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Estudantes usam jogos, brincadeiras e diversão para ensinar matemática

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‘Uma brincadeira pode envolver mais do que uma fórmula’, diz professora.

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Publicado em G1

Alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) promoveram uma atividade diferente no Parque Infantil de Araraquara neste sábado (12). Com jogos, brincadeiras e diversão, eles mostraram que é possível ensinar e aprender matemática sem traumas e a metodologia agradou o público.

O aposentado Ioscamar Tagliacozzi foi um dos visitantes do parque que entraram na brincadeira. Formado em estudos sociais, história, geografia e biologia, ele não tem boas lembranças da forma como aprendeu matemática no colégio.

“Era uma relação de medo porque talvez pelo próprio docente, por falta de experiência, de clareza didática, transformava a matemática em um bicho papão. Era giz, saliva e lousa, não tinha outros argumentos mais didáticos para que nos pudesse convencer da importância da matemática”, contou.

E a iniciativa apresentada na cidade propõe justamente a fuga desse padrão. “A nossa intenção é que as pessoas tenham um contato recreativo com a matemática e que isso possa despertar em algumas delas o interesse por essa disciplina”, explicou o professor Jurandir Lacerda, coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) na cidade.

A atividade é importante também para preparar os professores. “O projeto Pibid é um projeto de iniciação à docência que nos dá esse respaldo fora da universidade. A gente tem um convênio com as escolas, onde a gente vai aplicar atividades e aulas”, comentou Giancarla Bettoni, estudante do IFSP.

“É uma forma de a gente envolver um pouco mais porque, quando se trata de aula de matemática e de crianças, uma brincadeira pode envolver muito mais do que uma fórmula”, completou a professora Josemeire dos Santos.

“Se está meio complexo e você começa a não conseguir acertar, resolver, você desanima, mas, na hora em que você consegue os primeiros, vai empolgando e é maravilhoso”, garantiu Fátima Braga, supervisora do Pibid.

Aluno paraibano tira 600 na redação do Enem mesmo após brincadeira

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Espelho da redação do Enem já pode ser consultado (Foto: Reprodução/Francinaldo Guedes)

Espelho da redação do Enem já pode ser consultado (Foto: Reprodução/Francinaldo Guedes)

Francinaldo Guedes acredita que nota foi injusta com outros candidatos.
Estudante mencionou o aniversário dele na prova.

Publicado no G1

Ao acessar o espelho da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, o estudante paraibano Francinaldo Guedes Pereira, de 16 anos, descobriu que tirou 600 pontos na redação mesmo após ter escrito uma brincadeira sobre a data do aniversário dele. Para Francinaldo, a nota que lhe foi atribuída não foi justa com outros candidatos que se dedicaram mais que ele.

O G1 entrou em contato com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep), órgão do MEC responsável pelo Enem, mas foi informado de que qualquer questão sobre o Enem só será respondida em uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (14).

Na redação, o adolescente escreveu: “Esse tipo de propaganda no Brasil é permitido, são proibidos em alguns países porque a propaganda infantil é vista como atração de crianças a despertarem um querer pelo produto proposto. Que tem essa finalidade porque é meu niver”. O aniversário dele foi no mesmo dia da prova, 9 de novembro.

Francinaldo teve cada uma das cinco competências que são avaliadas no Enem pontuadas com a mesma nota: 120 pontos. A nota máxima em cada competência é 200 pontos (veja quais são elas mais abaixo).

O adolescente afirmou que a frase que ele incluiu na redação deveria ser motivo suficiente para que ela fosse anulada, uma vez que no edital do exame consta que a redação “que apresente parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto” será considerada nula.
Sendo passado despercebido esse meu erro, é quase certeza ter erros em todas as edições do exame”
Francinaldo Guedes Pereira, estudante

O adolescente disse que fez o Enem no ano passado apenas para testar os conhecimentos, porque está cursando o 3º ano do ensino médio apenas neste ano. O estudante acredita que vários outros erros em redações possam ter passado despercebidos pelos corretores. “Dentre milhões de redações há poucos corretores. Sendo passado despercebido esse meu erro, é quase certeza ter erros em todas as edições do exame”, disse o garoto.

