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Chico Buarque é o único escritor brasileiro na lista dos livros de ficção mais vendidos

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Recentemente ele foi hostilizado por alguns jovens no Rio de Janeiro devido à sua posição política.

Antonio Marques da Silva, no Blasting News

Chico Buarque apresentando seu livro (Assessoria)

Chico Buarque apresentando seu livro (Assessoria)

No ano em que foi hostilizado por um pequeno grupo de jovens no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, devido à sua posição política, Chico Buarque têm motivos de sobra para ostentar o sorriso que deu aos seus críticos na ocasião. Ele é o único escritor brasileiro que conseguiu figurar na seleta lista dos 20 livros de ficção mais vendidos de 2015.

O livro “O Irmão Alemão”, considerada uma obra semi-autobiográfica do músico que também emplacou como escritor, vendeu até o começo de dezembro 17 mil exemplares apenas no Brasil. Esses números colocam Chico Buarque na 18ª posição do ranking organizado pela Publishnews, que reúne as vendas de livros das 12 maiores livrarias brasileiras.

O primeiro livro mais vendido da lista é Grey, de EL James, com uma vendagem de 165 mil unidades. Outros brasileiros também se destacaram na literatura em 2015, mas em gêneros variados, como é o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Andressa Urach, Bela Gil, Kéfera e o médico Drauzio Varella.

Posição política

Chico Buarque nunca escondeu sua posição política e por isso acabou sendo levado a se envolver em algumas polêmicas, como o episódio registrado há poucos dias quando foi coagido por alguns jovens durante um passeio pelo Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro. Chico não fez nada de mais, apenas incomodou os jovens devido à sua posição política enquanto exerce sua cidadania não como o músico ou escritor, mas como o cidadão brasileiro Francisco Buarque de Holanda.

A alegação dos jovens que abordaram o músico e escritor é que teriam visto um vídeo em que divulga apoio ao PT (Partido dos Trabalhadores), sendo favorável à presidente Dilma Rousseff. Eles afirmaram durante a discussão que não gostaram dessa posição de Chico Buarque, que também participou das eleições presidenciais de 2014.

Alguns dias após o episódio envolvendo o músico e os jovens, milhares de internautas saíram em sua defesa nas redes sociais convocando um ato a seu favor no Rio de Janeiro, que acabou reunindo várias pessoas em um bar no mesmo local onde foi hostilizado.

Livro de Chico Buarque é rasgado e pichado em loja da Zona Sul do Rio

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Publicado no Jornal do Brasil

Depois do episódio no Leblon em que Chico Buarque foi hostilizado por um grupo de jovens, um homem entrou na livraria de um shopping na Zona Sul do Rio de Janeiro na manhã deste sábado (26) e pichou e rasgou um exemplar do livro “O irmão alemão”, do cantor e escritor.

Em uma das páginas do livro de Chico Buarque, a pessoa escreveu: “Petista, hipocrita (sic), ladrão de dinheiro público”. As informações foram divulgadas pelo jornal Correio do Brasil.

Na madrugada de terça-feira (22), o cantor e compositor foi hostilizado por jovens contrários ao PT na saída do restaurante Sushi, no Leblon. Apesar da agressividade dos jovens, o artista permaneceu calmo e ironizou a posição deles, dizendo que “com base na revista Veja, não dá para se informar”. Um dos agressores respondeu: “A minha opinião é a minha opinião”.

A onda de ataques fascistas tem gerado respostas. Um evento já havia sido criado em rede social em solidariedade ao cantor e compositor pelo caso no Leblon, intitulado “Rolezinho para tomar cerveja com Chico Buarque”. Na tarde deste sábado (26) o evento tinha mais de 23 mil pessoas confirmadas, e 34 mil interessados.

“Rolezinho com o Chico Buarque para dar um basta no Fascismo da direita contra o governo Dilma. Esperamos que ele compareça. Convide seus amigos…”, diz a descrição do evento.

A presidente Dilma Rousseff chegou a se manifestar publicamente na quarta-feira (23) em solidariedade a Chico Buarque. “O Brasil tem uma tradição de conviver de forma pacífica com as diferenças. Não podemos aceitar o ódio e a intolerância. É preciso respeitar as divergências de opinião. A disputa política é saudável, mas deve ser feita de forma respeitosa, não furiosa”, destacou a presidente Dilma.

