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Especial 70 anos de Stephen King: vida longa ao mestre do terror

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Stephen King rindo na nossa cara (Foto: divulgação)

Stephen King rindo na nossa cara (Foto: divulgação)

Isabel Costa, no Leituras da Bel

2017 pode ser considerado o ano de Stephen King. O mestre do horror, como é conhecido o norte-americano, está em alta no universo literário e cinematográfico. O filme IT: A Coisa, adaptado do best-seller homônimo do escritor, bateu recordes de bilheteria em poucos dias e impulsionou ainda mais as vendas do livro. Além disso, outra obras também ganharam versões para o cinema e televisão. Com mais de 80 livros publicados e traduzidos para mais de 40 línguas, Stephen King, que completa 70 anos de vida nesta quinta-feira, 21, faz jus ao título que recebe.

“Stephen King é extremamente popular, escreve de uma forma fácil de ler, e tem boas ideias. Não há autor mais lido que ele no gênero terror. Além do mais, suas obras parecem ser fáceis de adaptar para o cinema”, explica Lola Aronovich, professora de Literatura em Língua Inglesa da Universidade Federal do Ceará (UFC).

King começou a escrever ainda na faculdade. O autor estudava na Universidade de Maine, nos Estados Unidos, onde assinava a coluna intitulada King’s Garbage Truck e posteriormente passou a lecionar na Academia Hampden.

Na mesma época, ele já esboçava o seu primeiro romance publicado, Carrie. A história da jovem com poderes psíquicos ganhou vida em 1974. Apesar do baixo valor recebido pela editora Doubleday, que lançou o livro na época, a obra rendeu a King reconhecimento como autor e um ótimo retorno financeiro com os direitos autorais. Logo após Carrie, King deixa de lecionar e passa dedicar-se somente a produção literária e se muda com a família para o Colorado. E foi lá que nasceu The Shining, O Iluminado (1977).

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A obra, aclamada pela adaptação cinematográfica do diretor de Stanley Kubrick, foi a o primeiro grande best-seller de King. Com a história de Jack – um escritor com sérios problemas com a bebida que que fica encarregado de supervisionar o The Stanley Hotel durante o inverno, e é atormentado por fantasmas junto com a família – King tornou-se referência no gênero literário de terror.

“O elemento de terror dentro de maior parte das obras do King apresenta uma característica bastante peculiar. O autor consegue brincar bem com a mistura entre elementos ‘reais’ e a ‘fantasia’. A passagem entre esses campos se faz de forma fluida, o que resulta em uma sensação mais palpável daquilo que seria impossível”, ressalta o psicanalista Túlio Tavares.

Para Lola Aronovich, outro ponto forte de King é a narrativa. Fluída, ela prende o leitor. A professora atribui, principalmente, a este aspecto o sucesso do norte-americano. Desde O Iluminado, King passou a publicar histórias em curto espaços de tempo. “É jeito atraente que prende a atenção o fato de tantos dos seus livros serem adaptados para as telas aumenta muito seu leitorado”, reforça.

O fato é que essa facilidade de acesso às obras de King, só o aproxima ainda mais do seu público. Para Lola, a internet tem ajudado na divulgação e propagação do gênero de terror e que esse ‘boom’ pode trazer ainda mais frutos para a carreira de King. “Talvez o aumento de vendas do gênero terror se deva às redes sociais. Hoje há muitos fóruns para que leitores discutam as obras, e a influência dos fanfics também não pode ser descartada. Ou seja, as pessoas têm a oportunidade de interagir muito mais com as obras que amam do que tinham antes da internet”, finaliza.

Leia entrevista sobre literatura e terror

Túlio Tavares, psicanalista

Leituras da Bel – A partir de um ponto de vista psicológico, quais elementos das obras de King que as fazem ser consideradas como histórias de terror?
Túlio Tavares – O elemento de terror dentro de maior parte das obras do SK apresenta uma característica bastante peculiar. O autor consegue brincar bem com a mistura entre elementos “reais” e a “fantasia”. A passagem entre esses campos se faz de forma fluída, o que resulta em uma sensação mais palpável daquilo que seria impossível. Freud, em seu texto “Além do princípio do prazer”, de 1920, distingue angústia, medo e terror. Angústia se trata de um estado de expectativa de que algo ruim está prestes a acontecer, mesmo que não se saiba do que se trata. Já o medo necessita de um objeto que cause o medo, objeto conhecido que pode se apresentar. O terror se refere à apresentação de um objeto que cause um estado de extremo desconforto de forma inesperada, repentina, de forma que a capacidade de elaboração do sujeito diante desta experiência fica comprometida, podendo causar os mais diversos tipos de reação. SK trabalha muito bem com estas 3 experiências, mas principalmente com a angústia e o terror.

