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Escritores recorrem à vaquinha virtual para publicarem seus livros

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Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos

Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos

Publicado no Jornal do Dia

Apesar de grandes chavões como “ninguém lê no Brasil” e “a literatura não dá dinheiro”, o sonho de muita gente ainda é lançar um livro. Contudo, ter sua obra publicada por uma editora já consolidada permanece sendo um caminho difícil de trilhar, que em alguns casos requer anos de insistência. Outra via é a autopublicação ou as editoras que cobram para colocar qualquer tipo de livro no mercado, entretanto, nesse caso, o escritor terá que tirar dinheiro do seu bolso para que sua arte ganhe vida.

Agora, uma terceira via que anda fazendo sucesso em diversos segmentos no Brasil começa a também ser explorada pela literatura: a “vaquinha virtual”). A proposta é simples: o escritor disponibiliza sua ideia em um site, explica o seu projeto, apresenta todos os custos envolvidos e oferece cotas de patrocínio para que pessoas que sentirem afinidade com o texto possam lhe ajudar. As recompensas para os mecenas de nossos dias podem ser diversas, mas sempre incluirão um exemplar da obra, é claro – ou seja, a venda é feita antes de o produto de fato existir.

O escritor Kadu Lago recorre há tempos a essas vaquinhas, desde muito antes de virarem uma tendência. Ainda em 2010, em uma comunidade do Orkut, levantou aproximadamente oito mil reais para lançar o seu romance “Confissões ao Mar”, com cada interessado contribuindo com ao menos cem reais e recebendo três exemplares como recompensa.

Já em 2014, para lançar a quarta edição da obra, recorreu ao Bookstart, site especializado em financiamentos coletivos para livros. Com cotas que iam de R$ 15 (em troca de uma versão digital da narrativa) a R$ 1500 (para quem quisesse ter sua marca impressa em todos os exemplares da edição), conseguiu, com 88 apoiadores, arrecadar R$ 8.440.

Vender essas cotas, aliás, é a parte mais difícil da empreitada, segundo Kadu. “Você pode montar o melhor projeto possível, se não tiver um ótimo relacionamento na rede, vai ficar difícil levantar a campanha, que, seja onde for, não acontece sozinha. Não dá para criar um projeto, jogar na internet e ficar esperando ele acontecer. Você é responsável por fazer com que ele aconteça”, diz o escritor.

Engajamento e comprometimento

O Bookstart, site ao qual Kadu recorreu para lançar a quarta edição de seu livro, surgiu em 2014 e pretende, ao longo dos próximo meses, publicar entre 20 e 25 obras por mês por meio de financiamento coletivo, com uma venda de pouco mais de mil exemplares mensais.

“Temos, atualmente, no mercado editorial, exemplos de autores brasileiros que deram certo não apenas pela qualidade de seus trabalhos, mas sobretudo pela carência que nossos leitores sentem falta de boas obras produzidas aqui”, diz Bernardo Obadia, sócio-diretor da empresa, ao argumentar sobre a iniciativa. “Acreditamos que a fama de que brasileiro não lê está no passado e tende a ser cada vez mais suplantada por uma realidade que já está acontecendo”, continua.

Obadia explica que a empresa tem uma equipe que oferece serviços desde a avaliação do manuscrito até o auxílio com as campanhas de marketing, preocupando-se com todas as etapas do processo para que o livro chegue com qualidade ao leitor.

O sócio-diretor entende que a Bookstart é uma via para que originais muitas vezes ignorados pelas grandes editoras possam, enfim, receber atenção e, talvez, em um segundo momento, de acordo com o sucesso do livro, atrair justamente as editoras maiores. “Uma de nossas competências essenciais é a eficiência em custo, ou seja, precisamos ter um bom planejamento de mídias para fazer com que o projeto atinja a meta o mais rápido possível”.

Realização de um sonho

Provavelmente o site de financiamentos coletivos mais conhecido e utilizado no país, o Catarse conta com duzentos projetos finalizados em Literatura, sendo que, apenas em 2014, foram 53 – contra 24 de 2013 e 14 dos anos anteriores. Isso mostra o grande aumento da tendência, que já colocou a categoria como a quarta com o maior número de inscrições na plataforma.

De todas essas iniciativas, 46% obtiveram exito no financiamento e mais de 13 mil pessoas contribuíram para os projetos, reunindo um montante superior a R$ 1,1 milhão, distribuídos entre requisições modestas, como os 905 reais levantados pelo “Poensamentos”, até cifras bastante respeitáveis, como os 53.470 reais reunidos em torno de “Jovem o Suficiente – O Livro”.

