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‘Por que não escrever?’, diz menina que fez livro autêntico aos 6 anos

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Escritora mirim lê o próprio livro com os pais em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

Escritora mirim lê o próprio livro com os pais em Campinas (Foto: Clara Rios/G1)

 

Estudante teve apreciação da obra como autêntica pela Biblioteca Nacional.
Livro surgiu em projeto de férias da escola e foi exposto em vernissage.

Publicado no G1

Enquanto algumas crianças sonham com uma bola de futebol, uma boneca ou uma bicicleta de presente, Bruna Hellmeister, de Campinas (SP), brilha os olhos ao ver um livro. A garota de 8 anos tem uma biblioteca particular no quarto e já teve a oportunidade de escrever a própria obra, quando tinha apenas 6 anos.

“Eu sempre gostei de ler e escrever e aí eu pensei: Ué, por que não escrever um livro? Eu peguei meu tablet e aí meu pai estava junto. Aí eu falava e ele escrevia”, conta a menina, que tem o hábito de ler até cinco livros por semana, segundo o pai.

Assim nasceu a história de um gatinho que sofre maus tratos, foge e monta uma banda para conseguir comida. “O Gatinho Branco” foi lançado em novembro deste ano e teve a apreciação da Biblioteca Nacional como obra autêntica.

Ideia como projeto de férias
“A ideia surgiu quando a escola que eu estudo deu a ideia de, nas férias, fazer um cartão postal ou alguma coisa que lembrasse as férias”, conta Bruna.

Durante as férias escolares de 2013, a história ganhou corpo enquanto a garota observava um gato branco que ficava próximo à reforma feita na sua casa.

“A gente deu o apelido de ‘Inquilino’ pra ele, porque ele vivia na obra”, conta a menina, que entregou a primeira versão da obra em papel sulfite para a professora Mariana Milanez, na escola.

A professora, por sua vez, confirmou o interesse da aluna pelo mundo letrado, mas não imaginava que as férias pudessem ter sido tão produtivas.

“Ela sempre foi uma aluna muito envolvida com escrita e leitura. [Mas] foi muito impactante para mim uma aluna com essa idade escrever dessa maneira. (…) Eu fiquei muito admirada”, diz.

Avaliação da Biblioteca Nacional
Apesar do orgulho pelo feito da filha, a família ficou preocupada em relação à autenticidade da história, que falava de animais músicos assim como o clássico “Músicos de Bremen”, dos Irmãos Grimm, que a menina já havia lido. Neste conto, um burro, um cão, um gato e um galo, também maltratados pelos donos, decidiram abandoná-los e partir para Bremen, cidade alemã onde vivenciam momentos de liberdade.

“Por orientação de uma colega, nós mandamos o texto e a Biblioteca Nacional reconheceu como sendo uma obra autêntica e ela [Bruna] como sendo a autora a partir de agora (…). A gente fica babando”, conta orgulhoso o pai Celso Hellmeister.

Busca por ilustrador
Após a avaliação da obra, em julho de 2014, eles começaram a busca por uma pessoa que ilustrasse a história. Os pais conheciam um adolescente que tinha habilidades para desenhar e resolveram perguntar se ele faria as ilustrações.

“Ela gostou do rascunho de cara. Ele trouxe o rascunho de início e ela falou: ‘Era exatamente isso que eu tinha na cabeça para ser o gatinho’ (…) Nós achamos interessante, considerando que eram duas cabeças muito próximas pensando juntas”, conta a mãe, Caroline Batista.

Bruna ao lado do presidente do CCLA e do ilustrador do livro, em Campinas (Foto: Marcia Prado)

Bruna ao lado do presidente do CCLA e do ilustrador do livro, em Campinas (Foto: Marcia Prado)

Sucesso
A elaboração dos desenhos durou cerca de (mais…)

De ‘House’ a Portinari: grupo propõe guia para elevar empatia na medicina

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Docente da Unicamp promove práticas para combater cinismo no curso.
Produção será publicada pela Associação Brasileira de Educação Médica.

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Publicado no G1

O arquétipo sisudo e frio tornou-se alvo do professor Marco Antonio de Carvalho Filho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Enquanto mostra o sofrimento na obra de Cândido Portinari e ironiza contradições do protagonista da série de TV “House”, ele não teme tornar-se vidraça dos colegas de jaleco. Para incentivar futuros médicos a desenvolverem empatia, capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, o carioca decidiu aplicar uma série de práticas atreladas à arte e psicologia para que sentimentos nobres não sejam trocados por cinismo no curso. Um guia sobre o assunto deve ser publicado pela Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM).

