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Biografia traz pistas sobre o enigma Belchior

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O cantor e compositor Belchior, nos anos 70 (Paulo Salomão/Dedoc)

O cantor e compositor Belchior, nos anos 70 (Paulo Salomão/Dedoc)

Livro conta a história do músico a partir de sua passagem por um seminário onde estudava para ser frade

Publicado na Veja

“Belchior nem existia. Morreu como? Como se pode saber que alguém que está desaparecido morreu?”. Esses foram os primeiros pensamentos de Jotabê Medeiros, biógrafo do cantor e compositor cearense Antônio Carlos Belchior, ao receber a notícia da sua morte, em 30 de abril deste ano. À época, o jornalista já havia terminado o livro sobre a vida do músico e se preparava para o xeque-mate: voar até o Rio Grande do Sul e seguir um endereço que conseguira para encontrar e ouvir seu personagem, até então com paradeiro desconhecido pelo público.

O tempo foi curto. Jotabê perdeu um dos irmãos e passou alguns dias recluso. Ao voltar à ativa, teve que mudar seu destino e desembarcar em Fortaleza. Engolir a expectativa de falar com o autor de Anunciação e enfrentar a dura atmosfera de mais um funeral. Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 240 páginas, R$ 49,90), ganhou, por isso, um último capítulo: Inmemorial.

A obra traz para os fãs órfãos um resgate biográfico que não chega a explicar o motivo pelo qual Belchior deixou tudo para trás, mas pode dar pequenas pistas. O livro começa com os primeiros anos da sua formação intelectual, no Seminário de Guaramiranga. Belchior estudava para ser frade. “Ficou claro, para mim, que tudo que ele se tornou – um cara que sabia latim, italiano, filosofia, que lia muitos autores clássicos como Dante Alighieri – veio do seminário”, relata Jotabê.

Para o jornalista, Belchior parecia ter criado o próprio verbete da Wikipedia em uma entrevista para O Pasquim, em 1978. “A partir dali, ele passou a reproduzir histórias suas e os jornais, também”, conta Medeiros. A reconstituição dos passos e rupturas do músico cearense ao longo da carreira pinta um artista generoso, um compositor invariavelmente aplaudido e outras facetas menos conhecidas, como o gosto pela pintura e a vida amorosa “muito prolixa”, como define o biógrafo.

Para explicar o sumiço do cantor, que esvaneceu em 2007, existem várias especulações, mas nenhuma delas aparece no livro. Fato é que não há exatamente como saber por que Belchior deixou para trás a família com os filhos, os amigos e os fãs. Alguns apontam Edna Prometheu, sua última mulher, como o principal motivo do afastamento. Enquanto outros apostam que o cearense mostrou um descontentamento e uma sabedoria muito lúcida em suas obras, já deixando claro uma sensibilidade incomum que poderia impor a ele, como destino, o exílio.

Mesmo sem decifrar o mistério Belchior, o livro passa por toda a carreira do músico que chegou a dormir em uma construção por falta de dinheiro e a pedir um prato de comida para Elis Regina, que gravaria em seguida algumas de suas canções mais famosas, jogando luz sobre um dos grandes compositores da música brasileira. Além de contar alguns saborosos encontros na vida do cantor, como com seu ídolo, Bob Dylan, em 1990, e também com Zeca Baleiro, que aconteceu já longe dos holofotes, em março de 2014.

Bob Dylan não vai à cerimônia de premiação do Nobel de Literatura

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Bob Dylan em show de 2012 - KI PRICE / REUTERS

Bob Dylan em show de 2012 – KI PRICE / REUTERS

 

Cantor e compositor americano alegou ‘compromissos preexistentes’

Publicado em O Globo

RIO — O cantor e compositor americano Bob Dylan, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2016, decidiu que não vai à cerimônia de premiação em Estocolmo, anunciou a Academia Sueca, nesta quarta-feira.

Reconhecidamente avesso à imprensa, Dylan disse há três semanas que aceitaria o prêmio de US$ 900 mil, após repetidas tentativas da Academia de entrar em contato com ele desde que sua vitória foi divulgada, no dia 13 de outubro.

Agora, a Academia disse em nota que recebeu uma carta de Dylan explicando que, por conta de “compromissos preexistentes”, ele não teria condições de viajar a Estocolmo em dezembro.

“Estamos ansiosos pela conferência de Bob Dylan, que ele precisa conceder — esse é o único requisito do prêmio — dentro de seis meses contados a partir do dia 10 de dezembro”, diz o comunicado, que afirma ainda que novas informações serão divulgadas nesta sexta.

A conferência não precisa ser realizada em Estocolmo. Quando a romancista britânica Doris Lessing foi premiada com o Nobel de Literatura em 2007, ela escreveu um discurso e mandou para seu editor sueco, que leu o texto em uma cerimônia na capital do país.

Entre outros vencedores do Nobel que não participaram da cerimônia estão o britânico Harold Pinter e a austríaca Elfirede Jelinek.

Para Andrea Bocelli, Nobel de Literatura para Bob Dylan é “pecado”

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Andrea Bocelli will perform for the Pope in September (Greg Allen/Invision/AP

Andrea Bocelli will perform for the Pope in September (Greg Allen/Invision/AP

 

Publicado no UOL

O tenor italiano Andrea Bocelli lamentou que o prêmio Nobel de Literatura tenha sido dado para o músico Bob Dylan neste ano. Em uma cerimônia na Universidade de Macerata, onde recebeu a “laurea ad honorem” em filologia moderna, o artista destacou a importância da leitura na vida das pessoas.

