Posts tagged brasileiro

Novo e-reader brasileiro vai te convencer a trocar os livros de papel pelos digitais

0

1

Publicado por Hypeness

Alguns hábitos nunca mudam para algumas pessoas, como a paixão de ler, mas a tecnologia cada dia mais tem chegado para facilitar a nossa vida e simplificar essas tarefas do cotidiano. Um exemplo disso, são os e-readers, que fizeram com que não seja mais preciso acumular estantes de livros em casa, e nem andar por aí carregando uma pilha deles debaixo do braço.

O mercado recentemente ganhou um novo produto nessa categoria: é o Lev Saraiva, um gadget que você pode levar na bolsa e que te permite ler os livros que quiser em poucos cliques. A gente recebeu o produto aqui no QG do Hypeness e é claro que fomos logo testar – afinal, somos devoradores de livros.

1

A primeira coisa que chama atenção é o peso do produto que faz jus ao nome. O e-reader é bem leve (pesa 190g) e também pequeno: com 12cm x 16,6cm x 0,9cm. O produto todo só tem um botão de menu, deixando mais espaço livre para a tela touch E-Ink de 6″. Na parte de baixo do Lev, fica a luz que indica a quantidade de bateria restante, assim como a entrada para o cabo USB, cartão micro SD e o botão de liga/desliga. O gadget pode ser manuseado sem problemas com uma mão só, fazendo com que o usuário possa mudar de página sem precisar ficar clicando em botões: basta apenas fazer o mesmo movimento que você faria ao virar a página de um livro, deslizando o dedo da direita para a esquerda na tela.

Para inserir seus livros, você pode usar tanto o cabo USB como pode fazê-lo também via Wi-fi, e guardá-los usando os 4GB de armazenamento interno ou então em algum cartão microSD de até 32GB, para aqueles viciados em livros.

1

2

Falando da melhor parte: a resolução da tela digital de 758 X 1024 pixels que garante uma ótima nitidez na hora da leitura, dando impressão de estar lendo em papel. O Lev tem um sistema de leitura de arquivos em PDF super eficiente, graças à tecnologia chamada PDF Reflow que adapta qualquer texto para o tamanho da tela, fazendo com que você não precise perder tempo dando e tirando o zoom da tela para reorganizar o texto. Além disso, ele também aceita formatos JPEG, PNG, GIF, BMP, ICO, TIF e PSD.

1

A leitura é boa e bastante confortável e não cansa a vista (mesmo sob à luz do sol) e os menus são simples de entender e bastante intuitivos. Também é possível fazer anotações, marcar trechos e páginas enquanto você segue com a leitura, mais um ponto positivo para quem não abre mão de ir fazendo anotações enquanto lê.

Outro ponto bem bacana do Lev é a bateria que, segundo especificação técnica, pode chegar até os impressionantes 28 dias de uso com a luz de suporte ligada.

1

O bacana é que no Lev, você pode ler livros de basicamente qualquer loja do mundo, além de receber 10 livros de graça no ato da compra e ainda poder escolher mais 4 outros títulos da lista de best-sellers.

1

Conclusão final: o gadget vale bastante a pena para quem busca um leitor digital leve, fácil de manusear, com bateria de longa duração e uma leitura confortável.

Para mais infos, acesse o site da Saraiva.

Brasileiro fará parte da 1ª turma de universidade cursada em seis países

0
Guilherme Nazareth, de 19 anos, vai fazer parte da primeira turma da Minerva, a universidade que aboliu as salas de aula (Foto: Divulgação/Universidade Minerva)

Guilherme Nazareth, de 19 anos, vai fazer parte da primeira turma da Minerva, a universidade que aboliu as salas de aula (Foto: Divulgação/Universidade Minerva)

Universidade Minerva tem modelo inovador que aboliu as aulas tradicionais.
Guilherme Nazareth, de 19 anos, trocou a UFRGS pela iniciativa americana.

Ana Carolina Moreno, no G1
O gaúcho Guilherme Nazareth de Souza, de 19 anos, embarca na próxima quarta-feira (27) para São Francisco, nos Estados Unidos, para integrar a primeira turma da Universidade Minerva. O projeto, que pretende revolucionar o modelo de ensino superior praticado no mundo, inicia o primeiro semestre letivo em 8 de setembro com 32 alunos de 13 países, como China, Suécia, Trinidad e Tobago, Palestina e Estados Unidos. As aulas do primeiro ano acontecerão na Califórnia, seguido de um ano dedicado só a estágios. No ano letivo seguinte, os alunos viverão em Buenos Aires (Argentina) e Berlim (Alemanha). Depois, vão morar em outras quatro cidades em vários países, antes de conseguirem o diploma de graduação.

