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Morador de rua passa dia em biblioteca lendo e anotando, para matar dor do tempo

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Carlos passa o dia lendo livros sobre o espiritismo e escrevendo frases que jura ouvir durante a noite. (Foto: Thailla Torres)

Carlos passa o dia lendo livros sobre o espiritismo e escrevendo frases que jura ouvir durante a noite. (Foto: Thailla Torres)

 

Thailla Torres, no Campo Grande News

Antes do sol aparecer, Carlos Augusto Durval dos Santos, de 56 anos, já está pronto para mais um dia na rua. Dobra o papelão junto com o cobertor que usa para dormir e esconde em um cantinho da cidade. Em busca de alguns trocados, pede dinheiro na rua, toma um café e segue para as escadas que dão acesso à Biblioteca Pública Estadual, na Avenida Fernando Corrêa da Costa.

O lugar parece improvável para quem não tem mais uma casa ou referência familiar, mas assim como Carlos, outros moradores de rua encontraram nos livros a fuga da solidão, do abandono e de outras válvulas de escape, como as drogas. Se para muito hoje em dia a biblioteca é algo obsoleto, para eles é o melhor jeito de ver o tempo passar.

Há 3 anos, Carlos descobriu nos livros um mundo diferente das recaídas que há tempos ele não dava conta de superar. “Tinha problema com a bebida sabe… Na rua, a gente começa andar com outras pessoas e acaba se afundando. Mas eu nunca usei droga, só a bebida mesmo, cai nessa perdição”, lamenta.

No caderno, Carlos anota alguns trechos dos livros e frases que diz que escuta durante a noite. (Foto: Thailla Torres)

No caderno, Carlos anota alguns trechos dos livros e frases que diz que escuta durante a noite. (Foto: Thailla Torres)

 

Mas logo ele abre um sorriso e faz questão de mostrar os cadernos que compra com os trocados da rua. Entre as linhas, estão as anotações de alguns livros e frases que surgem na cabeça durante a noite. Os blocos de anotações são feitos com volantes que ele pega na lotérica. Servem para guardar os trechos das leituras.

“Não gosto muito de ficção, prefiro os livros espiritas, deixo 4 aqui na minha mesa. Mas já li a biografia da Elis Regina e da cantora Maísa”, conta mostrando o amontado de livros na mesa que ele faz questão de sentar todos os dias na biblioteca.

Além das obras de Allan Kardec e as biografias, o dicionário é livro indispensável. O clássico Aurélio é como um acessório para Carlos. “Eu uso ele todo dia, tem algumas palavras nos livros que eu não entendo, aí eu devoro o dicionário. Aí, se tem alguma palavra que eu acho interessante, eu anoto aqui no caderno”, explica.

Ele passa cerca de 8 horas dentro da biblioteca todos os dias. Só para na hora do almoço. A comida ele ganha de uma marmitaria próxima, as vezes até o funcionário do prédio divide o alimento com ele. “Café da manhã para mim não pode faltar, eu sempre faço uns R$ 9 cuidando carro, de manhã eu tenho que comer 2 pães com mortadela”, comenta.

Sem mencionar o motivo, ele conta apenas que saiu de casa em 1990, depois de chegar do Rio de Janeiro. Em Mato Grosso do Sul, chegou a trabalhar em fazendas, mas depois de perder o emprego, foi a bebida que o consumiu totalmente.

“Hoje frequento o AA (Alcoólicos Anônimos) e fico na biblioteca, tenho a cabeça no lugar, carrego aqui essa vivências e tô muito melhor. Tenho educação, não tenho passagem pela polícia e por isso eu fico aqui, tô nem aí…”, reflete se referindo as pessoas que as pessoas ficam incomodadas com a presença deles por ali.

Na mesa, deixa tudo que ele precisa para passar o dia na biblioteca. (Foto: Thailla Torres)

Na mesa, deixa tudo que ele precisa para passar o dia na biblioteca. (Foto: Thailla Torres)

 

Até para quem admite não gostar de ler, o lugar é como um refúgio. Receoso com a proximidade, o morador de rua Thiago Ferreira Guimarães, de 36 anos, larga o mouse do computador e pede para não ser fotografado assim que percebe a nossa equipe. Após alguns minutos de conversa, finalmente ele topa dar entrevista.

Thiago é outro que pouco fala de onde veio. Não gosta de ser chamado de morador de rua, mas afirma que dorme pelas calçadas todos os dias. Longe de casa, não se reconhece mais em família. “Eu nunca tive família, sei que tive uma mulher velha que se diz minha tutora, mas eu sai de lá faz tempo e fiquei desempregado”, conta.

