Contando e Cantando (Volume 2)

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‘Estudantes devem consultar o Google em provas’, diz diretor de conselho de exames do Reino Unido

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Estudantes prestando um exame A Level em um colégio britânico - CHRIS RATCLIFFE / BLOOMBERG NEWS

Estudantes prestando um exame A Level em um colégio britânico – CHRIS RATCLIFFE / BLOOMBERG NEWS

Mark Dawe, diretor executivo da Oxford Cambridge and RSA, afirma que método de avaliação está ficando descolado da realidade

Publicado em O Globo

RIO — Uma declaração dada pelo diretor executivo da Oxford Cambridge and RSA (OCR), Mark Dawe, está causando polêmica entre os britânicos. Em entrevista ao jornal “Telegraph”, o especialista em educação defendeu que os estudantes deveriam poder consultar o Google durante exames de certificação do ensino secundário. A OCR, ligada à tradicional Universidade de Cambridge, é uma das cinco principais bancas de avaliação de ensino do Reino Unido.

— Todo mundo tem um computador à disposição para resolver um problema, mas cabe a eles saberem como interpretar o resultado. Nós temos ferramentas, como o Google, por que excluí-lo da educação dos estudantes — disse Dawe, em matéria publicada na quinta-feira. — É claro que quando se está em sala de aula, todos usam o Google se existir uma questão. É mais sobre compreender os resultados do que você busca do que armazenar todo o conhecimento na sua cabeça, porque não é mais como o mundo moderno trabalha.

Ele comparou a ideia de introduzir o Google nos exames com o velho debate sobre deixar ou não que os alunos consultem livros durante as provas. Segundo Dawe, “na realidade, você não tem muito tempo para consultar o livro e você tinha que aprender de qualquer maneira”. Em artigo publicado em blog da própria OCR nesta sexta-feira, o especialista voltou a defender sua posição:

“É 2015. Por mais quanto tempo exames com papel e caneta serão o único meio que usamos para testar nossos jovens? Eu não quero alarmar os estudantes que vão fazer o GCSE (General Certificate of Secondary Education) ou o A Level no dia 11 de mais — eles não serão pedidos para usar o Google —, mas os exames precisam mudar para complementar como a educação trabalha no século 21 e as habilidades que esperamos que nossos jovens desenvolvam”.

Para o especialista, os estudantes dessa geração cresceram usando a tecnologia em sala de aula para o aprendizado, mas isso não é replicado nos exames. “O ensino e a avaliação do ensino estão ficando desarticulados”.

“Para que servem os exames? Não são para regurgitar fatos. Nós estamos interessados em avaliar a habilidade desses jovens em interpretar e analisar as informações”, disse Dawe. “Pesquisar na internet é uma habilidade chave que os jovens devem desenvolver. Nós fazemos isso o tempo todo no trabalho. Técnicas de julgamento, solução de problemas e tomadas de decisão são qualidades importantes que os jovens precisam desenvolver para florescerem e serem bem sucedidos”.

“Então, o uso de motores de busca na internet como o Google em exames, para mim, é óbvio. Eu não estou falando sobre pedir aos estudantes respostas para uma simples questão factual. (…) Estou falando sobre pedir aos estudantes em um exame de Geografia, por exemplo, para escreverem um relatório sobre a economia de um país em desenvolvimento usando a internet para selecionar materiais apropriados”, explicou Dawe.

A posição foi bastante criticada por outros especialistas. Chris McGovern, presidente da organização não-governamental Campaign for Real Education, disse em entrevista à rádio BBC 4 que tal ideia seria um “emburrecimento das normas”.

— É um absurdo. Nós temos uma crise nos padrões deste país. Nós estamos três anos atrás dos chineses aos 15 anos, nós temos universidades dando cursos de recuperação. Nós temos empregadores dizendo que muitos jovens não têm condições de serem empregados. E aqui temos o conselho da OCR dizendo: “vamos emburrecer as coisas ainda mais”. Você pode ter um exame sobre como usar o Google, mas isso não é o mesmo que ter exames de história e geografia. Exames devem ser sobre conhecimento e compreensão. Eles incluem o conhecimento, portanto, temos que testar o que as crianças estão carregando em suas cabeças — disse McGovern.

Faculdade inglesa cria curso de heavy metal

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ONG que defende educação considera iniciativa uma ‘perda de tempo’

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single "The Trooper" - Reprodução

Eddie, o zumbi mascote do Iron Maiden, na capa do single “The Trooper” – Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – Na canção “Feitio de oração”, Noel Rosa alertava que “ninguém aprende samba no colégio”. Essa parece ser a opinião da ONG inglesa “Campaign for Real Education” em relação a um novo curso de heavy metal criado pela faculdade Nottingham College.

“Pode parecer uma opção atraente e fácil para algumas pessoas, mas você não precisa de um diploma em heavy metal. É uma perda de tempo”, disse o presidente da ONG, Chris McGovern, à BBC News.

Segundo o site da faculdade, o curso foi criado “em resposta a demanda dos alunos e da crescente economia criativa e musical de Nottingham”. As aulas prometem ser animadas, com os estudantes formando bandas, tocando e promovendo shows.

O curso tem como tutor o professor de música Liam Maloy, que afirma ter passado sete meses desenvolvendo o currículo. Os alunos vão aprender teoria musical, composição, improviso, técnicas de gravação, além do contexto do heavy metal na indústria musical.

“Haverá um diploma, então seremos academicamente rigorosos”, garante o professor. “No passado, o heavy metal não era levado a sério e tinha menos credibilidade do que outros gêneros como jazz e música clássica, mas isso é só uma construção cultural”.

A primeira turma começa em setembro de 2013 e o curso tem previsão inicial de durar dois anos. No segundo ano, os estudantes formarão bandar para se apresentar pelo Reino Unido. Depois, podem optar por continuar estudando na faculdade de música por um terceiro ano, garantindo assim um diploma completo da Nottingham Trent University.

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