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Fernandinho Beira-Mar quer lançar site para vender livros da cadeia

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Foto: Luiz Roberto Lima/ Estadão Conteúdo

Publicado no Diario de Pernambuco

Preso em regime de segurança máxima, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tem planos de lançar um novo empreendimento. Desde o ano passado, está em tratativas para colocar no ar um site em que pretende divulgar sua história de vida, vender livros de sua autoria e souvenirs como camisetas, canecas e bonés sob a marca FBM.

O site seria administrado, em parte, a partir da cela que Beira-Mar ocupa na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Segundo sua advogada, Paloma Gurgel, agentes penitenciários revisam todo o material enviado ao preso, como textos e propostas de desenho das páginas. A demora na troca de correspondências seria, inclusive, motivo de demora na aprovação dos materiais.

A iniciativa foi revelada pelo site UOL e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo com o jornalista e escritor Renato Homem, contratado para o gerenciamento de conteúdo do site. Ele diz que não há data para o lançamento, mas a expectativa é que esteja no ar até o fim deste ano.

“Vou escrever aquilo que ele, Fernando (Beira-Mar), deseja ver no site dele”, resume o escritor, que trabalhou como ghost writer no livro O Direito Penal do Inimigo, do traficante Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. A aproximação com Beira-Mar teria ocorrido logo depois do lançamento, em outubro de 2017.

Homem pretende fazer um trabalho semelhante com o conteúdo do site e com dois livros que Beira-Mar pretende lançar. O primeiro é fruto da monografia que o traficante escreveu para a conclusão de curso em Teologia, feito à distância enquanto cumpria pena. A segunda obra é uma autobiografia. Nenhum dos livros tem título definitivo.

Somadas, as penas de Beira-Mar chegam a 317 anos de prisão. Entre outras condenações, ele foi sentenciado em 2015 a 120 anos por liderar uma guerra de facções dentro do presídio Bangu I, na qual quatro rivais foram assassinados, em 2002. Ele está fora do Rio desde 2006, e desde então passou por três unidades de segurança máxima do sistema penitenciário federal: Catanduvas (PR), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).

Em maio de 2017, ele foi transferido para o Rio Grande do Norte após a deflagração da Operação Epístolas, que através de investigações apontou que, mesmo do presídio, Beira-Mar ainda comandaria negócios que chegaram a movimentar R$ 9 milhões nos últimos anos. A ação da PF prendeu dez de seus parentes.

‘Projeto literário-social’

Beira-Mar chama a iniciativa do site de “projeto literário-social”, segundo Homem. O plano é encomendar o fornecimento das camisetas e bonés em parceria com uma ONG no Rio de Janeiro que trata dependentes químicos, que ficariam responsáveis pela confecção dos materiais. Uma exigência seria que os materias sejam reciclados. A reportagem questinou o nome da ONG, mas o escritor não soube informar.

O foco do site seria a divulgação de textos de Beira-Mar sobre sua trajetória no crime, com perguntas e respostas, apesar de haver previsão da venda de artigos pela internet.

“Ele pretende, nesse site, responder às perguntas que as pessoas têm curiosidade, do tipo, ‘Qual foi o primeiro carro que você roubou? Você já participou de assalto a banco? Como foi sua convivência com os guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia?'”, conta Homem. Beira-Mar foi preso em 2001 na Colômbia após se refugiar com o grupo guerrilheiro. “Ele garantiu que não vai ter apologia (ao crime nos textos).”

O professor Claudio Langroiva, que ensina Direito Constitucional na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), diz que não conhece e merece análise da Justiça. Ele diz que, a princípio, a abertura do site não representa apologia ao crime, mas mesmo assim viola princípios da legislação penal.

“Acredito que isso desvirtua o princípio da medida educadora e punitiva previsto no cumprimento de pena”, diz Langroiva. “Enquanto a pessoa está institucionalizada, está presa, os seus direitos estão sob a tutela do Estado.”

Questionado sobre o monitoramento dos materiais do site enviados ao preso e sobre a legalidade dos planos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública não respondeu até a publicação deste texto.

