Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged britânica

‘Mary Shelley’: O filme sobre a mulher que inventou Frankenstein

0

O filme 
mostra 
o convívio de Mary Shelley com grandes personagens da literatura inglesa, incluindo o grande poeta Lord Byron, aqui apresentado como uma figura desprezível

 

A realizadora saudita Haifaa al-Mansour conta a história da autora britânica de um dos mais célebres livros de terror da literatura. Mary Shelley, um grito feminista com ecos na atualidade, já se estreou nas salas de cinema

Manuel Halpern, no Visão

Haifaa al-Mansour tornou-se conhecida por ser a primeira mulher saudita a realizar um filme. A sua longa-metragem de ficção O Sonho de Wadjda, estreada em 2011, era uma impressionante fábula social, retrato íntimo sobre a condição feminina numa sociedade ultramachista e fundamentalista. O filme, naturalmente, não foi rodado nas ruas de Riade, mas revela uma proximidade íntima e cúmplice com esse misterioso e impenetrável mundo dentro de portas das mulheres sauditas. Haifaa deixou de ter condições para viver no seu país de origem e foi acolhida nos Estados Unidos da América, prosseguindo a carreira de cineasta.

O maior espanto, aqui, é a inflexão temática. Ao segundo passo, Haifaa abandona totalmente o ambiente saudita e faz uma adaptação livre da biografia de Mary Shelley, escritora inglesa da primeira metade do século XIX, celebrizada por ser a autora de Frankenstein, ou o Prometeu Moderno (1818). É uma mudança tremenda. Uma produção de época, com uma comparativa infinidade de meios, e um contexto temporal e espacialmente distante d’O Sonho de Wadjda.

O filme é competente e emocionalmente cativante, mas sem grande deslumbre. A opção por um estilo mais próximo do mainstream desilude todos aqueles que pediam a Haifaa novas histórias do seu mundo escondido. Contudo, não há dúvidas de que nesta viagem no espaço e no tempo há também uma reflexão feminista. Mary Shelley é uma libertária fora da época, que viveu de forma escandalosamente livre para o seu tempo e logrou impor-se enquanto escritora numa sociedade em que as artes e as letras estavam praticamente vedadas às mulheres. Haifaa, vítima e heroína dos nossos tempos, encontra uma referência e uma inspiração numa heroína da Inglaterra do século XIX. Há uma identificação. E apesar da abissal diferença de meios e ambiente, desvenda-se uma linha, ou pelo menos uma lógica, de continuidade no trabalho de uma realizadora tão local quanto universal.

‘Feminismo não é coisa do passado’, diz Paula Hawkins na Bienal

0
Escritora participou de bate papo com o público na XVIII Bienal do Livro - Analice Paron / Agência O Globo

Escritora participou de bate papo com o público na XVIII Bienal do Livro – Analice Paron / Agência O Globo

 

Autora de thrillers de sucesso, britânica falou sobre questões de gênero e violência

Publicado em O Globo

RIO — Em um encontro com leitores brasileiros na Bienal do Livro do Rio, na tarde deste sábado, a escritora britânica Paula Hawkins, nascida no Zimbábue, comentou os seus dois best-sellers, “A garota no trem” e “Em águas sombrias” (ambos publicados pela Record), e saudou a chegada de uma nova geração de autoras de thrillers, da qual ela faz parte e que seguem a trilha aberta por Agatha Christie. Nos seus romances, as protagonistas sofrem com episódios de violência e Paula afirmou que a luta feminista continua fundamental. A mediação foi da jornalista e escritora Frini Georgakopoulos.

— Eu sou feminista — disse a escritora, levantando a plateia que estava no Auditório Madureira, no Riocentro. —Mas eu não preciso sentar para escrever pensando sobre isso. As coisas em que eu acredito entram naturalmente nas minhas histórias.

Para Paula, a ficção é um terreno fértil para tratar dessas questões.

