Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Chileno

Alejandro Jodorowsky é confundido com Paulo Coelho em evento

0
Alejandro Jodorowsky e Paulo Coelho: parecidos? - Arte O Globo

Alejandro Jodorowsky e Paulo Coelho: parecidos? – Arte O Globo

 

Publicado em O Globo

RIO – O cineasta Alejandro Jodorowsky acabou pregando uma pegadinha involuntária nos visitantes da 27ª edição da feira do livro de León, em Guanajuato, no México. O chileno, diretor de “A montanha sagrada”, contou ter se cansado de andar de um lado para o outro, quando sentou-se bem embaixo de uma “grande foto de Paulo Coelho”. O resultado? Acabou confundido com o escritor brasileiro.

“Se formou na minha frente uma fila de pelo menos 200 pessoas acreditando que eu era o escritor”, disse ele, em seu perfil no Facebook. Pensa que ele desfez o mal entendido? Nada. “Não desmenti. Com muito prazer, durante uma hora, escrevi (dedicatórias) ‘de minha alma para sua alma, Coelho’ e autografei livros de Coelho”.

coelho

Livro reúne ensaios brasileiros sobre Roberto Bolaño

0
Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. - El Mercurio/GDA (10/10/2003)

Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. – El Mercurio/GDA (10/10/2003)

 

Obra será lançada no evento ‘Lendo Bolaño no Brasil’, na Livraria Da Vinci

Mariana Filgueiras, em O Globo

A“bolañomania” é irreparável: treze anos se passaram desde a morte de Roberto Bolaño, e sua obra segue viva como se o escritor ainda estivesse pitando seus cigarros pelas ruas de Santiago do Chile. Livros antigos são descobertos por novos leitores, rascunhos são remexidos por pesquisadores e grupos de leitura do romance “2666” ainda animam as noites pelo mundo.

Esta semana, uma boa notícia vai aplacar a saudade dos órfãos brasileiros: a editora mineira Relicário lança a primeira coletânea de ensaios nacionais sobre a obra do autor. Organizada por Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, “Toda a orfandade do mundo: escritos sobre Roberto Bolaño” será lançada em evento que faz parte do calendário de reabertura da Livraria Da Vinci, na quinta-feira, no Centro, intitulado “Lendo Bolaño no Brasil”.

— Nós quisemos convocar os autores dos ensaios a fazer investidas mais ousadas e originais no sentido formal, exatamente como era característica da obra de Bolaño — conta Antonio Marcos Pereira, doutor em Estudos Linguísticos pela UFMG e professor de Literatura Brasileira na UFBA. — São textos que não guardam a dureza do discurso acadêmico, sem deixar de trazer pontos de vista originais sobre a obra do autor. Há um texto, por exemplo, do Felipe Charbel, que faz um diário de releitura, e outro que inclui, em si mesmo, uma produção ficcional, este do Rafael Gutiérrez.

Os textos são divididos em três eixos temáticos, que são aspectos centrais da obra do autor: as relações entre literatura e violência, as experimentações formais de Bolaño e as provocativas relações entre escritura e vida. Os ensaios são de Marcos Natali, Gustavo Silveira Ribeiro, Graciela Ravetti, Maria Betânia Amoroso, Tiago Guilherme Pinheiro, Kelvin Falcão Klein, Clarisse Lyra, Mariana Di Salvio, Matt Bucher, Felipe Charbel e Rafael Gutiérrez. No prefácio, Ana Cecília Olmos cita o próprio Bolaño para explicar “o melhor que o livro oferece”: uma forma de celebrar que “no nos hemos vuelto ni cobardes ni caníbales”.

— Acredito que o livro seja um nó, uma espécie de ponto focal para as produções acadêmicas posteriores acerca de Bolaño no país. É uma forma de começar a pavimentar o caminho para as muitas pesquisas que virão no futuro. A obra de Bolaño tem a característica de convocar esse desejo de escritura e de discurso crítico, ninguém lê Bolaño sem também querer escrever depois — atesta o organizador, antes de lembrar o que o autor argentino Alan Pauls dizia de Bolaño: “Quando li ‘Os detetives selvagens’, me senti colonizado por Bolaño”.

O evento “Lendo Bolaño no Brasil” acontece na quinta-feira, às 18h, com um debate que terá a participação dos organizadores do livro, Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, e também de Felipe Charbel, um dos autores da obra, com mediação do jornalista Miguel Conde.

Claudio Naranjo: “A educação atual produz zumbis”

1

O psiquiatra chileno diz que investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autônomos e saudáveis

Flavia Yuri Oshima, na Época

O psiquiatra chileno Claudio Naranjo tem um currículo invejável. Formou-se em medicina na Universidade do Chile, especializou-se em psiquiatria em Harvard e virou pesquisador e professor da Universidade de Berkeley, ambas nos EUA. Desenvolveu teorias importantes sobre tipos de personalidade e comportamentos sociais. Trabalhou ao lado de renomados pesquisadores, como os americanos David McClelland e Frank Barron. Publicou 19 títulos. Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Ele é, inclusive, um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. É comum, no entanto, que Naranjo seja chamado, em tom pejorativo, de esotérico e bicho grilo. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores. Ele defende que essa é a forma mais eficaz de ajudar todos os alunos – não só os melhores – a efetivamente aprender “e assim mudar o mundo”, como ele diz. Claudio Naranjo esteve no Brasil para participar do evento sobre educação básica Encontro de Educadores.

ÉPOCA – O senhor é psiquiatra e desenvolveu teorias importantes em estudos de personalidade. Hoje trabalha exclusivamente com educação. Por que resolveu se dedicar a esse tema?

Claudio Naranjo – Meu interesse se voltou para a educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.

ÉPOCA – Quais os problemas do modelo educacional atual na opinião do senhor?
Naranjo – Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.

A DIDÁTICA DO AFETO O psiquiatra Claudio Naranjo. A educação é a única forma de mudar o mundo (Foto: Divulgação)

A DIDÁTICA DO AFETO
O psiquiatra Claudio Naranjo. A educação é a única forma de mudar o mundo (Foto: Divulgação)

ÉPOCA – Como é possível mudar esse modelo?
Naranjo – Podemos conceber uma educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na fundação, criamos um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objetivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais. Comprovamos por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas. Hoje a educação é despótica e repressiva. É como se educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criamos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância dessa abordagem.

ÉPOCA – E qual foi a recepção?
Naranjo – A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. Estou mais esperançoso com o novo ministro da Educação de vocês (Renato Janine Ribeiro). Ele me convidou para jantar, para falarmos sobre minhas ideias. É a primeira vez que a iniciativa parte do lado do governo. Ele é um filósofo, pode fazer alguma diferença.

ÉPOCA – Para quem decidiu ser professor, não seria natural sentir amor, compaixão e vontade de cuidar do aluno?
Naranjo – Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque (mais…)

Go to Top