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A pista mais falsa de Agatha Christie

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INVENTIVA A escritora britânica Agatha Christie em 1949: ela se inspirou em romances de mistério de Charles Dickens para criar os detetives Hercule Poirot e Miss Marple (Crédito: Popperfoto/Getty Images)

Biografia da rainha do crime explica de onde uma dona de casa tirou a imaginação macabra para se tornar a escritora mais vendida da história — e decifra o enigma de sua desaparição

Luis Antonio Giron, na IstoÉ

É raro decifrar o segredo de um gênio. Para explicá-lo, especialistas revolvem as origens familiares e a formação do indivíduo especial. No caso da escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976), nada parece indicar que se tornaria a senhora do romance de detetive e a maior vendedora de livros da história, ao lado do dramaturgo William Shakespeare. Agatha, como Shakespeare vendeu 2 bilhões de exemplares desde que publicou o primeiro romance policial, “O Misterioso Caso de Styles”, em 1920, protagonizado por seu herói mais célebre, o detetive Hercule Poirot, com sua cabeça de ovo, bigodes encerados e alta capacidade cognitiva. A criadora de mistérios saborosos não passava de uma dona de casa conservadora amante da vida serena, especialmente da jardinagem e da gastronomia. Descobrir de onde ela tirou a imaginação a um só tempo macabra, complexa e irônica, é a meta do livro “Agatha Christie – Uma Biografia”, de Janet Morgan, lançamento da editora BestSeller.

Charada

Trata-se de um título clássico, publicado em 1986 e só agora no Brasil. A escritora Janet Morgan trabalha em gestão de novas tecnologias na Escócia. Em meados dos anos 1980, foi convidada pelos herdeiros de Agatha para escrever uma “biografia autorizada”: teve acesso exclusivo aos documentos pessoais da escritora e de seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan. Ao mesmo tempo, Morgan foi persuadida a abordar a biografada de forma gentil. Mas o fator politicamente correto não a impediu de avançar sobre um dos enigmas dentro do enigma que foi Agatha Christie: por que e como ela desapareceu entre 3 e 13 de dezembro de 1926, quando já era celebridade, causando um dos casos mais ruidosos cobertos pela imprensa da época. Agatha nunca se pronunciou sobre o assunto.

Parte da resolução da charada repousa em sua formação vitoriana. Agatha Miller nasceu em Torquay, Devon, em uma família abastada. O pai, Frederick, era um americano investidor da bolsa. A mãe, Clara, e sua irmã mais velha, Madge, escreviam e publicavam contos e poemas. Sem ter frequentado escolas, Agatha aprendeu a ler e escrever com elas. Trabalhou em hospitais como voluntária e em uma farmácia, onde aprendeu os segredos dos venenos que iria usar em suas narrativa. Em 1914, casou-se com o coronel da marinha Archie Christie. O casal viveu seis anos em aparente harmonia. Em 1919, Agatha deu à luz sua única filha, Rosalind. Começou a publicar romances policiais, e se tornou popular. Ele se empregou na City. Os dois se mudaram para Londres. Lá, Archie começou a ter um caso amoroso com uma amiga de Madge, Nancy Neele, que trabalhava como secretária na City. Quando Archie confessou o affair e pediu divórcio, Agatha entrou em pânico.

Na noite de 3 de dezembro de 1926, ela saiu de carro de sua casa, sem avisar a criadagem. Bateu o carro no meio do caminho e o abandonou. Isso aguçou as suspeitas da polícia e a sede de novidades da imprensa. Os jornais passaram a publicar manchetes e especulações. O escritor de mistério Edgar Wallace declarou que não acreditava que Agatha tivesse se suicidado. “Ela quer chamar atenção do marido”, arriscou. A polícia convocou batalhões de cidadãos para vasculhar a região onde ela sumiu. Enquanto isso, Agatha hospedou-se em um hotel balneário, sob pseudônimo, Teresa Neele, usando curiosamente o sobrenome da rival. Lá se manteve discreta, mas chegou a discutir o seu próprio desaparecimento com os hóspedes. Quando a política finalmente a descobriu, em 14 de dezembro, parecia não reconhecer o marido e a filha.

