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Stephen King terá mostra com exibição de 41 filmes no CCBB Rio de Janeiro

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Mostra abordará obra do mestre de terror em sessões, debates e até uma masterclass

Arthur Eloi, no Omelete

A obra do autor Stephen King será tema de uma mostra audiovisual no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.

O projeto, chamado de Stephen King: O Medo é Seu Melhor Companheiro, trará exibições de 41 produções baseadas no trabalho do mestre do terror, incluindo filmes, minisséries e telefilmes. Alguns dos títulos incluem Cemitério Maldito (1993), Colheita Maldita (1984), Conta Comigo (1986) e também as duas versões de It – a minissérie Uma Obra Prima do Medo (1990), com Tim Curry como Pennywise, e It, a Coisa (2017), em que Bill Skarsgard interpreta o palhaço assassino.

Além das sessões, haverá debates e também uma masterclass ministrada por Rita Ribeiro, que acompanhará a trajetória de adaptações de livros de terror para o cinema.

Stephen King: O Medo é Seu Melhor Companheiro acontece entre os dias 24 de julho a 19 de agosto, e terá tanto sessões com preços acessíveis quanto muitas exibições gratuítas. Mais detalhes, como horários e informações adicionais, podem ser encontrados na página oficial do CCBB no Facebook.

Um roteiro crítico das bibliotecas do Centro do Rio de Janeiro

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Da precaução da ABL, que veta a corrupção de menores, à vivacidade da Biblioteca Parque Estadual, um passeio pelas bibliotecas do Centro, para descobrir como elas tratam quem quer estudar e trabalhar em um espaço público.

André Costa, no Voz e Rio

Como usuário das bibliotecas do Centro da capital, para ler, estudar e escrever, sou frequentemente tomado por desânimo.

Todas, em alguma medida, são dotadas de qualidades: acervos ricos, belos prédios, equipe cordial ou ambiente confortável.

Isto posto, várias delas transmitem uma sensação incômoda de desperdício ou mau uso. Não é que as bibliotecas precisem de grandes mudanças: o fundamental — um prédio e livros — geralmente tem ótima qualidade.

Ainda assim, no que deveria ser mais simples e trivial, os responsáveis pelos espaços às vezes parecem simplesmente ter se distraído ou descuidado. Em fatores que supostamente deveriam ser de fácil realização, mas que também são indispensáveis para quem quer estudar ou trabalhar em um espaço público em 2015 — como internet de qualidade, tomadas para computadores, luz natural, regras de uso que acolham os frequentadores —, as imperfeições são muitas, e frequentemente de caráter inusitado.

Com o propósito de averiguar a quantas andam as bibliotecas do Centro para quem deseja utilizá-las como espaço de trabalho, percorri um bom número delas ao longo de dois dias, atentando para suas normas, sua frequência, sua disposição física e seus serviços — para o estado em que se encontram e o que oferecem, em suma.

Fui acompanhado por um livro de bolso, um laptop e um caderno — isto é, os instrumentos de trabalho de um estudante ou de um leitor —, além de uma garrafinha d’água, para não precisar interromper o expediente.

O resultado de minhas impressões, na ordem de suas visitas, foi o seguinte:

Maison de France: em reforma, mas com mesmo serviço hospitaleiro de sempre.

Maison de France: em reforma, mas com mesmo serviço hospitaleiro de sempre.

Médiathèque (Maison de France): Localizada no prédio do consulado francês, na avenida Presidente Antônio Carlos, a biblioteca foi fechada para obras em agosto do ano passado, e, desde então tem funcionado em esquema provisório, com acervo reduzido, no corredor do setor do consulado dedicado à cultura.

Em seu modo de operação normal, a Maison costumava ser um lugar acolhedor, de vista esplendorosa para

a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar, ar-condicionado forte, cerca de 30 lugares, livros e dvds franceses à disposição (a maioria no original, mas também alguns em português) e equipe simpática e dotada de grande vontade de não atrapalhar seus frequentadores, permitindo que consultassem os próprios livros, bebessem da própria água e usufruíssem de ótima internet.

Desde o fechamento provisório, algumas novas regras foram instituídas no edifício onde está instalada. Uma breve inspeção na porta do prédio, com os seguranças verificando minha mochila, foi uma novidade, assim como um rápido cadastro na portaria.

Em relação à biblioteca em si, para quem está funcionando em modo de exceção, a Maison vai muito bem, obrigado. Os funcionários na entrada são os mesmos, os livros à disposição para empréstimo, se menos numerosos do que o normal, continuam a ser inencontráveis em qualquer outra biblioteca da cidade (há diversos lançamentos franceses, de filosofia a cinema, por exemplo) e l’ambiance, a despeito da ausência completa de janelas, tenta reproduzir como pode o original, com prateleiras espalhadas pelas paredes e uma longa mesa ao centro.