Com um objetivo intermediário, Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos. O escritor diz que durante o processo descobriu uma outra vantagem do sistema. “O financiamento coletivo garante uma divulgação prévia do livro e uma espécie de pré-venda; ao fim do meu projeto, mais de duzentos exemplares já possuíam comprador”.

Para que conseguisse alcançar a meta desejada, Imbriosi apostou em divulgação pelo seu blog, Facebook e centenas de mensagens privadas enviadas a conhecidos, além de um vídeo postado no Youtube. Conta que, ao longo da trajetória, o mais difícil foi saber o modo de divulgar o livro, “para não dar um tom de exigência nem de pedido desesperado”. O desprendimento também foi primordial. “Tive que aprender a olhar minha obra como algo em que vejo qualidade, mas que as pessoas podiam gostar ou não, ajudar ou não. Só assim consegui divulgar de uma maneira em que, acredito, não foi chata nem excessiva”.

Se valeu a pena? Financeiramente, não – ainda ao menos. Apesar do financiamento coletivo amenizar os gastos, as despesas que envolvem todo o processo superam o quanto recebeu com as ajudas. “A única esperança de um escritor ganhar dinheiro no Brasil é a longo prazo, consolidando uma obra de qualidade através dos anos. Não vale a pena entrar nesse caminho pensando pelo lado financeiro”, diz.

A reinvenção de Felipe Folgosi

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A reinvenção de Felipe Folgosi: de galã de novela a autor de HQ indie

Isabela Mena, no Projeto Draft

felipe folgosi

De ator da Globo nos anos 90 a autor de HQ, Felipe hackeou a própria vida para evoluir (foto: Priscila Tessarini)

No imaginário de toda uma geração, o ator Felipe Folgosi, 40, é o jovem galã global da década de 90. Em sua primeira novela, Olho no Olho, de 1993, ele tinha 19 anos e pegou logo o protagonista, Alef, um paranormal que soltava laser azul pelos olhos. Muitos anos depois (mas na mesma galáxia), Felipe está agora na plataforma de financiamento coletivo Catarse para arrecadar 36 mil reais para Aurora, um HQ sci-fi de sua autoria. O personagem da novela foi coincidência do destino: fã incondicional de Guerra nas Estrelas, Felipe é um nerd assumido desde criancinha.

Aurora conta a história de um pescador que após presenciar um fenômeno natural inédito deixa de ser apenas humano. É então perseguido por uma agência sombria do governo americano e precisa salvar sua família, descobrir o que se tornou e encontrar um propósito para o ocorrido, ou seja, responder à pergunta central da trama: o próximo salto na história da evolução humana ocorrerá por meio de um processo natural ou de uma intervenção externa?

folgosi

Aurora, história de Felipe, está sendo desenhada e colorida pelo Instituto de Quadrinhos. O projeto está no Catarse para o custeio da publicação

Concebida há dez anos como roteiro de cinema, Aurora foi adaptada por Felipe para graphic novel por sua paixão pelo estilo — entre suas leituras, desde a infância, estão Mauricio de Souza, Disney, Marvel, DC, Mad, Chiclete com Banana, Milo Manara, Moebius, Asterix e Calvin — e porque ele acredita que, no Brasil, esse é o melhor formato para que a história saia do papel. “A gente não tem tradição em cinema de ficção, os filmes daqui têm uma pegada diferente e a probabilidade de conseguir fazer seria muito pequena. Como quadrinho, já há até interesse para que Aurora vire animação”, diz o autor.

COMO TRANSFORMAR PRECONCEITO EM COMBUSTÍVEL

A parceria com o Instituto dos Quadrinhos (os desenhos e a cor são feitos pela galera de lá, que desenha para Marvel, DC etc) deu ao projeto validação no meio, que Felipe só conhecia como fã. Preconceito? Sim. A fama de ator de TV, que hoje ajuda na divulgação do projeto, já soou estranha no universo da HQ, que tem leitores bastante críticos.

“No princípio, tive que convencer a comunidade dos quadrinhos de que não era um gimmick (truque). Mas eles passaram a abraçar a causa quando viram a parceria e a qualidade dos desenhos. A receptividade e a generosidade estão me surpreendendo”

A campanha no Catarse, que começou no início de outubro, termina neste domingo. Ainda falta pouco mais de um terço para atingir a meta e Felipe têm trabalhado bastante na divulgação: participa de feiras e eventos do meio, posta nas redes sociais (não tem fanpage no Facebook mas seu Instagram tem mais de 5 mil seguidores) e vai a programas de rádio e TV. “O Catarse é uma ferramenta fantástica, que de certa forma liberta o produtor cultural da dependência de leis de incentivo e patrocínios. Além disso, envolve o público, que acaba participando ativamente do projeto. Em uma de nossas recompensas, a pessoa será desenhada e virará personagem da história “, diz ele.

