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Posts tagged Buenos Aires

Argentina exibe manuscrito de Jorge Luis Borges encontrado no Brasil

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Jorge Luiz Borges em imagem de 1981 na Cidade do México (foto: Upi Sabetta/AFP)

Jorge Luiz Borges em imagem de 1981 na Cidade do México (foto: Upi Sabetta/AFP)

 

Originais do conto ‘A biblioteca de Babel’, do escritor argentino, podem ser vistos na Biblioteca Nacional, em Buenos Aires

Publicado no UAI

O manuscrito do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) usado para o famoso conto A biblioteca de Babel, encontrado no Brasil, começou a ser exibido em Buenos Aires, revelou o escritor Alberto Manguel, diretor da Biblioteca Nacional argentina.

“O documento estava em um ambiente lotado de papéis, quadros, fotos, mapas, cartas de rainhas e próceres como San Martín e Rivadavia. Me surpreendeu que, em uma pasta suja, tenha aparecido algo de tanto valor. Fiquei com a voz trêmula, foi uma emoção muito grande”, disse Manguel.

O original está escrito em letra minúscula. A obra pode ser observada na Biblioteca Nacional, que é dirigida há alguns meses por Manguel, um escritor que desenvolveu grande parte de sua carreira fora do país.

Borges foi autor de obras lidas e estudadas em todo o mundo como O Aleph. É considerado o maior escritor argentino da história e um dos grandes da literatura do século 20, mas não recebeu o Nobel.

Manguel trabalhava em uma livraria quando conheceu Borges e iniciaram uma amizade. O autor de História universal da infâmia, afetado pela cegueira, pediu a Manguel que lesse para ele em seu apartamento e isto aconteceu por quatro anos na década de 1960. Borges também foi diretor da Biblioteca Nacional.

Manguel levou o manuscrito para Buenos Aires como um empréstimo. Ele o encontrou quase ao acaso com um colecionador particular em São Paulo.

A biblioteca de Babel foi um dos contos incluídos no livro Ficções (1944), um dos pilares da obra borgeana. A ideia apresentada por Borges é a de um universo com uma biblioteca que contém todos os livros. É considerado uma metáfora sobre o infinito e foi objeto de estudos, inclusive do ponto de vista científico.

“É um autêntico tesouro. Estes papéis têm um valor material indiscutível e, por outro ladom um valor simbólico. Há poucos elementos que formam a simbologia universal e devemos a Borges um destes elementos: o conceito da biblioteca de Babel, que hoje podemos associar a Internet”, disse Manguel.

O valor material do manuscrito é avaliado em US$ 500mil.

Um teatro do século XIX convertido numa espetacular livraria em Buenos Aires

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Publicado no Idealista

O Ateneu Gran Splendid em Buenos Aires abriu em 1919 como teatro, mas em 2010 converteu-se numa livraria e loja de música de 2.000 m2 de superfície. Conserva os frescos do teto pintados pelo artista italiano Nazareno Orlandi e as cariátides esculpidas por Troiani Troiano.

O arquiteto argentino Francesco Manzone liderou a reconversão em 2012 deste espetacular edifício. Onde havia lugares de plateia colocou estantes cheias de livros e música. Muitos detalhes do antigo teatro foram conservados, tal e qual, como o auditório.

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Saiba quais são as melhores livrarias de Buenos Aires

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A El Ateneo Grand Splendid é considerada uma das livrarias mais belas do mundo

A El Ateneo Grand Splendid é considerada uma das livrarias mais belas do mundo

A capital portenha tem mais livrarias por habitante do que qualquer outro destino do mundo. Veja as melhores para incluir em um roteiro pela cidade

Publicado no Pure Viagem

Título original: Buenos Aires: as melhores livrarias da cidade

Além da fama de ser um excelente destino de compras, entretenimento e boa comida, Buenos Aires é notoriamente uma cidade cultural que reserva ao turista uma infinidade de atrações, como museus (são mas de 120), galerias de arte, teatros, cinemas e uma extensa programação de eventos e festivais ao longo do ano.

A capital da Argentina é também um paraiso para os amantes dos livros. A quantidade de livrarias espalhadas pela cidade reflete o hábito da leitura tão presente na vida dos portenhos. De acordo com um estudo da World Cities Culture Forum, Buenos Aires tem cerca de 25 livrarias para cada cem mil habitantes – o maior número de lojas literárias por pessoa do mundo. Em 2011, a Unesco concedeu à metrópole o título de “Capital Mundial do Livro”, em reconhecimento a sua vocação editorial.

