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JK Rowling expande o universo de Harry Potter com quatro novas escolas de feitiçaria

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Publicado no Filmspot

Em novembro chega mais um filme com base nas personagens e no universo criado por JK Rowling. Antes da estreia de “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los” (Fantastic Beasts and Where to Find Them) a autora britânica decidiu brindar os fãs com uma revelação: no total existem onze grandes escolas de feitiçaria espalhadas pelo mundo.

Em “Harry Potter e o Calice de Fogo” foram apresentadas Durmstrang, do norte da europa, e a francesa Beauxbatons, numa competição contra a britânica Hogwarts. Agora, ficamos a conhecer mais quatro instituições localizadas no Brasil, Estados Unidos da América, Japão e África.

Aqui ficam as apresentações das novas escolas:

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Castelobruxo

É a escola brasileira, localizada nas profundezas da floresta tropical, num templo em ruínas que oculta um enorme edifício coberto de ouro, vigiado por espíritos peludos e imprevisíveis conhecidos por Caiporas.

Os estudantes usam vestes de cor verde e as suas especialidades são a Herbologia e a Magizoologia.

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Mahoutokoro

É a escola japonesa e de todas a que aceita uma menor quantidade de alunos. Fica no topo da ilha vulcânica de Minami Iwo Jima num palácio de jade.

As vestes que usam mudam de cor consoante o progresso na aprendizagem. Outras características importantes de Mahoutokoro incluem severas punições para quem seja apanhado a usar Magia Negra e o facto de incluir um dos mais exigentes terrenos para a prática do Quidditch, o desporto criado por Rowling e que aparece com frequência nos livros e filmes.

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Uagadou

A escola africana é uma das maiores e mais antigas. A sua localização precisa é desconhecida, sabe-se apenas que foi esculpida na encosta de uma montanha e que está permanentemente envolta em neblina, dando a impressão de flutuar.

São especialistas em astronomia, alquimia e transfiguração e os seus alunos chegam a desprezar o uso de varinhas, realizado feitiços apenas com gestos das mãos.

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Ilvermorny

Sabe-se apenas que é a escola norte-americana. Mais informações surgirão provavelmente em “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los”, passado em grande parte nos EUA.

Para um futuro próximo fica também a revelação do locais e nomes das restantes quatro escolas anunciadas no site Pottermore.

Hogwarts brasileira existe e está com matrículas abertas para sua 1ª turma

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Luiz Belloni, no Brasil Post

Qual amante da franquia Harry Potter nunca teve vontade de, ao menos por alguns instantes, estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts? Foi com este sonho que Vanessa Candida dos Santos Godoy, de 26 anos, decidiu criar a própria escola de magia e assim nasceu a EMB — Escola de Magia e Bruxaria do Brasil.

A escola ficará em um castelo na cidade de Campos de Jordão, no estado de São Paulo. Em outubro do ano passado, foi realizado um evento teste de apenas um dia que reuniu mais de 300 fãs da saga. Agora, Vanessa abriu inscrições para um curso de quatro dias, entre 24 e 27 de junho de 2016, em um castelo de verdade.

Como em Hogwarts, os alunos vão viver e ter aulas no castelo (um hotel com mais de 6 mil metros de área construída e a 1700 metros de altitude). Ao chegarem no castelo, os alunos serão divididos pelo “chapéu seletor” online entre a Casa das Águias, Casa dos Esquilos, Casa das Serpentes e Casa dos Tigres.

“Por quatro dias, uniformizados com as típicas capas da EMB, os alunos se matricularão e frequentarão as aulas que mais forem de seu interesse. Há temas apropriados para todos os tipos de bruxos!”, diz o site.

Os alunos deverão escolher oito dos 10 cursos oferecidos pela escola: Poções e Elixires, Cuidado dos Animais Mágicos, Adivinhação, Astromagia, Cultura Trouxa, Herbologia, História Mágica, Defesa Antitrevas, Feitiçaria, Voo (sim, tem uma disciplina que ensina a habilidade de voar). Eles receberão todo o material escolar para as aulas, que vão durar em torno de 40 minutos cada.

As aulas incluem recitar feitiços, jogar Quadribola (adaptação do jogo Quadribol), cuidar de “animais mágicos” e vivenciar “a rotina de uma escola de magia em um castelo de verdade.”

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a idealizadora do projeto, Vanessa, explica que toda a programação é inspirada na história de J.K. Rowling, mas com um toque brasileiro. “Fizemos algumas adaptações para o público, como a cerveja amanteigada. Aqui ela é gelada e é menos doce que a tradicional [vendida nos estúdios da Warner, em Londres]”, conta.