“Este envolvimento emocional me ajuda a tomar as melhores decisões com os pacientes. Muitos médicos criticam, mas, acho que se você tiver consciência dos sentimentos, eles podem ajudar durante a aplicação técnica”, defende o médico, de 40 anos, que atua no setor de terapia intensiva do Hospital de Clínicas. Ele conta que novas metodologias começaram a ser inseridas na Faculdade de Ciências Médicas há seis anos, para tentar aprimorar a comunicação dos estudantes na relação médico-paciente. “O formato clássico não estava sendo eficiente. Ao fim do curso, o aluno não tinha competências que a gente gostaria.”

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Cinismo e sucesso

Carvalho Filho pondera que o afastamento é um mecanismo de defesa adotado pelos futuros médicos em virtude do pouco desenvolvimento da bagagem social e afetiva, ainda que a vida estudantil tenha sido intensa do ponto de vista cognitivo. “Ele teve poucas chances de refletir sobre questões mais dramáticas da vida como perda, fracasso, solidão e desespero. Se você somar isso a um curso médio que hoje quase não tem filosofia, a experiência também não é muita rica”, afirma ao mencionar que as faculdades também não oferecem espaço adequado para o tema.

Em linguagem que o aproxima dos alunos, o professor esmiúça a memória para trazer à tona o dissabor emblemático no curso. Ele lembra que superou a primeira experiência de morte no segundo ano da graduação e, à época, não houve apoio. “Quando terminou o plantão, peguei um ônibus para casa, desci numa praça e comecei a chorar. Ninguém virou para mim e perguntou ‘O que você sentiu?’. Então há uma fantasia que, para conseguir lidar com isso, é preciso se afastar. Talvez o segredo seja aprender a sentir isso, é o que a gente mais defende”, detalha o especialista.

Dinâmica social
Segundo o médico, o comportamento também é influenciado pela dinâmica social em que o aluno vive, incluindo o uso de novas tecnologias no trabalho, e considera que há necessidade de reflexões sobre o sucesso profissional. “Você passa por uma quantidade de frustrações e desafios emocionais muito grandes […] A gente se aproximou da doença e se afastou do paciente”, resume antes de mostrar, durante apresentação ao G1, uma foto do contraditório personagem Gregory House com fita adesiva sobre a boca. “Ele é cínico, se permite ser mau, é cheio de problemas emocionais e não consegue ter uma relação afetiva. Ele passa as três primeiras partes do episódio errando, depois acerta. Por que ele atrai tanta gente?”.

Outro ponto mencionado por Carvalho Filho, ao ponderar sobre o comportamento da classe, é a falta de grandes debates sobre a cultura do imediatismo. “A gente passa pelas coisas e não reflete. É preciso coerência entre o que propomos e fazemos.”

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Música e pintura
O docente explica que diversas atividades culturais foram integradas ao curso de medicina. Entre os recursos de destaque estão as apresentações de pinturas aos alunos do segundo ano, incluindo obras como “El Coloso” (Goya), “Une Scène de Déluge” (Joseph-Desiré Court) e “Udslidt” (Hans Andersen Brendekilde) para identificação de sentimentos e emoções. Além disso, também são reproduzidas músicas como “Sinal Fechado” (Paulinho da Viola) e “Tocando em Frente” (Renato Teixeira) durante debates sobre como ajudar o paciente a manter felicidade ou voltar a senti-la, apesar do novo contexto.

“A experiência tem mostrado que não é o tempo absoluto que conta para ocorrer uma boa consulta, mas como você vive esse tempo”, ressaltou Carvalho Filho. No primeiro ano, para discutir a impotência e fantasias de poder que o médico possui diante da doença e morte, os estudantes entrevistam pacientes e realizam narrações reflexivas, disponíveis ao grupo.

Quase de verdade
Outra atividade incorporada ao curso de medicina foi o contato de estudantes do quarto e sexto ano com pacientes simulados por atores profissionais. A experiência embasou pesquisa acadêmica do médico Marcelo Schweller orientada por Carvalho Filho, e o impacto verificado nos participantes foi de aumento da empatia, segundo escala internacional.