O melhor é que muitos estabelecimentos que vendem livros têm cafés onde você pode passar um dia inteiro cercado por prateleiras e estantes, enquanto bebe um cappuccino e come medialunas. Para os caçadores de títulos raros, há aproximadamente cem livrarias na cidade com itens usados e de colecionadores, a maioria delas situada ao longo da Avenida Corrientes.

Conheça, a seguir, a nossa seleção com as melhores livrarias de Buenos Aires:

A Librería de Ávila ocupa o local da mais antiga livraria de Buenos Aires

A Librería de Ávila ocupa o local da mais antiga livraria de Buenos Aires

Librería de Ávila – Está no mesmo local onde funcionou a primeira livraria de Buenos Aires, a “Librería del Colégio”. Oferece uma boa variedade de livros antigos, desde história argentina e americana a temas antropológicos e folclóricos. (Endereço: Alsina, 500 – San Telmo)

Walrus Books – Pequena livraria especializada em livros usados escritos na língua inglesa. São mais de cinco mil títulos novos e usados, incluindo romances clássicos, guias de viagem de segunda mão e história latino-americana. O ambiente é sossegado, com boa trilha sonora e serviço cortês fornecido pelo proprietário Geoffry e sua esposa, Josefina. (Endereço: Estados Unidos, 617 – San Telmo)

Unindo literatura e café, a Libros del Pasaje é uma das livrarias mais charmosas de Palermo

Unindo literatura e café, a Libros del Pasaje é uma das livrarias mais charmosas de Palermo

Libros del Pasaje – A organizada e aconchegante livraria é ideal para dar uma pausa no roteiro e ler um bom livro enquanto toma um café. Há de tudo um pouco: gêneros eruditas, clássicos, guias de viagem, romances, poesia, literatura argetina e uma seção com títulos infantis. (Endereço: Thames, 1762 – Palermo Soho)

Eterna Cadencia – Livraria elegante com ambientes acolhedores. Os sofás na parte de trás da casa são excelentes para ler um livro e nem ver a hora passar. O loca oferece uma ampla gama de atividades culturais, como oficinas, apresentações, debates, exposições de arte e palestras com autores. No pátio interno (mais…)

Cidades brasileiras têm poucas livrarias e bibliotecas, diz estudo

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A livraria El Ateneo, em Buenos Aires, é considerada uma mais das bonitas no mundo Reprodução

A livraria El Ateneo, em Buenos Aires, é considerada uma mais das bonitas no mundo
Reprodução

Dados colhidos pelo Fórum Mundial de Cidades Culturais revelam que o Rio de Janeiro e São Paulo estão entre a piores cidades analisadas no quesito leitura e perdem feio para Buenos Aires

Publicado no Jornal do Commércio

Possivelmente o leitor já ouviu falar na lenda que diz que existem, só dentro da cidade de Buenos Aires, na Argentina, mais livrarias que no Brasil todo. Um relatório do Fórum Mundial de Cidades Culturais, composto por 27 cidades de todo o mundo, divulgou os seus dados sobre a presença de livrarias, cinemas, casas de show e bibliotecas, entre outros. Os números desmentem a famosa conta, apesar de mostrarem que as cidades brasileiras estão entre as piores estudadas pela pesquisa.

No documento, é divulgado que Buenos Aires possui 734 livrarias, um número altíssimo, mas inferior ao de 3,1 mil livrarias, usado oficialmente pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) para anunciar o número de lojas.

No entanto, segundo o documento, a capital argentina é a cidade número um do mundo – entre as 27 que divulgaram seus dados, incluindo Berlim, Nova York, Londres, Paris, Madri, Tóquio e Amsterdã, – no índice de livrarias a cada 100 mil habitantes, que mede essa quantidade proporcionalmente. São impressionantes 25 locais de vendas de livro para cada centena de milhares de portenhos. Para se ter uma ideia, as duas cidades brasileiras presentes no estudo, Rio de Janeiro e São Paulo, tem um índice de 5 e 3,5, respectivamente.

OUTROS DADOS
Segundo o relatório, São Paulo e Rio de Janeiro ainda contam, juntas, com 686 livrarias. O Fórum Mundial de Cidades Culturais ainda afirma que o país publica cerca de 57,6 mil títulos por ano, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro de 2009.

Um dado preocupante do relatório é o número de bibliotecas públicas para cada 100 mil habitantes no Rio de Janeiro e em São Paulo: só uma. Buenos Aires, mesmo com mais livrarias, ainda têm 3 bibliotecas para cem mil pessoas. O índice das metrópoles brasileiras só é maior que o de cidades como Istambul (Turquia), Bombaim (Índia) e Cingapura. A líder do mundo no quesito é a capital francesa, Paris, que tem 7 bibliotecas para cada centena de milhares de habitantes.

