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Posts tagged caso

The Outsider, obra de Stephen King, ganhará série pela HBO

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Daniel Estorari, na Torre de Vigilância

A HBO anunciou que está produzindo um seriado de The Outsider, livro de mesmo nome lançado em 22 de Maio de 2018 escrito por Stephen King, um dos autores mais prestigiados das últimas décadas.

Ben Mendelsohn atuará na produção ao mesmo tempo que será o produtor executivo, ao lado de Richard Price, Jack Bender, Aggregate Filmes e Jason Bateman. Até o fechamento dessa matéria, não foi revelado o número de episódios que a primeira temporada terá e quando ela irá ao ar.

Na obra, um policial investiga o caso de um menino desaparecido, que posteriormente é encontrado morto na floresta perto de sua casa. Mas, o que o policial não esperava, era uma força sobrenatural envolvida no caso e que fará de tudo para distorcer a realidade de todos aqueles que habitam a cidadezinha local.

Cantinho da leitura: veja dicas para guardar seus livros ocupando pouco espaço

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shutterstock

O cantinho da leitura é o sonho de todo viciado em livros: siga as digas e crie seu lugar especial gastando pouco

Às vezes, onde você menos imagina, dá para guardar livros sem dor de cabeça

Publicado no IG Delas

Quem gosta de ler está sempre comprando novos livros. O problema, no entanto, é que todo devorador de histórias sofre com a falta de espaço em casa. Pensando nisso, o Delas
resolveu dar algumas dicas para quem deseja criar um cantinho da leitura, mas não faz ideia de onde colocar a querida coleção.

Antes de começar a montar o seu espaço, lembre-se de organizar os livros e separar os que te fazem lembrar alguém. Se achar interessante, presenteie essas pessoas com alguns e facilite a montagem do seu cantinho da leitura
. Pense que quantidade não é qualidade, e com um número menor de livros, encontrar um espaço ideal para guarda-los fica muito mais fácil.

Confira espaços para montar o seu cantinho da leitura

Separamos algumas ideias que estão arrasando no Pinterest com a organização dos livros. Use a criatividade, aproveite para se inspirar e decore a sua casa.

1. Embaixo da escada

Reprodução/Pinterest

Já pensou em ter um cantinho da leitura embaixo da escada? Se houver bastante espaço, coloque almofadas e faça a festa

Caso você more em uma casa com escadas, aproveite esse espaço perdido. Mande embora essa ideia de que passar embaixo dela dá azar e coloque seus livros em prateleiras ou até mesmo em uma mesa. Se o espaço for grande, aposte em um tapete com almofadas e ganhe um local confortável e tranquilo para viajar com suas histórias.

2. Atrás da porta

Reprodução/Pinterest

Pensou que atrás da porta o espaço estava perdido? Que nada! Coloque seus livros lá atrás e arrase na decoração

Caso a escada não seja um espaço viável ou suficiente
, uma dica legal pode ser aproveitar a parede que fica atrás da porta de um dos quartos. O espaço, que geralmente fica vazio, pode ganhar pequenas prateleiras que deixem os livros em pé. Além de ser uma forma inteligente de usufruir o espacinho, não deixa de ser uma decoração para o cômodo.

3. Embaixo da cama

Reprodução/Pinterest

Ler antes de dormir é um hobby da maioria dos devoradores de livros. É difícil encontrar um cantinho da leitura melhor

Ainda pensando nos quartos, uma solução para a falta de espaço pode ser a sua cama. Não, você não vai dormir abraçada com os livros. A ideia, aqui, é coloca-los embaixo do leito. Além de facilitar a leitura na madrugada, os livros embaixo da cama podem ficar bem organizados. Muitas lojas de móveis, inclusive, já estão vendendo camas com uma abertura para eles.

4. Embaixo da mesa

Reprodução/Pinterest

Ganhar espaço colocando livros embaixo da mesa não é uma má ideia. Várias blogueiras estão apostando nisso

Simples e sem segredo algum, as mesas também podem te ajudar nessa missão quase impossível, de construir um cantinho da leitura
com pouco espaço. Livros empilhados embaixo de mesinhas podem, sim, deixarem o espaço fofo e delicado. Caso resolva apostar nessa ideia, porém, não se esqueça de guarda-los em ordem de tamanho. Depois, é só aproveitar para curtir a nova decoração.