Outra novidade é a carteirinha de estudantes bruxos. “Já temos clube de vantagens e fechei parcerias com lojas que darão descontos aos alunos que apresentarem a carteirinha na hora da compra.”

Ela explica que a ideia surgiu depois de perceber que todas as feiras sobre a saga eram iguais. “Decidi criar um mundo paralelo, onde os fãs poderiam ter uma imersão completa e real do mundo da magia. O conteúdo dado em sala de aula é totalmente lúdico e voltado ao universo de Harry Potter”, acrescenta.

Vanessa disse que a escola não pretende ser apenas uma cópia de Hogwarts. “Lá, as pessoas encarnam mesmo os personagens, igual a um RPG [jogo em que consiste interpretar papéis em um determinado universo fictício]. O objetivo é criar a nossa própria fanfic [narrativa fictícia escrita e divulgada por fãs].”

Estudar na Hogwarts brasileira custa, ao todo, R$ 1.850. O valor inclui a programação completa (que pode ser conferida aqui) de 24 a 27 de junho, alimentação, Copo Mágico Refil (refrigerante e chá gelado à vontade), cobertura de seguro saúde no período, transporte e o Kit Aluno — apostilas, capa do uniforme, mapa do castelo da escola, carteirinha de estudante bruxo, medalha do torneio Taças das Casas e o diploma de conclusão do curso.

Veja abaixo fotos das instalações do castelo:

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(mais…)

Mãe evangélica reescreve Harry Potter, com medo de seus filhos virarem bruxos

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Duda Delmas Campos, no Literatortura

No presente momento de frenesi eleitoral e acirradas discussões políticas, muito se diz a respeito do conservadorismo religioso, que não só no Brasil, mas mundo afora, afeta as vidas de muitas pessoas, assim como se debate acerca da validade do fundamentalismo. E é nesse contexto que surge Grace-Ann, nos EUA. A texana, amedrontada ante a possibilidade de seus filhos tornarem-se bruxos ao lerem Harry Potter, decidiu reescrever a saga, retirando-lhe as partes mágicas. Pois é.

A nota que precede essa releitura de Harry Potter, que você pode conferir aqui, lê: “Olá, amigos! Meu nome é Grace Ann. Sou nova nessa coisa de fanfic; mas, recentemente, encontrei um problema para o qual acredito que essa seja a solução. Meus pequenos têm pedido para ler os livros de Harry Potter, e é claro que fico feliz que estejam lendo, mas não quero que se transformem em bruxos! Então pensei… por que não fazer algumas pequenas mudanças para que esses livros sejam familiares? E depois pensei, por que não compartilhar isso com todas as outras mães que estão enfrentando o mesmo problema?”

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Segundo a autora, a história de Harry Potter tem muito potencial, já que trata de amizade e coragem, mas, pela existência de bruxaria, seus filhos não podem ler, de forma a ter sido necessário que ela a reescrevesse mantendo toda a aventura e a “boa moral”, mas eliminando todas as coisas ruins, ou seja, a magia. Você pode estar perguntando-se: e como ela simplesmente retira a magia de um livro que é fundamentalmente sobre isso? Bom, então vamos a uma breve sinopse desse novo mundo.

Basicamente, o bom e obediente órfão Harry Potter mora com seus tios, evolucionistas que negam a existência divina, até que um dia é visitado por Hagrid, um pregador cristão que bate na casa dos Dursley para perguntar se eles querem ser salvos. Harry, puro e pleno de “santa energia”, aceita e parte para a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts, a fim de aprender a ser cristão. Lá é recebido pelo Reverendo Dumbledore e sua esposa, Minerva, pais de Hermione Granger. A menina lhe explica sobre Voldemort, um homem que deseja destruir tudo por que eles lutam, pressionando o Congresso a aprovar uma pauta que os impediria de expressar livremente sua religião.

Temos também Rony, um sonserino que deixa Harry bastante intrigado por estar rezando a uma estátua. O Rev. Dumbledore explica que, como tempos difíceis estão chegando, a escola é inclusiva em relação a todos aqueles que acreditam n’O Senhor, independentemente de como, de modo que as divisões do cristianismo funcionam como as Casas Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal. A esta última casa pertence Draco, que crê que mulheres são inferiores a homens, por isso não devem trabalhar, o que incomoda profundamente nosso herói Harry, para quem mulheres não devem ter uma carreira porque devem cuidar dos filhos. Já Luna pertence à Lufa-Lufa, pregando Mateus 7:1:“Não julgueis, para que não sejais julgados”.