Enquanto estive lá, fui o único visitante, e recolhi-me a uma das poucas cadeiras disponíveis. A hospitalidade continua a norma da casa, e nenhum funcionário me procurou para me censurar pelo que quer que fosse.

Quando, todavia, depois de cerca de uma hora lendo, fui perguntar a senha do wi-fi, tive uma grande surpresa: não era para eu estar ali, uma vez que a biblioteca tem funcionado apenas com empréstimo de livros, e não como salão de leitura. Isto é, em tese, a biblioteca da Maison nem deveria aparecer neste texto, uma vez que, por ora, ela não é uma opção.

Surpreso pela minha ilicitude involuntária — e já ciente da senha do wi-fi — voltei para minha cadeira, onde fiquei por mais trinta minutos navegando na internet, até achar que já era hora de partir.

De acordo com as normas oficiais, portanto, só em novembro a Maison volta a se tornar um lugar para trabalho e estudo, quando termina a reforma do salão. Na prática, contudo, aqueles que até lá quiserem esperar na mesa do corredor, possivelmente poderão fazer isso, pois a gentileza dos funcionários talvez os impeça de pedir para um leitor se retirar.

ABL: um lugar sério e de normas minuciosas.

ABL: um lugar sério e de normas minuciosas.

Biblioteca Rodolfo Garcia (Academia Brasileira de Letras): A biblioteca da ABL é um lugar de regras abundantes e meticulosas. Para usá-la, além do cadastro na portaria do edifício, é necessário, em primeiro lugar, ter em mãos documento de identidade e comprovante de residência.

Depois disso, é preciso ler e assinar três formulários. O mais longo deles, de 10 páginas, merece atenção detalhada. Ele determina, por exemplo, que: não está autorizada a corrupção de menores por quem utilizar a internet; esquemas de corrente, pirâmide ou bola de neve também não são permitidos; “redes sociais“ (“Orkut, Friendster, Par Perfeito, Almas Gêmas, Fotolog, Blog, entre outros”), tampouco; caso algum frequentador se ofenda com conteúdo visto na internet, a biblioteca não possui responsabilidade sobre isso; não se pode enviar ou divulgar mensagens de “conteúdo falso ou exagerado, que possam induzir ao erro o seu receptor”; só se pode ir ao banheiro sem levar mochilas ou bolsas; short, camiseta e chinelo não estão liberados (“sendo assim fica liberado o uso de bermudão, isto é, até o joelho para ser usado na biblioteca (…) principalmente no verão do Rio de Janeiro”), e por aí vai.

Além destas regras, exige-se a leitura de outras advertências, e o fornecimento de informações para cadastro que vão desde o telefone de algum familiar – para a eventualidade de um piripaque por parte do usuário – ao endereço de seu empregador.

Em meio a esta superabundância de formalidades, a que mais incomoda, de longe, é a interdição do uso de teclados de computadores. Na biblioteca da ABL, laptops — assim como livros pessoais — são bem-vindos, mas não é permitida a “digitação de trabalhos no salão de leitura”. Quem quiser mandar um e-mail, escrever um texto ou realizar uma simples busca no Google deve se limitar a um dos três cubículos disponíveis – todos ocupados, em minha visita – ou à pequena baia de computadores.

Impossibilitado de escrever digitalmente, o usuário pode, além de usar o mouse para acessar a internet (ótimo wi-fi, aliás), se contentar com os livros do acervo, formado sobretudo por obras de literatura. Raridades estão disponíveis para consulta, e empréstimos também são uma possibilidade para os mais assíduos.

A respeito do público, o belo e amplo salão, de cerca de 60 lugares, estava cheio de estudantes, sobretudo concurseiros e pesquisadores, silenciosamente tomando notas em seus cadernos. As persianas totalmente fechadas e os bustos de imortais à volta acrescentavam gravidade à cena.

Seria um privilégio saber o que aquelas dezenas de pessoas, muitas usando computadores literalmente intocados, pensam do espaço, uma vez que pareciam ir ali com frequência. A norma do silêncio, entretanto, é uma das poucas vigentes que consigo facilmente compreender, de modo que preferi sair sem dizer nada.

Capanema: biblioteca adormecida.

Capanema: biblioteca adormecida.

Biblioteca Euclides da Cunha (Palácio Capanema): Talvez isso se deva ao único usuário que lá estava em minha visita — um jovem cochilando inclinado sobre o próprio livro numa mesa ao fundo —, mas a biblioteca do Palácio Capanema parece se encontrar em um estado de dormência.

Até algumas décadas atrás, ela certamente era uma das melhores da cidade. Com cerca de 50 lugares divididos em mesas grandes, espaçosa, provida de curvas niemeyerianas, a biblioteca ainda mantém parte de seu mobiliário original de mais de 60 anos, incluindo aí as estantes que guardam as fichas catalográficas do acervo de 150 mil livros.

A não digitalização do catálogo dá a dica do que está por vir: a biblioteca não disponibiliza wi-fi para os visitantes.

Como resultado, aquele que poderia (mais…)

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