Leituras da Bel – Na sua opinião, porque os livros causam essa sensação? Existe algum tipo de linguagem ou elemento que cause isso?
Túlio Tavares – O autor consegue trabalhar bem com a passagem de elementos reais e a fantasia. Isto traz uma constante sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento dentro de suas obras. Um elemento muito utilizado para atingir este efeito diz respeito ao modo como o autor se utiliza de um certo tipo de maldade que está dentro do próprio homem. Isso pode ser observado em livros como A espera de um milagre, onde o grande “monstro” não é um ser com poderes sobrenaturais. Trata-se de um criminoso que, ao longo da história, descobrimos que realizou atos abomináveis de forma fria e que poderia ser alguém que poderia ser parte do convívio do leitor. No livro Sob a redoma também podemos ver como uma situação de isolamento faz com que as leis e os costumes sociais usuais sejam descartados, fazendo que as pessoas que estão confinadas naquele espaço possam realizar atos vistos como terríveis. Outro elemento bastante utilizado pelo autor é o caráter inexplicável de alguns seres e fenômenos. Isto pode ser claramente observado no livro A coisa, cujo próprio nome já indica o elemento mais assustador do antagonista da história. Pennywise é assustador por não ter uma forma definida. Seus objetivos e os limites de seus poderes são desconhecidos, fazendo com que ele seja visto como a representação do próprio mal. Uma coisa, um estranho, cujo caráter ameaçador é reforçado diante daqueles que são alvos de suas ações: simples crianças indefesas. Através da passagem pela humanidade das situações, do caráter estranho e inexplicável de certos eventos, e a sensação de impotência apresentada pelos seus protagonistas, Stephen King acaba por fazer com que a sensação de terror de suas histórias seja algo constante e muito palpável.

Livros indicados por fãs

Isabelle Lima, Designer de Moda
Salém, 1975

Vampiros? Salém é o livro certo! Um escritor volta para a cidade em que viveu durante a sua infância, Jerusalem’s Lot, para escrever sobre uma casa que possui uma fama negativa. Surge na cidade um senhor que vai morar nessa casa, abre uma loja e começa a ocorrer coisas estranhas com os moradores da cidade. É o segundo livro publicado pelo autor e às vezes pode lembrar a história do “Drácula”, porém é bem mais assustadora.

Willian Rocha, Designer Gráfico
It, A Coisa, 1986
Em um dia de chuva, Bill Gago constrói um barquinho de papel para o seu irmão Georgie ir brincar na chuva e, infelizmente vai se encontrar com A Coisa, conhecido como Pennywise e que volta a cada 27 anos. O “clube dos otários” é composto por crianças que já encontraram a Coisa em diferentes feições e vão tentar destrui-lo ainda quando são crianças. Fazem um pacto de que se ela voltar um dia, irão se reunir novamente. A história se intercala quando estão com 40 anos e não lembram muito bem o que aconteceu anteriormente. You’ll float too!

Natasha Lima, universitária
O Iluminado, 1977
Um pai com problemas alcoólicos, uma criança iluminada e uma mãe mais feroz que uma leoa. Personagens reais que poderiam estar do seu lado. O melhor para mim foi usar elementos reais, não um monstro ou demônio. Enquanto lia O Iluminado roia todas as unhas de medo. O melhor da escrita de Stephen King é que você pode ler a qualquer hora do dia, mas sempre vai ter medo de virar a pagina.

Valdir Muniz, Designer Gráfico e ilustrador
Saco de Ossos, 1998
Saco de Ossos foi, com certeza, é um dos livros do King que mais me intrigaram. Nessa história, você já começa com aquele sentimento de “Mas o que é que tá acontecendo aqui?”, sabe? A gente tem mais um escritor com problemas, mas que vai cada vez mais esbarrando no impossível e na própria loucura. Engraçado como os personagens mais improváveis se tornam os mais assustadores nesse livro! Um dos melhores, na minha opinião.

Stephen King volta ao terror em novo romance

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‘Revival’ mostra reverendo que desenvolve poder de ressuscitar os mortos. Livro sai no Brasil em 2015

Stephen King em evento de divulgação de 'Doutor sono', continuação de 'O iluminado' - Francois Mori / AP

Stephen King em evento de divulgação de ‘Doutor sono’, continuação de ‘O iluminado’ – Francois Mori / AP

Breno Salvador em O Globo

RIO — Mestre do suspense, Stephen King não para de lançar novos livros. O autor de “O iluminado”, “Carrie, a estranha”, “À espera de um milagre” e a saga “A Torre Negra” agora lança nos EUA “Revival”, seu mais novo romance. Agora, ele retorna ao terror, gênero de alguns de seus livros mais conhecidos.

1Em “Revival”, que deve estrear no topo das listas dos mais vendidos (assim como os demais romances recentes de King), a história principal é dividida entre cerca de 50 anos. O garoto Jamie Morton e o reverendo Charles Jacobs criam uma relação profunda em 1962, quando se conhecem. O pastor usa um aparelho elétrico para curar doentes, e chega ao ponto em que consegue ressucitar os mortos — de onde nasce o suspense da história.

Como é de praxe, o romance se passa no estado do Maine, origem do autor e cenário de grande parte de seus livros. Segundo a Simon & Schuster, que publica o autor nos EUA, é a primeira vez nos últimos em que ele retoma o terror de “Carrie”, “O iluminado”, “A coisa” e outros clássicos.

Recentemente, King lançou mais um volume da saga “A Torre Negra”, a ação “Novembro de 63” (em que um professor volta ao tempo para impedir o assasinato de John F. Kennedy), o suspense fantástico “Doutor sono” (continuação de “O iluminado com um Danny Torrance crescido e dotado de poderes especiais) e os romances de crime “Joyland” e “Mr. Mercedes”.

Segundo o selo Suma de Letras, da Objetiva, “Revival” sai no Brasil em novembro do ano que vem. Outros lançamentos próximos são “Full dark, no stars”, uma coletânea de contos inéditos, “On writing”, ensaio sobre escrita e memórias do autor (ambos programados para abril) e “Joyland” (agosto).

King já lançou quase 60 romances, além de livros de contos e ensaios. Ele vendeu mais de 350 milhões de exemplares, no geral, e continua sendo adaptado para cinema e televisão.

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