Na biblioteca, os livros não chamam atenção. Ele aproveita o dia para entrar na internet, assistir disputa de games pelo Youtube, ler o jornal e passar o tempo. Entre uma informação e outra, se confunde com a própria história. Cita os problemas na política e divaga sobre o que família viveu no tempo da guerra fria.

Por fim, admite que ali é onde encontra o apoio que ele não vê nas ruas há muito tempo. “Eu venho pra ficar sem dor, a dor do tempo sabe? É pra aliviar o tempo, eu tinha outro ritmo, usava drogas e hoje não uso nem bebida, é um jeito de não ficar vagando pela rua, sozinho…”, justifica.

Rejeição – Desde que eles começaram a frequentar a biblioteca, a permanência dos moradores de rua se tornou uma batalha diante da rejeição de outros frequentadores. Quem resiste firme é a bibiotecária Eleuzina Crisanto de Lima, de 41 anos. “As pessoas se incomodaram com a presença deles, pelo fato de não tomarem banho. Mas eu pensei que isso não podia ser motivo para impedir eles de estarem aqui e muito menos das pessoas se sentirem incomodadas”, conta.

Por isso a servidora arregaçou as mangas em busca de apoio para quem vivia na rua. “Pensei comigo: eu não posso perder os meninos, aí eu conversei com eles, expliquei que bastava tomar um banho e entrar limpinho que o problema seria resolvido. Conseguimos parceria com um centro de triagem que oferece assistência social, eles tomam banho, as vezes trocam de roupa quando ela já está bem suja, procuramos fazer documentos para alguns. Tudo para não perder eles, porque isso daqui é pra todo mundo”, justifica.

Eleuzina acredita no efeito positivo que os livros e o ambiente proporcionam. “Eles vivem em uma situação tão difícil e posso ver que isso aqui é um suporte de apoio. Por isso, enquanto a gente estiver aqui, vamos bater o pé para que eles continuem frequentando. Porque é uma biblioteca pública e ela deve ser para todos”, reforça.

Em Campo Grande há duas bibliotecas públicas que são abertas à população, também com empréstimo de livros. A Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaías Paim fica na Avenida Fernando Correa da Costa, 559, Centro. A Biblioteca Pública Municipal Anna Luiza Prado Bastos fica no Horto Florestal. As duas funcionam de segunda à sexta, das 7h às 17h.

Escola muda festa junina para “festa da colheita” por alunos evangélicos

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Insituto Educap de Campo Grande (MS) substituiu a festa junina pela festa da colheita para incluir alunos evangélicos

Insituto Educap de Campo Grande (MS) substituiu a festa junina pela festa da colheita para incluir alunos evangélicos

 

Thiago Varella, no UOL

Ano após ano, o Instituto Educap, de Campo Grande (MS), via o número de alunos que participava da festa junina do colégio diminuir. Isso ocorria, porque esses estudantes eram de famílias evangélicas que não queriam que seus filhos celebrassem uma festa católica.

Para, enfim, integrar esses alunos, a escola decidiu mudar a festa. Em vez de festa junina, o colégio agora celebra a festa da colheita, uma celebração laica.

“Percebemos que nossa festa estava no automático. Só reproduzir a festa não vale a pena se não for algo bem reflexivo. Por isso, fizemos um resgate da colheita, da questão da alimentação na vida das pessoas. A festa da colheita tem o objetivo de celebrar os alimentos”, disse Celia Tavares Rino, diretora pedagógica do Instituto Educap.

Antes da festa, os professores promovem discussões sobre alimentação com os alunos. Neste ano, segunda vez em que a celebração foi feita, os alunos da educação infantil, por exemplo, estudaram a farinha. Já os estudantes do nono ano, os mais velhos do colégio, discutiram os problemas do meio rural.

“Tudo o que nós vamos fazer ele parte de um currículo vivo. A festa pela festa não tem sentido. Tem sentido sim se você faz um resgate histórico e cultural. Mostrar, por exemplo, que a cultura do campo é diferente da cultura urbana”, afirmou Celia.

Mesmo na festa da colheita, os alunos se vestem de camisa xadrez e chapéu de palha como nas festas juninas tradicionais

Mesmo na festa da colheita, os alunos se vestem de camisa xadrez e chapéu de palha como nas festas juninas tradicionais

 

Além de muita comida, a festa conta com danças e uma decoração rural. Os alunos mais novinhos vão vestidos como caipiras, mas os mais velhos, segundo a diretora, não se importam com isso. No fim das contas, o objetivo de integrar os alunos não-católicos à festa foi alcançado.

“Desconstruímos a festa e agora as crianças evangélicas participam. O foco no alimento fez um leque maior de abrir”, completou.