O Brasil também tem um número decepcionante de empréstimos de livros em suas bibliotecas públicas. Segundo a estimativa, cada morador do Rio de Janeiro pega 0,03 livros emprestados por ano; em São Paulo, o número é um pouco maior, com 0,07 obras emprestadas a cada pessoa. Só uma cidade da pesquisa tem um número menor: novamente Istambul, que empresta a cada um de seus habitantes 0,01 livros a cada 12 meses. Para se ter uma ideia, a líder no ranking, Toronto, tem uma média de 12,24 livros emprestados para cada morador.

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade; quadrinistas homenageiam

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A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

“Papa?”
“O papai está trabalhando, Guile”
“Po quê?”
“Porque gente grande precisa trabalhar”
“Po quê?”
“Porque senão não dá para comprar comida, nem roupa, nem nada”
“Po quê?”
“Porque o mundo está organizado assim, Guile”
“Po quê?”
“Um ano e meio, e já é candidato às bombas de gás lacrimogênio”.

Os desenhos que ilustram a história acima são até dispensáveis para mostrar como continua atual o universo que rodeia Mafalda, clássica personagem de Quino e que nesta segunda-feira (29) completa 50 anos. A garotinha de cabelos negros ornados por uma fita e rosto gorducho ficou conhecida por causa de suas contestações e inconformismo com o mundo que lhe serviu de palco durante 1964 e 1973.

Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. Na direção oposta, colocava Beatles no mais alto dos patamares.

“Mafalda é uma heroína ‘enraivecida’ que recusa o mundo tal qual ele é. (…) Já que nossos filhos vão se tornar –por escolha nossa– outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real”, cunhou o escritor Umberto Eco em “Mafalda ou A Recusa”, texto publicado em 1969 e que ajudou a torná-la famosa mundialmente.

Em sua cidade natal, Buenos Aires, Mafalda virou praça e estátua, uma das atrações preferidas de muitos turistas para as fotos. Mas ela representa muito mais que isso: apesar de ter vivido somente nos desenhos e tirinhas –e uma brevíssima incursão pelo desenho animado–, tornou-se uma referência de seu país, uma das dez figuras argentinas mais conhecidas em todo o mundo no século 20.

“Olhando em perspectiva, há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias. Esse fato direcionou a produção de tiras nos jornais argentinos a partir da década de 1970 e é sentido até hoje”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL, autor de “Bienvenidos – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos”.

"Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive", revela Laerte (Laerte/UOL)

“Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive”, revela Laerte (Laerte/UOL)

Um capricho no RG

Mafalda completa 50 anos neste 29 de setembro por capricho de seu criador. Na verdade, a menina surgiu em 1963 para uma campanha publicitária, mas Quino, então com 38 anos e já um dos principais desenhistas de humor do seu país, optou por considerar sua data de nascimento o dia em que ela estreou em uma tira independente, publicada no “Primeira Plana”, semanário importante da Argentina na época. O pedido do veículo era para que Quino tivesse uma colaboração regular com ênfase na sátira, e o sucesso veio rápido: em 1966, as tirinhas de Mafalda já eram veiculadas em diversos jornais da América Latina e a garotinha começava a despontar para o mundo.

Quino é o nome artístico de Joaquín Salvador Lavado, que nasceu em 1932 em Mendoza, no oeste da Argentina. Assim como sua personagem, ele veio de uma família de classe média. Começou a desenhar influenciado por um tio pintor e publicou sua primeira tira em 1954. Exilou-se em Milão, na Itália, em 1976 por conta da situação política de seu país, que se encontrava sob ditadura militar. Mais tarde, passou a viver entre Madrid –tornou-se cidadão espanhol em 1990– e Buenos Aires. Neste ano, ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias. O júri destacou o valor educacional e as características universais de sua obra.

Foi a universalidade que fez com que Mafalda extrapolasse a Argentina e virasse uma personalidade mundial. Até hoje faz bastante sucesso em países mais diversos, até mesmo do extremo oriente, como China e Japão. “É difícil precisar uma data de quando teria sido a primeira publicação de Mafalda fora da Argentina. No Brasil, ocorreu no comecinho da década de 1970. O eco se tornou maior quando chegou à Europa. O texto de Umberto Eco feito para a contracapa de ‘Toda Mafalda’, que reúne tiras da personagem, seguramente ajudou a dar o empurrão final. O escritor se referia a ela como ‘contestadora'”, registra Ramos.

