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Com ilustração de Ziraldo, 13 mil alunos escrevem livro sobre o Rio

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Alunos da unidade Mangueira já tiveram primeiro contato com a obra
Foto: Divulgação


Publicado originalmente no Terra.com

Assistir ao longa Rio, participar de debates e fazer pesquisas na internet estiveram na agenda de 13 mil alunos de ensino fundamental do Rio de Janeiro. A programação fez parte da Oficina do Texto, um dos projetos do Portal Educacional, mantido pelo Grupo Positivo, em que alunos escrevem livros em coautoria com escritores consagrados – neste ano, foi a vez dos estudantes do Santa Mônica Centro Educacional, que contaram com ilustrações de Ziraldo.

Com o título “Rio: Conhecer para cuidar”, alunos das 13 unidades da rede privada escreveram sobre pontos turísticos da capital fluminense e os problemas da cidade, além de dar sugestões para melhorá-la. Depois de receber as ilustrações de Ziraldo, cada criança criou a sua historinha. Entre as participantes do projeto, está a unidade da Mangueira, que atende gratuitamente alunos carentes da comunidade. Segundo a diretora instituição, Marcia Moura, o projeto começou a tomar forma no início do ano.

Na unidade da Mangueira, 636 escreveram seu livrinho. “Houve muita conversa sobre os pontos turísticos. Ao visualizar as imagens, eles reconheciam o Carnaval, o Maracanã. Assistir ao filme Rio ajudou muito, já que, como o número de alunos era muito grande, não conseguiríamos levar todo mundo até os pontos turísticos”, afirma.

Na Oficina do Texto, cada aluno produz sua obra escrevendo as histórias e fazendo suas escolhas no ambiente virtual disponibilizado no portal da instituição, com gerenciamento pelo professor. A criança ou jovem assina a produção como coautor, recebe livros impressos e ainda tem acesso a um arquivo em PDF. “Eles abraçaram a ideia com muita vontade, ficavam ansiosos pela produção, que acontecia de duas a três vezes por semana, quando iam para o computador”, explica a diretora.

Projeto já lançou mais de 1 milhão de livros

Realizado desde 2000, o projeto já lançou mais de um milhão de livros escritos por crianças e jovens em parceria com grandes personalidades da literatura brasileira. Além de Ziraldo, nomes como Luis Fernando Verissimo e o professor Pasquale Cipro Neto já assinaram obras em coautoria.

Na Mangueira, o projeto atingiu alunos do 1º ao 5º ano. A aluna do 5º ano Samara Viana de Carvalho da Silva conta que não conhecia muitos dos pontos turísticos da cidade. “Antes, eu só conhecia a praia, mas aprendi sobre as belezas e as necessidades do Rio. Agora sei que preciso cuidar melhor da minha cidade. Fiquei com vontade de saber mais”, diz. A professora de Samara, Tânia Cristina da Costa Rodrigues, explica que um dos grandes feitos do projeto foi unir a turma. “Muitos deles não conheciam a maioria dos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Era nessas horas que uns ajudavam aos outros. O envolvimento entre eles foi muito grande, o que tornou a produção ainda mais dinâmica”, avalia.

A Oficina de Texto reforçou a ligação das crianças com a internet. Segundo Tânia, a rede colaborou para que os alunos conhecessem bem os pontos turísticos. Ainda assim, as contribuições que saíam de dentro da sala de aula ajudaram a produção a tomar forma. “Fizemos um levantamento sobre quais pontos eram conhecidos. Queríamos compreender a vivência que tinham nossos alunos. Quem conhecia o local ajudava os colegas que não conheciam. Um tinha uma ideia, o outro complementava”, diz.

A equipe de Ziraldo se envolveu na criação das ilustrações. O autor, que completa 80 anos em 2012, é parceiro antigo da Positivo Informática. “Esse é um esforço muito grande para que os jovens compreendam o que é ser cidadão. Não se trata só de aproveitar as belezas do Rio, mas de conhecer os problemas e poder participar disso”, diz. Para ele, é papel da escola ser um agente de conscientização. “É na sala de aula que nasce a consciência a respeito de direitos e deveres. Eles precisam saber que podem usufruir do Rio de Janeiro, mas que devem cuidar dele”, acrescenta.

Ziraldo contou com ajuda de uma equipe de profissionais. “Nós caprichamos nas ilustrações. Queríamos estimular as crianças a perceber a veia artística, e o que se viu foi uma aliança que ficou ainda melhor com a ajuda da internet”, destaca. Os estudantes devem receber a versão impressa em outubro. O lançamento oficial dos livros escritos na unidade Mangueira está previsto para 10 de novembro, em evento com apresentações culturais e presença da comunidade.

Brasileiro não gosta de ler?

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Imagem Google

Lya Luft, na Veja.com

Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim, alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina um documento que conseguiu ler e… entender. A imensa maioria dos ditos meramente alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos – um dado melancólico para qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz parte de ser gente.

Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras. Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda imaturos.

Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.

O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce, fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso, mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio, como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros, mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem lhe foi aberta.

Escritor espanhol diz que Igreja ‘mente muito’ sobre a vida Jesus

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O escritor espanhol J.J. Benítez
Foto: Divulgação

Publicado originalmente no Tribuna Hoje

O escritor e jornalista espanhol J.J. Benítez, autor da célebre saga literária Cavalo de Troia, disse, nesta quarta-feira (31), em São Paulo, que a Igreja “mente muito” sobre a vida de Jesus, além de ter enterrado sua autêntica mensagem de igualdade entre os seres humanos.

Em declarações à Agência Efe, o escritor, que autografou exemplares de suas obras em uma livraria de São Paulo, explicou como uma leitora se aproximou a ele lhe disse que considerava que a Igreja mentia um pouco, observação à qual Benítez respondeu que, na realidade, “mente muito”. “A Igreja mente, manipula e censura”, disse o escritor ao referir-se às dúvidas sobre a autenticidade da autoria dos evangelhos.

Em sua opinião, desconhece-se com clareza como eles foram escritos e destacou a possibilidade de diferentes pessoas ao longo da história terem modificado os fatos da vida de Jesus a partir de notas de algum dos evangelistas.

Além disso, Benítez considera que o sucesso de seus livros está no fato de oferecerem um tratamento da figura de Jesus como um ser “próximo” e lhe confere uma humanidade que a Igreja esqueceu por “ignorância ou por interesse”.

Ele também disse que a autêntica mensagem de Jesus, que todos os seres humanos são filhos de Deus e iguais entre si, foi “enterrada” pelos padres da Igreja. “Estamos vivendo uma falsidade histórica”, lamentou.

Autor de 55 livros, Benítez garantiu que talvez sua obra “de maior importância” seja Cavalo de Troia, fenômeno que, reconheceu, lhe entristece um pouco pelo fato de ter escrito com o mesmo empenho e amor toda sua obra. O autor passou cinco dias no país, onde visitou as cidades de Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e, finalmente, São Paulo.

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