Francinaldo, que mora no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, explicou que vai levar o Enem a sério em 2015 e não vai repetir a brincadeira. Ele ainda não tem certeza do curso que quer fazer, mas está pensando em tentar uma vaga para o curso de sistemas de informação ou para jornalismo.

Notas da redação
As competências avaliadas no Enem são:

1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema;
3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

App que ‘turbina’ memória com brincadeiras faz sucesso em escolas

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Durante a maior parte da sua juventude, Ed Cooke sempre esteve entre os dez melhores no ranking do Campeonato Mundial de Memória. Entre seus feitos, está memorizar 2.265 dígitos binários em meia hora e a ordem correta das cartas em 16 baralhos, em apenas uma hora.

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David Robson, na BBC

Mas, aos 26 anos, ele decidiu que queria ajudar pessoas a conseguir memorizar como ele.
“As técnicas de memorização requerem uma certa disciplina. Eu queria criar uma ferramenta que permitisse aprendê-las enquanto se relaxa”, diz.

Em 2010, ele lançou o site e app Memrise, que já foi usado por 1,4 milhão de pessoas para aprender línguas estrangeiras, história e ciência. A tecnologia deu origem a outros semelhantes, usados tanto por indivíduos quanto por escolas. Cooke conta que nem imaginava o tanto que poderia ser criado a partir de sua ideia.

“O app é muito poderoso, ele faz toda a parte difícil de se aprender”, conta Dominic Traynor, professor de espanhol em uma escola primária em Londres. “Eu diria que, com ele, conseguimos cobrir um ano letivo de aprendizagem em apenas seis meses.”

Princípios

O app foi criado por Cooke com seu colega dos tempos da Universidade de Oxford, o neurocientista Greg Detre, que hoje leciona em na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

O Memrise segue alguns princípios básicos. O primeiro deles é tentar associar um fato sem nenhuma relação ao que se quer memorizar. Se esses fatos tiverem algum elemento de comédia, eles são mais fáceis ainda de serem lembrados.

Por exemplo, ao aprender alemão, para se memorizar a palavra “Abend” (“noite”), um curso de línguas usava uma foto do ex-presidente americano Abraham Lincoln relaxando à noite, ouvindo música. A legenda da foto diz: “‘Abe’ sempre para de trabalhar à noite”. A charge cômica ajuda a remeter o apelido do ex-presidente (“Abe”) à palavra alemã “Abend”.

O que o app faz é programar esses testes várias vezes ao longo de dias, semanas e meses. Essa repetição no longo prazo é eficiente para ajudar a pessoa a memorizar. Testes repetidos também produziram resultados melhores do que métodos convencionais usados em livros – como o desenho de diagramas.

Outro princípio que o app explora é o de tentar fazer as pessoas se lembrarem de algo quando determinado assunto se encontra em um limbo entre o esquecido e o lembrado. Detre diz que é aquele momento em que uma resposta está “quase na ponta da língua”, mas o usuário não consegue se lembrar totalmente.

Nesses momentos, testar a memória das pessoas faz com que elas aprendam com maior eficiência. Os criadores do app conseguiram fazer um algoritmo que identifica este momento.

Diversão

Outro princípio importante é a diversão no processo de aprendizagem.

“A experiência precisa ser algo leve, como ficar navegando em algum site como o Pinterest”, diz o diretor de operações da Memrise, Ben Whately.

Para isso, foram criadas comunidades em que as pessoas podem “competir”, de forma amigável, para ver quem aprende mais.

Segundo o professor Traynor, foi esse elemento de competitividade que fez com que seus alunos se esforçassem mais para aprender espanhol.

“Assim que eles chegam na aula, eles querem ver o quadro de vencedores.”