“Reafirmo meu repúdio a qualquer tipo de intolerância, inclusive à patrulha ideológica. A Chico e seus amigos, o meu carinho”, completou a presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também divulgou nota, na noite de terça-feira. Para Lula, “é muito triste ver a que ponto o ódio de classe rebaixa o comportamento de alguns que se consideram superiores, mas não passam de analfabetos políticos”.

Chico Buarque e Cristovão Tezza estão entre os semifinalistas do prêmio Oceanos

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Publicado na Veja

Substituto do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, o Oceanos anunciou nesta quinta-feira os 63 semifinalistas de sua primeira edição. Pelo regulamento, os inscritos concorrem entre si independentemente do gênero. Entre os selecionados, O Irmão Alemão, livro de Chico Buarque já vencedor do Prêmio APCA; Minha Vida Sem Banho, que rendeu a Bernardo Ajzenberg o Casa de Las Américas, e Fio, coletânea de poemas de Sonia Barros ganhadora do Prêmio Paraná de Literatura. Também disputam o prêmio Cristovão Tezza com O Professor, Luiz Ruffato com Flores Artificiais e o historiador Boris Fausto com O Brilho do Bronze: Um Diário.

Concorrem ainda o português de origem angolana Valter Hugo Mãe, o português José Luis Peixoto e os angolanos Pepetela e Ondjaki. Os doze finalistas serão anunciados em novembro e os quatro vencedores serão conhecidos em dezembro. O primeiro colocado ganha 100.000 reais. O segundo, 60.000, o terceiro, 40.000 e o quarto, 30.000 reais.

O Oceanos 2015 recebeu a inscrição de 664 obras, mas apenas 592 foram validadas. Elas foram avaliadas por um júri inicial composto por 100 especialistas em literatura, entre escritores, críticos, tradutores, ensaístas e professores de literatura – que escolheram, ainda os oito jurados que estarão nas próximas etapas do prêmio. São eles: Luiz Costa Lima, Eduardo Sterzi, Italo Moriconi, Sérgio Alcidez, Eliane Robert de Moraes, Eneida Maria de Souza, Regina Zilberman e Josélia Aguiar. Os curadores Noemi Jaffe, Rodrigo Lacerda e Selma Caetano também votam.

(Com Estadão Conteúdo)

Literatura brasileira precisa reconquistar franceses, dizem jornais

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Cartaz do Salão do Livro promovendo encontro com escritores brasileiros Foto: DR

Cartaz do Salão do Livro promovendo encontro com escritores brasileiros
Foto: DR

Publicado na RFI

Por ocasião da abertura do Salão do Livro de Paris, que tem o Brasil como convidado de honra, os principais jornais franceses trazem nesta quinta-feira (19) extensas reportagens e críticas sobre a literatura brasileira. Desconhecida do grande público francês atualmente, a produção literária do Brasil deve ganhar maior visibilidade com a presença de 48 autores em um dos principais eventos mundiais do setor.

Com o título “Uma literatura exuberante”, o suplemento de literatura do jornal Le Figaro dedica duas páginas para explicar a desconexão que se estabeleceu entre os leitores franceses e a produção literária do Brasil. Por outro lado, a edição traz uma lista com nomes de vários escritores que já tiveram suas obras traduzidas para a língua de Voltaire, como Sérgio Rodrigues, Adriana Lisboa, Luiz Ruffato e Paulo Lins.

Em uma retrospectiva histórica, Le Figaro lembra que jovens talentos do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte se inspiraram em autores franceses como Victor Hugo, Guy de Maupassant e Charles Baudelaire para iniciar suas carreiras. Muitos deles, lembra o diário, se encontraram a partir do final do século 19 na Academia Brasileira de Letras, inspirada na mesma existente na França.

O interesse pela produção literária brasileira se estendeu ainda por vários anos depois que Blaise Cendrars divulgou a “efervescência criativa” que observou no movimento modernista dos anos 20. Segundo o jornal, a vinda a Paris de autores fugindo da ditadura militar (1964-1985) ajudou a manter os laços entre os dois países, mas, depois, a relação conheceu uma “distensão”.

