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Posts tagged Breve História de Um Pequeno Amor

Laurentino Gomes e Marina Colasanti vencem o Prêmio Jabuti

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Escritor levou na categoria não ficção por ‘1889’ e Marina, autora de ‘Breve História de Um Pequeno Amor’, pela melhor obra ficcional

Maria Fernandes Rodrigues, no Estadão

O jornalista Laurentino Gomes ganhou na noite desta terça-feira, 18, seu terceiro Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção por sua trilogia sobre a história do Brasil. O primeiro foi para 1808, em 2008, o segundo, para 1822, em 2011, e agora 1889, obra que encerra a empreitada, foi escolhida pelos jurados e também pelos associados da Câmara Brasileira do Livro como a melhor de 2013. O Livro do Ano de Ficção foi para Marina Colasanti, pelo infantil Breve História de um Pequeno Amor (FTD). Eles ganharam R$ 35 mil cada um, além dos R$ 3.500 por terem sido os primeiros colocados de suas categorias e o troféu no formato de um Jabuti.

Com este prêmio, Laurentino Gomes se iguala a Chico Buarque em número de estatuetas de Livro do Ano. Gomes contou, depois da premiação, que até ficaria feliz se Lira Neto ganhasse o prêmio pelo segundo volume de sua trilogia sobre Getúlio Vargas – mas ele queria ganhar. “Foi o meu livro de que mais gostei. É o mais maduro, mais bem acabado. É onde aprendi a ser escritor. Então, no fundo, eu esperava que ele recebesse a mesma premiação dos outros dois.”

Laurentino Gomes levou R$35 mil pelo primeiro lugar

Laurentino Gomes levou R$35 mil pelo primeiro lugar

Os três volumes venderam, juntos, mais de 2 milhões de exemplares. “Os brasileiros estão muito interessados em estudar a história do Brasil, em buscar explicações para o País de hoje. E precisamos ser muito generosos com esse leitor escrevendo com uma linguagem muito fácil de entender. Caso contrário nunca vamos conseguir ter um país de leitores”, disse.

Laurentino Gomes aproveitou para falar sobre o o momento pelo qual estamos passando e disse que não podemos nos assustar com os desafios do presente, já que a história mostra que temos uma boa capacidade de superação de obstáculos e dá um sinal de esperança em relação ao futuro. “Eu me assusto muito com o grau de exaustão da democracia brasileira. Pessoas muito jovens pregando o golpe militar, a ditadura, um clima de conspiração e de desânimo no ar. Mas é só estudando história que vamos afastar esses fantasmas do horizonte”, disse. E completou: “Quem não teve oportunidade de refletir mais sobre o País, de se informar sobre nossa jornada até aqui, é que está pregando medidas radicais. O Brasil vive clima de intolerância muito grande. É só entendendo essa jornada que vamos conseguir construir um futuro de forma mais organizada e menos barulhenta e intolerante.”

O jornalista quer continuar nos séculos 18 e 19, período de formação do estado brasileiro, em seus próximos trabalhos. Mas por ora se ocupa dos desdobramentos de sua trilogia premiada em obras para adolescentes e crianças. Uma ficção não está nos planos. “Ela me assusta muito. Sou repórter, trabalho com não ficção, é o que sei fazer. Ficção é um mergulho na alma humana que exige um talento e acho que não tenho.”

A ficção, especialmente a infantojuvenil, é terreno da escritora Marina Colansanti, que passou por um apuro um pouco antes da premiação. Em visita a uma escola de Cidade de Deus, uma criança de quatro anos se enroscou em sua perna e ela foi de cara no chão. Quebrou o nariz, o septo. E disse ao cirurgião Ivo Pitanguy: “Ivo, pelo amor de Deus, conserta esse nariz porque eu tenho que buscar meu Jabuti”. Ela tirou o curativo na segunda-feira, e ontem estava lá recebendo o prêmio por sua prosa poética acerca de uma escritora que encontra um ninho com filhotes de pombo abandonados pela mãe e decide cuidar deles.

“Considero que fui ferida em combate, no cumprimento do dever”, brinca a escritora. Em seu discurso, ela disse que ficou surpresa porque o prêmio foi dado a uma uma obra infantil. Depois ela completou: “Sempre se considera que a literatura infantil é uma subliteratura, que nunca chegou ao nível do Andersen, do Green, do Caroll. Isso não é verdade. Há um empenho de fazer leitores. Um livro de poesia para criança me leva pelo menos dois anos e enquanto estou fazendo aquilo não posso fazer outra coisa. Mas estou pagando o que recebi. Alguém fez de mim uma leitora e quero fazer alguns leitores”.

