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Novo livro reúne os mais de 600 poemas escritos por Paulo Leminski

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Paulo Leminski nas ruas de São Paulo em foto de 1983 / Ovidio Vieira - Folhapress

Paulo Leminski nas ruas de São Paulo em foto de 1983 / Ovidio Vieira – Folhapress

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

A Besta dos Pinheirais, Boia-Fria do Texto, Bandido que Sabia Latim ou Polaco Loco Paca, tradutor de Joyce, Petrônio e Mishima, faixa preta de judô, professor de cursinho, compositor parceiro de Caetano Veloso, Moraes Moreira e Itamar Assumpção, biógrafo de Trótski e de Jesus, roteirista de quadrinhos, ensaísta, jornalista, publicitário, contista, autor de infantojuvenis, romancista, o acima de tudo poeta Paulo Leminski, mestiço de negra e polonês, nascido na capital do Paraná sob os signos de Virgem e Macaco, escreveu para si o seguinte epitáfio:

“Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas”.

Leminski (1944-1989) viveu pouco, 44 anos, mas o silêncio está longe de ser a maior de suas marcas.

Prova disso é um catatau laranja fosforescente de mais de 400 páginas que, com um desenho de seu característico abastado bigode na capa, chega às livrarias com o final deste fevereiro.

“Toda Poesia” reúne mais de 630 poemas do escritor, dos primeiros publicados, em edição artesanal, como “Quarenta Clics em Curitiba” (1976), aos póstumos de “Winterverno” (2001).

Fosse isso era muito, mas é quase. Com o livro, que rompe um comprido, aí sim, silêncio, já que os principais livros de poemas de Leminski estavam esgotados há décadas, também voltam textos importantes sobre o poeta.

Estão no volume ensaios de Caetano Veloso, comentando “Caprichos & Relaxos”, de 1983 (“Este livro de poemas é uma maravilha”), de Haroldo de Campos, de Wilson Bueno e o precioso “ensaio bonsai” de Leyla Perrone-Moisés “Leminski, o Samurai Malandro” (de 2000).

“Olhe nos olhos dos poemas de Paulo Leminski e você verá que ele está por dentro, no centro. Tudo o que não interessa cai fora, sem demora”, escreve Perrone-Moisés.

Alice Ruiz S, poeta, viúva do poeta e sua musa, assina o texto de apresentação do volume, lembrando com linguagem singela e emocionada a trajetória leminskiana.

Na breve introdução, não deixa de contar as dificuldades dele para começar a publicar e como o poeta encontrou na editora Brasiliense e em um de seus editores, Luiz Schwarcz, a primeira chance de edições nacionais.

Há 30 anos, Leminski publicou, com ele, “Caprichos & Relaxos”, um best-seller, guardadas as proporções das vendas de poesia.

Coube ao mesmo Luiz Schwarcz trazer Leminski de volta. É por sua Companhia das Letras que sai a lírica completa do poeta.

VULCÃO

“Vulcão” é como o editor se lembra do escritor, com quem conviveu nos tempos de Brasiliense. “Ele nos ligava todos os dias e de vez em quando vinha a São Paulo e aparecia na editora com seus tamancos de madeira. Estava o tempo todo criando, como um Picasso que faz esculturas com palitos enquanto almoça”, diz Schwarcz.

Além dos caudalosos 630 poemas publicados, Leminski teve uma produção difícil de encaixar em 44 anos de vida. Atividades muitas à parte, escreveu, além dos
19 livros de poemas, outros de prosa, incluindo o marco do romance experimental “Catatau” (1975), publicou nove traduções, dois livros para crianças, quatro breves biografias.

E assinou quantidade não calculada de letras de música (e algumas melodias).

O lado musical dele, que vem sendo cartografado por uma de suas filhas, Estrela, não entra em “Toda Poesia”, mas no volume há um texto inédito de José Miguel Wisnik (que já musicou poemas do autor) sobre seu cancioneiro.

O próprio Wisnik deverá fazer uma aula-espetáculo na Casa das Rosas, em São Paulo, em meados de março, para comemorar o lançamento de “Toda Poesia”.

Por “Toda Poesia”, vale esclarecer, entende-se aquela que foi publicada. Não há inéditos, embora 11 poemas (alguns reproduzidos nesta página) tenham saído só em edições caseiras no Paraná.

É, na visão de Alice Ruiz S, o extrato máximo do poeta: “A visão total do que foi a poesia para Leminski e do que é Leminski para a poesia”.