Guilherme, de Porto Alegre, é o único brasileiro a integrar a turma inaugural da instituição, que é reconhecida como uma universidade pelo governo americano, mas pretende ser completamente diferente de outras instituições do país e do mundo: tanto as aulas quanto as salas de aula foram abolidas pelos professores que desenharam o curso, a maioria com décadas de experiência nas mais conceituadas universidades americanas. Além disso, o campus é composto apenas dos dormitórios dos estudantes e a cada semestre eles mudarão de país para estudar dentro de realidades distintas.

“A Minerva só oferece seminários [formato de aula participativa, baseado mais na interação dos alunos do que na explicação do professor], e as salas têm até 19 alunos”, explica o jovem. “Os alunos são obrigados a trabalhar antes, a estudar antes e ir para o seminário com o conhecimento.”

O verbo “ir” é usado pelo brasileiro apenas por força do hábito, já que as atividades letivas acontecem nos quartos de cada estudante, e todos interagem com a “classe” pelo computador, conectados com a webcam e microfones. Para garantir que todos os alunos estejam acompanhando o curso, os professores optam por estimular a participação de todos no seminário e aplicar provas de surpresa. “Na Minerva você não só tem provas ao final do semestre, mas os alunos podem ser testados a cada momento, e o professor pode programar uma questão na própria aula.”

Os alunos podem definir seu currículo dentro de cinco grandes áreas: ciências da computação, ciências sociais, artes e humanidades, ciências naturais e negócios. No primeiro ano, porém, todos os estudantes passarão por um ciclo básico destinado a ensinar os jovens a pensar de forma crítica, a se expressar e a desenvolver técnicas de liderança.

Como aluno da turma inaugural, Guilherme terá bolsa integral da anuidade do curso (de US$ 10 mil, cerca de R$ 22 mil), além de não precisar pagar pelo dormitório (com custo de US$ 12 mil, ou cerca de R$ 28 mil) nem no primeiro ano nem no segundo, caso decida estagiar em São Francisco. Os gastos com comida são estimados em US$ 6 mil dólares (cerca de R$ 13 mil). Mesmo sem saber se conseguiria bolsa, Guilherme explica que o valor da Minerva também foi um atrativo. “As melhores universidades dos Estados Unidos têm cursos que podem chegar a 60 mil dólares”, disse ele.

Na Universidade Minerva, as salas de aula foram abolidas (Foto: Reprodução/Universidade Minerva)

Na Universidade Minerva, as salas de aula foram
abolidas (Foto: Reprodução/Universidade Minerva)

Selecionado dentro do próprio quarto
Até o processo seletivo, que tradicionalmente é padronizado nos Estados Unidos, tem inovações. Guilherme passou por todas as etapas dentro do próprio quarto. “Ele é completamente diferente, foi criado para ser acessível aos [candidatos] internacionais, não pede SAT [Scholastic Assessment Test, ou Teste de Avaliação Escolar]. O compromisso da Minerva é aplicar teste de QI nos seus candidatos para que ele mostre o resultado cognitivo”, explicou o jovem.

Os testes de lógica, matemática e inglês são feitos pelos candidatos no seu próprio computador, com a webcam conectada aos selecionadores, que observam o comportamento e o raciocínio dos estudantes. A exigência de uma papelada de documentos também é menor: além do histórico escolar, eles pedem comprovações de atividades extra-curriculares, como participação em trabalho voluntário ou olimpíadas do conhecimento, e avaliam o perfil de liderança e empreendedorismo dos potenciais alunos.

A última etapa, segundo ele, é a mais difícil: uma entrevista via webcam com os selecionadores, onde, além de responder às perguntas, os candidatos precisam escrever uma redação em um site de compartilhamento de arquivos onde os professores acompanham seu processo criativo.

Ao contrário de muitos estudantes brasileiros interessados em estudar nos Estados Unidos, Guilherme não faz o perfil típico de exatas nem participou de olimpíadas. A matemática que o atrai é a aplicada à economia, curso que ele decidiu seguir ao concluir o ensino médio no Colégio Anchieta, em Porto Alegre, e ingressar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Logo no início, porém, ele diz ter se desencantado com o curso. “Eu estava acostumado com a ideia de fazer a faculdade na federal. Entrei em março do ano passado [2013] e me senti bem pouco exigido, então decidi logo no primeiro mês que iria aplicar para universidades no exterior”, contou ele.