“O aluno que está em formação leva com ele muito dos professores e médicos que ele acompanha. O problema é que estes profissionais já fizeram uma reflexão, sabem que o problema da sobrecarga está em parte no sistema, mas às vezes não explicam isso ao aluno. Não tem problema se emocionar com o paciente. Talvez daqui dez anos de carreira, o médico preferira se afastar, mas o problema é decidir isso antes de começar a trabalhar”, falou Schweller sobre a importância do modelo médico enquanto influência aos estudantes.

Um dos atores que integram o projeto, Adilson Ledubino, de 35 anos, disse que o trabalho inédito na carreira serviu para desmistificar preconceitos sobre os médicos e tornou-se um grande laboratório para as artes cênicas. O ponto de partida nas simulações, segundo ele, é o relato sobre o quadro clínico do “paciente”, além de informações sobre questões sociais e culturais para calibrar a atuação no placo.

“São compartilhadas experiências muito pessoais. Há um acordo de ambiente realmente seguro. Às vezes, um grupo inteiro chora junto, é muito impactante.”

Estudos
Além de Marco Antonio Carvalho Filho e Marcelo Schweller, também participaram do estudo “Metodologias Ativas para o Ensino de Empatia na Graduação em Medicina – Uma Experiência da Unicamp” os médicos Jamiro Wanderley, Márcia Strazzacappa, Flavio Cesar Sá e Eloisa Helena Rubello Celeri.

Já a pesquisa acadêmica orientada por Carvalho Filho e realizada por Schweller, publicada em 2014, pode ser consultada na revista Academic Medicine.

Rubem Alves deixa legado de mestre acadêmico e catálogo com mais de 160 obras

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Nascido em Boa Esperança, no Sul de Minas, Rubem Alves dedicou-se à carreira acadêmica com o mesmo afinco com que conduzia a trajetória literária, que rendeu mais de 160 títulos

Nascido em Boa Esperança, no Sul de Minas, Rubem Alves dedicou-se à carreira acadêmica com o mesmo afinco com que conduzia a trajetória literária, que rendeu mais de 160 títulos

Morto aos 80 anos, mineiro radicado em Campinas dedicava-se a projeto social

Fernanda Machado, no Portal UAI
Mineiro de Boa Esperança, sul do estado, Rubem Alves soube encantar o mundo com suas histórias infantis, além de dar enorme contribuição para o cenário acadêmico e educacional com publicações as áreas de teologia, psicanálise, sociologia, filosofia e educação. O escritor faleceu neste sábado, 19, em decorrência de complicações renais, deixando um currículo invejável e mais de 160 títulos publicados e distribuídos em 12 países. O teólogo deixa também três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel.

Rubem Alves nasceu em 15 de setembro de 1933. Aos 12 anos, se mudou com os pais para o Rio de Janeiro, onde acabou sofrendo preconceito de seus amigos de escola por conta de seu sotaque arregado. Para compensar o isolamento provocado pela mudança, acabou encontrando na religião m alento e, posteriormente, a profissão que escolheria seguir.

Formou-se Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, e em seguida Mestre na mesma disciplina pelo Union Theological Seminary, em Nova York. Considerado subversivo pela Igreja Presbiteriana, foi perseguido na época da ditadura militar, se mudando para os EUA. Lá, tornou-se Doutor em Filosofia, pelo Princeton Theological Seminary.

Como professor, lecionou no no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras, Minas Gerais, no Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e na Universidade Estadual de Campinas, onde recebeu o título de Professor emérito. Ainda na UNICAMP, foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.

Entre as publicações de destaque do escritor estão as obras ‘Da esperança – Teologia da esperança humana’, que é marco do nascimento da Teologia da Libertação, e ‘Variações sobre a vida e a morte’, em que o autor trata de construir uma teologia poética, preocupada com o corpo, com a vida em sua dimensão real.

Além de teses, dissertações e monografias, Alves também conseguiu êxito na publicação de crônicas, ensaios e contos, e especialmente na literatura infantil, contabilizando quase trinta títulos do gênero, como ‘A menina, a gaiola e a bicicleta’ e ‘A boneca de pano’.

Após sua aposentadoria, o escritor investiu na construção de um restaurante na cidade de Campinas, para colocar em prática sua paixão pela gastronomia. No local ainda eram ministrados cursos de cinema, pintura e literatura. A cidade paulista acabou se tornando a segunda casa do mineiro, que ocupou uma cadeira na Academia Campinense de Letras e foi condecorado com o título de cidadão-honorário do município, onde também recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

O teólogo também criou ao lado de sua família o Instituto Rubem Alves, associação aberta, sem fins lucrativos e de interesse publico que surgiu com o objetivo de ser um marco na educação, através do desenvolvimento de programas inovadores e alternativos. Um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto é o Clube do Saber, que visa manter vivo o patrimônio intelectual e cultural do autor, além de aproximar o público das obras de Rubem Alves através da exposição permanente de seu acervo. Saiba mais no site oficial do projeto.

