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Alejandro Jodorowsky é confundido com Paulo Coelho em evento

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Alejandro Jodorowsky e Paulo Coelho: parecidos? - Arte O Globo

Alejandro Jodorowsky e Paulo Coelho: parecidos? – Arte O Globo

 

Publicado em O Globo

RIO – O cineasta Alejandro Jodorowsky acabou pregando uma pegadinha involuntária nos visitantes da 27ª edição da feira do livro de León, em Guanajuato, no México. O chileno, diretor de “A montanha sagrada”, contou ter se cansado de andar de um lado para o outro, quando sentou-se bem embaixo de uma “grande foto de Paulo Coelho”. O resultado? Acabou confundido com o escritor brasileiro.

“Se formou na minha frente uma fila de pelo menos 200 pessoas acreditando que eu era o escritor”, disse ele, em seu perfil no Facebook. Pensa que ele desfez o mal entendido? Nada. “Não desmenti. Com muito prazer, durante uma hora, escrevi (dedicatórias) ‘de minha alma para sua alma, Coelho’ e autografei livros de Coelho”.

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Estudante brasileiro ganha prêmio da Academia Americana de Neurologia

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(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

 

Bruno Vaiano, na Galileu

Gusthavo Cândido não é fácil. Entre 2014 e 2015, por meio do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), passou parte da graduação na Universidade de Wiscosin e na célebre Universidade de Harvard, considerada a melhor do mundo, ambas nos Estados Unidos. Em Boston, também fez estágio obrigatório em um hospital pediátrico.

Como se a visita não fosse suficiente, o aluno de medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais, superou os próprios colegas e foi agraciado pela Academia Americana de Neurologia (AAN) com um prêmio intitulado “Estudante de Medicina por Excelência em Neurologia”. A premiação é anual e exclusiva para estudantes de universidades americanas e canadenses. A avaliação considera todo o desempenho acadêmico do aluno, entre notas, cartas de recomendação e sua trajetória pessoal.

Além das disciplinas de graduação tradicionais, ele participou de projetos científicos com a pós-graduação. Em Wiscosin, pesquisou a regeneração axonal em pacientes que sofreram lesões na medula espinhal e, em Harvard, a morte súbita por epilepsia, conhecida no jargão médico como SUDEP. Nas faculdades de medicina americanas, projetos como esse, análogos à iniciação científica brasileira, são uma disciplina do currículo básico chamada “estudos dirigidos”, e não atividades paralelas à grade horária.

“No laboratório há alunos de graduação, pós-graduação e pós-doutorado”, explica Cândido em entrevista à GALILEU. Para ele, isso faz toda a diferença. “Essa disciplina tem muito mais recursos. Há um tempo já reservado para dedicar às atividades. Isso une a prática à teoria e a pesquisa.”

O estudante considera o modelo melhor que o adotado pela iniciação científica (IC) das nossas universidades. “Aqui a IC é algo particular, você precisa se desdobrar, arranjar um tempo. Por vezes, não temos apoio. Lá é algo muito mais formalizado”, afirma. Cândido também acredita que as universidades brasileiras devam adotar os métodos de seleção utilizados no exterior.

(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

 

“Nosso vestibular é lamentável. Aqui, a avaliação teórica é 100% do processo seletivo. Lá, a prova é só um terço ou até um quinto do que é levado em consideração, é muito mais amplo”, explica o estudante. “O resto consiste em entrevistas dirigidas, que vão realmente identificar seu perfil, seus interesses, projetos e aspirações, além de seu histórico profissional e acadêmico e cartas de recomendação de gente que realmente conhece você e a área em que você quer se especializar”.

O futuro médico, porém, tem esperança. “Acho que ainda vamos avançar nisso. Precisamos ampliar as oportunidades.” Para ele, o Ciência sem Fronteiras foi uma porta aberta para a ciência e o ensino em universidades que estão entre as melhores do mundo, e uma oportunidade de conviver com pessoas de todas as origens e culturas. Sobre a supervisão de seu desempenho acadêmico, ele garante: a convivência com alunos e professores talentosos é o único estímulo necessário para manter as próprias médias em dia.

“Quando alguém vai fazer graduação fora, o objetivo é aprender. Ter um bom desempenho e se aprimorar. Quando você supera seus próprios limites e, além de aprender, contribui e propõe novas ideias, é emocionante”, comenta Cândido. “A situação da ciência brasileira não é boa, e esse é um estímulo para lidar com as adversidades que ainda vamos encarar.”

Se depender dele, que pretende continuar a carreira acadêmica na neurociência e nas ciências cognitivas, o país só pode melhorar.

