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Posts tagged Cid Gomes

No MEC, Cid Gomes teve problemas com Fies, Pronatec e cortes de verbas

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Ministro da Educação pediu demissão após ficar 76 dias no cargo.
Ele é o quarto a chefiar a pasta desde o 1º mandato de Dilma Rouseff.

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Publicado no G1

Cid Gomes ficou 76 dias à frente do Ministério da Educação. O ministro pediu demissão nesta quarta-feira (18) após participar na Câmara dos Deputados de sessão em que declarou que deputados “oportunistas” devem sair do governo. Gomes foi o quarto chefe da pasta desde o início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Antes dele, Dilma teve à frente do MEC Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Henrique Paim.

O Palácio do Planalto informou após a demissão de Cid Gomes que o secretário-executivo da pasta, Luiz Cláudio Costa, comandará o Ministério da Educação interinamente. Costa já foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e foi secretário-executivo do MEC em 2013. Ele já estava na função de ministro interino desde o dia 10, quando Cid Gomes se afastou por motivos de saúde.

Gomes assumiu em 2 de janeiro com o foco no slogan principal lançado pela presidente Dilma Rousseff: “Brasil, Pátria Educadora”. Em dois meses e meio no cargo, Gomes enfrentou problemas como orçamento não aprovado, que afetou vários programas do MEC.

Teve ainda as mudanças nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com estudantes tendo dificuldades para conseguir o financiamento, e uma série de ações na Justiça feitas pelas mantenedoras.

Gomes havia dito que não iria dar o Fies para faculdade que reajustasse a mensalidade acima de 4,5%, mas depois teve de recuar e subir o limite para 6,4%. Ainda assim, as mantenedoras conseguiram na Justiça ter direito a um reajuste acima desse teto. Na segunda-feira (16), a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo federal “errou” ao deixar o controle das matrículas do Fies para o setor privado, por isso mudou as regras.

Teve ainda atrasos nos repasses da União para o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que obrigou o governo a adiar o início das aulas previstas para maio, para 17 de junho.

O ministro tinha sugerido mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com a criação de uma plataforma on-line com um grande número de questões que permitisse que o exame fosse aplicado “a qualquer dia, a qualquer hora”.

Promessas na posse
Quando assumiu o cargo, tinha como orientação da presidência da República trabalhar a valorização dos professores, ampliar a oferta de vagas nas creches, ensino integral, reforma do ensino médio e fortalecimento do Pronatec. Melhorar indicadores sociais através da educação é meta do governo, disse Cid Gomes em 2 de janeiro.

Em seu discurso de posse, o ex-governador do Ceará declarou: “Eu me dedicarei com atenção especial a todo o itinerário formativo, da creche à pós-graduação, assegurando melhoria na qualidade do ensino e recuperando para o povo brasileiro a esperança e a possiblidade da realização de sonhos”.

“Todo trabalho que me disponho a fazer, o faço com paixão, com dedicação, com firmeza e com transparência. Quero, portanto, contribuir para que as próximas gerações encontrem escolas e universidades melhores, professores valorizados e mais felizes e uma educação de maior qualidade”.

No dia 27 de fevereiro, durante uma palestra a estudantes da Universidade Federal do Pará, Cid Gomes, afirmou que a Câmara dos Deputados tem de 300 a 400 parlamentares que “achacam”. Foi convocado pelos parlamentares a prestar esclarecimentos. Faltou à primeira audiência, alegando estar com princípio de pneumonia. Na nova audiência, nesta quarta-feira, reafirmou suas palavras, discutiu com deputados, abandonou o plenário e pediu demissão do cargo.

Ministro da Educação publica foto com Xuxa e diz que ela se dispôs a colaborar com projetos

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Cid Gomes vira alvo de críticas de professores no Facebook depois de post com apresentadora

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Publicado em O Globo

RIO – Uma foto postada no Facebook pelo ministro da Educação, Cid Gomes, ao lado de Xuxa gerou uma série de críticas no campo dos comentários. Na legenda da imagem, o titular da pasta diz que a apresentadora se dispôs a colaborar em projetos da pasta e que “ela tem produzido excelentes materiais para o Ensino Infantil”. Mas a afirmação desagradou muitos professores e internautas.

No texto, Cid Gomes afirma que Xuxa se dispôs a colaborar com dois importantes projetos do governo federal: o Mais Creches e o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa. Até a tarde de sexta-feira, a foto já tinha mais 22 mil curtidas e 13 mil compartilhamentos.

Entre as pessoas que escreveram críticas está a doutora em educação e ex-secretária municipal de Educação do Rio, Regina de Assis. “Que vergonha! Mercadejando com a educação pública do país, que possui educadores e pesquisadores qualificados, inclusive no partido que há 13 anos detém o poder. Competência, compostura e compromisso público é o mínimo que se espera do ministro da Educação… Hora de mudar”, escreveu ela.

Em entrevista por telefone, Regina disse temer que o encontro seja indício de mais um passo em direção à “mercantilização do ensino brasileiro”.

– O que me assusta é a ousadia e a falta de respeito com os educadores e pesquisadores brasileiros que não ganham dinheiro com o que fazem pela educação pública. Como é que agora um ministro de um governo que se diz popular contrata representantes do mercado, que prestam serviços a preços altíssimos e qualidade ruim? – questiona. – Criança brasileira não é baixinho. É um cidadão em processo de desenvolvimento que tem direitos consagrados na constituição federal, sendo prioridade nacional.

O MEC informou, por meio de nota, que a Xuxa esteve no MEC “para apresentar sua fundação, que tem 25 anos, e também seu último trabalho: o DVD ‘Xuxa só para Baixinhos 13’, que tem ênfase na alfabetização.”.

