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Baudelaire diz, em carta, que Victor Hugo [autor de Os Miseráveis] é um idiota

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Charles Baudelaire

Diego Santos, no Literatortura

Uma carta do poeta Charles Baudelaire a um correspondente desconhecido foi a leilão recentemente. O mais interessante é o conteúdo da carta, na qual o remetente falava sobre o seu contemporâneo, o escritor Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame”.

Na carta de janeiro de 1860, o poeta lamenta que Hugo continua o enviando “cantas estúpidas” e ainda diz que Victor Hugo o tem inspirado a escrever que um gênio também pode ser um idiota.

Baudelaire letter

A carta foi leiloada em Nova York, ao lado de uma primeira edição da coleção de poesias de Baudelaire, Les Fleurs du Mal, contendo os seis poemas que foram excluídos da segunda edição.

A publicação da primeira edição de Les Fleurs du Mal, em 1857, rendeu acusações a Baudelaire por “ofender a moral pública”. Dessa forma, a editora teve de remover seis poemas da coleção. Victor Hugo apoiou Baudelaire após a acusação em agosto de 1857, dizendo que “o seu brilho em Fleurs du Mal foi deslumbrante como o brilho das estrelas”. Em 1859, Hugo disse que “Baudelaire causa um tipo estranho de estremecimento”.

Baudelaire havia dedicado três poemas em Les Fleurs du Mal à Victor Hugo, entretanto o premiado poeta CK Williams afirma que, apesar disso, “Baudelaire desprezava Hugo em segredo”.

Rosemary Lloyd já havia escrito também sobre a “inveja corrosiva” de Victor Hugo revelado por Baudelaire em suas cartas a um companheiro de Cambridge. Além disso, após elogiar Les Misérables em público, em uma revisão em 1862, Charles descreveu a obra como “immonde et inepte “- vil e inepta – em uma carta para sua mãe, acrescentando que “Com este assunto, eu tenho provado que possuo a arte de mentir “.

A carta 1860 é em grande parte sobre Edgar Allan Poe, cujo trabalho foi traduzido por Baudelaire. A menção: “Hugo continue a m’envoyer des lettres stupides” – está em pós-escrito.

Livro infantil se inspira em Baudelaire; leia crítica de Luiz Felipe Pondé

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Ilustração de ‘Charles na Escola de Dragões’

Luiz Felipe Pondé, na Folhinha

A literatura infantil sempre trabalhou a figura do patinho feio como o “diferente” que sofre na escola. Apesar de com frequência se falar das crianças como anjos, a verdade não é bem essa: a vida infantil, e a escola como seu palco central, é um drama intenso de insegurança, dor, alegria e medo, que exige da criança muita coragem e a sorte de encontrar amigos.

Charles na Escola de Dragões” não foge à regra de ser um livro sobre um patinho feio obrigado a descobrir “sua diferença” para sobreviver. Mas, ao contrário de um bicho bonitinho, o livro fala de dragões e, com isso, defende a diferença de forma clara: dragões também podem ser fofinhos e sofrer como patinhos.

Charles, o pequeno dragão, tem asas muito grandes e pés enormes e, por isso, quase desiste de ser um dragão “normal”.

Além do mais, é poeta e sofre com isso. O livro é inspirado em “Albatroz”, poema do francês Charles Baudelaire, considerado rebelde por chocar a sociedade do seu tempo (século 19) com textos que traziam sua melancolia e descrença no mundo moderno; vale lembrar que “Albatroz” faz parte da sua obra máxima, “Flores do Mal”… O nome já diz tudo…

Mas, diferentemente da ave de Baudelaire, que acaba por sobre o chão, imersa num mundo onde a poesia não vale nada, Charles terá final feliz. Baudelaire para crianças, claro, não pode ser Baudelaire até o fim.

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