*Com supervisão de Isabela Moreira

Brasileiro viaja para 10 ‘países que não existem’ e lança guia com dicas

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Guilherme Canever com dois moradores da Ossétia do Sul (Foto: Guilherme Canever/arquivo pessoal)

Guilherme Canever com dois moradores da Ossétia do Sul (Foto: Guilherme Canever/arquivo pessoal)

Guilherme Canever conheceu países não reconhecidos pela ONU.
Transnítria, Abecásia, Somalilândia e Ossétia do Sul são alguns deles.

Flavia Mantovani, no G1

Para a ONU, a Transnítria, a Ossétia do Sul, a Abecásia, a Somalilândia e a República de Nagorno-Karabakh são países que não existem oficialmente. Mas o brasileiro Guilherme Canever, de 39 anos, foi até esses lugares e garante que eles são bem reais.

Canever viajou por dez países que, apesar de autônomos, não são reconhecidos como tal pela lista das Nações Unidas – que atualmente tem 193 membros. Engenheiro florestal e autor de um blog e de outros livros sobre viagem, ele reuniu relatos dessa experiência no recém-lançado “Uma viagem pelos países que não existem” (Pulp, 142 págs., R$ 49).

Além dos cinco lugares citados acima, fizeram parte do roteiro o Chipre do Norte, o Saara Ocidental, Kosovo, Palestina e Taiwan. As viagens foram feitas entre 2009 e 2014, em etapas diferentes.

O interesse de Canever pelo tema surgiu quando ele fazia uma volta ao mundo com sua mulher e decidiu conhecer a Somalilândia, que ficou independente da Somália em 1991. “Eles têm presidente próprio, visto, moeda, tudo diferente da Somália, mas não são reconhecidos por nenhum outro país. Quando fui, fiquei muito surpreso, era praticamente um universo paralelo”, conta ele, que depois disso visitou a Palestina e o Saara Ocidental e, em outra viagem, passou pelos demais países da lista. “Isso mexeu muito comigo, toda essa questão de como a falta de reconhecimento reflete no dia a dia das pessoas”, completa.

Guilherme Canever em frente a um ministério em Nagorno-Karabakh (Foto: Guilherme Canever/Arquivo Pessoal)

Guilherme Canever em frente a um ministério em Nagorno-Karabakh (Foto: Guilherme Canever/Arquivo Pessoal)

 

O livro traz informações sobre a posição do governo brasileiro em relação a cada país, orientações sobre vistos de entrada, contextualização histórica e dicas de lugares e atrativos turísticos que podem ser visitados. No final, há alguns capítulos dedicados a regiões autônomas que já foram independentes ou gostariam de tornar-se, como Tibete, Caxemira e Curdistão.

Canever conta que foi difícil se informar com antecedência sobre atrações, transporte e hospedagem. “Mesmo em guias de viagem, as informações não são atualizadas. Em muitos casos não consegui hotel pela internet, então fui sem reservar nada. Só de encontrar hospedagem era uma aventura. Às vezes só tinha uma placa em alfabeto cirílico”, lembra.

Para obter algumas diretrizes, o brasileiro foi atrás de dicas em fóruns de viajantes e com moradores desses países que ele contactou pelo site Couchsurfing.

Praias desertas e sítios arqueológicos

Memorial de guerra e pinturas ruprestres na Somalilândia (Foto: Guilherme Canever/Arquivo Pessoal)

Memorial de guerra e pinturas ruprestres na Somalilândia (Foto: Guilherme Canever/Arquivo Pessoal)

 

Com exceção de alguns casos, como Palestina e Kosovo, Canever não encontrou muitos outros turistas em sua jornada. Por isso mesmo, a presença de um brasileiro chamava a atenção. “As pessoas perguntavam: por que você escolheu vir para cá? Elas se surpreendiam, mas ficavam muito contentes e queriam mostrar o melhor do seu país. Essas divisões todas acabam gerando um grande nacionalismo, então eles querem mostrar que o lugar deles é bonito, querem ser hospitaleiros”, diz.

O livro é um guia de viagem (Foto: Divulgação/Pulp)

O livro é um guia de viagem
(Foto: Divulgação/Pulp)

Em seus passeios, ele acabou encontrando lugares surpreendentes – caso das pinturas rupestres de Laas Geel, na Somalilândia. “É um lugar incrível, com cavernas no meio do deserto. Se ficasse em qualquer outro país, estaria cheio de turistas, mas só estávamos nós”, afirma.