Nem da Rocinha diminuiu um ano de sua pena lendo livros e fazendo cursos na cadeia

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Antônio Bonfim Lopes em novembro de 2011, quando foi preso Foto: Felipe Dana / AP

Antônio Bonfim Lopes em novembro de 2011, quando foi preso Foto: Felipe Dana / AP

Carolina Heringer e Rafael Soares, no Extra

No dia 11 de março de 2013, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, começou a ler “A Cabana”. Dentro da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o traficante conheceu a história de Mack Allen Phillips, pai que perdeu a filha de seis anos, raptada num acampamento de fim de semana. A leitura das 272 páginas do best-seller escrito pelo canadense William P. Young durou 21 dias e valeu a Nem a diminuição de quatro dias de sua pena — que acumula nove condenações e 96 anos de prisão.

Uma decisão do último dia 27 de junho, assinada pelo juiz federal Nelson Liu Pitanga, de Rondônia, onde Nem está preso atualmente, revela que o traficante já diminuiu 319 dias de sua pena com leituras e cursos desde que foi preso, em novembro de 2011. Segundo o documento, obtido pelo EXTRA, Nem leu dez livros, participou de 35 atividades e concluiu o Ensino Fundamental, após ser aprovado no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos.

Para cada livro lido, a Justiça diminui quatro dias da pena. O chefão do tráfico na Rocinha — que teve novo mandado de prisão decretado pela Justiça na última quinta-feira por ter ordenado, de dentro da penitenciária de segurança máxima, a invasão da favela no domingo passado — tem predileção por obras de autoajuda. Já leu “O Vendedor de Sonhos” e “Nunca Desista dos Seus Sonhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury. Num dos trechos do segundo livro, lido por Nem em junho de 2013, o autor aconselha: “Precisamos perseguir nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem que ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar”.

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Na biblioteca de Nem, também há espaço para os clássicos, como “O Apanhador no Campo de Centeio”, do americano J. D. Salinger, lido entre fevereiro e março de 2014.

Detento já sabe cuidar de idosos e cruzar gado

No presídio, Nem já aprendeu a cuidar de idosos, a manipular plantas medicinais e a contar histórias infantis. Também teve aulas de técnicas de memorização e de produção e processamento de pimenta do reino. Ao todo, o traficante já diminuiu 186 dias da pena só com atividades de estudo. Para cada doze horas de aulas, um dia da punição é descontado pela Justiça.

O traficante tem particular interesse na área agropecuária. Já cursou as aulas “Criação de ovinos de corte”, “Como aumentar a rentabilidade da pecuária de corte” e “Maturação, marinação, condimentação e preparação de filés”.

O curso mais longo de que participou foi “Pecuária de corte”, com 400 horas. Também aprendeu a cruzar diferentes raças de gado, como Red Angus e Nelore e Limousin e Belore. A maioria desses cursos, feitos à distância, foi paga pelo próprio Nem e oferecida pela Universidade Online de Viçosa.

Danubia de Souza Rangel, mulher de Nem Foto: Reprodução

Danubia de Souza Rangel, mulher de Nem Foto: Reprodução

Defesa tenta livrar Danúbia

Há um ano e meio, Danúbia de Souza Rangel, mulher de Nem, é considerada foragida. Em março do ano passado, ela recebeu pena de 28 anos de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa. A “xerife” da Rocinha foi condenada uma semana depois de ter sido solta após absolvição em outro processo.

A defesa de Danúbia tenta reverter a condenação na Justiça. De acordo com o advogado Marcelo Cruz, o processo está “contaminado por nulidades”. A ação é resultado de inquérito da Polícia Federal que investigou Marcelo das Dores, o Menor P.

— Um dos pontos que estamos levantando na apelação criminal é que houve descumprimento do disposto na Lei de Interceptação Telefônica. A investigação era sobre uma comunidade (Maré) e deveria ter sido solicitada outra interceptação para investigar a Rocinha — explica o advogado.

Ex-detento cursa Direito após 33 anos preso: e diz ‘Educação realmente muda o homem’

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Publicado no Amo Direito

O ex-detento João dos Santos Ferreira tem 68 anos, mas parte da sua vida – 33 anos – passou dentro de uma penitenciária. Mas a condenação a mais de 30 anos de prisão por furto, roubo e tráfico não foi motivo para ele desistir de estudar.

O ex-presidiário, que mora em São José do Rio Preto (SP), afirma que achou no lixo da cadeia um livro, e esse encontro mudou a sua vida. Ele se forma este ano no curso de direito.

João trocou as grades das penitenciárias pela faculdade. Aos 63 anos, passou no vestibular para direito e hoje está no último ano. “Quero trabalhar na Defensoria Pública e defender alguém como eu, porque o estado não quer ou precisa só punir, quer também recuperar o cidadão”, afirma João.