Outra alteração é que Snape é o professor responsável pela Grifinória e defende que existem forças malignas que querem a derrocada dessa Casa, já que as outras ou estão conspirando com Voldemort, ainda que isso contrarie a 1ª Emenda Constitucional, ou simplesmente acreditam em tudo. E isso é o que temos até agora. Não há muita aventura ainda, contrariando o que a autora afirmou, mas quem sabe nos próximos capítulos? Talvez…?

Finda a nossa sinopse, é preciso constatar: claramente há alguns problemas aí. Pelo menos alguns. Dentre eles, os mais imediatos seriam: Dumbledore e McGonnagall, casados? E pais de Hermione? Rony, aluno da Sonserina? Pelas barbas de Merlin! Snape, professor da Grifinória??! Um pouquinho de verossimilhança com o mundo fictício, por favor! Já em termos de qualidade literária, a “obra” peca pela monotonia das cenas, sempre marcadas por discussões religiosas e pensamentos castos, corretos e puritanos do herói, tornando-a uma leitura bastante chata, principalmente se considerarmos o público alvo.

No entanto, a fanfic evidencia outros problemas muito mais graves, obviamente. Evidencia o quanto as artes ainda são censuradas e revisadas com intuito doutrinário. Evidencia como o fundamentalismo religioso não é restrito apenas a jihadistas do Oriente Médio. Evidencia como a intolerância religiosa é perigosa para a sociedade. E ratifica uma visão errada sobre a religião, perpetuando o equivocado estereótipo de instituição arcaica e ignorantemente extremista.

Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que Grace-Ann tem todo o direito de fazer isso. Ela não está falando em nome de um governo ou instituição laica, nem mesmo obrigando ninguém a ler. Mas isso não quer dizer que possamos tão somente ignorar iniciativas como as dela, pois, assim como cabe a apologia por ela feita, cabe também a crítica. Crítica porque ela se utiliza de um discurso falacioso segundo o qual religião e Teoria Evolutiva são excludentes; crítica porque ela confunde religião com misoginia e esvazia o papel da mulher na sociedade; crítica porque ela hierarquiza as religiões de acordo com a proximidade de Deus ao invés de colocá-las em patamar de igualdade; crítica porque ela crê que ficção e magia possam ser demoníacas e não sensibilizantes, libertadoras e enriquecedoras (imagine o que ela deve não fazer com contos de fada). Enfim, como todo projeto polêmico, a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts invariavelmente atrai críticas. E tanto a desaprovação quanto a defesa, você deve expressar nos comentários – vamos aquecer a discussão!

De todo modo, é muito interessante pensar que Harry Potter, de todos os livros, provoque reações desse tipo, já que a própria autora (cristã declarada, diga-se de passagem) frontalmente as ironizou em seu “Os Contos de Beedle, o Bardo”, nas notas de Dumbledore sobre a história “O Bruxo e o Caldeirão Saltitante”. Portanto, para fechar essa matéria, vou deixar aqui dois trechos para comparação: um de Grace-Ann e um de sua satírica e até profética equivalente fictícia, Beatrix Bloxam, que reescreve consagrados contos infantis do mundo mágico, tornando-os mais apropriados aos delicados ouvidos das crianças. A análise fica a critério do leitor.

“Então a panelinha dourada dançou de prazer – tim tirim tim! – batendo seus pezinhos rosados! Willyizinho tinha curado as barriguinhas dodóis de todas as bonequinhas, e a panelinha ficou tão feliz que se encheu de docinhos para Willyizinho e suas bonequinhas! ‘Mas não se esqueça de escovar seus dentinhos’ – gritou a panela.”.(Beatrix Bloxam)

“Hagrid irradiou de alegria. Havia rezado tanto para salvar uma alma aquele dia e estava tão feliz de ter salvado a alma de um pequeno tão sério e sensível. O pobre garoto, tendo sido criado por dois pais que não eram cristãos e que iam ambos trabalhar, deixando-o sozinho com a babá. Era uma coisa boa que Hagrid tivesse chegado lá em tempo. Cinco anos depois, Harry poderia ter se tornado um evolucionista fornicador e drogado!