Ela acabou de fazer uma tradução de texto de Lewis Carroll (Alice para crianças muito pequenas), para a Record, e está preparando a reunião de todo os seus contos de fada – Mais de 100 Contos Maravilhosos sairá pela Global.

Festa. Na cerimônia realizada no Auditório do Ibirapuera, apenas os vencedores de cada uma das 27 categorias subiram ao palco – historicamente, os três primeiros colocados podiam receber o troféu e os aplausos, mas agora assistiram da plateia seus livros sendo exibidos no telão. A ideia era agilizar a festa, o que não ocorreu.

Antes da premiação, Ignácio de Loyola Brandão, escritor e cronista do Caderno 2, fez uma versão menor de seu Solidão no Fundo da Agulha, pocket show que criou com a filha Rita Gullo – ela canta músicas e ele conta histórias relacionadas a essas canções.

Tânia Rösing, idealizadora da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, foi homenageada com o troféu “amiga do livro”. Em seu discurso, disse: “Conseguimos muito – que o Governo comprasse livros, que as editoras fizessem boas edições. Mas nos falta coragem de investir na formação dos professores leitores”.Curador do Jabuti por 23 anos, José Goldfarb, que foi substituído este ano pela escritora e pesquisadores Marisa Lajolo, também foi homenageado e ganhou uma placa.

Em sua fala, Marisa Lajolo lembrou o poeta Manoel de Barros, morto na semana passada. Já a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, optou por um discurso mais informativo do que político, e destacou a importância do prêmio, lembrou os escritores mortos este ano, falou da presença da literatura brasileira no exterior, do Vale Cultura, e garantiu que em breve o Plano Nacional do Livro, Leitura e Literatura estará em discussão no Congresso Nacional.

Marina Colasanti vence pela segunda vez o Prêmio Jabuti na categoria literatura infantil

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O livro escolhido, Breve História de Um Pequeno Amor, foi ilustrado pela argentina Rebeca Luciani

Naíma Saleh, na Crescer
Marina Colasanti vence pela segunda vez o Prêmio Jabuti na categoria literatura infantilNesta quinta (16) foram divulgados os vencedores da 56ª edição do Prêmio Jabuti, um dos mais respeitados da literatura nacional, que elege os melhores escritores e ilustradores em 27 categorias diferentes. O grande campeão no gênero infantil é o livro Breve História de Um Pequeno Amor, da escritora Marina Colasanti, publicado em 2013 pela Editora FTD. A autora já havia ganhado o Jabuti de 2010 com o livro Passagem em trânsito. Este ano, a obra vencedora também recebeu o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) na categoria Criança Hors-Concours, além do selo Altamente Recomendável.

A narrativa é contada em primeira pessoa, em prosa poética. A história começa com um fato aparentemente banal: um problema de infiltração em um escritório. Quando a narradora-personagem recorre a um profissional para resolver a situação, a solução encontrada é a retirada das telhas. Eis que surge uma grande surpresa: embaixo delas, havia um ninho com uma pomba que escondia dois filhotes. “Eu os amei imediatamente”, narra a protagonista. A partir daí, a personagem passa a cuidar dos pequenos passarinhos – que tinham a cabeça grande demais para o corpo e nem sinal de pena. Ela os alimenta, mas um deles não resiste e morre. A protagonista continua então a cuidar de Tom, o pombinho que sobrou. É uma história que fala sobretudo de sentimentos: o ciúme ao ver seu pombinho crescer e interagir com uma passarinha, o medo de perdê-lo para a natureza, o desejo de que ele seja feliz e o amor. Acima de tudo, sempre o amor.

Na categoria infantil, os livros Da Guerra dos Mares e das Areias: fábula sobre as marés, do autor Pedro Veludo pela Editora Quatro Cantos, e Poemas que escolhi para crianças, de Ruth Rocha pela Editora Moderna, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Sobre a autora

Marina Colasanti nasceu em 1937 na Eritreia, um país situado no chifre da África, que na época ainda era uma colônia italiana. Passou sua infância na Líbia e, antes de vir ao Brasil, em 1948, morou 11 anos na Itália. Aqui, formou-se em Belas Artes, mas trabalhou como jornalista, escrevendo para jornais como Manchete e Jornal do Brasil. Como escritora e artista plástica, é ela quem ilustra a maior parte de suas obras.

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