Estudiosos acham que o episódio ensina sobre o método de narração de Agatha, seu tesouro mais bem guardado. Ela teria usado seu conhecimento de manipular personagens e pistas falsas para testar um enredo na vida real – e obter publicidade. Morgan discorda: “Ela prezava a privacidade, jamais faria isso. Também não teria usado o recurso moderno de viver dentro da trama. Seu método de escritura era puramente intelectual.” A solução pode ser mais simples. “Ela parece ter sido vítima de uma espécie de amnésia”, diz Morgan. “Mas ainda hoje restam dúvidas.” Ela cometeu não um crime, mas um sumiço perfeito.

Chave da escrita

Após o episódio, Agatha recompôs a vida, casou-se com um arqueólogo, viajou ao oriente e a lugares exóticos e seguiu a escrever histórias até os últimos dias de vida. Em suas excursões, nunca deixou de levar um caderno de anotações, onde registrava personagens, histórias e situações impensáveis. Também usava ditafone. Em seguida, estruturava as histórias em cadernos maiores, a caneta ou a lápis. Depois, de forma perfeita, datilografava seus livros. “Nunca escreveu sobre o que não sabia”, diz Morgan. Ela atribuiu o sucesso e a permanência de sua obra à arte narrativa. “Os livros de Agatha duram porque são boas histórias, ainda que, algumas vezes, irremediavelmente improváveis. Uma vez fisgado, o leitor quer saber o que vai acontecer. Elas abordam mitos, fantasias e obsessões compartilhados por pessoas de todo tipo: jornadas, disputas, morte, sexo, dinheiro, assassinatos, conspirações, transformações, poder, o triunfo do simples sobre o complexo, a importância do mundano e também do cósmico.” Segundo a escritora P.D. James, ela alimentava uma obsessão pela pureza. “Os crimes de Agatha são desprovidos de sangue”, afirmou. “A resolução dos mistérios visava ao restabelecimento da ordem, que ela amava acima de tudo.” Foi essa fórmula simples que lhe deu a glória literária.

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros?

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Pesquisa aponta que os posts lidos na rede social são mais recordados do que rostos e textos conhecidos.

Publicado no Tecmundo

 

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros? (Fonte da imagem: Thinkstock)

De acordo com o Daily Mail, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, apontou que os posts publicados no Facebook são uma vez e meia mais lembrados do que frases extraídas de livros conhecidos, e duas vezes e meia mais lembrados do que o rosto de uma pessoa. E você pensando que todo mundo ia se esquecer daquele seu comentário infeliz do outro dia!

Segundo os pesquisadores, a diferença com relação ao que é mais lembrado — frases, rostos ou posts — é tão assombrosa que pode ser comparada à diferença de memória de pessoas que sofrem de amnésia e pessoas com memórias normais.

“Comédia da vida privada”

Por que nos lembramos melhor do que lemos no Facebook em vez do que vemos nos livros? (Fonte da imagem: Thinkstock)

Conforme explicaram os cientistas, a chave do sucesso dos posts no Facebook é o fato de o nosso cérebro ter mais facilidade em lidar com formas mais coloquiais de linguagem, já que as publicações normalmente adotam um formato bem casual e espontâneo, parecendo-se muito com a maneira como as pessoas se comunicam no dia a dia. Muitas vezes, esses breves comentários nem mesmo apresentam sinais ortográficos ou estruturas gramaticais corretas.

Além disso, a natureza das publicações geralmente envolve temas triviais ou relacionados com a vida privada de alguém — olha a fofoca aí! —, e as nossas mentes são como esponjas para esse tipo de assunto. E olha que essas historinhas são atualizadas 30 milhões de vezes a cada hora. Haja assunto!

(mais…)

Ratos e homens (Of mice and men) – Livros de macho

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Filipe Laredo, no Papo de Homem

Para dar início à interessante empreitada que é indicar e analisar “livros de macho”, comecemos falando de um que não necessariamente foi escrito para homens, mas que deve ser lido por homens. Isso porque existem características nas amizades masculinas que apenas os homens entendem. E é com isso que começo falando de um dos maiores romances do século XX:  Ratos e homens, de John Steinbeck*.

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Contada durante a recessão estadunidense da década de 1930, a história narra um breve trecho da vida de dois homens, George e Lennie. Os dois são completamente diferentes um do outro: o primeiro é franzino, mas esperto e inteligente, e o outro é muito grande e forte, mas meio retardado. O elo entre eles se resume apenas na amizade e na posição marginal que se encontram, já que não têm dinheiro, família ou propriedades.