Formação multinacional
As primeiras tentativas de conseguir uma vaga de graduação fora do país não deram certo, segundo Guilherme, porque o jovem manteve a matrícula na instituição federal gaúcha, o que, segundo ele, não é bem visto pelas instituições atrás de novos alunos. “Decidi trancar o curso para não perder o semestre. Foi uma coisa que prejudicou muito minha aplicação”, explicou.

Meses depois, em outubro do ano passado, ele descobriu a Minerva e decidiu participar do processo seletivo. Depois de meses, foi um dos dois brasileiros que ganharam uma vaga –o outro acabou decidindo não fazer a matrícula, segundo a assessoria de imprensa da universidade.

Guilherme acredita que a liderança que ele exerceu no grêmio estudantil do seu colégio foi um dos fatores, além das notas altas na escola, que garantiram sua vaga. “Espero muito trabalho, já estou sendo acostumado com a ideia de que vai ser um currículo muito rigoroso, como eu gostaria”, diz.

Enquanto não embarca para os Estados Unidos, Guilherme aguarda com ansiedade os próximos anos vivendo em São Francisco e nas capitais argentina e alemã. Os demais destinos do terceiro e quarto anos ainda não estão definidos, mas as cidades onde a Minerva tem buscado locais para acolher os jovens são Hong Kong, Mumbai, Londres e Nova York.

Daqui a cinco anos, o gaúcho diz que espera receber o diploma depois de ter adquirido um conhecimento impossível de encontrar em outra universidade. “Eu sairia endividado, tendo que trabalhar direto, não teria tempo de conhecer o mundo. Na Minerva vou fazer isso ao mesmo tempo em que vou estudar. Vou poder conhecer problemas de outras partes do mundo, e também descobrir as soluções que deram para eles.”

Seria o brasileiro um “analfabeto” científico?

0
Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras - CC BY-NC-ND 2.0)

Desempenho brasileiro no primeiro Índice de Letramento Científico mostra que ciência não está integrada ao cotidiano do brasileiro. (foto: Flickr/ Fortimbras – CC BY-NC-ND 2.0)

Novo índice mostra que a ciência influencia a forma de ver o mundo e de lidar com situações complexas de apenas 5% dos avaliados, enquanto mais da metade sequer consegue aplicar o que aprendeu na escola em situações cotidianas.

Marcelo Garcia, no Ciência Hoje

Título original: Brasileiro: ‘analfabeto’ científico?
Como você avalia a sua capacidade de utilizar o conhecimento científico para resolver questões do dia a dia? E para fazer abstrações, criar hipóteses, planejar e inovar? Em um mundo em que a ciência e a tecnologia estão cada vez mais presentes, em que a sociedade é chamada a se posicionar sobre grandes questões como pesquisas com células-tronco e cultivo de transgênicos e no qual inovar é a palavra de ordem das empresas, essas questões são fundamentais. Mas, segundo a primeira edição do Índice de Letramento Científico (ILC), no Brasil é muito baixa a quantidade de pessoas ‘letradas’ em ciências, capazes de empregar os conhecimentos escolares no seu cotidiano e no planejamento do futuro.

Bem diferente das avaliações de ensino existentes no Brasil, a proposta do ILC é medir quanto do conhecimento escolar é de fato aplicado na prática. Para seus criadores, o resultado negativo ajuda a entender alguns gargalos sociopolíticos e econômicos do país, como a baixa capacidade de inovação. O índice, cuja versão completa foi divulgada recentemente, é fruto de uma parceria entre o Instituto Abramundo, o Instituto Paulo Montenegro, responsável pela ação social do Grupo Ibope, e a ONG Ação Educativa.

Para sua construção, foram aplicados questionários a 2002 pessoas entre 15 e 40 anos, com ao menos quatro anos do ensino fundamental completos, em oito capitais estaduais e no Distrito Federal. O questionário era composto por mais de 60 perguntas, que avaliaram a capacidade de identificar simples informações explícitas em texto, tabela ou gráfico (como consumo de energia ou dosagem em bula de remédio), de comparar informações simples para tomar decisões; de empregar informações não explícitas para resolver problemas práticos e processos do cotidiano e, ainda, de propor e analisar hipóteses sobre fenômenos complexos, mesmo não diretamente ligados ao seu dia a dia. A partir das respostas, os participantes foram classificados por nível de letramento: ausente, elementar, básico e proficiente.