Com mala vermelha e livros, professora usa tempo para formar leitores em Campo Grande (MS)

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Tânia prepara o local embaixo de um enorme pé de figueira. (Foto: Marcelo Calazans)

Tânia prepara o local embaixo de um enorme pé de figueira. (Foto: Marcelo Calazans)

Publicado no Campo Grande News

Nas mãos, uma mala vermelha lotada de livros. No coração, uma vontade imensa de fazer o povo se interessar pela leitura. Com o material e a boa intenção, a professora de Língua Portuguesa Tânia Gauto, de 40 anos, sai de casa, todo domingo à tarde, para ler e fazer leitores em uma praça do bairro Panamá, que abrange o Santo Amaro, em Campo Grande.

Ela chega, vai para debaixo de uma figueira enorme, abre a mala, espalha tecidos pelo chão, organiza os livros, faz um varal com alguns deles e, tranquila, senta e começa a ler. A cena chama atenção.

Quem vê de longe geralmente se aproxima para saber do que se trata. Quem já conhece a proposta e gosta, se junta a ela e mergulha nas crônicas e contos. Mas isso acontece agora. O início, há três anos, foi bem difícil.

“Teve gente que só foi falar comigo depois de uns dois, três meses. Mas o trabalho é esse, o de construir um leitor, de envolver. É demorado. Não é de uma hora para outra”, explica.

Hoje, a professora tem um público cativo e de todas as idades. “Tem crianças que vão para lá e não querem mais ir embora. Já cheguei a sair às 20h da noite porque tinha uma menina que não queria ir de jeito nenhum. […], comenta.

Por um tempo ela teve, também, a presença garantida de “Saudade”. “É um rapaz que morava próximo. Todos os domingos estava comigo. Trocamos livros algumas vezes”, lembra. Saudade mudou de bairro, mas há outros garotos que, assim, como ele, aparecem na praça aos domingos.

Tânia diz que, desde que começou a frequentar o espaço, notou uma mudança de comportamento. “A praça era ocupada por pessoas que iam lá para fumar. Depois que comecei com o projeto, eles migraram para outros lugares”, afirma.

Professora e os leitores de domingo. (Foto: Marcelo Calazans)

Professora e os leitores de domingo. (Foto: Marcelo Calazans)

Inspiração – O projeto que tem promovido essa transformação social e trazido novos ares ao bairro e aos moradores chama-se “Leitores ao Vento”. A inspiração surgiu durante uma viagem para Maringá (PR).

“Foi em uma semana cultural no Sesc. Eu saí para dar uma volta e, em um gramado em frente, vi um varal de livros, com tecidos e pufs no chão. Fui perguntar o que eles faziam e disseram que era um projeto chamado Leitores ao Vento. Quando cheguei em casa, peguei a mala que tinha usado para viajar e comecei a separar os livros da minha biblioteca, que não é grande”, conta.

A ideia demorou para pegar por aqui, mas deu certo. A praça e os novos leitores tem sido uma surpresa para a professora, que já descreveu a experiência em uma crônica:

“Nas tardes que passo com os leitores ao vento, as vezes acabo pegando um pedaço de papel e rabisco algumas coisas que me instigam. Um sorriso que encontra um olhar do outro lado da praça.

A janela entreaberta na casa vizinha e que deixa escapar um Blues aconchegante para os ouvidos. Os galhos de uma árvore vistos de baixo como que mostrando os fundilhos para quem se refestela em sua sombra. O sorriso de um leitor, pequenos detalhes da tarde que me fazem feliz de repente”.

No texto (que pode ser lido aqui), ela também fala de uma pequena leitora de 6 anos. Curiosa, a menina se aproximou para perguntar como se fazia poesia.

Com o projeto, Tânia tem conquistado novos horizontes. Ela já conseguiu espaço em um sarau e, agora, está trabalhando para montar uma biblioteca dentro de uma escola de samba, a Catedráticos.

Internado em Campo Grande, Manoel de Barros tem quadro estável e está consciente

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Aos 97 anos, poeta passou por cirurgia no intestino e está em uma unidade de terapia intensiva

Manoel de Barros tem sofrido com problemas de saúde - Pedro Cesar / Divulgação Read more: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/internado-em-campo-grande-manoel-de-barros-tem-quadro-estavel-esta-consciente-14533348#ixzz3Ir5ynR4O

Manoel de Barros tem sofrido com problemas de saúde – Pedro Cesar / Divulgação

Publicado em O Globo

RIO — Há mais de uma semana internado em uma unidade de tratamento intensivo de um hospital em Campo Grande (MS), o poeta Manoel de Barros tem quadro estável. Aos 97 anos, ele passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino. Nesta quarta, o último boletim médico disponível afirma que ele está “consciente, orientado e mantendo sinais vitais estáveis”.