Palavras de editores

Na falta de uma explicação precisa, o presidente e fundador da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, sugere, em entrevista ao jornal, que a literatura do Brasil perdeu espaço na França devido a falta de editores que leem português e a pouca disposição de agentes de editoras brasileiras em promover os autores do país. Schwarcz acredita que alguns nomes da nova geração poderão contribuir para ocupar esse vazio, preenchido, por enquanto, por famosos como Chico Buarque e Bernardo de Carvalho.

Em entrevista ao Le Figaro, Michel Chandeigne, fundador da livraria portuguesa e brasileira, considera que a literatura verde-amarela só não é mais divulgada na França pela falta de um grande autor que seja ao mesmo tempo popular e de uma grande qualidade literária.

Em relação aos grandes escritores brasileiros do século 20, como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, o editor Chandeigne explica que o autor de Grande Sertão Veredas morreu jovem demais (aos 59 anos) e sua genialidade só é percebida quando se lê sua maior obra no original.

No entanto, ele não tem explicação para o desconhecimento de Drummond, “uma injustiça total”.Chandeigne lamenta que sua poesia “magnífica e popular” tenha sido tão mal traduzida na França. Drummond mereceria um Nobel de Literatura, tanto quanto Clarice Lispector, opina o editor francês.

Muitos autores contemporâneos brasileiros encontram seu público na França, como Bernardo de Carvalho e Milton Hatoum, exemplifica. O problema, insiste Chandeigne, é que não surgiu mais nenhuma figura emblemática da literatura como Jorge Amado, autor conhecidíssimo e “que todo mundo tinha vontade de ler”.

A versão francesa de Bahia de todos os Santos, de 1938, atingiu mais de 100 mil exemplares, feito que permanece histórico. “Ninguém o substituiu. Mas também é a época em que vivemos que reflete isso. O interesse do público é mais esparso e diversificado que antes”, concluiu.

Literatura brasileira atual e realidade urbana

Em um longo artigo de capa no suplemento conhecido como “O Mundo dos Livros”, o correspondente no Brasil do vespertino Le Monde, Nicolas Bourcier, viajou por São Paulo e Rio de Janeiro para revelar a característica atual da produção cultural no país.

A peça de teatro Puzzle, de Felipe Hirsch, que explora um painel de palavras presentes no cotidiano dos brasileiros, é o ponto de partida para o jornal ilustrar a tendência verificada de artistas e autores de se inspirarem cada vez mais na realidade, muitas vezes cruel, para expressar sua arte. “O país abandonou definitivamente o realismo mágico para enfrentar cruamente e concretamente uma realidade cada vez mais complicada”, explicou Hirsch ao Le Monde.

Para o jornal francês, a escolha dos escritores para participar do Salão do Livro de Paris revela esse novo paradigma da produção brasileira. A constatação é confirmada pela comissária do Salão, a professora e filósofa Guiomar de Grammont que disse ao Le Monde: “O autor quer falar agora do que ele vive, do que ele vê”.

Outro entrevistado pelo jornal, Godofredo de Oliveira Neto, professor de literatura e escritor também presente no Salão do Livro, explica que os intelectuais não representam mais um papel intermediário na sociedade, como já foi o caso de Jorge Amado ou Guimarães Rosa.

“É como se os autores brasileiros assumissem seu papel político e cultural. Eles escrevem sobre seu bairro e até promovem a leitura de suas obras nas periferias para mostrar que a cidade pertence a eles também e que eles não estão excluídos”, explicou o escritor. “O Brasil se lê, então, cru. E se alimenta do racionalismo urbano”, constata o correspondente do Le Monde.

O suplemento do diário traz resenhas críticas de quatro autores que terão suas obras presentes no Salão, entre eles, o livro de estreia de Fernanda Torres, Fim, traduzido pela editora Gallimard. O crítico Frédéric Potet afirma que a atriz utilizou seu primeiro romance para criticar ferozmente o culto da aparência que se instalou no Brasil.