O maior desafio foi traduzir o domínio de conceitos científicos em perguntas diretas e práticas para agrupar os participantes em faixas claras e facilitar ações posteriores. A metodologia aplicada foi adaptada do Índice de Analfabetismo Funcional (IAF), também produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e que avalia os conhecimentos de português e matemática na prática. A ideia é que a avaliação seja repetida a cada dois anos.

Resultados preocupantes

De forma geral, 79% dos participantes ficaram na zona intermediária (48% no nível 2 e 31% no nível 3), enquanto 16% apresentaram letramento ausente (nível 1) e apenas 5% do total se mostraram de fato proficientes em ciência. O índice torna clara a dificuldade de grande parte dos entrevistados em realizar tarefas simples: 43% deles declararam ter problemas para compreender gráficos e tabelas, enquanto 48% acham difícil interpretar rótulos de alimentos. Entre aqueles com ILC elementar (mais comum), 58% tem problemas, por exemplo, para consultar dados sobre saúde e medicamentos na internet.

Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Resultado ruim mesmo entre gestores públicos mostra que pensamento científico pouco influencia suas decisões, o que pode ter consequências negativas em todos os campos, da própria educação à saúde, ao saneamento e ao planejamento urbano, por exemplo. (foto: Flickr/ Samchio – CC BY-NC-SA 2.0)

Os resultados também foram relacionados ao nível de formação e à área de atuação dos entrevistados – e ficam ainda mais preocupantes, já que os indivíduos com ensino superior considerados proficientes em ciência foram apenas 11%, enquanto 48% estão no nível 3, 37% no nível 2 e quase inacreditáveis 4% apresentaram letramento ausente.

Em relação ao mercado de trabalho, as áreas de administração pública, educação e saúde alcançaram o melhor resultado, apesar de pouco animador: 43% das pessoas têm letramento básico e 9%, proficiente. Na indústria e na prestação de serviços, 42% e 31% dos trabalhadores ficaram no nível 3, enquanto apenas 5% e 6% eram proficientes, respectivamente.

A diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima, diz ter ficado surpresa com a baixa proficiência dos indivíduos mais escolarizados e dos tomadores de decisões, empreendedores e empresários, envolvidos diretamente no investimento e planejamento de atividades que vão desde o descarte do lixo à gestão da saúde e da educação. “Os dados mostram que o aprendizado fica restrito à escola e é preocupante que a ciência influencie tão pouco a visão de mundo dessas pessoas, sua atividade cotidiana e as decisões que tomam”, avalia.

Consequências adversas

Para os responsáveis pelo ILC, os impactos do cenário apontado pelo índice vão desde questões cotidianas a problemas que abrangem a vida econômica e social do país. “No dia a dia, isso se manifesta quando a cabeleireira usa um produto que ela deveria saber que faz mal ou quando os pais medicam os filhos por conta própria sem pensar nos efeitos colaterais ou nas interações entre medicamentos”, exemplifica Lima.

“Os reflexos também aparecem na pífia capacidade de inovação de nossas empresas: os trabalhadores pouco refletem sobre seu trabalho, não desafiam o status quo”, afirma Ricardo Uzal Garcia, presidente do Instituto Abramundo. “Além disso, o brasileiro não parece, em geral, preparado para opinar sobre grandes temas da ciência nem para tomar decisões cada vez mais necessárias sobre temas como transgênicos e células-tronco.”

Lima aponta ainda a formação de um gargalo de mão de obra no país e faz um alerta para o futuro. “Os empregos no país têm aumentado, mas apenas as vagas pouco especializadas; cargos melhores permanecem ociosos também pela inexistência de um pensamento científico aplicado, necessário para tais posições”, analisa. “Algo precisa ser feito para mudar essa situação, pois se nossos gestores tomam decisões que pouco consideram o conhecimento científico, a ciência nunca será valorizada como deve e isso continuará a impactar a inovação, a saúde, o meio ambiente e todas as áreas.”

Ensino de ciências

Junto com o índice, também foi feita uma pesquisa de percepção pública da ciência, cujo resultado é significativo: apesar do fraco desempenho no ILC, os participantes reconhecem a importância da ciência para a compreensão de mundo (42% concordam plenamente e 30% concordam em parte) e para obter boas oportunidades de trabalho (41% e 27%, respectivamente). “As pessoas têm interesse e acham a ciência importante, mas não vão a fundo porque não se sentem competentes”, avalia Lima. “É uma pista importante de que há algo errado na formação dos estudantes”, completa Garcia.