“Foi um pecado porque a literatura é algo importante na vida de qualquer um de nós. É um problema filho dos nossos tempos.Premia-se aquilo que recebe mais atenção de todos e, como a mídia premia sobretudo artistas do gênero, e os cantores em primeiro plano, acontece que a atenção das pessoas leva a essas escolhas”, disse o tenor aos jornalistas que estavam no local neste sábado (29).

Ao falar sobre o que pensa da literatura, Bocelli ainda deu um conselho para os mais jovens.

“Não abusem da música porque senão ela perde o grande poder terapêutico que ela pode ter sobre nós. Voltem a pegar os livros em suas mãos. Serão os seus companheiros de viagem, importantes para entender e julgar e analisar a realidade uma maneira mais crítica”, disse o tenor.

Nobel para Dylan é simbólico em época de livros para colorir e de youtubers

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dyla

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

E o Prêmio Nobel de Literatura de 2016, principal honraria do universo das letras e reconhecido por eternizar autores de livros consagrados, foi para um… músico. Sim, um músico, ou ao se falar de Bob Dylan alguém o coloca primordialmente como escritor?

Mas não que a rotulagem seja um problema, evidentemente. Literatura é arte e arte é forma, a plataforma na qual está inserida, seja como texto em um livro, seja como canção em um disco, deveria ser uma questão menos relevante. Aliás, em época de livros para colorir e de autobiografias de youtubers de 15 anos, nada mais simbólico do que o Nobel ir para alguém que está distante do mercado editorial; ajuda a deixar claro que livro não significa literatura, ainda que a esmagadora maioria das publicações literárias esteja sim nesses calhamaços de papel – e que há, claro, diversos excelentes escritores que também mereceriam o prêmio.

Com letras profundas e impactantes, como as de “Blowin’ in the Wind” e ”Subterranean Homesick Blues”, o Nobel para Dylan me remeteu à época na qual a literatura estava muito longe de ser habitualmente cunhada em folhas, à literatura oral dos povos antigos, origem da tradição que temos hoje. Remeteu também ao trovadorismo, vertente portuguesa do século 11 na qual os poetas musicavam seus versos de “amor, amigo, escárnio e maldizer”, como aprendemos na escola.

Esse Nobel também serve para colocar uma pitada a mais de tempero na discussão sobre se alguns músicos e compositores brasileiros, como Cazuza, Renato Russo e Caetano Veloso, merecem ou não ser chamados de poetas. Muitos alegavam que não, porque suas letras eram músicas, não poemas. Pois bem, esse argumento agora enfraquece bastante.

O Prêmio Nobel para Bob Dylan comprova que a boa escrita e a poesia podem estar em qualquer lugar.

Bob Dylan surpreende e conquista Nobel de Literatura 2016

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Bob Dylan (Rob Galbraith/Reuters)

Bob Dylan (Rob Galbraith/Reuters)

 

Entre os favoritos, constavam o japonês Haruki Murakami e o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o

Publicado na Veja

O cantor e compositor americano Bob Dylan, autor de hinos dos anos 1960 como Blowin’ in the Wind, cantado e recantado por Eduardo Suplicy no Congresso Nacional, foi anunciado nesta quinta-feira como o vencedor do Nobel de Literatura 2016. A Academia Sueca destacou a contribuição de Dylan, 75, um músico que mesclou influências do folk à intensidade da poesia beatnik no início da carreira, para a tradição do cancioneiro americano, na qual “criou novas expressões poéticas”. Embora o nome de Dylan não seja de todo novo, porque já havia aparecido em casas de aposta em anos anteriores e havia sido citado por especialistas, o anúncio surpreendeu. Ele é apenas o segundo músico na história a vencer o prêmio — e o primeiro em 103 anos. Neste ano, nas casas de apostas londrinas, e também entre especialistas, os nomes fortes eram os de sempre, como o japonês Haruki Murakami e americano Philip Roth, além do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o.

“Ele é o grande poeta, um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Um autor original que carrega com ele a tradição e está há mais de 50 anos inovando e se renovando”, disse a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, após o anúncio solene. Ela ainda comparou Dylan a gigantes da Antiguidade e citou um disco do músicos de 1966, Blonde on Blonde, de faixas como Visions of Johanna, Just Like a Woman, Rainy Day Woman e I Want You, relançada em português pelo Skank. “Se olharmos milhares de anos para trás, descobriremos Homero e Safo. Escreveram textos poéticos feitos para serem escutados e interpretados com instrumentos. O mesmo acontece com Bob Dylan. Pode e deve ser lido.”

De família judia, Bob Dylan nasceu em Duluth, Minnesota, em 1941, e foi criado na cidade de Hibbing, entre judeus de classe média. Sempre teve interesse por música e, na adolescência, fez parte de diversas bandas. Com o tempo, seu pendor pelo folk — especialmente por Woody Guthrie — e pela Geração Beat cresceu e moldou suas composições. Aos 20 anos, em um passo importante para dar início à carreira profissional, ele se mudou para Nova York e começou a se apresentar nos bares do efervescente Greenwich Village, bairro então tomado por hippies, cabeludos e outros representantes da contracultura. Foi logo descoberto pelo produtor John Hammond, com quem assinou contrato para o primeiro álbum, Bob Dylan, lançado em 1962.

Os anos seguintes seriam, como costuma ser para todo compositor e escritor, os mais vigorosos, criativamente, da sua carreira. Em 1965, ele lançou os discos Bringing It All Back Home e High-way 61 Revisited, em 1966 o já citado Blonde On Blonde, e, em 1975, Blood On The Tracks. A Academia Sueca também destaca, da sua obra, os discos Oh Mercy (1989), Time Out of Mind (1997) e Modern Times (2006). Em 2004, já com nove prêmios Grammy (hoje são doze), lançou uma autobiografia, Crônicas, publicada no Brasil pela Planeta.

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