Professora é substituída após dar aula sobre religião africana em escola no Ceará

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Professora é substituída após dar aula sobre religião africana em escola no Ceará (Foto: Arquivo pessoal)

Secretaria da Educação de Juazeiro diz que a docente continua nas funções, mas ela está sem dar aulas em escola pública desde 20 de abril.

Publicado no G1

professora de história Maria Firmino, 42, foi afastada da sala de aula na Escola de Educação Infantil e Fundamental Tarcila Cruz de Alencar, em Juazeiro do Norte, no Ceará, após ter dado aula sobre “patrimônio material, imaterial e natural de matriz africana”, em 20 de abril.

A Secretaria da Educação de Juazeiro do Norte informou, por meio de nota, que não foi procurada pela docente e que a profissional continua no exercício das suas funções. Já a professora e funcionários da escola afirmam que ela está fora da sala de aula desde abril.

Maria registrou um boletim de ocorrência sobre crime contra o sentimento religioso na Delegacia Regional de Juazeiro do Norte. A delegacia da cidade apura o caso.

Caso ocorreu na escola Tarcila Cruz Alencar (Foto: Divulgação)

Durante a aula, três alunos alegaram terem sentido mal-estar com o conteúdo da aula. Conforme Maria, o episódio foi uma “trama” feita por outros servidores da escola por não aceitarem uma professora de religião africana na unidade.

“Fiquei assustada, chocada e de coração partido de ter visto aquilo, alunos fazerem parte do que parecia uma trama”, completa Maria.

Segundo a professora, os alunos deixaram a sala dizendo sentir mal-estar e forte dor de cabeça. Nenhum atendimento médico foi solicitado pela escola, segundo a professora. O caso gerou uma manifestação dos pais dos estudantes.

“Quando eu ia saindo na calçada comecei a ouvir gritos de ‘sai satanás’, ‘vou pegar essa feiticeira’, ‘ninguém pode mais do que Deus’. Só via gente descendo de carro, gente olhando, populares vindo”, conta a professora.

Maria afirma que não recebeu apoio da direção ou de funcionários durante o ocorrido.

Com o ocorrido, o advogado da professora foi avisado de que a instituição pretendia transferi-la para o setor burocrático. “Eles estão colocando que eu não tenho mais condição de estar em sala de aula, isso é uma forma de punição. Eu posso até ir [para o setor burocrático], desde que a minha função seja fazer com que as escolas coloquem em prática a Lei de Diretrizes e Bases, que diz que a educação tem obrigatoriedade de ensinar a cultura africana”, ressalta Maria.

Repercussão

O advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Juazeiro do Norte, Rafael Uchôa, acompanhou a educadora até a delegacia regional para registrar o fato. Ele confirma que o caso ganhou repercussão na cidade.

Ao G1, a Secretaria da Educação de Juazeiro alegou não ter tomado conhecimento do ocorrido até o contato da reportagem. No entanto, no boletim de ocorrência registrado pela professora, ela afirma que a secretária da Educação de Juazeiro do Norte, Maria Loreto, compareceu à escola para reunião com o colegiado.

A agente administrativa da escola, Adriana Ricarter, estava no local no dia do ocorrido e foi quem deu assistência às estudantes. Pelo relato dela, a diretora não estava na instituição quando tudo ocorreu, mas um outro responsável, identificado como Cícero, chegou ao local momentos depois. Segundo Adriana, Cícero repassou os fatos à Secretaria da Educação.

Também de acordo com a agente, na segunda-feira seguinte ao caso, um professor substituto foi enviado pela secretaria passou a dar aulas na escola.

Boletim de ocorrência referente a crime contra o sentimento religioso é registrado por professora na Delegacia Regional de Juazeiro do Norte. (Foto: Maria Firmino/ Arquivo Pessoal)

Cultura afro-brasileira

Lembrando a lei federal 11.645, sancionada em 2008, que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, Maria faz críticas à escola por não cumprir as diretrizes.

“Na aula anterior eu trabalhei a cultura indígena e marquei pra trabalhar as heranças de matriz africana naquele dia. Eu trabalho dentro da lei 11645/08, porém, as escolas não. Aí quando chega no Dia do Índio e da Consciência Negra fazem três desenhos e pregam na parede.”

Maria segue a religião africana candomblé de Angola e tem 20 anos de magistério.