Treze livros que podem fazer o cérebro entrar em colapso

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Treze livros que podem fazer o cérebro entrar em colapso

Ademir Luiz, na Revista Bula

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, na crônica “Fobia”, publicada no divertidíssimo livro “Banquete Com os Deuses”, admitiu que lê obsessivamente qualquer coisa, de manuais de tricô até etiquetas de lençóis, passando pelo mais pueril best-seller, movido pela pura e simples “dependência patológica na palavra impressa”. Eu, extrapolando a tese do filho do Erico, acredito que com algum treino, masoquismo, espírito vadio e senso de humor, esse vício pode se transformar num divertido teste de resistência intelectual. Pode ser tanto na categoria de provas rápidas, lendo frases sem pai nem mãe na internet, ou maratonista, dispondo-se a percorrer inteiras obras obradas e assinadas. De fato, seguir pelas páginas de certos livros pode ser considerado um esporte radial, uma corrida de obstáculos cognitiva. O cérebro treme, pula, ameaça entrar em colapso, mas o verdadeiro atleta não desiste. Exemplos? Apontar livros de Paulo Coelho, “50 Tons de Cinza” ou da série “Crepúsculo” é para amadores. A verdade é que alguns clássicos e semi-clássicos, assinados sem rubor por escritores de prestígio, bem poderiam estar na lista, ao lado de certas pérolas do improvável. O verdadeiro fundista “dependente patológico” mergulha bem mais fundo no submundo da “palavra impressa”.

Condenado a Falar, de Jorge Kajuru

O livro é uma coletânea da vida e da obra do jornalista esportivo. Mais obra do que vida, diga-se. Entre outras pérolas imperdíveis, Kajuru compôs poemas em homenagem a Hebe Camargo e Adriane Galisteu. Mais curioso do que Jorge transmudar-se em poeta é Jorge homenageando as homenageadas. Salve, Jorge! Não, não salve, delete.

Caminho das Borboletas, de Adriane Galisteu (depoimento a Nirlando Beirão)

Falando nela, por amor ao automobilismo li essa tentativa da modelo atriz apresentadora se estabelecer no inconsciente coletivo como viúva de Ayrton Senna. Diz a lenda que não há palavras com X no livro. Será?

Relógio Belisário, de J. J. Veiga

Sim, J. J. Veiga é um grande escritor. Sim, a “Máquina Extraviada” é um dos melhores contos brasileiros de todos os tempos. Sim, J. J. merece respeito. Tudo isso é verdade, assim como é verdade que esse livro é uma ofensa a inteligência do leitor e ao talento do autor.

Zélia, Uma Paixão, de Fernando Sabino

O que poderia ser mais surreal do que uma ministra da economia collorida transformada em princesa Disney? Esse encontro marcado é de fazer o grande mentecapto Geraldo Viramundo morrer de vergonha.

Do Outro Lado do Muro, de Alexandre Frota (depoimento a João Henrique Schiller)

Mais até do que sua recém-lançada biografia, essa é a verdadeira obra-prima bibliográfica do homem, do mito, da lenda, do imortal Alexandre Frota. Trata-se do relato sobre sua participação no pioneiro programa Casa dos Artistas, onde ele se transformou no “namoradinho bad boy da filha do Brasil”, antes de virar o “amante de membro dégradé da esposa do Brasil” em seus filmes adultos. Frota é um gênio incompreendido. O Forrest Gump Brasileiro. O homem que já foi tudo, de galã da novela das oito e marido da Cláudia Raia até jogador de futebol americano do Corinthians e comediante da “Praça é Nossa”. Nessa obra, digna do Prêmio (Ig) Nobel, Frota conta como sobreviveu à música do cantor Supra, ao choro diluviano de Mari Alexandre e como ousou desafiar Deus (mais conhecido como Silvio Santos). Um clássico! E aí, qual que é o negócio?

O próximo Romance de Umberto Eco, que será escrito por Umberto Eco

Não me entendam mal, “O Nome da Rosa” é inegavelmente um clássico contemporâneo. O subestimado “O Pêndulo de Foucault” é um de meus livros preferidos, desses que estou sempre relendo. Porém, depois do mediano “O Dia da Ilha Anterior”, o fraco “Baudolino”, o desperdiçado “A Misteriosa Chama da Rainha Loana” e a imitação barata de si mesmo “O Cemitério de Praga”, cansei de ter que ler 500 páginas para, finalmente, concluir: “Eco, ele errou de novo!”.