Martha de Barros, filha do poeta, confirmou o estado de saúde do pai. Segundo ela, Barros vinha sofrendo de desconfortos. Após ser operado, ele não necessita de aparelhos e consegue se comunicar.

Manoel de Barros completa 98 anos em dezembro. Nos últimos anos, por conta da saúde debilitada, ele tem ficado em casa, em Campo Grande. Por lá, está sob os cuidados da filha e da mulher, Stella. Ele não consegue mais escrever e se alimenta com dificuldade. Seus filhos João Wenceslau e Pedro morreram em 2007 e 2013, respectivamente.

Considerado um dos maiores poetas brasileiros, Barros publicou seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, em 1937. O autor recebeu ainda dois Jabutis (por “O guardador de águas”, em 1989, e “O fazedor do amanhecer”, em 2002). Seu trabalho foi transportado para cinema, peças de teatro e exposições. Recentemente, o selo Alfaguara (Objetiva) anunciou a reedição de sua obra.

Fotos do álbum de família do poeta - Divulgação

Fotos do álbum de família do poeta – Divulgação

Professor da UFMS defende fim de cursos “formadores de bichonas”

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Publicação feita pelo professor da UFMS no Facebook

Publicação feita pelo professor da UFMS no Facebook

Luiz Felipe Fernandes, no UOL

Um professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) causou polêmica ao publicar, em seu perfil do Facebook, uma mensagem em que chama os homossexuais de “viados” e defende o fechamento de “cursos de gente colorida” e “formadores de bichonas”.

O texto, publicado na última sexta-feira (24), já foi retirado da página. Nele, Kleber Kruger, 24, professor substituto do curso de ciência da computação e sistemas de informação, critica pichações feitas em paredes da universidade, que fica em Campo Grande.

“Hoje cheguei na Federal e encontrei algumas paredes dos cursos de computação e engenharia pichadas com frases como: ‘O amor homo é lindo’, ‘Homosexualismo é lindo!’, ‘Fora machismo’… aaah, se fu***, seus viados fila da p***!!!”, diz o texto publicado pelo professor.

Na mensagem, Kleber diz que “tá na moda defender homossexualismo” e que a onda de raiva aos homossexuais é provocada por eles mesmos. Em um comentário na própria postagem, o professor considera que a pichação das paredes da universidade foi uma “provocação”. “Depois eles tomam uma surra, morre um viado lá no Campus, sai no jornal e pronto!”, finaliza.

O jornalista Guilherme Cavalcante, 27, que é aluno de mestrado na UFMS, afirma que ficou surpreso ao ler o texto e considera que a mensagem publicada por Kleber revela despreparo do professor. “Espero que ele reflita sobre o que falou, que entenda que o mundo é diverso e que o professor também tem uma função social”.

Demissão

Na internet, uma petição virtual recolhe assinaturas para pressionar a UFMS a demitir o professor, que tem um contrato temporário com a instituição. O documento, direcionado à reitora Célia Maria Silva Correa Oliveira, alega que “nenhum estudante gay deve continuar a ser submetido ao constrangimento de ter aulas e de ser avaliado por pessoa homofóbica”.

A petição pede o afastamento do profissional e substituição “por um professor mentalmente equilibrado”. O documento virtual foi criado no domingo (26) e já foi assinado por 318 pessoas.

A assessoria de comunicação da UFMS informou que o conteúdo da mensagem publicada pelo professor será analisado pela administração superior, que vai decidir se abre um procedimento administrativo ou encaminha o caso para a comissão de ética da universidade.

As penalidades vão desde uma advertência até o rompimento do contrato e afastamento do professor. Não há prazo definido para a conclusão dessa análise.

Arrependimento

Ao UOL, o professor disse que está arrependido e que lamenta o que considera ter sido um “mal entendido”. “Foi um momento em que não pensei para falar. Estou envergonhado e muito arrependido”.

Kleber explicou que a mensagem foi um desabafo pessoal contra as pessoas que picharam as paredes da universidade e comparou os xingamentos às reações de torcedores que agridem verbalmente os adversários. “É como se eu, que sou são paulino, xingasse um corintiano depois de perder um jogo”.

Kleber também fez questão de deixar claro que não fez o comentário como professor da UFMS e garantiu não ter preconceito contra homossexuais. “Sei de pessoas que sofrem muito com isso, que têm pais que não aceitam”.

Surpreso com a repercussão causada pelo texto, o professor disse que, se tivesse oportunidade, pediria desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas.

Dica do Chicco Sal

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