Ela conta que há quatro anos trabalhou na escola Tarcila Cruz de Alencar e pediu transferência após outros professores levantarem um abaixo-assinado contra a permanência dela na instituição. O retorno à escola se deu pela localização mais favorável. A professora mora em Missão Velha, a cerca de 30 km de Juazeiro do Norte.

Tive uma ‘vibração de santo’ dentro da sala de professores. Eles me mandaram procurar um psiquiatra, disseram que eu não tinha capacidade de trabalhar, chamaram o colegiado e assinaram abaixo-assinado pra eu sair de lá”, relata.

Segundo ela, a vibração de santo consiste em receber uma energia que causa estremecimento no corpo e deixa a pessoa sem fala, sem consciência de si e do lugar por um determinado tempo. A docente diz também ter explicado previamente aos colegas de trabalho que poderia passar por isso, já que sentia mal-estar naquele dia.

Antes dos dois episódios na escola de Juazeiro, Maria nunca havia passado por situações semelhantes, mas afirma estar acostumada a lidar com o “preconceito velado”, já que costuma usar adereços que identificam sua ligação com a religião africana, como colares de conta. “Venho sentindo a rejeição nas escolas por onde passo, as piadinhas, o isolamento…”

Academia Sueca confirma vazamento de vencedores do Nobel de Literatura

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Fachada da Academia Sueca, em Estocolmo – JONATHAN NACKSTRAND / AFP

Instituição prometeu reformular regras para evitar incidentes semelhantes

Publicado em O Globo

RIO – A Academia Sueca, responsável pelo Nobel de Literatura, confirmou nesta sexta-feira que os nomes de alguns vencedores passados foram vazados. A instituição prometeu reformular as regras do prêmio.

LEIA MAIS: Nobel vive crise com caso de assédio sexual e vazamento de vencedores

Também disse que as acusações de má conduta sexual envolvendo um homem casado e uma integrante da entidade não eram conhecidas de “forma generalizada” dentro da Academia.

Foi durante a investigação do escândalo sexual contra o fotógrafo Jean-Claude Arnault que surgiram as alegações sobre o vazamento dos vencedores anteriores. Agora, a Academia, fundada em 1786, contratou uma empresa para investigar o incidente.

“A investigação mostra que houve violação de regras de confidencialidade da Academia em relação ao trabalho do Prêmio Nobel de Literatura”, disse a instituição em comunicado.

A fonte do vazamento não foi identificada.

A investigação também mostrou que houve “comportamente inaceitável, na forma de ato íntimo indesejado” por parte do homem. O caso, no entanto, não era “amplamente conhecido” dentro da Academia. O relatório sobre as descobertas será entregue às autoridades.

O advogado de Arnault não comentou o assunto. Em outras ocasiões, ele afirmou que seu cliente nega as acusações.

Arma, choque e socos: veja como a agressão na escola mudou a vida de professores

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Brasil está no topo do ranking da violência contra professores, segundo estudo de 2013 da OCDE. G1 ouviu a história de cinco professores sobre a vida depois do trauma.

Luiza Tenente e Vanessa Fajardo, no G1

Desistir ou insistir? O dilema sobre o que fazer com a carreira foi uma das consequências na vida de professores vítimas de violência no Brasil, país que aparece no topo do ranking global das agressões, segundo a OCDE. Antes da agressão contra Marcia Friggi, professora em Santa Catarina, o G1 já havia reportado dezenas de casos em anos recentes.

Muitas vezes, as vítimas, por medo, não denunciam o abuso que sofreram. Por isso, não há sequer estatísticas atuais sobre o tema.

Abaixo, cinco professores revisitam suas histórias e explicam qual caminho escolheram: desistir ou insistir.

Agressão com arma de choque

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CASO: Em maio do ano passado, o professor Anísio André Santos Júnior foi agredido com uma arma de choque por um estudante dentro de uma escola estadual na cidade de Esplanada, a cerca de 170 km de Salvador. Anísio machucou o nariz e sofreu várias escoriações após cair no chão, por causa da descarga elétrica que recebeu.

“A arma parecia uma lanterna pequena, ele usou no meu braço, eu não vi. Bati meu rosto, me machuquei. Fiquei 15 dias afastado. Dou aulas desde 2005, e, nesta escola, desde 2009. Continuo dando aula na mesma escola [Escola Estadual Celina Saraiva]. Na época, ela deu o apoio que eu precisava.

