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Professor desempregado leva literatura a crianças carentes de Aracaju

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A calçada da casa do professor é transformada em sala de aula (Foto: Mara Lúcia de Paula)

“O que eu faço é com amor e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade”, diz Luiz Carlos Nascimento.

Anderson Barbosa, no G1

calçada de uma residência localizada em uma rua sem pavimentação, no Bairro 17 de Março em Aracaju, é o local escolhido por um professor desempregado para ensinar literatura às crianças de um dos bairros mais carente da capital de Sergipe, que neste sábado (17) comemora 163 anos de emancipação política.

A sala de aula improvisada funciona uma vez por semana. Na falta de cadeiras, as crianças acomodam-se no chão e vencem o que seria a primeira barreira para se aproximarem dos livros. Depois, desvendam o conteúdo literário trazidos em uma sacola pelo professor Luiz Carlos. Quando não está em uso, o material de apoio fica exposto em um varal à espera do próximo interessado.

A Literatura é a forma de despertar outros conhecimentos científicos, além de promover o prazer estético e dar asas a imaginação desses jovens leitores“, professor Luiz Carlos

O trabalho voluntário começou no mês de novembro de 2017, depois que Luiz Carlos participou de um workshop literário. Desde o início do projeto, 12 crianças participam das atividades e enquanto os pais estão trabalhando. “Educação é o meio de transformação sócio- cultural para a vida de cada uma dessas crianças levando respeito, dignidade, conhecimento e independência financeira”, diz com o sorriso no rosto.

A escritora e coordenadora do Projeto Lê Campo/SE, Jeane Caldas, conheceu o trabalho do professor, e se apaixonou pela causa. “Ele sempre fez este trabalho, mas agora as ações de leitura foram intensificadas, porque conseguimos que fizesse parte do projeto Rede Ler e Compartilhar e Eu Leio, que fazem parte do programa nacional de incentivo à leitura. O programa disponibiliza sacolas circulantes com 30 livros e oferece formação continuada para os professores e mediadores de leitura, mas não paga nada por esse trabalho. Entrei na parceria por meio da Secretaria de Estado de Educação”, conta.

Não é sempre, mas quando pode o professor retira dinheiro do próprio bolso e compra lanches para a criançada. Uma forma de incentivar a permanência dos alunos e atrair outros meninos e meninas.

Mesmo em um local improvisado, as crianças parecem encantadas com as histórias descobertas nos livros (Foto: Mara Lúcia de Paula)

Combate à deficiência na leitura

O trabalho do sergipano serve de combate à deficiência da leitura ainda no início da vida escolar, como aponta a Avaliação Nacional de Alfabetização, do Ministério da Educação e Cultura (MEC). O estudo revela que mais da metade dos alunos do terceito ano do ensino fundamental não consegue nota mínima em matérias básicas. No ano de 2014, a insuficiência em leitura era de 56,17% entre os alunos. Dois anos depois o número teve uma pequena queda, 54,73%.

“Quero ver a melhoria do bairro em que moro e dessas crianças, que muitas vezes vão à escola e não conseguem aprender o conteúdo. O que eu faço é com amor, com carinho e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade. A maior recompensa é o prazer de contar histórias e contribuir no processo de alfabetização dessas crianças”, conta Luiz Carlos.

Brilho no olhar

Quando o professor inicia a história, os olhos da criançada parecem brilhar e ganham a companhia de sorrisos e gargalhadas. Nem mesmo o movimento das ruas tira a concentração dos pequenos leitores. Sinal de que estão envolvidos pelas histórias.

O que mais gosto é de ler e aprender com as histórias que ele nos conta. O professor é muito bom e trata a gente bem. Tio Luiz Carlos é muito legal comigo e com meus colegas do projeto”, afirma Jaycha Rively, de 9 anos.

A menina é filha da vendedora Mara Lúcia de Paula, que também se mostra feliz com o desprendimento do professor e vizinho de bairro. “O que ele faz é louvável e ajuda a construir o futuro dos nossos filhos, sem cobrar nada. É um grande exemplo pra nossa comunidade e para o Brasil”, diz agradecida.