O professor desenvolveu um método bom de usar o app em sala de aula. Ele separa seus alunos em dois grupos – metade fica usando o app nos iPads da escola; a outra metade tem aulas convencionais com ele. Depois de um tempo, os dois grupos alternam as tarefas.

O Memrise também foi usado em outras escolas para ajudar os alunos a aprender a soletrar. O próximo passo dos criadores do app é achar formas de medir o desempenho individual de cada aluno, para ajudar os professores a lidar com deficiências específicas de cada um.

Na esteira do sucesso do Memrise em vários colégios, outras empresas lançaram propostas semelhantes.
Um dos apps, o Cerego, foi lançado em setembro do ano passado e traz cursos específicos de memorização em assuntos como anatomia do cérebro, teoria musical e história da arte. A empresa diz que pessoas que usam o app tiveram desempenho de 20% a 50% superior em testes.

Os professores dizem que o princípio de diversão funciona bem, os alunos precisam trabalhar menos para aprender. Quem acaba precisando trabalhar são os próprios professores – já que os alunos começam a avançar muito rápido na matéria, e os tutores precisam preparar novas aulas.

Os livros mais amados pelos brasileiros – segundo o Facebook

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O Facebook decidiu analisar os dados de uma enquete para descobrir quais os livros mais amados por usuários no mundo todo. Agora, dividiu a lista por países

O menino que sobreviveu é favorito (Foto: Getty Images)

O menino que sobreviveu é favorito (Foto: Getty Images)

Publicado por Época

Por volta de setembro, surgiu no Facebook uma brincadeira inocente – os amigos pediam, uns aos outros, que listassem seus 10 livros favoritos. As instruções eram simples: a pessoa não devia pensar demais no assunto, apenas escrever de bate pronto os 10 títulos que, lidos ao longo da vida, tinham marcado mais sua experiência como leitor. Naquele mês, o grupo responsável pela análise de dados do Facebook decidiu analisar os dados dessa brincadeira e montou uma lista com os 10 livros mais amados no mundo. Ou, ao menos, os 10 livros mais amados por usuários do Facebook. Agora, com mais tempo de análise, eles decidiram quebrar esses dados por país.

O Facebook examinou dados de países que amealharam mais de 20 mil respostas à enquete. Foram eles Brasil, França, Itália,índia, México e Filipinas. Na maioria deles, “o menino que sobreviveu” ocupa a primeira posição: a série Harry Potter é desbancada apenas no México, onde os leitores preferem Cem dias de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Outros títulos que se repetem com insistência são O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e a Bíblia. A escolha pode, com certa segurança, ser relacionada com a idade das pessoas que participaram da brincadeira: a média brasileira foi de 28 anos. Nos outros países, girou em torno de 24. São internautas jovens, muitos dos quais cresceram lendo Harry Potter.

Na lista do Brasil, reproduzida a seguir, não há nenhum autor nacional. O único brasileiro citado é Paulo Coelho – seu livro mais famoso, O Alquimista, é um dos favoritos dos leitores…franceses. Os escritores na França são conhecidos por ter certa birra com relação a Coelho. Não devem ter gostado nada desse resultado. Coelho também desponta entre os favoritos da índia.

Os favoritos no Brasil, segundo o Facebook, são:

1 Harry Potter – J.K. Rowling
2 A Culpa é das Estrelas – John Green
3 O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
4 A menina que roubava livros – Markus Zusak
5 A Cabana – William P. Young
6 O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
7 Jogos Vorazes – Suzanne Collins
8 A Seleção – Kiera Cass
9 Coração de Tinta – Cornelia Funke
10 Bíblia –

A lista original, com os livros mais marcantes mundialmente, ficou assim:

1. A série Harry Potter – J.K.Rowling
2. O Sol é para Todos, Harper Lee
3. O Senhor do Anéia, J.R.R. Tolkien
4. O Hobbit, J.R.R. Tolkien
5. Orgulho e Preconceito, Jane Austen
6. A Bíblia
7. O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams
8. A trilogia Jogos Vorazes, Suzanne Collins
9. O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger
10. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald
11. 1984, George Orwell
12. Mulherzinhas, Louisa May Alcott
13. Jane Eyre, Charlotte Bronte (5.23 percent)
14. A dança da morte, Stephen King
15. E o vento levou, Margaret Mitchell
16. A Wrinkle in Time, Madeleine L’Engle
17. O conto da aia, Margaret Atwood
18. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, C.S. Lewis
19. O Alquimista, Paulo Coelho
20. Anne de Green Gables, L.M. Montgomery

a (falta de) TV e o “computador” do filho

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Natalie Catuogno Consani, no Mãederna

Faz 15 dias que estamos sem TV. Quer dizer, o aparelho continua firme e forte, funcionando (até onde eu sei), no mesmo lugar onde está desde que tiramos da caixa. A diferença é que, faz duas semanas, ele permanece desligado durante o dia todo, pelo menos até a hora do filho ir para a cama.

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A princípio, eu queria apenas diminuir o tempo de exposição do Enzo às telas. Observando o comportamento recente dele, havia percebido um aumento muito grande de interesse pelos programas televisivos e, na mesma proporção, a diminuição (ou perda completa) de interesse por atividades lúdicas quaisquer.

Sempre fui favorável a estimular uma infância com pouca TV porque sempre acreditei que TV distrai do que é importante. Ligar o aparelho muitas vezes é desligar-se, especialmente no caso das crianças, em que a relação delas com o mundo pode ser tão intensa e frutífera e que a criação e a descoberta ainda estão tão potentes (ainda não desaprenderam a inventar). Criança não bloqueia a criação nem a percepção racionalizando e tentando explicar/entender logicamente o mundo, como a gente faz. Criança primeiro sente, cria, primeiro ousa, experimenta. Depois apreende o sentido lógico, que é só uma das faces de qualquer coisa. A Ana Thomaz diz que as crianças têm os sentidos ainda muito abertos e usam muito mais do que a parte racional do cérebro (os famosos 5%) que os adultos usamos. Concordo.

Para os pequenos, um objeto é muito mais do que a função utilitária que ele tem. É também forma, cor, textura, cheiro, som, gosto e zilhões de possibilidades de percepção e aplicação. Ou, de outra forma, uma tampa de panela jamais viraria uma direção de carro, confere? E isso não é “só” brincadeira. Quem disse que alguém começa a aprender a dirigir quando senta no carro da autoescola? Para mim, criança começa a aprender tudo sobre tudo não apenas quando faz as perguntas racionais e lógicas aos adultos sobre o que é isso ou o que é aquilo, mas principalmente quando (e porque) se permite experimentar todas as coisas, observar, testar, imaginar, inventar e reinventar usos reais e imaginários e absorver das coisas tudo o que elas têm para dar, sem limites. Elas acham as próprias respostas antes de fazer as perguntas.

Só que esse percurso de criação e experimentação pode ser atrapalhado, entre outras coisas, por tecnologia e brinquedos prontos (ou “ultraprontos”, tipo a boneca que come, faz xixi e fala). Aliás, isso explica porque criança pequena não gosta muito de brinquedo, prefere embalagem. Para criar, é preciso algum vazio; alguma coisa por fazer, certo? E para mim fez muito sentido na prática, como disse, pela observação do meu filho. Quanto mais ele preenchia seu tempo com entretenimento, menos criava. Resolvi ampliar as possibilidades de criação dele pelo modo mais óbvio: diminuindo a distração.

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No primeiro dia em que fiz isso, recorri a um expediente muito conhecido entre as mães: a mentira. Não me orgulho, mas… menti descaradamente. Como de costume, ele começou a pedir para ligar a TV assim que acordou, antes mesmo do café. Desconversei. Não deu certo. Então apelei: “filho, sinto muito, mas a TV quebrou”. Esperto que só, não acreditou muito. Retrucou com um “a mamãe ti mosta que quebou“. Improvisei um teatro, dei uma disfarçada com o controle remoto e, bem na hora em que o desenho que ele pediu ia começar, desliguei. “Está vendo, filho, quebrou”. Se convenceu.