Uma olhada em outros indicadores de ensino reforça a má situação do país na área: no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, um dos piores desempenhos do Brasil é em ciências (59º entre 65 países).

Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl - CC BY 2.0)

Para melhorar o índice, segredo pode estar em investir mais no ensino fundamental e buscar maneiras de manter o interesse dos jovens pela ciência. (foto: Flickr/ emeryjl – CC BY 2.0)

Lima recupera a história da educação no país para explicar a situação atual. “O ensino se tornou um grande desafio a partir da década de 1990, pois sua universalização incluiu pessoas historicamente segregadas, famílias com níveis muito baixos de escolaridade”, afirma. A mudança, segundo ela, levou a um natural privilégio do ensino de português e de matemática, por serem competências mais básicas. “Em 25 anos, os avanços nessas áreas ainda não foram suficientes, mas ainda assim acredito que já seja hora de avançar para outros campos, e a ciência é a candidata natural para receber mais atenção.”

Um dado que se destaca no ILC é o desempenho semelhante de indivíduos com ensino fundamental e com ensino médio – 50% de pessoas do primeiro grupo têm letramento elementar, contra 52% no segundo, que também conta com 15% de pessoas com letramento ausente. Para Lima, as conversas com professores dão pistas sobre os motivos por trás desse resultado, por reforçarem que nas séries iniciais as crianças adoram ciências, mas perdem o interesse depois. “O desempenho no ensino médio deveria ser proporcional ao investimento maior, com professores especialistas e maior carga horária”, diz. “Como matamos essa curiosidade natural? Deve haver muita coisa errada, do currículo à forma de ensinar.”

Garcia ressalta a necessidade de criação de programas de ensino voltados para as séries mais baixas. “O impacto da iniciação científica de qualidade desde as primeiras séries pode ser fundamental para despertar o gosto por ciências no futuro”, diz.

Os organizadores também apostam na educação não formal e na parceria com a iniciativa privada para tentar mudar esse quadro. “Precisamos criar museus e centros de ciência para estimular uma cultura científica que hoje não existe”, defende o presidente da Abramundo. “Podemos pensar, por exemplo, em exposições sobre os ciclos do petróleo ou da agricultura, áreas em que atuam empresas enormes.” Lima conclui: “O problema não é só da escola, já que muitas pessoas não voltarão à sala de aula; é aí que a ação de igrejas, sindicatos e empresas pode ser fundamental.”

Brasil ganha pela primeira vez o ‘Nobel’ da matemática

0

Publicado no Terra

 

 Ávila recebe o maior prêmio da matemática aos 35 anos Foto: Katrin Breithaupt / Wikimedia

Ávila recebe o maior prêmio da matemática aos 35 anos
Foto: Katrin Breithaupt / Wikimedia

O carioca Artur Ávila é o primeiro brasileiro a receber a medalha Fields, considerada o “Nobel” da matemática. Ávila, que era tido como um dos favoritos desde a edição anterior da premiação, levou neste ano a láurea concedida pela União Internacional de Matemática.

O carioca fez o mestrado logo após terminar o ensino médio. Aos 18 anos, começou o doutorado, aos 22, o pós-doutorado. Como o Ministério da Educação (MEC) exige a graduação para conceder os títulos de mestre e doutor, ele fez a graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao mesmo tempo que o mestrado.

Em entrevista anterior ao Terra, Ávila diz não se considerar um gênio. O segredo, segundo ele, está em fazer o que se gosta. “Eu vou conhecendo tão bem os problemas, que me sinto muito motivado em resolver aquilo que não consigo entender, em quebrar essa barreira. Eu acho isso muito importante, estar motivado. Acho que é isso que faz a gente se dar bem no trabalho, a ter reconhecimento e até ganhar prêmios. Se você não se interessar realmente pelos objetos com os quais trabalha, não vai a lugar algum”, completa.

A medalha Fields é concedida a cada quatro anos a quatro matemáticos com contribuições reconhecidas à área. Como não existe um Nobel de matemática, o prêmio é considerado o mais importante para esse campo da ciência. A presidente Dilma Rousseff parabenizou o carioca através de seu perfil no Twitter:

dilma1

dilma2

Go to Top