A batalha do mestre

Luiz Carlos nasceu no município de Malhada dos Bois e foi criado em Cedro de São João, ambos na Região do Baixo São Francisco de Sergipe. Filho de pais separados, ele é o mais velho entre nove irmãos, o único com nível superior, conquistado no ano de 2012 após cursar Letras/Português em uma universidade particular na capital.

Concluí a graduação com muita dificuldade financeira, pois estava desempregado. Tive a ajuda de familiares e principalmente de uma ex-diretora da instituição, que me ajudou bastante nesta fase da minha vida”, relembra.

Luiz Carlos já trabalhou em escolas particulares, em programas do governo e atualmente sobrevive dando aulas de reforço em casa, além de fazer ‘bicos’ auxiliando outros professores em projetos educacionais. No mês passado, tudo isso rendeu a ele pouco mais de R$ 200. “É assim que consigo pagar as contas da casa, comprar roupas e alimentos. Deus é quem dá a força pra gente superar todas as dificuldades que a vida nos oferece”, afirma.

Sempre atento aos apelos da comunidade, ele tem como meta fazer um trabalho mais intenso com os jovens e adultos que passam o dia trabalhando e ainda não são alfabetizados.

O projeto “O livro bate à sua porta” leva leitura às comunidades carentes do Rio de Janeiro

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Publicado no Sopa Cultural

O projeto O livro bate à sua porta nasceu da vontade de levar a leitura às casas, comércio e bibliotecas com o objetivo de mobilizar pessoas, dando a elas o suporte necessário para que possam ser agentes de transformação em seu meio social.

O livro bate à sua porta conta com uma equipe enxuta que visita, ao longo do ano, várias comunidades e deixam em cada uma delas uma caixa em MDF personalizada em formato de estante de livros. Além disso, durante as visitas nos locais públicos (restaurante, salão de beleza, biblioteca) o projeto realizar saraus, contações de histórias e diversas atividades ligadas ao estímulo e ao prazer da leitura.

Lucia Morais, diretora do projeto, explica que ele surgiu quando ela reparou que as pessoas não se dirigiam à biblioteca. “Percebi que havia uma demanda enorme de crianças brincando nas ruas e as bibliotecas públicas vazias, então criei o projeto”, conta. “Via muitas pessoas em frente às suas casas à toa e muitas vezes pensei em parar e ler algo para elas. Daí concluí que se a comunidade não vai à biblioteca, a biblioteca vai à comunidade”, relembra. E é assim, de lar em lar, que o projeto vem a cada ação se tornando mais bem sucedido.

O livro bate à sua porta é uma maneira de aproximar crianças e adultos dos livros porque estreita a relação entre o sujeito e o objeto aumentando o interesse pela leitura em locais que não veem nos livros uma oportunidade de crescimento educacional e cultural. “Íamos, voluntariamente e aos poucos, numa casa aqui, outra ali e quando vimos o projeto já estava acontecendo”, diz Lucia.

O interesse das pessoas foi crescendo e chegou ao ponto de muitas pedirem à equipe do projeto para irem às suas casas mediar leitura, contar história e emprestar um livro. Crianças, adolescentes e famílias inteiras foram aderindo a proposta e, aos poucos, foram tornando-se mediadores de leitura voluntariamente. Estimular o gosto pela leitura e colaborar com o desenvolvimento de moradores que têm pouco acesso aos livros e às bibliotecas contribuindo para seu enriquecimento cultural e ajudar famílias a montarem em seuslares um ambiente de leitura, promovendo uma troca de livros entre vizinhos e identificar mediadores de leitura para expandir a ação são os objetivos deste projeto.