— Eu me interesso por questões de gênero e violência. Esse é um problema no Reino Unido. A violência doméstica não está piorando, mas também não está melhorando. É um problema que persisti por décadas. Toda semana mulheres são assassinadas por seus parceiros. Não acho que o feminismo seja algo do passado, há muita coisa a fazer. Na ficção, é possível entrar na cabeça de quem comete a violência, imaginar a vida dessa pessoa, de onde a violência vem.

A escritora falou também sobre a experiência de ter um romance seu, “A garota no trem”, adaptada para o cinema. Paula é fã de Alfred Hitchcock e de séries de crime, como as nórdicas “The Killing” e “The Bridge”, além, é claro, de “Game of Thrones — a autora pediu para a plateia não falar nada porque ela ainda não conseguiu assistir o final da última temporada. No caso da adaptação do seu romance, ela se surpreendeu ao ver os personagens ganharem vida.

— Foi incrível, extraordinário e muito estranho (risos). É muito estranho ver os personagens que você criou andando por aí. Eu não estava envolvida na produção, mas visitei o set, conheci os atores — lembrou Paula. — Ao contar uma história em imagens você muda essa história e a maneira como você se sente em relação aos personagens. É preciso aceitar isso. O livro é o livro, o filme é o filme.

Paula Hawkins disse que já está trabalhando num novo romance. Sem querer adiantar muita coisa, ela disse que os seus leitores podem esperar “muita morte e desespero, muitos personagens complicados, provavelmente mulheres complicadas”.

— Eu espero que não demore muito para terminar — disse a autora. — Sou ambiciosa, quero que os meus romances fiquem cada vez mais complexos, mais pesados. Estou trabalhando para isso.

Britânica que só consegue mexer os olhos termina faculdade de história

0
Dawn Faizey Webster e o computador que transforma o movimento dos olhos em texto. Reprodução/www.dailymail.co.uk

Dawn Faizey Webster e o computador que transforma o movimento dos olhos em texto. Reprodução/www.dailymail.co.uk

Publicado no UOL

A britânica Dawn Faizey Webster, 42, está se formando em história antiga pela Open University (Universidade Aberta, em tradução livre) após seis anos de curso — feito que já seria motivo de orgulho para sua família. Para realizar esse desejo, Dawn enfrentou sua precária condição física: ela consegue mexer apenas os músculos dos olhos.

Dawn sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 2003 e, como sequela, teve paralisia total de quase todos os músculos do corpo, exceto os dos olhos. Além de piscar os olhos, ela também consegue fazer pequenos movimentos com a cabeça – a condição é conhecida como síndrome do encarceramento.

Sem poder falar ou se mover, Dawn começou a fazer faculdade em 2008.

A graduação foi realizada com a ajuda de um laptop que transforma o movimento dos olhos de Dawn em texto. Com o equipamento, ela consegue escrever até 50 palavras por hora. Nesse ritmo, provas que demorariam cerca de três horas chegaram a durar três semanas.

Para escrever no laptop, ela empurra os botões fixados em ambos os lados da cabeça para mover o cursor na tela e pisca para registrar as letras. Segundo Dawn, o computador foi sua “tábua de salvação”.

Dawn contou ao tabloide britânico “Daily Mail” que ficou muito feliz e orgulhosa por ter conseguido o diploma e alcançado seu objetivo. “Quando eu tive meu acidente vascular cerebral, eu percebi que não seria capaz de fazer qualquer coisa física. Então, decidi usar a coisa que não tinha sido afetada, que foi o meu cérebro”, afirmou.

Além de sua graduação, a mulher também escreveu sua autobiografia e, agora, pretende fazer mestrado em história da arte.

Dawn teve o AVC duas semanas após o nascimento de seu filho, Alexander. Os problemas começaram ainda na gravidez, quando ela foi diagnosticada com pré-eclâmpsia, doença associada à hipertensão da gestante. Atualmente, Alexander tem 11 anos.

*Com informações do Daily Mail

Go to Top