*

QUASE INÉDITOS
Poemas pouco conhecidos, incluídos na antologia:

tão
alta
a
torre

até
seu
tombo
virou
lenda

*

vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão

*

eu vi o sol ao quadrado
o sol de olho saltado
multiplicado pelo sol

*

no campo
em casa
no palácio
está nas últimas
a última flor do lácio

cretino
beócio
palhaço
dê o último adeus
à última flor do lácio

a fogo
a laço
ninguém segura
a queda da última flor do lácio

Poemas de Paulo Leminski que compõem o livro “Toda Poesia” (Companhia das Letras)

Clássicos da literatura brasileira ganham versões em game

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Wikerson Landim, no TecMundo

Livros de Manuel Antônio de Almeida, Aluísio Azevedo e Machado de Assis são os primeiros a ganhar adaptação para o mundo dos jogos.

(Fonte da imagem: Reprodução/Livro e Game)

(Fonte da imagem: Reprodução/Livro e Game)

Um projeto da Fundação Telefônica pretende transformar diversos clássicos da literatura brasileira em versões de jogos online. Essa é a ideia do projeto “Livro e Game”, criado pelo gestor cultural Celso Santiago, que pode ser acessado por meio deste link.

Os primeiros livros a ganharem uma versão em jogo eletrônico são “Memórias de Um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio Almeida, “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.

“Queremos mostrar que esses livros não são uma coisa chata que os alunos são obrigados a ler. Eles estão vivos, podem transformar a vida do leitor”, explica Santiago. Em todos os jogos há trechos dos livros e textos que comentam um pouco sobre a obra e a vida dos autores.

dica do Jarbas Aragão

Agatha Christie foi investigada pelo serviço de inteligência britânico

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Durante a Segunda Guerra, MI5 tentou descobrir se escritora tinha um espião em centro usado para decifrar códigos secretos

Publicado no Último Segundo

Getty Images
A escritora Agatha Christie

O serviço de inteligência do Reino Unido (conhecido como MI5) investigou a escritora Agatha Christie durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) por causa da suspeita de que ela tinha um espião no centro secreto de Bletchley Park, usado para decifrar códigos.

De acordo com o jornal The Guardian, as informações estão em um novo livro sobre o centro, “The Codebreakers of Station X”, de Michael Smith, publicado nesta segunda-feira.

O motivo da suspeita do MI5 era o nome de um dos personagens do romance “M ou N?”, o major Bletchley. No livro, publicado em 1941, M e N são as iniciais de dois agentes de Adolf Hitler. O major Bletchley aparece como um ex-militar que afirma conhecer os segredos de guerra do Reino Unido.

Como parte das investigações, autoridades interrogaram Dilly Knox, um funcionário do centro em Bletchley Park que era amigo de Christie. O MI5 não teria interrogado a escritora por medo de chamar atenção para o caso.

Segundo o livro, Knox disse que Christie não teria como saber nada sobre as operações reais do centro, mas concordou em perguntar a ela o motivo de o personagem se chamar Bletchley.

Para alívio do MI5, a escritora respondeu que tinha ficado parada na região durante uma viagem de trem e se vingou dando este nome a um de seus personagens mais antipáticos.

Dono de zoológico lê livro para cobras de estimação nas Filipinas

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O proprietário de um zoológico nas Filipinas, Emmanuel Tangco, lê livro para cobras de estimação em Manila neste domingo (3). O Ano Novo Lunar começa no dia 10 de fevereiro em 2013 e marca o Ano da Cobra (Foto: Erik De Castro/Reuters)

O proprietário de um zoológico nas Filipinas, Emmanuel Tangco, lê livro para cobras de estimação em Manila neste domingo (3). O Ano Novo Lunar começa no dia 10 de fevereiro em 2013 e marca o Ano da Cobra (Foto: Erik De Castro/Reuters)

Publicado no G1

Emmanuel Tangco também faz apresentações com cobras em piscina. Ano Novo Lunar começa no dia 10 de fevereiro e marca o Ano da Cobra.

Aos 95 anos, aluna da turma de 1938 ainda dá aulas na USP

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Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica . da USP

Felipe Oda, na Folha de S.Paulo

Em 1938, quando entrou na USP, a curitibana Berta Lange, 95, não imaginava que “passaria a vida inteira” lá, como gosta de contar.

Professora mais antiga em atividade –ela leciona há 72 anos–, “Dona Berta”, como é conhecida no Instituto de Botânica, foi aluna da primeira turma de História Natural, hoje, Ciências Biológicas.

Berta lembra que foi convidada a participar do processo de admissão na USP, prática comum na época. “Fiz uma prova e uma entrevista rápida para ser aprovada como aluna”, conta.

Como caloura, ela cursou o ciclo básico, com aulas de filosofia, sociologia e letras. Depois, escolheu seguir para a área de biológicas. Para Berta, “difícil mesmo” eram as aulas com os professores estrangeiros. “Os italianos nos ofendiam por não entendermos a língua deles.”

Foto: Christian von Ameln/Folhapress

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP em 1947

Professora Berta Lange de Morretes, 95, em sua sala no Instituto de Botânica da USP em 1947

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