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Para biógrafo, mistério dos últimos dias de Belchior ajudou a resgatar sua música

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O jornalista Jotabê Medeiros no palco do Auditório Barbosa Lessa do Centro CEEE Erico Verissimo.Isadora Neumann / Agência RBS

O jornalista Jotabê Medeiros no palco do Auditório Barbosa Lessa do Centro CEEE Erico Verissimo.Isadora Neumann / Agência RBS

 

Jotabê Medeiros, autor de “Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano”, participou de mesa sobre o compositor cearense na Feira

Barbara Muller, no Gaucha ZH

A trajetória de Antonio Carlos Belchior – do nascimento, no interior do Ceará ao derradeiro autoexílio, em Santa Cruz do Sul (RS) – contada pelo jornalista Jotabê Medeiros foi apresentada na noite desta terça-feira (14) no auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, na programação da Feira do Livro. Em debate com o jornalista Juremir Machado da Silva, Medeiros falou sobre os desafios de produzir, ao longo de um ano e meio, a obra Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano, que traz ainda os anos finais de exílio do cantor e compositor, que morreu em abril deste neste ano em Santa Cruz do Sul.

– Escrever a biografia sobre ele foi mexer nesse vespeiro de avaliações e carinhos que as pessoas sentem por Belchior. Não há, dentro da elite do MPB, um cara que tenha produzido cinco obras primas em sequência. Belchior fez isso – comentou Medeiros.

Jornalista cultural, Medeiros defendeu um ponto que já havia defendido no livro: como o mito criado em função do desaparecimento de Belchior contribuiu para a redescoberta de sua música junto a uma geração mais jovem.

– São versos que acompanham gerações. E essa capacidade dele vai se transformando com o tempo – comenta Medeiros.

Nascido em Sobral, no sertão cearense, Belchior era o 13º irmão de uma família que contava mais de 20 filhos. Seus últimos dias foram em Santa Cruz, interior do Rio Grande do Sul. A obra aborda a formação do cearense como monge no mosteiro dos Capuchinhos em Guaramiranga (CE) e sua carreira artística.

Dupla cearense cria o Cosmic, a ‘Netflix’ dos quadrinhos

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Ramon Cavalcente (esquerda) e George Pedrosa mostram sua invenção - Divulgação/Sara Maia

Ramon Cavalcente (esquerda) e George Pedrosa mostram sua invenção – Divulgação/Sara Maia

 

Amigos lançam em novembro serviço de assinatura on-line para HQs

Luiza Gould, em O Globo

RIO — Tudo começou com “Novo mundo”. A ideia da dupla de amigos cearenses era lançar uma HQ contando as aventuras de portugueses que, ao chegarem ao Brasil no século XVI, encontram criaturas pré-históricas. O roteiro ainda não saiu da imaginação, mas serviu como gatilho para Ramon Cavalcante e George Pedrosa criarem o Cosmic, um serviço de streaming de quadrinhos. Com lançamento previsto para novembro, o projeto tenta fazer algo parecido com o que realiza a Netflix no campo de filmes e séries e o Spotify na música.

Com uma proposta ambiciosa, a dupla pretende sanar uma dificuldade da área.

— O mercado impresso de quadrinhos no Brasil não dá conta do volume de público, que quer consumir uma grande quantidade de obras sem pagar um valor absurdo. É uma leitura rápida, por isso é difícil cobrar caro e aí está o problema, já que os custos de publicação são altos. A distribuição pode representar 30% do valor da revista, o mesmo com postos de venda e ainda tem a impressão, que vai de 12 a 20% do preço — explica Ramon Cavalcante, de 30 anos, por telefone, de Fortaleza.

Desenvolvida para computador, tablet e celular, a plataforma funcionará da seguinte forma: o usuário pagará R$ 15,90 mensalmente para ter acesso a um banco de histórias em quadrinhos. Deste valor, 30% serão destinados à manutenção do serviço. Os outros 70% irão para os autores, de forma proporcional às páginas acessadas.

— Para exemplificar, se 75% das páginas lidas por um usuários são de quadrinhos do autor A e 25% são do B, eles ficarão com essas mesmas porcentagens de royalties do usuário. O A ganharia R$ 8,35 e o B R$ 2,78 (totalizando os R$ 11,13 correspondentes ao 70% do valor da assinatura) — diz George Pedrosa, de 26 anos.