O brasileiro destaca também as praias desertas e os sítios arqueológicos do Chipre do Norte, os monastérios no meio das montanhas da Abecásia (que se declarou independente da Geórgia) e de Nagorno-Karabakh (uma república autônoma dentro do Azerbaijão), a arquitetura dos edifícios no Kosovo e os cânions da Palestina, além das conhecidas atrações históricas de lá.

As políticas de entrada para brasileiros diferem entre os países visitados por Canever. Em alguns deles, como na Transnístria (que tem seu território dentro da Moldávia) e em Kosovo, basta carimbar o passaporte na entrada. Outros, como a Somalilândia ou na Ossétia do Sul (também separada da Geórgia), exigem visto ou carta de autorização prévia.

O grau de segurança nesses lugares também varia. “Existem regiões completamente seguras. A capital de Nagorno-Karabakh, Stepanakert, é toda florida, tem Wi-Fi gratuito nas praças. Já a Ossétia do Sul é o país mais tenso dessa lista. Mas, em todos eles, basta saber onde você está pisando. Todo mundo sabe onde ficam os lugares perigosos, é só não ir lá”, afirma.

No geral, Canever gostou da experiência e recomenda a viagem: “Dificilmente alguém vai sair do Brasil só para ir até esses países. Mas, para quem está viajando na região, vale a pena conhecer”.

‘A guerra dos mundos’ ganha edição com ilustração de brasileiro

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'THE WAR OF THE WORLDS' A Martian machine contemplates the drunken crowd Date: First published: 1898 - Rights Managed / Mary Evans Picture Library

‘THE WAR OF THE WORLDS’ A Martian machine contemplates the drunken crowd Date: First published: 1898 – Rights Managed / Mary Evans Picture Library

 

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO – Principal atrativo de uma nova edição de “A guerra dos mundos’’ (Suma das Letras), que chegou às livrarias este mês, os desenhos do brasileiro Henrique Alvim Corrêa (1876-1910) ilustraram uma versão do romance de H.G. Wells (1866-1946) publicada em 1906, na Bélgica, onde o artista estava radicado. Modernas e representativas da violenta invasão marciana à Terra, as ilustrações impressionaram Wells, que se tornou amigo de Alvim Corrêa. O título, como outras obras do autor, entra em domínio público em janeiro de 2017.

— Do ponto de vista do leitor, acho que é a edição mais acessível com as ilustrações do artista brasileiro. Em uma pesquisa rápida que fiz, houve uma edição anterior que também tinha os desenhos, mas era sofisticada demais e com preço muito alto — diz o escritor e compositor Bráulio Tavares, autor do prefácio da obra.

Desenho do brasileiro Henrique Alvim Corrêa para edição belga de ‘A guerra dos mundos’ publicada em 1906 - Divulgação

Desenho do brasileiro Henrique Alvim Corrêa para edição belga de ‘A guerra dos mundos’ publicada em 1906 – Divulgação

 

Invasões extraterrestres de alienígenas tecnologicamente desenvolvidos e extremamente violentos são comuns hoje na ficção científica, seja na literatura, no cinema ou nos videogames. No fim do século XIX, no Reino Unido, não era bem assim, até porque o gênero, chamado então de “romance científico’’, ainda não florescera. Ao imaginar marcianos hostis e armados até as antenas com raios de calor, prontos para varrer a Humanidade do mapa e controlar os recursos naturais do planeta, Wells fazia um alerta ao Império Britânico sobre sua política colonizadora e predatória:

— Muitos críticos reagiram a essa descrição dos marcianos. E Wells respondia que não entendia o estranhamento, afinal, era o mesmo tipo de comportamento dos britânicos quando invadiam suas colônias — diz Tavares.

WELLS encontra welles

O volume tem capa dura e traz ainda uma introdução do autor americano de ficção científica Brian Aldiss, membro da H.G. Wells Society, além de um posfácio com a transcrição de uma entrevista concedida por Wells ao cineasta americano Orson Welles (1915-1985), em 1940, para uma rádio de San Antonio, no estado americano do Texas. Dois anos antes, Welles havia adaptado “A guerra dos mundos’’ em uma novela radiofônica que, reza a lenda, teria causado pânico em cidades remotas dos Estados Unidos.

— Essa entrevista é muito curiosa e foi tirada de um áudio que pode até ser encontrado na internet — diz Tavares. — Em determinado momento, eles falam de um filme que Welles estava fazendo. Era sua estreia na direção de cinema e trazia uma série de revoluções tecnológicas. Welles diz o título, “Cidadão Kane’’, mas Wells não entende direito.