O livro bate à sua porta percorrer residências, creches e estabelecimentos comerciais de algumas comunidades carioca. Já passou pela Ladeira dos Tabajaras, Morro dos Cabritos em Copacabana, Mangueirinha em Botafogo, Candelária na Mangueira, Maré, Rio dasPedras em Jacarepaguá e Fazenda Botafogo em Coelho Neto. Com produção d’A Trupe Pequenalegria formada por três mulheres contadoras de histórias, Lucia Morais, Arlene Costa e Marcia Costa, o projeto vai realizar dias 2 e 6 de novembro várias ações nas comunidades localizadas em Acari e Botafogo.

Iniciativa presenteia crianças carentes com livros para que se apaixonem pela literatura

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Agora, eles têm um livro para chamar de seu.

Agora, eles têm um livro para chamar de seu.

 

Adolescentes e crianças carentes infelizmente passam por diversas privações ao longo de sua vida, mas uma iniciativa vem proporcionando amor à literatura.

Publicado no Razões para Acreditar

Ler é uma atividade prazerosa e ajuda no rendimento escolar de crianças e adolescentes. É o que diz uma pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e inspirou uma linda iniciativa.

A leitura contribui para o desenvolvimento de habilidades como interpretação de texto, imaginação e criatividade. Porém, nem todas as crianças brasileiras têm um livro para chamar de seu, o que pode trazer problemas futuros na sua formação.

É para preencher esse vazio que surgiu o 1BOOK4LIFE. O objetivo da iniciativa é que estudantes de todo o país – principalmente das camadas mais pobres – se apaixonem pela literatura, presenteando-os com livros.

A iniciativa funciona através de um sistema de doações. Quando a pessoa faz sua doação para o 1BOOK4LIFE, ela escolhe a quantidade de crianças que deseja presentear e tem acesso a informações sobre a escola em que elas estão matriculadas. Os alunos levam os livros para casa e podem compartilhá-los com seus familiares, vizinhos e amigos.

Cada livro possui um código de identificação, através do qual o doador pode acompanhar o trajeto percorrido pelos exemplares doados, os indicadores de desempenho da escola beneficiada, além de cartinhas fofas das crianças agradecendo o presente.

As obras são presenteadas por investidores sociais, pessoas e empresas que reconhecem a importância da leitura para a formação integral de crianças e adolescentes.

A distribuição é feita nominalmente, a cada aluno, a partir da adesão da escola pública. A escola tem um papel fundamental na mobilização do corpo docente e do aluno para que o livro faça a diferença em sua vida, sua formação e socialização.

Olha só:

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Saiba como participar aqui.

Como máquinas de lavar ajudaram a reduzir faltas em 90% em escolas dos EUA

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As famílias escolhem a melhor forma de levar as roupas e quem as lava são funcionários das escolas (Foto: Whirlpool/Divulgação)

As famílias escolhem a melhor forma de levar as roupas e quem as lava são funcionários das escolas (Foto: Whirlpool/Divulgação)

 

Fabricante decidiu fazer uma experiência colocando 17 máquinas em escolas no Missouri e na Califórnia e incentivou as crianças a trazerem suas roupas sujas. Os resultados foram surpreendentes.

Beatriz Diez, no G1

Qual a relação entre uma máquina de lavar e o índice de faltas em escolas? Aparentemente, ela não só existe como é maior do que se pensa.

Pelo menos esse é o caso de escolas localizadas em áreas mais carentes dos Estados Unidos, onde a taxa de evasão dos alunos reduziu drasticamente depois que foram instaladas máquinas de lavar e secar roupa.

O depoimento de Vanessa, de 10 anos, reforça essa relação, à primeira vista desconexa, entre faltar aulas e máquinas de lavar roupa.

“Quando me levanto de manhã, vejo que eu não tenho roupas limpas. Por isso, acabo ficando em casa”, diz a garota.

O programa que incentiva alunos a lavarem roupa nas escolas foi bem sucedido em seu primeiro ano (Foto: Whirlpool/Divulgação)

O programa que incentiva alunos a lavarem roupa nas escolas foi bem sucedido em seu primeiro ano (Foto: Whirlpool/Divulgação)

 

A evasão escolar é muitas vezes vista como consequência da preguiça do aluno ou da desestruturação familiar.