O aluno foi suspenso até a família se pronunciar, a família apareceu na escola. Ele retornou para a sala de aula, não foi justo eu passar por essa humilhação. Ele era menor, eu entrei com processo, mas parece que foi arquivado no Fórum de Esplanada. Ele era violento, já teve outro problemas. Tinha queixa de professores sobre comportamento dele. Ele voltou para a escola, mas não concluiu o ensino médio. Não sei o rumo que tomou.

“Não pensei em desistir porque escolhi ser professor. Não ia abrir mão do que acredito. Na época pensei em pedir transferência da escola, mas não era justo eu mudar a minha vida por conta de um adolescente que nunca entrou na aula para estudar.”

A violência na sala de aula está muito crescente. Muitos adolescentes estão ali só cumprindo tabela. Fora a agressão psicológica que vivemos constantemente. Sobre este caso da professora de Santa Catarina, e se fosse o contrário? Se a professora tivesse agredido o aluno, provavelmente estaria detida. Que Justiça é essa? Dois pesos e duas medidas?”

Chutes nas costas

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O CASO: Em uma escola estadual de Rio Preto (SP), em março de 2016, Aparecido estava preparando um seminário sobre violência em sala de aula, quando viu um aluno com o celular na mão. Pediu para o estudante guardar o aparelho e ele se recusou. Diante disso, o docente encaminhou o jovem para a direção. O aluno, no entanto, esperou o professor na porta da sala e quando ele saiu, deu chutes e socos nas costas.

“Depois de ser agredido sem motivo nenhum, eu me sinto refém dessa violência que acontece todos os dias. Ainda trabalho na mesma escola, é uma escola de periferia, a diretora faz das tripas coração para tudo correr bem, mas é difícil.

Na semana passada, um professor foi agredido verbalmente. Estou tomando remédio para me acalmar e controlar o emocional, mas nunca precisei de nada disso. Dar aulas está muito difícil. O ECA não protege os professores, estamos abandonados.

Na época, não tive nenhum apoio, precisei pagar um psiquiatra porque o convênio do Estado não cobria. Primeiro abalou meu emocional, depois foi o físico. Fiquei oito meses afastado. Tenho hematoma na perna esquerda. Uma das minhas vértebras foi comprimida pela violência do choque traumático.

Como eu tinha uma hérnia de disco, fisicamente nunca mais fui o mesmo. E na sala de aula nunca mais tive a mesma segurança. Continuo com medo. O menino passou 90 dias recolhido na Fundação Casa, agora está em liberdade, mas eu nunca mais o vi. ”

“Já pensei em desistir de dar aulas. Fica difícil trabalhar em um lugar onde você não tem paz. Eu não estou lá para isso, palavrão eu ouço todo dia.”

Soco de um aluno de 12 anos

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O CASO: Em Rondonópolis (MT), em maio de 2015, a professora Luciene Fátima Carloto, que atuava na coordenação pedagógica, levou um soco de um aluno de 12 anos dentro da instituição de ensino.

“(Após a agressão), tive dois meses de licença médica, sem vontade de voltar. No decorrer do tratamento fui percebendo que um aluno não poderia estragar minha carreira, que foi construída com dificuldades.

É horrível. Uma sensação de impotência. Parece que meu diploma foi rasgado e o mais difícil é saber que as agressões continuam por este país afora. Depois que eu falei publicamente do meu caso, parece que outras professoras resolveram falar também. Não falavam antes por vergonha ou por acreditarem que nada acontece??? As agressões são constantes, não digo apenas da física, mas principalmente da verbal.

“Quase que diariamente os professores são xingados pelos alunos, infelizmente ocorre uma distorção de educação e respeito. Os pais estão transferindo a educação familiar para a escola.”

Minha família deu apoio, sempre preocupada com meu estado emocional. Depois da licença médica, voltei e ao término do ano fui convidada pelos pares a candidatar à direção da escola, assim eu fiz e estou na direção desde 04/01/2016. Algumas pessoas falaram para eu aposentar, já que faltava pouco tempo, mas resolvi voltar e sempre fui tratada por todos com bastante cuidado.