O ex-detento fez os ensinos fundamental e médio dentro da cadeia e depois prestou Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conseguindo realizar o sonho de sentar em uma cadeira da universidade. “Quero ser útil para a comunidade. Gosto de fazer o bem para as pessoas mais incultas”, diz, agora, o estudante.

O livro é o maior símbolo de mudança para João. Foi por causa de um livro que achou no lixo que ele decidiu buscar outro caminho. Agora os livros tomam conta da casa. “Ao entrar em uma cela para cumprir 30 anos eu pensei que precisava levar o livro para ser meu companheiro. Somente a educaçao muda um ser humano e o mundo. Com ignorância você não arruma nada”, afirma.

Apertado, mas vale a pena
Após sair da cadeia, João vive hoje com um salário mínimo e usa quase a metade para pagar a faculdade. Ele tem desconto de 50% no Fies, mas ainda assim não sobra dinheiro para comprar livros, por exemplo. “Passo apertado, mas vale a pena. É gostosa a dinâmica da aula, se eu ficar sem ir eu fico doente”, diz.

João continua a jornada em casa onde estuda por mais seis horas. Uma curiosidade do imóvel é que o ex-presidiário deixa tudo pendurado, um costume que tinha na cela da cadeia. Fora da prisão, ele manteve esse hábito, mas tudo o que tem no armário é motivo de orgulho.

O certificado de conclusão do ensino médio, que ele conseguiu mesmo preso, também está pendurado no armário da cozinha, junto com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que ele prestou, além das últimas provas da faculdade, todas com excelentes notas.

‘Educação é tesouro que levei da cadeia’, diz inocentado

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 Com a ajuda de um carcereiro que o emprestou livros, Yarris usou educação como terapia contra agressividade Foto: BBCBrasil.com

Com a ajuda de um carcereiro que o emprestou livros, Yarris usou educação como terapia contra agressividade
Foto: BBCBrasil.com

 

Apesar de ter sido preso por um crime que não cometeu, Nick Yarris viaja o mundo compartilhando sua experiência

Publicado no Terra

Nick Yarris tinha 20 anos quando foi condenado à morte nos Estados Unidos por um crime que não cometeu. Ele passou 23 anos em confinamento solitário e afirma que foi torturado.

Sua vida tornou-se um sofrimento tão grande que chegou a pedir que fosse executado, mesmo sabendo que era inocente.

Há 11 anos ele foi libertado graças a avanços na técnica de identificação por DNA – e, agora, diz sentir-se agradecido pela experiência que teve na prisão.

Longe de ter ressentimentos, Yarris viaja pelo mundo falando sobre como a passagem pelo sistema carcerário o ajudou a ser uma pessoa melhor.

O americano, cujo caso é relatado no documentário Fear of 13 (“Medo do 13”, em tradução livre), falou com o programa Newshour , da BBC.

Ele contou como passou os primeiros anos de sua pena preso numa cela de isolamento, sem poder falar. “Eu não sabia o que era raiva até então. Batia minha cabeça na parede de raiva e frustração”, disse à BBC.

Foi só por causa da amabilidade e da compaixão de um carcereiro que me deu alguns livros e me ajudou a ler que mudei tudo e parei de ser amargo ao longo dos anos.”
Terapia de palavras

Yarris afirma que a educação a que teve acesso na prisão mudou sua vida. Ele era um homem de muito poucos recursos quando entrou na prisão em 1981, acusado de violentar e matar uma jovem no Estado de Pensilvânia.

Ele foi preso pela polícia ao dirigir um carro roubado sob o efeito de anfetaminas.

Em uma tentativa de escapar da prisão, disse aos policiais que sabia quem tinha matado a jovem, de cuja morte ele ficou sabendo pelos jornais.

Mas a estratégia deu errado quando as autoridades descartaram o suposto o homem apontado por Harris como suspeito e o acusaram. “(Quando recebi a sentença) era o aniversário de 50 anos da minha mãe, e o juiz não conseguia me olhar nos olhos, porque ia me condenar.”

“Isso me deixou com muita raiva. Eu queria que ele me respeitasse. E cometi o erro de mandá-lo ir para o inferno quando ele proferiu a sentença. Os guardas foram brutais comigo”, relembra.

Segundo Yarris, sua falta de conhecimento na época limitou suas possibilidades de provar a própria inocência. “Eu tinha um jeito de falar horrível e zombavam de mim. Foi muito difícil me defender sem poder falar bem”. relembra.