Mas, em alguns casos, a causa é ao mesmo tempo tão simples e tão difícil de identificar – como a falta de roupas limpas citada por Vanessa para justificar sua ausência frequente na sala de aula.

A empresa Whirlpool doou 17 pares de máquinas de lavar e secar roupas a distritos escolares em St. Louis, no Missouri, e em Fairfield, na Califórnia.

As escolas convidaram crianças mais carentes a deixarem suas roupas para serem lavadas enquanto assistiam às aulas. O resultado foi impressionante: redução de 90% das faltas desses alunos.

Crianças que participaram do programa se mostram mais alegres e mais confiantes em si mesmas, dizem professores (Foto: Whirlpool/Divulgação)

Crianças que participaram do programa se mostram mais alegres e mais confiantes em si mesmas, dizem professores (Foto: Whirlpool/Divulgação)

 

“Quando começamos a pedir aos alunos que trouxessem suas roupas sujas, a frequência melhorou quase imediatamente”, diz a professora Alison Guernsey, que ensina a alunos de 12 e 13 anos na escola David Weir em Fairfield, Califórnia.

A professora notou que seus alunos podiam ser duplamente beneficiados com o programa.

“Esses alunos normalmente são responsáveis por levantar de manhã e se arrumarem por conta própria para ir à escola, muitos deles vêm a pé”, explica Alison. “Se não têm as coisas que precisam, incluindo roupa limpa, eles simplemente não vêm à aula. Por isso, poder lavar a roupa na escola teve um impacto muito forte”.

Discrição
A ausência de roupas limpas pode parecer insignificante se comparada a problemas como desemprego e racismo, mas parece ser motivo suficiente para fazer com que uma criança se recuse a estar perto dos colegas e a estudar.

Para não constranger os alunos que necessitem das máquinas de lavar, a professora Alison Guernsey explica que abordou seus estudantes com delicadeza e discrição.

“Nós nos aproximamos pessoalmente das crianças que tinham mais problemas e oferecemos a oportunidade de participar no programa. Nos pareceu a melhor maneira de lidar com a situação. Sou mãe e sei que ninguém gosta de ser julgado. É delicado”, diz Alison.

“Algumas famílias não têm acesso a uma máquina de lavar e secar roupa, talvez porque tenham que pagar extra para usá-la ou simplesmente porque as suas não funcionam. Isso (o programa) ajudou a remover uma barreira”.

Na escola de Alison, as crianças ou os próprios pais levam as roupas sujas no período das aulas.

A escolha de quem participa e de quem entrega as roupas é das famílias. Não são os alunos que usam as máquinas, mas os funcionários da escola.

Pouca gente sabe que a escola está lavando as roupas dos alunos. “Acho que os demais estudantes não sabem o que está acontecendo. Fazemos de forma tão sutil que não é visível. As crianças não aparecem aqui com um grande saco cheio de roupa”, agrega a professora.

As famílias escolhem a melhor forma de levar as roupas e quem as lava são funcionários das escolas (Foto: Whirlpool)

As famílias escolhem a melhor forma de levar as roupas e quem as lava são funcionários das escolas (Foto: Whirlpool)

 

Efeito imediato
Segundo os professores, houve avanços não apenas no combate à evasão evasão escolar, mas no comportamento dos estudantes, que parecem mais sorridentes e motivados.

“Nós percebemos que os alunos estão muito mais felizes. Estão na classe, mostram uma confiança que nem sempre tiveram”, explica Alison.

A professora se diz especialmente marcada pela história de dois alunos. “Eles eram muito tímidos na sala de aula, pouco participativos. Depois do programa, ficaram mais abertos, sorriam”.

Vanessa, que participa no programa, diz que “ter a lavadora e secadora na escola significa que eu não preciso me preocupar com a roupa suja, o que me fez sentir mais animada”.

“Senti que não precisa me preocupar com nada senão estar apredendo na sala de aula. Me enturmei melhor”, agrega a menina de 10 anos.

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