Escritor e educador Rubem Alves morre em Campinas aos 80 anos

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Ele estava internado desde 10 de julho e teve falência múltipla de órgãos.
Mineiro, educador era um dos intelectuais mais respeitados do Brasil.

Publicado no G1

 

Escritor Rubem Alves morre aos 80 anos em Campinas (SP) (Foto: Instituto Rubem Alves)

Escritor Rubem Alves morre aos 80 anos em
Campinas (SP) (Foto: Instituto Rubem Alves)

O escritor Rubem Alves, de 80 anos, morreu no fim da manhã deste sábado (19) em decorrência de falência múltipla de órgãos, segundo o Centro Médico de Campinas (SP). O educador deu entrada no hospital com quadro de insuficiência respiratória devido a uma pneumonia e estava internado desde o dia 10 de julho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O óbito ocorreu às 11h50. O corpo do escritor será velado a partir das 19h na Câmara Municipal de Campinas.

Na manhã deste sábado, o hospital havia enviado um boletim médico para informar que o paciente teve um agravamento da condição circulatória, e que caminhava para a falência múltipla de órgãos. Nos dias anteriores, Alves havia apresentado piora nas funções renais e pulmonar.

Velório
O corpo do escritor será velado na Câmara de Vereadores de Campinas. Inicialmente, a previsão era que a cerimônia iniciasse às 18h, mas, segundo Marcos Nooper Alves, filho do educador, houve atraso na liberação do corpo.

“Sempre foi um pai maravilhoso, sempre esteve ao lado da família, foi preocupado com os filhos, com os netos. O legado que ele deixa é o legado da simplicidade. Ter mostrado que com as coisas simples, com o vento, as árvores, a gente pode ser muito feliz”, disse o filho, de 52 anos.
saiba mais

 

Intelectual respeitado
Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933 em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, e morava em Campinas há décadas. Um dos intelectuais mais respeitados do Brasil, Alves publicou diversos textos em jornais e revistas do país e atuou como cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico, autor de livros infantis e até psicanalista, de acordo com sua página oficial na internet.

Rubem Alves (Foto: Instituto Rubem Alves)

Rubem Alves (Foto: Instituto Rubem Alves)

Educado em família protestante, estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul. Tornou-se pastor de uma comunidade presbiteriana no interior de Minas e casou com Lídia Nopper, com quem teve três filhos, Sérgio, Marcos e Raquel. O autor afirmava que descobriu que podia escrever para crianças ao inventar histórias para a filha.

Em 1963, viajou para Nova York para fazer uma pós-graduação. Retornou à paróquia em Lavras (MG), no período da ditadura militar, e foi listado entre pastores procurados pelos militares. Saiu com a família do Brasil e foi estudar em Princeton, também nos Estados Unidos, onde escreveu a tese de doutorado, que foi publicada em 1969 por uma editora católica com o título de ‘A Theology of Human Hope’ (Teologia da Esperança Humana).

Retornou ao Brasil em 1968 e demitiu-se da Igreja Presbiteriana. No ano seguinte foi indicado para uma vaga de professor de filosofia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro (Fafi), atual Unesp, onde permaneceu até 1974.

No mesmo ano ingressou no Instituto de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde fez a maior parte da sua carreira acadêmica até se aposentar no início da década de 1990. Em 1984 iniciou o curso para formação em psicanálise e teve uma clínica até 2004.

Escritor
O escritor dizia que com a literatura e a poesia começou a realizar seu sonho fracassado de ser músico. Citava como referências Nietzsche, T. S. Eliot, Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho, Angelus Silésius, Guimarães Rosa, Saramago, Tao Te Ching, o livro de Eclesiastes, Bachelard, Octávio Paz, Borges, Barthes, Michael Ende, Fernando Pessoa, Adélia Prado e Manoel de Barros.

Entre as obras infantis dele estão “A volta do pássaro encantado” e “A pipa e a flor”. Alves escreveu também sobre teologia, filosofia, educação, além de crônicas. É autor de “Tempus fugit”, “O quarto do mistério”, “A alegria de ensinar”, “Por uma educação romântica” e “Filosofia da ciência”, e diversos outros. Em 2009 ficou em 2º lugar do Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas, com o livro “Ostra Feliz Não Faz Pérola”.