Aurora é apenas um entre vários roteiros que Felipe escreveu para cinema e engavetou. Paralelamente à carreira de ator, que tem quase 25 anos – seu primeiro trabalho na TV foi aos 17 anos, na minissérie Sex Appeal, na TV Globo – ele escrevia e lia livros de roteiristas como Syd Field e Doc Comparato. Agora, decidiu que era hora de tirar os projetos da gaveta. “Pensei, ‘pô, eu tô com 40 anos, o tempo passa rápido e não adianta eu ficar produzindo e não mostrar minha produção’”, conta ele.

“Eu tinha um pouco de medo da crítica com esses meus trabalhos. Pode falar mal de mim, tudo bem, mas se falar mal dos meus projetos, que são do meu coração, vou ficar triste”

O que poucas pessoas sabem é que Felipe já foi premiado como dramaturgo. A peça Um Outro Dia, sobre um jovem viciado em drogas, ficou em primeiro lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia de 2001 (atual Prêmio Funarte) do Ministério da Cultura. A peça não chegou a ser montada. “Foi a confirmação, pra mim mesmo, que eu poderia escrever porque às vezes eu ficava meio na dúvida”, conta. No mesmo ano, ele trancava a faculdade de cinema da Faap, na qual se formou, para se especializar em roteiro na UCLA (University of California, Los Angeles). Nos primeiros anos da faculdade, colaborou como crítico de cinema e shows para o Jornal da Tarde. Chegou a resenhar o show de Wynton Marsalis no Teatro Municipal, em 2000.

No fim deste mês ele estreia em Chiquititas, novela infantil originalmente argentina, produzida aqui pelo SBT desde o ano passado (a partir de 1987 a emissora passou a exibir a novela em sua grade, tanto em versão brasileira gravada em Buenos Aires como na versão original). Felipe já começou a gravar sua participação, de cerca de 80 capítulos e que irá até o fim da trama. “Acho ótimo fazer Chiquititas. Primeiro, porque é um case da teledramaturgia. Segundo, porque nesse tempo todo que tenho de carreira, vejo ondas de público. Essa galera nem tinha nascido na época de Olho no Olho, por exemplo, e quanto mais eu conseguir me comunicar com as pessoas, melhor.”

Olho-No-Olho

Galãzinho, com Selton Mello e Rodrigo Penna, no elenco da novela Olho do Olho

Em 1988, ao finalizar a novela Corpo Dourado, na Globo (sua terceira seguida), Felipe estreou a peça Qualquer Gato Vira-Lata tem uma Vida Sexual Mais Sadia do que a Nossa, escrita por Juca Oliveira e dirigida por Bibi Ferreira. Era uma volta às suas origens já que tinha estudado, ainda adolescente, no Teatro Escola Célia Helena, em São Paulo. No total, foram cinco anos com a peça (três antes e dois na volta dos Estados Unidos) e mais de mil apresentações. “Sempre fiz teatro entre os trabalhos da TV e essa peça foi uma escolha muito certa porque foi um sucesso, mais de um milhão de pessoas viram”, diz.

Em 2000, Felipe estreou sua primeira novela na Record mas voltou à Globo três anos depois, pela última vez (até agora), para uma novela. Desde então vêm alternando trabalhos no SBT, na Band (onde apresentou o programa Acredite Se Quiser, em 2011), e na Record – nesta última, participando de uma edição do reality show A Fazenda, em 2012 (ficou em segundo lugar) e das novelas de Tiago Santiago (Prova de Amor, Caminho do Coração e Mutantes) que mexeram com os nervos e com a audiência globais.

“Essa coisa de que há mais exposição quando você trabalha na Globo é relativa porque, mesmo lá, não é toda novela que dá certo e nem sempre seu núcleo está bombando. Você não tem muita garantia nesse sentido”

Ele prossegue, dizendo que a visibilidade da Globo gera, de fato, mais trabalhos paralelos: comerciais de TV, desfiles, presenças em eventos. “Para compensar isso as outras emissoras pagam melhor e acho que vale mais a pena ser bem remunerado no seu trabalho do que ter que complementar”, afirma.