(…)

‘Eu te perdoo, Tia Petunia, por causa de Lucas 23:34.’. Hagrid mais uma vez ficou espantado com a sabedoria dos pequenos. Ele não sabia se poderia perdoar alguém que o tivesse machucado tanto quanto aquela mulher havia machucado o pequeno Harry. Negá-lo a verdade? Quem seria tão cruel? Mas Harry nem pensou duas vezes. Perdoou-a simplesmente! Verdadeiramente, Hagrid ganhara um novo entendimento de Mateus 19:14 aquele dia.” (Grace-Ann)

Obs.: Este é um artigo de opinião, portanto, onde é opinativo é porque é opinativo mesmo, não possuindo qualquer caráter manipulador ou doutrinário. E também não possui a intenção de transformar nenhum leitor em bruxo contra sua vontade. 😉

Psicólogos descobrem surpreendente efeito de Harry Potter sobre os leitores

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Duda Delmas Campos, no Literatortura

Que o nosso Harry é o marco de uma geração, tanto para trouxas como para bruxos, já sabíamos. E que foi um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos também. Mas psicólogos descobriram que o poder e influência de Harry são muito, muito mais amplos e benéficos do que imaginávamos: três estudos recentes afirmam que Harry Potter é capaz de reduzir a intolerância de jovens para com grupos estigmatizados, como homossexuais, refugiados e imigrantes (além de nascidos trouxas, é claro).

Os estudos estão reunidos em um artigo no Jornal de Psicologia Social Aplicada e foram realizados na Itália e no Reino Unido. É importante conhecer sua localização para que nos situemos quanto a uma Europa onde, devido à crescente imigração e à crise política e econômica, movimentos xenófobos e uma extrema direita altamente conservadora têm-se erguido, ameaçando o frágil panorama sociopolítico do continente. E isso apenas aumenta a relevância d’O Menino-que-sobreviveu e seus quase mágicos efeitos sobre os leitores.

Um primeiro estudo, na Itália, submeteu 34 alunos de quinta série a um invejável curso de imersão de 6 semanas sobre Harry Potter. Os pesquisadores fizeram com que os estudantes preenchessem um questionário sobre imigrantes, para então dividi-los em dois grupos, que leram passagens selecionadas da saga. Um grupo discutiu preconceito e intolerância como temas dos livros, enquanto o outro, que era o grupo de controle, não. Ao fim, os primeiros mostraram “melhores atitudes em relação aos imigrantes”, mas apenas caso se identificassem com nosso Eleito, Harry.

Já a outra pesquisa italiana envolveu 117 alunos de Ensino Médio e obteve como resultado que a identificação emocional do leitor com Harry estava associada a uma percepção mais positiva sobre a comunidade LGBT. Finalmente, o estudo britânico, feito com alunos de universidades, não encontrou relações entre o vínculo do leitor com Harry e a visão acerca dos refugiados, mas concluiu que estudantes cuja identificação com Voldemort havia sido menor apresentaram “melhores atitudes em relação a refugiados”.

De uma maneira mais geral, os pesquisadores atribuíram à série a otimização da capacidade do leitor de assumir a perspectiva de grupos marginalizados, de observar a sociedade sob outra ótica que não a dominante. Além disso, afirmaram que, com o auxílio de professores, crianças pequenas conseguiram entender que o apoio de Harry aos “sangue-ruins” era uma alegoria à própria intolerância na vida real.

Obviamente, no entanto, a simples leitura dos livros pode não ser o único fator para explicar a melhora na percepção de minorias, afinal, estamos trabalhando com algo relativamente abstrato. Ainda assim, é inegável que somos e refletimos aquilo que lemos, ouvimos, vemos e sentimos e, nesse sentido, é inegável que sejamos modificados pelos estímulos que recebemos. Não só isso, mas em última instância as pesquisas acabaram comprovando aquilo que sempre foi o “carro-chefe promocional” dos livros e da arte em geral: eles transformam. Livros têm a capacidade de contemplar e transmitir sentidos e valores que aos poucos e espontaneamente se tornam intrínsecos ao seu alvo, sem todo o falso moralismo que outros veículos podem oferecer.

Todo o caso lembra muito uma citação do autor inglês G. K. Chesterton, usada até como epígrafe de “Coraline”, do também britânico, Neil Gaiman: “Contos de Fadas são mais que verdadeiros: não porque nos ensinam que dragões existem, mas porque nos ensinam que dragões podem ser combatidos.”. Nessa situação específica, deixe o Rabo Córneo Húngaro, o Verde Galês e o Meteoro Chinês para o Carlinhos (Charlie) Weasley e leia, no lugar deles, preconceitos, intolerâncias e estigmas, pois, como afirmou a própria J. K. Rowling, muito acuradamente: “Os livros de Potter são, em geral, um prolongado argumento pela tolerância e um prolongado pedido pelo fim do preconceito.”. Então que ergamos a nossa própria Fonte dos Três Irmãos Mágicos, em nome da igualdade de todos.

Ah, Harry, obrigada por salvar os mundos várias vezes.

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