Tinha planejado ligar mais à tarde e deixá-lo ver o desenho que quisesse. Mas, para minha surpresa e admiração total (ou não, porque no fundo eu esperava que isso acontecesse), ele simplesmente esqueceu que a TV existia. E foi brincar. Brincou com guache, depois com os carimbos (lavou as almofadas de tinta dentro do copo de água, de modo que saiu toda a tintura e as ditas cujas foram pro lixo), desenhou com giz de cera e lápis de cor, tirou tudo para fora da caixa de brinquedos e voltou a usar muitos que fazia tempo nem ligava, encaixou e desencaixou inúmeras pecinhas, conversou com os bichos de pelúcia, pegou o edredom do meu quarto e fez uma cama para a Branca e para o Pimpão (a coelha e o urso, respectivamente, com quem ele dorme todos os dias), “telefonou” para um monte de gente, correu. Nem um minuto parado. Dormiu cedo, exausto.

Esperei para ver como seria no dia seguinte. Pediria ou não para ver “Charlie e Lola”? Não pediu. Tomou café e foi brincar de novo. Como ele não pedia para ligar a TV, eu simplesmente ia deixando desligada. E assim estamos. Ele não pede, eu não sugiro. Os personagens de que ele gostava, que antes eram parâmetros para todas as (poucas) brincadeiras, surgem esporadicamente nas fabulações dele, que agora são muito mais criativas e reveladoras do que ele realmente observa, pensa e sente. E isso tem sido um aprendizado para mim também, porque vejo nossa dinâmica refletida e consigo perceber, por exemplo, quando ele se chateou com alguma coisa ou quando ficou impressionado com algo que eu (ou as pessoas próximas) fiz (fizeram). Brincadeira (assim como a arte) também é comunicação.

Dia desses ele pegou meu edredom, colocou no sofá, “guardou” sob ele a Branca e o Pimpão, cobriu metade das pernas (sob um calor de 35º C) e me chamou. Sentei onde ele indicou (bem ao lado dele) e então começou a brincadeira: “Agola não é mais o Enzo, é a majetade. E eu estou levando a mamãe de tem pro paque“. Majestade é uma personagem de um livro que ele adora (e que nem temos em casa; a gente lia numa biblioteca pública). Trem é o veículo utilizado num dos episódios de que ele mais gosta do “Backyardigans”. E o parque é a praça onde vamos com ele com frequência nos finais de semana. Bem mais rica e imaginativa essa brincadeira do que simplesmente reproduzir falas do “Mr. Maker”… E isso é só um exemplo. Porque uma criança que brinca o dia inteiro sem parar (pausas esporádicas para me ajudar a lavar o tomate cereja e preparar o almoço ou arrumar a casa…) diz muito sobre o bom estado da sua criatividade, confere?

Mas eu soube mesmo que está dando certo e que estamos no bom caminho sem a TV anteontem. Da mesa da sala, onde trabalho às vezes, vi e ouvi o pequeno brincando (porque a gente trabalha em casa sempre com um olho no peixe e outro no gato, né?). E eis que Enzo pegou um livro fininho, mas de capa dura, colocou deitado em cima do móvel da TV e abriu a capa, levantando-a apoiando-a no aparelho. Começou a “digitar” no livro aberto como se fosse o notebook. Tirou uma das mãos do livro, levou ao ouvido, e então ficou um bom tempo “conversando” e fazendo “perguntas” sobre valejo (varejo, área que eu cubro como jornalista). Aí se despediu (“xau, xau, bigadu“), colocou o “telefone” de volta na mesa da TV, baixou a capa do livro e, satisfeito, disse para si mesmo: “Ponto, posso fechar o compodoi que eu já acabei minha entevita“.

(*) Mafalda veio daqui e (**) o Calvin eu achei nesse endereço ó.

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