Essa contestação se voltava a assuntos como a guerra no Vietnã, a situação econômica argentina e o futuro da humanidade. Pela postura, em 1977 Mafalda foi adotada pela Unicef (Fundos das Nações Unidas para a Infância) para ilustrar e comentar a Declaração dos Direitos da Criança. Por causa de suas ideias fortes, certa vez o escritor Julio Cortázar declarou: “O que eu penso da Mafalda não importa. O importante é o que a Mafalda pensa de mim”.

Apesar de todo posicionamento crítico, ela conseguiu escapar da censura de seu país em uma época que os militares procuravam calar qualquer voz que destoasse das posições oficiais da nação. Quino acredita que isso possa ter acontecido porque as tiras eram percebidas como algo menor, um mero entretenimento –algo evidentemente equivocado.

“Cresci com ela e, cada vez que a lia, entendia de novas formas. Sinto que ela também foi crescendo comigo. São quadrinhos reflexivos e com altos voos poéticos. Mafalda representa a todas as pessoas que sonham com um mundo melhor”, diz Gervasio Troche, quadrinista que nasceu na Argentina, mas se tornou cidadão uruguaio.

"O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar", afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

“O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar”, afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

Colegas de Mafalda e Quino

O sucesso de Mafalda é dividido também com seus colegas de tiras, personagens que em muitas ocasiões foram fundamentais para que a inteligência da garota se destacasse. Depois do pai, que adora cultivar plantas, e da mãe, dona de casa vista como medíocre, o primeiro a aparecer, no começo de 1965, foi Felipe, um rapaz magro, de dentes projetados e personalidade bastante introspectiva.

Aos poucos foram surgindo outros, como Manolito, um gorducho que coloca o dinheiro acima de todas as coisas; Susanita, garota de rosto alongado e marcada pela futilidade; e Miguelito, um menino mais novo que costuma levar tudo ao pé da letra; além de Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda. “Admiro como Quino refletiu a sociedade nas diferentes personalidades de seus personagens”, diz Troche.

O sucesso das tiras fez também com que toda obra de Quino fosse observada com atenção. O próprio Troche conta que foi graças à garotinha que conheceu os outros trabalhos de autor. “O livro que mais influenciou a minha carreira foi ‘Gente En Su Sitio’. Eu era um adolescente e buscava uma forma de me expressar com desenhos. Quando o li, senti uma emoção gigante e encontrei o que gostaria de fazer”.

Quem segue linha semelhante é o quadrinista brasileiro André Dahmer. “Assim como [Robert] Crumb e [Charles] Schulz, Quino é uma escola dentro dos quadrinhos e da arte gráfica. Mafalda é icônica, brilhante e exata. Acho o trabalho de cartum do Quino mais importante e interessante, mas fica aqui o registro da invenção de um clássico”.

A declaração de Allan Sieber, outro quadrinista nacional, vai ao encontro à de Dahmer. “Na verdade, fui mais influenciado pelos cartuns do Quino do que pelas tiras. E reza a lenda que ele acabou com a Mafalda porque o Jaguar falou que era uma m…”.

"Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove - frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! - e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre", diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

“Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove – frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! – e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre”, diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

Aposentadoria precoce

Ao longo de sua história, Mafalda passou por algumas publicações argentinas, mas em meados de 1973 seu criador decidiu que era hora de encerrar as tirinhas com a personagem. Dizia estar cansado de fazer sempre a mesma coisa, que encontrava dificuldades em não se tornar repetitivo. Apesar de desenhá-la novamente em uma situação específica ou outra, colocava ali um ponto final nas tramas da garota e seus colegas. Mas Mafalda continuou sendo lida e muito bem quista pelas décadas e gerações seguintes.

Em recente entrevista à agência de notícias EFE, Quino disse ser “como um carpinteiro que fabrica um móvel, e Mafalda é um móvel que fez sucesso, lindo, mas para mim continua sendo um móvel, e faço isto por amor à madeira em que trabalho”.

Por mais que tente transformar a garotinha em um mero objeto, o cartunista jamais conseguiu desvincular seu nome do de sua criatura. “Não sei dizer se, na época, ele tinha dimensão do ícone que iria ser criado a partir de então. Assim como Che Guevara, Evita Perón, Carlos Gardel, Mafalda foi inserida no rol de personagens míticos da cultura argentina, que saíram de cena no auge de suas diferentes atuações. Mafalda é uma filha que Quino carrega até hoje”, diz Ramos. “É uma dessas obras que atravessaram o tempo. Cada artista reflete a sua época, mas há obras que perduram porque foram feitas para transcender”, completa Troche.

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