Qualquer Imitação de “O Senhor dos Anéis”

As sagas da Terra Média criadas pelo venerável catedrático J. R. R. Tolkien estão na raiz da cultura pop, influenciando de Beatles até Star Wars. O problema é que nos últimos anos, em grande parte por culpa da trilogia de filmes de Peter Jackson, a influência sutil virou moda e uma infinidade de “autores” começaram a criar mundos povoados por seres fantásticos clichês, inventar línguas desconjuntadas, encher seus livros de mapas desenhados no joelho. Muitas vezes em narrativas desnecessariamente gigantescas, divididas em vários volumes. Quase sempre mais do mesmo, de “Eragon” até “Mago”, passando pelas “Crônicas dos Senhores de Castelo” e outros, muitos outros.

Certamente, o gênero possui seus méritos, mas noto que nos últimos tempos estão afastando os jovens leitores de obras mais maduras, fazendo-os imaginar que essa roda vida de fantasia nerd escapista é o supra-sumo da criação literária pelo simples fato de apresentar violência, algum sexo e nacos de intriga política. Fechando o tópico com polêmica sob encomenda, destaco que dependendo do dia, da temperatura e da pressão, os intocáveis “Guerra dos Tronos” e “Harry Potter” entram na lista sim.

O Tronco do Ipê, de José de Alencar

Está na moda criticar o mimoso José de Alencar. Desqualificar seu mimoso estilo tornou-se bater em mimosos cãezinhos mortos (essa foi uma piada mimosamente politicamente incorreta, considerando que o mimoso autor está mesmo morto?). Sei que o mimoso senador Alencar tem muitos e mimosos méritos! Ele ensinou esse mimoso país chamado Brasil a escrever mimosos romances. Mas, infelizmente, “O Tronco do Ipê”, em sua doçura e mimo, tornou-se um trauma de adolescência, em função da mimosa mania do autor de repetir continuamente, de maneira monotonamente mimosa, o uso da palavra “mimosa”. É muito mimo para uma criatura cínica, embora de algum mimo, como eu.

Zero, de Ignácio de Loyola Brandão

Li esse livro na época em que era jovem e paciente. Agora que sou velho e impaciente, porém mais consciencioso, penso que talvez não estivesse preparado para tamanho experimentalismo. Só pode ser isso. Afinal, se o livro foi censurado pela ditadura, só pode ser bom. Não existe outra possibilidade. Nota zero para mim.

Ripley Debaixo D’água, de Patricia Highsmith

Os três primeiros livros da tetralogia estrelada pelo sofisticado falsário Tom Ripley, “O Talentoso Ripley”, “Ripley Under Ground” e “O Jogo de Ripley”, são tensos, empolgantes e movimentados. Nesse quarto volume inesperadamente aconteceu que não acontece nada. É isso. Nada. Deu n’água.

Deuses Americanos, Neil Gaiman

Neil Gaiman é um grande artista dos quadrinhos. Está no panteão máximo do gênero “super-heróis atormentados”, ao lado de gênios como Frank Miller, Allan Moore e John Byrne. Infelizmente, não possui o mesmo talento para a literatura. Seu romance “Deuses Americanos” possui uma premissa engenhosa, mas foi escrito com estilo frouxo, diálogos maçantes e salpicado de clichês narrativos. O que mais me intriga é ver os fãs do quadrinista se esforçando para encontrar qualidades estilísticas em seus escritos, talvez num esforço corporativo para não se sentirem traidores do movimento.

Cinzas do Norte, de Milton Hatoum

Esse livro costuma figurar em listas dos mais importantes romances da literatura brasileira contemporânea. A impressão que tive quando li foi que o honorável autor (sem ironia) usou todo seu considerável talento para desenvolver uma sinopse recusada de novela das seis da Globo… ou pior, do SBT.

Estorvo, de Chico Buarque

O título condiz.

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