunca mais!” e tão logo somos transportados para o quarto escuro em que a personagem contempla a ave agourenta sobre o busto de Minerva, o mesmo acontece com o ruído da extensa escada de madeira que estala quando outra personagem sobe seus degraus. Nos tempos dos filmes 3D e das superproduções audiovisuais, o extraordinário e o suspense acabam por se tornar uma espécie de coringa para franquias de terror ou de fantasia. A capacidade que nosso tempo tem de replicar os modos de fazer e produzir dos muitos formatos artísticos nos atordoa de tal maneira que, não raro, passam despercebidos os grandes artistas dos tempos idos. A reedição especial das Histórias Extraordinárias, pela Companhia das Letras, nos recoloca no cerne de uma discussão sobre público e obra, autor e leitor.

Entre o sucesso de público e o interesse acadêmico existe um estreito, mas profundo espaço da experiência artística: se as quase 900 páginas de experimentação formal do Ulisses de Joyce ainda não ocupam esse espaço, o nome de Edgar Allan Poe consegue produzir, mesmo que brevemente, uma unanimidade. Acessível e com histórias surpreendentes – descrições quase sempre insuficientes e redutoras, o autor americano consegue cativar tanto o interesse massificado de quem procura passatempos que rompam com o marasmo da vida cotidiana quanto deixa os rastros da composição muito rigorosa de um autor que compreende, de fato e de direito, os vínculos profundos entre forma e conteúdo, expressão e percepção.

Em seu Filosofia da Composição, Poe não só descreve o novo paradigma da produção literária do seu século 19 e dos que viriam depois, mas também busca entender o leitor que está se construindo histórica e socialmente neste período: a consolidação da reprodução em série de livros e a consequente acessibilidade de cada vez mais homens e mulheres foram produto da expansão do trabalho na cidade e da gestão social do calendário do novo leitor; as horas reduzidas que tinham seja para reflexão intelectual seja para fruição artística, agora ocupam o centro das atenções do autor. Como podem criar suspense, melancolia ou qualquer tipo de sensação, se o leitor abandona o livro e interrompe a circunstância da leitura e seu ambiente? É, por isso, necessário que as estrofes sejam reduzidas, que os versos levem em conta o vocabulário do leitor, que o autor reconheça nas palavras o seu peso social e sua expressividade quando lidas; ao fim e ao cabo, a sensação que o autor quer provocar é o elo inevitável que a literatura guarda entre quem escreve e quem lê, eis a interação constitutiva forma-conteúdo, expressão-percepção. Mas se como já dissemos, a vida social das palavras e das imagens interfere no fazer do artista, como é que Poe permanece interessante para o leitor que não busca nele seus expedientes de produção literária, mas o arrepio gelado que nos provocam o estresse de Roderick Usher e a aparição de lady Madeline em A Queda da Casa de Usher ou mesmo a materialização da Sombra na parábola contada por um autor póstumo? Como é que o conteúdo extraordinário, isto é, incomum dos contos de Poe ainda podem nos mover em meio aos filmes com seus efeitos especiais e salas high-tech?

Quem sabe, ao tatear a capa roxa e as letras douradas que esta reedição apresenta nos sintamos como diante de um livro de fábulas ou histórias folclóricas de muito tempo atrás; que esses grafismos na capa evoquem um caráter incomum e instaurem uma ambiência diferente daquela com que estamos habituados, e que os estímulos vários e muito intensos dos nossos formatos do século 21 não consigam reproduzir. A distância que enxergamos nas historietas de cigarra e formigas, raposas e uvas, ou nas poesias de séculos mais antigos parece se tornar o exíguo terreno entre a minha mão que folheia o livro e a história que acompanho com os olhos bem abertos. As experiências da literatura e da leitura que atualiza em seu tempo com sua composição de inversões e expectativas, Edgar Allan Poe mostram que o horror coabita a pasmaceira da rotina e o extraordinário espreita no mais comum dos dias. Para expressar o horror da morte ou a loucura dos solitários é preciso anunciar a vida comum a fim de que, como escreve Jorge Luis Borges sobre o nosso autor, o mundo que sonhou em seus contos perdure e o mundo real tenha a figura dispersa de um sonho comum.

*Caio Sarack é mestre em filosofia pela FFLCH-USP e professor do Instituto Sidarta

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