Os dois viajam e trabalham juntos em fazendas no interior da Califórnia, fazendo bico. Levam uma vida dura e difícil, mas sonham em vencer na vida, utilizando os recursos acumulados em tantos anos de sofrimento. Porém, o que conseguem guardar não é suficiente, e provavelmente nunca será, pois não recebem muito mais do que um teto coletivo para morar e comida. Mesmo assim, seguem com o objetivo de um dia possuir suas próprias terras para cultivar e trabalhar.

Em uma das fazendas que trabalham, os personagens conhecem Curley, o mimado filho do patrão que costuma maltratar os funcionários e sua esposa, que os personagens se referem apenas como a “esposa do patrão” e cujo nome Steinbeck negligenciou por considerá-la apenas um símbolo de frustração e perigo para Lennie.

Ela é uma personagem chave dentro da narrativa, pois é ela – ou melhor, sua preocupação com própria beleza – quem vai definir o futuro dessa honrosa ligação.

Steinbeck é bastante habilidoso ao retratar uma época de “vacas magras” na sociedade estadunidense, personificada na figura de trabalhadores pobres e solitários, pouco estimulados a manter laços de afeto mais profundos. Nesse cenário, os homens são forçados a pensar, cada vez mais, apenas em seu próprio sucesso. Mesmo assim, o que se capta em Ratos e homens é a fidelidade entre dois homens, que obriga o leitor a passar, nas dez últimas páginas do livro, por uma das mais fortes e impressionantes experiências da história da literatura.

Homens tem seus laços definidos por parâmetros bem característicos, sendo um deles a proteção. O macho, desde pequeno, tem um instinto de querer ser reconhecido como forte, protetor, poderoso. Mas esse ponto não se resume apenas na postura física. Há também traços dele nos conselhos que damos ou quando tentamos encorajar o próximo. Fato: homens fracos necessitam de homens fortes. Isso se chama cumplicidade. E a recíproca é verdadeira nesse caso, já que homens fortes também precisam dos fracos para conseguir manifestar sua autoconfiança.

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Outro ponto importante nas relações masculinas é a fidelidade, elemento importante para a manutenção do poder no coletivo. Quando era mais novo, jogava basquete em alguns clubes e certa vez um dos meus técnicos afirmou que nunca treinaria uma equipe feminina. Nós, jogadores, questionamos o porquê. A resposta foi simples: as mulheres do mesmo time, quando brigam ou discutem entre si, não passam mais a bola umas para as outras. Os homens podem até sair na porrada, mas se o companheiro estiver bem posicionado, a bola vai pra ele.

Não estou dizendo com isso que as mulheres não são fiéis entre elas. Mas todos sabemos que, na maioria dos casos, quando uma mulher se arruma para sair, faz as unhas e vai ao cabelereiro, o faz muito mais para competir com as outras mulheres do que para conquistar a nossa aprovação.

E é nessa relação genuinamente masculina que Steinbeck concentra a história de Ratos e homens. Ele também passa por outros assuntos, tais como as dificuldades econômicas e a crueldade dos donos de terras na época, contudo, é na relação entre George e Lennie que o autor concentra toda a sua força narrativa. Dois homens que se complementavam, e que estiveram juntos até o fim trágico de uma verdadeira e pura amizade.

O livro é uma importante referência literária norte-americana e seu nome vem de uma reflexão sobre a subordinação, tanto de ratos como de homens, às intempéries da vida. Entretanto, os humanos conseguem refletir sobre isso e eleger um caminho a seguir. E, mesmo assim, escolhem as mais cruéis maldades, ao invés dos mais belos atos de honra.

A história já foi adaptada quatro vezes para o cinema e televisão, sendo a última produção estrelada por John Malkovich e Gary Sinise, em 1992.

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Por isso, caríssimos leitores, fica aqui a minha primeira recomendação de “livros de macho”. Nessa obra vocês lembrarão de diversas experiências que passaram, e ainda passam, com os amigos que acumularam durante a vida. Lembrarão das inúmeras ajudas que receberam ou deram. Da proteção que reservaram ou da qual foram alvos. Afinal de contas, amizades masculinas são diferentes das femininas. Ou estou errado?

* John Steinbeck (1902 – 1968) foi um escritor norte-americano, nascido na Califórnia. Recebeu o Prêmio Nobel em 1962 e seus livros de maior destaque são Ratos e homens (1937), As vinhas da ira (1939) e A pérola (1947).

dica do Tom Fernandes

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