 

Retratos da nossa ignorância

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Volumes da Campanha de Doações de Livros para Casas de Leitura e Tubotecas de Curitiba. Cido Marques FCC

Volumes da Campanha de Doações de Livros para Casas de Leitura e Tubotecas de Curitiba. Cido Marques FCC

 

No Brasil, educação de qualidade nunca foi direito da população, sempre foi privilégio da elite mandatária

Luiz Ruffato, no El País

O Brasil conta com cerca de 50 milhões de analfabetos ou analfabetos funcionais. Isso significa que um em cada três brasileiros adultos não sabe ler ou, quando consegue, não é capaz de compreender o conteúdo de um texto simples. Mesmo entre aqueles considerados alfabetizados impera a ignorância. Pesquisa recente, intitulada Retratos da Leitura no Brasil, apontou que, na média, lemos 4,9 livros por ano (um número pequeno e ainda assim enganoso, já que, deste total, apenas 2,4 livros são terminados; o restante é lido apenas em parte). Além disso, apenas 7% da população lê jornais diariamente, já levando em consideração o acesso à informação digital.

A falta de tempo aparece como o principal argumento dos entrevistados para não ler (32%). No entanto, uma outra pesquisa, da NOP World Culture Score Index, mostra que os brasileiros dedicam cinco horas e 12 minutos semanais à leitura contra 18 horas e 15 minutos à televisão, 17 horas ao rádio e 10 horas e 30 minutos à internet (no caso, com navegação sem fins profissionais). Antes dos livros, os brasileiros preferem reunir-se com amigos ou família (45%), assistir vídeos ou filmes em casa (44%), usar WhatsApp (43%), escrever (40%) e usar Facebook, Twitter ou Instagram (35%).

Mas o mais estarrecedor é que, se a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil constata, de um lado, a falência completa do nosso sistema educacional, de outro revela o crescimento atordoante do fundamentalismo religioso. A maioria absoluta das justificativas dos entrevistados para não ler estão relacionadas à baixa escolaridade — não gosta (28%), não tem paciência (13%), tem dificuldade (9%) e não sabe ler (20%). Esse quadro desolador ainda é agravado ao acrescentarmos dados de leitura específicos dos professores. Quando indagados sobre o título do último livro lido, metade deles simplesmente respondeu “nenhum” e 22% citaram a Bíblia.

A Bíblia aparece muito à frente entre as preferências dos entrevistados, em todas as classes sociais, faixas etárias e de escolaridade. Na lista dos mais citados surgem alguns poucos escritores — geralmente leitura obrigatória na escola, como Machado de Assis e Graciliano Ramos —, e autores de autoajuda (como Augusto Cury) e de entretenimento (como Paulo Coelho e John Green), mas a supremacia absoluta é de nomes ligados à divulgação religiosa. Os mais lembrados são João Ferreira de Almeida (tradutor da Bíblia utilizada pelos evangélicos), Zíbia Gasparetto, Allan Kardec e Chico Xavier (espíritas), padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo (católicos ligados à corrente carismática), Edir Macedo e sua filha Cristiane Cardoso (Igreja Universal) e Ellen G. White (Igreja Adventista).

Onde o Estado falha, viceja a ignorância. Nenhum de nossos governantes — chamem-se eles José Sarney, Fernando Henrique Cardoso ou Luiz Inácio Lula da Silva — empenhou-se, de verdade, na melhoria do nosso sistema educacional. No Brasil, educação de qualidade nunca foi direito da população, sempre foi privilégio da elite mandatária. O resultado é esse: cada vez mais exacerbamos nosso egoísmo (traduzido em nossa incapacidade de agirmos no interesse da comunidade), nossos preconceitos (visíveis no machismo, no racismo, na homofobia, na xenofobia), nossa intolerância (perceptível na violência urbana, na passionalidade com que defendemos opiniões).

Pouco a pouco, o Brasil vai se tornando território do pensamento radical. Não só pelo grau nunca antes alcançado de representatividade religiosa no Congresso e, mais particularmente, no Governo do presidente interino Michel Temer (sejam evangélicos, protestantes ou católicos), como também pelas posições assumidas por intelectuais e formadores de opinião, autodenominem-se eles de esquerda ou de direita, que vêm fomentando o ódio e o fanatismo. É preocupante quando descobrimos que 74% da população adulta não adquiriu livros nos últimos três meses e 30% nunca comprou um livro em toda a sua vida. E é assustador quando contatamos que, aqueles poucos que leem, colocam um livro como “A verdade sufocada”, do coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015, entre os mais vendidos do país… Há algo muito estranho acontecendo por aqui…

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