Por isso, ele acabou usando o tempo na prisão para melhorar sua educação, seu vocabulário e seu domínio da língua – enquanto pensava em uma maneira de sair de lá.

O nome do documentário, “Medo do 13”, faz referência à palavra triscaidecafobia – medo irracional do número 13 –, uma das palavras que Yarris aprendeu em seu projeto de educar a si mesmo.
10 mil livros

“A estrutura que construí através do 10 mil livros ou mais que li nos 23 anos que passei em confinamento solitário se tornaram a base de uma fundação que é indestrutível para mim”, diz o ex-condenado, hoje com 53 anos.

Da prisão ele também levou outro aprendizado, que diz considerar ainda mais valioso. “O tesouro que eu levei de lá não foi ouro, mas sim o belíssimo conhecimento que adquiri sobre mim mesmo e uma educação maravilhosa. Nesses meus 11 anos de liberdade, consegui mais do que jamais sonhei”, afirma, emocionado.

Desde que deixou a prisão, ele dá palestras contando sua história, para “deixar uma mensagem para os mais jovens sobre como a educação pode empoderar alguém”.

E também pede que as pessoas escrevam cartas para prisioneiros no corredor da morte.

Ele escreveu dois livros de memórias e vive na Inglaterra com sua esposa, que conheceu enquanto estava na prisão.

Mas Yarris também reconhece que a experiência negativa que viveu o marcou para sempre. “Ainda vivo com 11 ossos quebrados que não se curaram totalmente, dois discos quebrados no pescoço, meu rosto foi destroçado e me falta parte do olho esquerdo. Vivo em agonia física todos os dias da minha vida.”

“Não há leis que possam compensar o que fizeram comigo, mas não serei uma vítima disso, porque isso desconsidera as minhas ações.”

Ex-detento cursa direito após 33 anos preso: ‘Educação muda o homem’

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Incentivo foi depois que João Ferreira achou livro na cadeia de Rio Preto.
Ex-presidiário vive com salário mínimo e usa metade para pagar faculdade.

joao

Publicado no G1

João dos Santos Ferreira tem 68 anos, mas parte da sua vida – 33 anos – passou dentro de uma penitenciária. Mas a condenação a mais de 30 anos de prisão por furto, roubo e tráfico não foi motivo para ele desistir de estudar.

O ex-presidiário, que mora em São José do Rio Preto (SP), afirma que achou no lixo da cadeia um livro, e esse encontro mudou a sua vida. Ele se forma este ano no curso de direito.

João trocou as grades das penitenciárias pela faculdade. Aos 63 anos, passou no vestibular para direito e hoje está no último ano. “Quero trabalhar na Defensoria Pública e defender alguém como eu, porque o estado não quer ou precisa só punir, quer também recuperar o cidadão”, afirma João.

O ex-detento fez os ensinos fundamental e médio dentro da cadeia e depois prestou Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conseguindo realizar o sonho de sentar em uma cadeira da universidade. “Quero ser útil para a comunidade. Gosto de fazer o bem para as pessoas mais incultas”, diz, agora, o estudante.

O livro é o maior símbolo de mudança para João. Foi por causa de um livro que achou no lixo que ele decidiu buscar outro caminho. Agora os livros tomam conta da casa. “Ao entrar em uma cela para cumprir 30 anos eu pensei que precisava levar o livro para ser meu companheiro. Somente a educaçao muda um ser humano e o mundo. Com ignorância você não arruma nada”, afirma.

Apertado, mas vale a pena
Após sair da cadeia, João vive hoje com um salário mínimo e usa quase a metade para pagar a faculdade. Ele tem desconto de 50% no Fies, mas ainda assim não sobra dinheiro para comprar livros, por exemplo. “Passo apertado, mas vale a pena. É gostosa a dinâmica da aula, se eu ficar sem ir eu fico doente”, diz.

João continua a jornada em casa onde estuda por mais seis horas. Uma curiosidade do imóvel é que o ex-presidiário deixa tudo pendurado, um costume que tinha na cela da cadeia. Fora da prisão, ele manteve esse hábito, mas tudo o que tem no armário é motivo de orgulho.

O certificado de conclusão do ensino médio, que ele conseguiu mesmo preso, também está pendurado no armário da cozinha, junto com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que ele prestou, além das últimas provas da faculdade, todas com excelentes notas.

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