Educador
Sobre a paixão pela educação, escreveu: “Educar não é ensinar matemática, física, química, geografia, português. Essas coisas podem ser aprendidas nos livros e nos computadores. Dispensam a presença do educador. Educar é outra coisa. […] A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. […] Quem vê bem nunca fica entediado com a vida. O educador aponta e sorri – e contempla os olhos do discípulo. Quando seus olhos sorriem, ele se sente feliz. Estão vendo a mesma coisa. Quando digo que minha paixão é a educação estou dizendo que desejo ter a alegria de ver os olhos dos meus discípulos, especialmente os olhos das crianças”.

Rubem Alves mantinha instituto em Campinas (Foto: Instituto Rubem Alves)

Rubem Alves mantinha instituto em Campinas
(Foto: Instituto Rubem Alves)

Em entrevista à Globo News em agosto de 2012, Rubem Alves defendeu que a educação no Brasil deveria passar por mudanças. “Na educação a coisa mais deletéria na relação do professor com o aluno é dar a resposta. Ele tem que provocar a curiosidade e a pesquisa”, disse.

A prova do vestibular também foi alvo de críticas à época. “Se os reitores das universidades fizessem o vestibular, seriam reprovados, assim como os professores de cursinho. Então, por que os adolescentes têm que passar?”, indagou.

Morte e religião
Em um texto biográfico no site oficial, o educador escreveu trechos sobre a morte. “Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos.”

Nota na íntegra do hospital
O intensivista e cardiologista do Hospital Centro Médico de Campinas, Roberto Munimis, acaba de informar a rápida evolução no quadro do paciente Rubem Alves, que veio a óbito por falência múltipla orgânica, às 11h50 do dia 19 de julho de 2014. Rubem Alves deu entrada no Centro Médico de Campinas no dia 10 de julho de 2014 e desde então está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por apresentar insuficiência respiratória devido a uma pneumonia.

Com infecção pulmonar, escritor Rubem Alves tem piora na função renal

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O escritor Rubem Alves

O escritor Rubem Alves

Publicado por UOL

Internado há sete dias para tratar de uma pneumonia, o escritor Rubem Alves teve uma piora progressiva da função renal causada pela infecção pulmonar. A informação foi confirmada pelo cardiologista do Hospital Centro Médico de Campinas, Roberto Munimis, em boletim médico divulgado nesta quinta-feira (17).

Considerado um dos maiores pensadores contemporâneos da educação no Brasil, Alves está internado desde o dia 10 de julho na UTI do Centro Médico de Campinas, devido a uma insuficiência respiratória causada por uma pneumonia. O escritor, psicanalista, teólogo e educador de 80 anos continua respirando com aparelhos, sob sedação, e alimenta-se por sonda.

“Acreditamos na força do amor, da beleza, das orações e boas vibrações”, dizia uma mensagem publicada no perfil do Instituto Rubem Alves no Facebook. “Vamos emanar nossas melhores energias e pensamentos para ele”.

A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
Rubem Alves, leia mais frases e pensamentos do escritor no Pensador

Veja a íntegra do boletim médico desta quinta-feira:

“Segundo o intensivista e cardiologista do Hospital Centro Médico de Campinas, Roberto Munimis, o paciente Rubem Alves está estável em nível da infecção pulmonar, entretanto apresenta piora progressiva da função renal, causada pela própria infecção. Rubem Alves deu entrada no Centro Médico de Campinas no dia 10 de julho de 2014 e desde então está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por apresentar insuficiência respiratória devido a uma pneumonia”.

Biografia

Nascido em 15 de setembro de 1933 na cidade mineira de Dores da Boa Esperança, e autor de uma bibliografia de mais de 120 títulos, Rubem Alves é conhecido por sua grande contribuição à educação e por seus livros infantis.

Quando jovem estudou no seminário Presbiteriano do Sul, um dos mais conhecidos da América Latina, e tornou-se pastor de uma comunidade no interior de Minas Gerais. Acusado de subversivo pelo governo militar por pregar melhores condições de vida através da religião, e ficou exilado até 1968 nos Estados Unidos.

Em 1969 ingressou na Faculdade de Filosofia de Rio Claro, onde lecionou até 1974, quando foi para a Filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde fez a maior parte da sua carreira acadêmica até se aposentar nos primórdios da década de 1990. Fez um curso para formação em psicanálise nos anos 1980 e manteve sua clínica até 2004.

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