Felipe diz que ser ator é sua atividade principal mas não vai mais deixar engavetadas suas criações de cinema, teatro, quadrinhos. Ou música. Ele escreveu a letra e acabou de produzir o clipe de Vem Brilhar, do amigo Harada.

Mas dentre todas essas áreas, em qual Felipe se realiza mais? “Não sei… Mas se você quiser saber qual é o meu sonho, é fazer um dos novos filmes do Guerra nas Estrelas”, diz rindo. “Um sonho mais realista é criar um universo meu do Guerra nas Estrelas, seja atuando, escrevendo, dirigindo… Talvez esse projeto seja Aurora“, diz.

No que depender do Catarse, faltam cinco dias para uma definição. Que a força esteja com ele.

Quadrinista uruguaio faz ‘poesia gráfica’ com cotidiano

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Douglas Gravas, na Folha de S.Paulo

Nos desenhos de Gervasio Troche, 37, maestros regem cruzamentos para controlar o trânsito de notas musicais, homens se equilibram na linha do horizonte —e não estranhe se uma árvore resolver brincar de balanço.

O uruguaio é integrante de uma safra de quadrinistas latino-americanos, como os argentinos Ricardo Liniers e Pablo “Kioskerman” Holmberg, que se preocupam em publicar obras mais autorais.

Ele lança no Brasil “Desenhos Invisíveis”, coletânea de quadrinhos publicados entre 2009 e 2012 em seu blog (portroche.blogspot.com).

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O artista veio ao país para uma série de encontros viabilizados por meio de um financiamento coletivo criado pela editora no site Catarse.

Em 45 dias, mais de 300 pessoas contribuíram com um total de cerca de R$ 18 mil, para custear os eventos em quatro cidades. Ele já esteve em São Paulo e no Rio, estará em Curitiba nesta segunda (29), às 19h, na Itiban Comic Shop (av. Silva Jardim, 845; tel. 41-3232-5367) e no Recife, na quinta e na sexta (2 e 3).

Suas histórias não têm diálogo e muitas vezes se resolvem em uma imagem, como “poemas gráficos” que revelam perspectivas inusitadas e mais gentis do cotidiano.

“Nos desenhos, tento atingir alguém que pensa como eu, mas que não conheço. Acho que tento ser compreendido pelo outro, me inspirar naquilo que nos faz humanos”, diz Troche.

Filho de artistas militantes do grupo de esquerda Tupamaros, Troche nasceu na Argentina nos anos 1970, após seus pais deixarem o Uruguai, então sob uma ditadura que se arrastaria por quase 12 anos.

Ele passou a infância no México e na França, até a família voltar ao Uruguai, onde ele se naturalizou e ainda vive.

“Como era criança, amava todos os lugares em que vivi. Aquele exílio era dos meus pais. Pude entendê-los quando a família voltou para o Uruguai, perder raízes é difícil para qualquer um”, diz.

Exilada de olhares banais, sua obra capta profundidade em cenas singelas: o sol que se esconde debaixo da água após o poente, a sombra do astronauta refletindo o universo, a felicidade de se observar as estrelas.

“É difícil poder ver inteiramente o universo. Meus desenhos são como pequenos pontos de um mundo particular.”

DESENHOS INVISÍVEIS
AUTOR Gervásio Troche
EDITORA Lote 42
QUANTO R$ 29,90 (160 págs.)

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O quadrinista uruguaio Gervasio Troche, que lança “Desenhos Invisíveis” / Manuel Gutierrez/Divulgação

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Centro Cultural Bicicloteca

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Lincoln Paiva, no Catarse

A Bicicloteca é uma Biblioteca itinerante que leva cultura para pessoas em situação de rua no centro de São Paulo, no última ano 107.000 livros foram emprestados e a Bicicloteca recebeu 40.000 livros em doações. Hoje possuímos 3 Biciclotecas em operação e mais 4 Biciclotecas começam a operar no centro de São Paulo nos próximos dias. A Bicicloteca é um projeto gratuito e voluntário, além de levar livros para comunidade sem acesso a leitura também tem internet e cursos de alfabetização digital gratuitos. Neste último mês conseguimos um espaço maior para acomodar o acervo com 40.000 livros, mas precisamos reformar e comprar armários, por isso precisamos da sua ajuda, os recursos captados aqui no Catarse serão utilizados na reforma e compra de armários, desta forma as pessoas também poderão acessar o acervo da Bicicloteca no nosso novo centro cultural.

Para conhecer os projeto Bicicloteca entre no site: http://www.bicicloteca.com.br
Para fazer parte do nosso face: http://www.facebook.com/bicicloteca

dica do Francisco A Salerno Neto

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