Na escola, o caso foi tratado com muito cuidado e delicadeza, os pais ficaram emocionados com minha narrativa, pois expus em reunião geral antes de sair de licença. Eles precisavam ouvir de mim como tudo aconteceu, pois infelizmente alguns canais da imprensa acabam distorcendo algumas coisas. Nunca fui chamada para depoimento na delegacia. Apenas em uma ocasião no conselho tutelar, não fiquei bem, meu corpo tremia muito. Não sei por onde anda o menino. O final dessa história quem colocou um ponto final fui eu.”

Ameaçada por aluno armado

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O CASO: Em 2009, Rosemeyre de Oliveira foi ameaçada por um aluno armado em uma escola estadual de São Paulo (SP). Não conseguia mais voltar para a sala de aula, então procurou tratamento psiquiátrico e foi afastada. Depois de várias licenças médicas, desistiu de exercer a função de professora e pediu para ser readaptada. Desde então, trabalha na secretaria de um colégio estadual. Em dezembro, encerrará seu doutorado sobre professores readaptados.

“Em 2009, fui ameaçada por um aluno traficante, que estava armado dentro da escola. Depois disso, tentei várias vezes voltar para a sala de aula, mas não consegui. É progressivo. Eu ia trabalhar às 18h, mas chegava o meio-dia e eu já começava a ficar nervosa. Passei a nem atravessar a rua mais. Tive síndrome do pânico.

Até eu notar que precisava de ajuda, demorou um pouco. Fui à psiquiatra e ela me afastou. Na primeira consulta, eu só chorava, nem conseguia dizer que era professora. Foram licenças e afastamentos de 45 a 60 dias. Acabava a licença e eu não conseguia voltar. Até que decidi jogar a toalha e ser readaptada. Isso acontece com professores afastados, que voltam para ocupar uma nova atividade profissional, não mais em sala de aula. Eu, por exemplo, passei a trabalhar na secretaria de outra escola, cuidando dos prontuários dos alunos.

“A gente não é respeitado quando é readaptado. É assédio atrás de assédio. Vira só a “tia da secretaria”, nem os colegas me veem como professora. Todos acham que estou fazendo corpo mole, fingindo que não consigo dar aula.”

Nas redes sociais, vi que vários outros professores readaptados passavam por constrangimentos – então decidi estudar sobre isso. Entrei no doutorado na PUC-SP, em linguística aplicada, para investigar os sentidos e os significados do trabalho do readaptado. Defendo minha tese ainda nesse ano.

Casos como o meu vão continuar acontecendo, porque não existe punição para o aluno. Ele sabe que no máximo vai ser transferido para outra escola ou suspenso por alguns dias. Mas o professor não consegue mais voltar para uma sala de aula.”

Tiros na saída da escola

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O CASO: Em outubro de 2012, M.L. foi abordada por um ex-aluno e por outros dois adolescentes no estacionamento da escola municipal onde lecionava, em São Paulo. Os jovens anunciaram que roubariam o carro da professora. Um deles disse “hoje você vai morrer” e atirou duas vezes em direção à cabeça da docente, mas a arma falhou. Na terceira tentativa, M.L. foi atingida na coluna. Ela foi operada para retirar a bala e tem sequelas motoras, neurológicas e psiquiátricas.

“Entrei em depressão pós-traumática depois da cirurgia. Não sei o que teria sido de mim sem meu apoio familiar. Porque não tive nenhuma assistência do Estado. Foi humilhante. Fiz quatro perícias, tenho toda a documentação e o Estado continua dizendo que devo R$ 14.800,00 – eles não consideram minhas licenças médicas, então querem me penalizar como se eu tivesse faltado no trabalho. Estou processando a prefeitura, pelos danos morais e materiais para pagar meu tratamento, e o Estado, para conseguir minha aposentadoria.

Não consigo ir para lugar movimentado, passeata, show. Só saio durante o dia, em lugar protegido. O professor não tem estrutura para exercer sua profissão – não tem apoio psicológico ou emocional.

Soube que os meninos que me assaltaram foram para a Fundação Casa na época. Três meses depois, foram soltos. Acho que um deles chegou a ser preso quando completou 18 anos, mas não tenho certeza. Se eu os desculpo? Sim, desculpo. Mas o trauma que isso me causou, eles não têm noção.

Sinto que a dor poderia ter acabado na hora do tiro. Pensei em me matar várias vezes, sou uma suicida em potencial. ”

“As pessoas não imaginam o que acontece na escola pública. Apesar disso tudo, não me arrependo de ter investido na área de educação. Nasci para dar aula. É uma pena que isso não tenha sido valorizado.”

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