Segundo a pasta, ainda não há nada definido em termos de uma possível parceria com a apresentadora. “O MEC tem interesse em iniciativas que ajudem a desenvolver políticas públicas. Além disso, mantém o diálogo aberto com aqueles que se dispõem a contribuir.”

Ministro da Educação, Cid Gomes quer Enem online ainda este ano

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Publicado no UOL

O ministro da Educação, Cid Gomes, quer o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) online em funcionamento ainda em 2015. Segundo ele, a consulta pública sobre o novo formato da prova, que funciona como vestibular para grande parte das universidades públicas e privadas do país, será aberta em março.

“Eu dei um prazo de dois anos, mas quero que neste ano a gente já consiga fazer um Enem online”, disse o ministro ontem. A ideia de Gomes é criar um grande banco virtual de questões da prova, com acesso livre para consultas e estudos.

No momento da prova, feita em salas credenciadas pelo MEC, seriam sorteadas perguntas para cada candidato. Como o teste é de múltipla escolha, o resultado sairia instantaneamente.

Para tornar a ideia realidade, de acordo com Gomes, é necessário aumentar o banco nacional de questões do Enem. O ideal, diz ele, seriam 8 mil questões para cada uma das quatro grandes áreas (Ciências Humanas, Ciências Naturais, Linguagens e Matemática) – 32 mil no total. Gomes não informou quantos itens tem o atual banco do MEC, mas disse que o número está bem longe da meta pretendida.

Outra ideia do ministro é que os candidatos possam escolher o tema da redação em uma lista de quatro ou cinco propostas. Atualmente, o tema é único para praticamente todos os participantes – quem está privado de liberdade escreve sobre outro assunto.

Transformações

Com o Enem online, o MEC pretende reduzir esforços e gastos com a logística de aplicação do teste, além de diminuir as possibilidades de fraudes. Em 2014, o exame foi aplicado simultaneamente para 6,2 milhões de candidatos em todo o Brasil.

O Enem online ainda atende a uma demanda antiga, de mais de uma edição da prova por ano. O novo formato é inspirado no SAT, exame similar ao Enem aplicado nos Estados Unidos.

Segundo Gomes, o novo banco de itens também faz parte da construção do currículo único para a educação básica. “Essa discussão do banco de quesitos para o Enem está umbilicalmente ligada à Base Nacional Comum, que tem prazo para ser terminada no fim do ano que vem”, apontou.

Educação, essa coisa fluida

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Publicado na Veja

Enquanto saía da sede do Ministério da Educação na noite de quarta-feira, o atual ministro da pasta, Cid Gomes, tratou de explicar o conceito de ‘pátria educadora’, cunhado no discurso de posse da presidente Dilma Rousseff este ano. Segundo Gomes, não há contradição entre os cortes de gasto da pasta, de cerca de 7 bilhões de reais, e o lema escolhido pela presidente para seu segundo mandato. Isso porque transformar o slogan em algo concreto não é responsabilidade apenas do MEC. “É um processo de educação num sentido mais amplo, não só formal, na escola, mas em conceitos de civilidade”, disse. “A presidente está dando ao governo esse conceito de pátria educadora para que a sociedade brasileira cresça na questão do trabalho, na educação, na saúde. É assim que eu entendo”. Ou seja: educação, para o governo, é uma coisa assim… fluida. Espera-se que melhorar os lamentáveis índices do ensino básico e médio, revelados pelos dados da Prova Brasil 2013 e do Enem 2014, também faça parte da definição.

A biblioteca, o ministro e os alunos que zeraram

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Iana Soares, no O Povo

Na casa da minha avó, sempre existiu uma biblioteca. Lá dentro, uma coleção de livros de capa vermelha me chamava atenção, aos 7 anos. Lia de tudo, mas sempre voltava aos contos de um dos volumes, que tinha um cheiro só dele. Basta fechar os olhos para tê-lo aqui outra vez.

Em 1997, aos 11 anos, mudei-me para Barcelona. Não sabia dizer nem “hola, qué tal?”. Do lado do apartamento onde morava, tinha uma biblioteca de dois andares. Não era a única do bairro e podia pegar emprestado os livros que quisesse, garantidos gratuitamente pelo governo. Diante do medo de um idioma desconhecido, tinha um paraíso de estantes para me dar coragem.

Depois descobri que podia usar cadernos para puxar o ar. Um sutil rastro de oxigênio ficava escondido entre a costela e o abismo. Tinha de viver qualquer coisa que fosse ali, no branco da página, para investigar o paradeiro do fôlego e seguir adiante.

Faço esta digressão porque andei me perguntando quais são as lembranças das primeiras experiências de leitura e escrita que têm os mais de 529 mil estudantes que zeraram a redação do Exame Nacional do Ensino Médio. Não só de autores ou grandes obras, mas de como é estar diante da palavra com prazer e curiosidade. E os gestores públicos? Como têm contribuído para essa situação?

O novo ministro da Educação, Cid Gomes, foi governador do Ceará durante os últimos oito anos. Neste estado, a principal biblioteca pública estadual está fechada desde fevereiro de 2014 para passar por reformas que nunca começaram. Nos últimos tempos de portas abertas, os usuários levavam ventiladores próprios e abriam as janelas para suportar estar lá dentro, enquanto a maresia prejudicava o acervo já tão sofrido. Não são feitos reparos desde 2002.

Não são discursos “preocupados” que sobem os pontos da redação (e transformam vidas inteiras). Professores e alunos estão vinculados a um sistema educacional frágil. Que o novo ministro, antes de apelar para o que ele chamada de “amor”, garanta livros e educação de qualidade. Que apalavra seja usada para transformar e não para enganar ou ocultar precariedades. Não se constrói uma “pátria educadora” com tão poucas bibliotecas. E o pior: com as portas fechadas.

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