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Valesca Popozuda é escolhida como patronesse em formatura da UFF

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Alunos do curso de mídia queriam uma representante da cultura de massas.
‘Foi uma surpresa enorme, até perguntei se não era trote’, diz funkeira.

Paulo Guilherme, no G1

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF (Foto: Alexandre Durão/G1)

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da
turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF
(Foto: Alexandre Durão/G1)

Os formandos do curso de curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense resolveram quebrar a tradição da faculdade e elegeram como patronesse a funkeira Valesca Popozuda. A cantora, dançarina e destaque de escola de samba dá o nome à turma de sete alunos que concluíram o curso no final do ano passado e colaram grau na semana passada no campus da universidade, em Niterói. Este grupo de concluintes da graduação será sempre conhecida como “Turma Valesca Popozuda”.

Foi a primeira vez que o patrono de uma turma do curso não foi alguém do meio acadêmico. Em anos anteriores, personalidades como o antropólogo espanhol-colombiano Jesús Martín-Barbero e o professor de direito Milton Santos foram escolhidas como patrono. A decisão dos estudantes da turma atual de formandos surpreendeu até a homenageada. “Eu me senti honrada! Cheguei a perguntar ao meu empresário se não era trote”, disse Valesca. “Foi uma surpresa enorme, fiquei muito feliz.”

A formanda Letícia Gabbay, de 24 anos, disse que a escolha da turma de seis moças e um rapaz pelo nome de Valesca Popozuda foi unânime. “Queríamos quebrar paradigmas e escolher alguém que representasse bem a cultura de massa, que estudamos muito no nosso curso”, explica Letícia. A turma chegou a cogitar escolher outro nome do funk, MC Catra, mas o nome de Valesca ganhou força entre as meninas do grupo.

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

“A Valesa Popozuda é uma figura polêmica. Por ser mulher, siliconada, tudo ligado a ela tem estigma muito forte de cultura de massas”, diz a formanda. “Sabemos que existe muito preconceito com o movimento funk, que hoje em dia é um dos mais autênticos da música brasileira.”

A cantora diz que sente orgulho de ser funkeira de 34 anos. “O funk entrou na minha vida como um filho”, diz Valesca. Infelizmente ainda existe discriminação com quem canta funk. Fico feliz em saber que este ritmo é estudado nas universidades.”

Popozuda não pode comparecer à colação de grau porque no dia já tinha um show agendado, mas prometeu participar da festa de comemoração dos formandos. A turma estuda fazer um evento em uma casa de shows de funk em São Gonçalo. A universidade preparou uma placa com o nome na patronesse: Valesca Reis Santos.

Formaturas que valem um apartamento

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Confraternizações de alunos dão lugar a concorridas festas de arromba, que chegam a custar R$ 800 mil

Nos medaeventos, a bebidaé liberada, e uma ambulância fica de prontidão para quem se exceder Reprodução

Nos medaeventos, a bebidaé liberada, e uma ambulância fica de prontidão para quem se exceder Reprodução

Catharina Wrede, em O Globo

Até o fim de 2013, os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Santo Inácio (CSI) vão pagar R$ 3 mil cada um para custear a festa de formatura, em dezembro. Ao todo, são 230 jovens. O total (R$ 690 mil), porém, não é suficiente, por isso ao longo do ano, eles vão organizar duas outras noitadas para arrecadar mais R$ 110 mil. A exorbitante cifra de R$ 800 mil — o valor de um apartamento de dois quartos em Copacabana — será usada para produzir uma festança de proporções nababescas para três mil pessoas.

Eles não estão sós. Nos últimos anos, os formandos das mais tradicionais escolas do Rio transformaram o que seria o fim de um ciclo em megaeventos disputadíssimos, cuja qualidade é medida pelo que a grana torrada em uma única noite pode pagar.

— O preço aumenta a cada ano porque impressionar o público ficou cada vez mais difícil — diz M. P., de 17 anos, da comissão de formatura deste ano do colégio PH de Ipanema, cuja festa está orçada em R$ 633.600.

Hoje, uma festa de formatura que se preze precisa ter, no mínimo, cinco atrações. Todas brasileiras? Claro que não. Além de pratas da casa como os funkeiros MC Catra, Valeska Popozuda e Anitta, e dos DJs nacionais queridinhos dos adolescentes (Tomás Troia, Johnny Glövez, Ask2Quit e OMG), o negócio só fica bom mesmo se tiver alguma estrela internacional das carrapetas. De preferência, que toque em Ibiza.

Só no ano passado, vieram ao Rio para formaturas DJs como o português Pete Tha Zouk (CSI), o espanhol Sak Noel (Santo Agostinho do Leblon), e o americano Sex Panther (Santo Agostinho da Barra).

— As formaturas são as melhores festas do ano hoje em dia — afirma A. M., de 16 anos, que se forma este ano no Teresiano. — Tem tudo: DJ internacional, seus amigos, bebida liberada… porque não existe formatura sem bebida.

Pais veem distorção

De fato não existe. Além de champanhe Veuve Cliquot, vodka Belvedere e uísque Johnny Walker Green Label, o pacote etílico inclui ambulâncias para casos de coma alcoólico. No banquete, quitutes da Koni Store e do picolé Itália — ano passado, o CSI gastou R$ 15 mil só em Kinder Ovo. Para o café da manhã, Domino’s Pizza, com direito a motoqueiro entrando no palco. Na festa de 2012 do Santo Inácio, a pizzaria mobilizou quatro lojas e fez 750 pizzas. As fornadas tomaram a madrugada inteira.

— Hoje, esse mercado representa 50% do nosso faturamento anual — conta Gustavo Mendes, sócio da Koni Store.

Por trás dos megaeventos, quase sempre está o mesmo nome: a Formaideal Obah!. Preferida entre os formandos, a empresa abocanhou o mercado de formaturas, rebatizando-as de “galas”. Bruno Guedes, um dos sócios, conta que a gala do PH Barra em 2008, no Morro da Urca, foi um marco. Segundo ele, o evento foi “sucesso, explosão, sensação”:

— O lema da nossa empresa é: pode tudo. Mas a gente explica os valores. Os meninos contratam a gente para realizar um sonho. E a gente tem que dizer quanto custa esse sonho.

Em vídeos das festas da Formaideal Obah!, os formandos aparecem extasiados, proferindo ao microfone frases como: “É pegação total”; “Já perdi tudo, menos a dignidade”, e “Você já viu uma formatura igual a essa?!”.
Do outro lado estão os pais, já que a direção dos colégios não se envolve nas festas.

— Houve uma distorção tanto da parte financeira quanto da social. Não é mais uma confraternização entre alunos. São eventos alienatórios — diz Angela Maia Ohanian, mãe de uma aluna do Teresiano. — Acho que 80% dos pais acharam (o valor) exagerado.

Pela primeira vez, os pais do CSI criaram uma comissão este ano. A ideia é acompanhar as decisões. Se vão cortar os excessos, bem, isso é outra história.

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