A dupla conta que a criação desse modelo de assinaturas individuais levou em consideração críticas a outras plataformas, como o Spotify, no qual um percentual considerável é destinado às gravadoras.

— Com o Cosmic queremos deixar os autores focados na produção. E eles saberão que material o público gosta mais para, só aí, imprimir — prevê Pedrosa.
Capa do quadrinho ‘Mayara e Annabelle’ – Reprodução

Já para as editoras a vantagem seria alcançar um público dependente dos downloads ilegais de quadrinhos.

Entre os que abraçaram a ideia estão os autores Mario Cau, idealizador do quadrinho “Morphine”, Sirlanney Freire, conhecida pelo pseudônimo Magra de Ruim, além de Pablo Casado e Talles Rodrigues, criadores da HQ “Mayara e Annabelle”. Marca da Fantasia e Mino estão entre as editoras.

A expectativa é de que o Cosmic tenha 50 quadrinhos para começar. O aumento do acervo, dependendo das parcerias, será quinzenal. Os criadores do serviço acham que conseguir os primeiros assinantes não será difícil: o streaming será oferecido no Cosmic Reader. Lançado pela equipe em julho, este aplicativo gratuito para organização de HQs on-line já foi baixado por quatro mil usuários — serão eles os primeiros a ter a opção de virar assinantes.

— O grande objetivo é organizar um mercado de forma a ajudar o público e todos os envolvidos no processo de criação — afirma Cavalcante.

Alunos pressionam pela nomeação de professora travesti como reitora no CE

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A professora trans Luma Andrade, cotada por estudantes para ser reitora no Ceará (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress)

A professora trans Luma Andrade, cotada por estudantes para ser reitora no Ceará (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress)

Estêvão Bertoni, na Folha de S.Paulo

Alunos de uma universidade pública do Ceará lançaram uma campanha para que uma professora travesti seja nomeada reitora da instituição.

O movimento “Luma Lá”, iniciado no final de dezembro por estudantes da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) pede para que o novo ministro da Educação, Cid Gomes (Pros), nomeie a professora Luma Andrade para o cargo.

Luma é conhecida como a primeira travesti do Brasil a fazer um doutorado. Ela defendeu em 2012 uma tese em educação na UFC (Universidade Federal do Ceará) sobre travestis nas escolas.

O cargo de reitor na universidade está vago desde o dia 1º de janeiro porque a ex-reitora Nilma Lino Gomes assumiu a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.

Nilma foi a primeira negra a se tornar reitora de uma universidade brasileira. Caso seja escolhida, Luma será a primeira travesti reitora do país.

A Unilab, em Redenção (a 66 km de Fortaleza), é uma autarquia vinculada à pasta ocupada desde 1º de janeiro por Cid Gomes, ex-governador do Ceará.

Cabe ao ministro da Educação escolher o reitor, que não precisa ser necessariamente docente da instituição. Antes de assumir a pasta, Cid foi governador do Ceará (2007-14).

Segundo o estudante Kaio Lemos, 35, que cursa bacharelado em humanidades e integra o centro acadêmico da faculdade, o movimento de alunos já enviou um apelo por carta a Cid Gomes, quando ele ainda era governador, pela nomeação da professora.

“Se ela tem capacidade acadêmica, não tem nenhum problema para ela como travesti ser reitora”, afirma.

“Nós já tivemos muitos nomes de homens importantes na história, de reitores, de presidentes. Essa escolha vai muito além, condiz com a questão da diversidade sexual”, defende o estudante.

Segundo ele, o movimento gerou resistência de um grupo pequeno, “de oito a dez alunos”. “Mas isso é natural.”

Luma afirmou que foi pega de surpresa pela campanha e que recebeu a iniciativa como “um presente”. “Não foi uma afirmação minha. Fiquei muito feliz porque a campanha veio do grupo mais forte de estudantes da universidade e eles confiaram no meu trabalho”, diz.

Segundo ela, a campanha foi vista como uma afronta por muitas pessoas de dentro da Unilab. “Em todos os espaços temos pessoas conservadoras. É um espaço de disputa, uma relação de poder, e existem pessoas que querem essa função e que tinham certeza de que iriam ocupar esse espaço. De repente, surge o nome de uma travesti e isso veio da comunidade de estudantes, então foi um surpresa para todos.”

Cid Gomes ainda não definiu quem será o novo reitor da Unilab. O Ministério da Educação foi procurado, mas não se manifestou sobre o assunto até o início da tarde desta terça.

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