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Posts tagged Cidades Brasileiras

“O escritor não transcreve a vida, inventa a vida”

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Simone Duarte, no Público

Milton Hatoum com o poeta sírio Adonis na Gulbenkian daniel rocha

Milton Hatoum, o escritor brasileiro de origem libanesa, veio a Lisboa conversar com o poeta sírio Adonis na Gulbenkian. Falaram de política, mas sobretudo como a literatura e a poesia podem fazer a ponte entre Ocidente e Oriente

Aos 61 anos, o escritor brasileiro Milton Hatoum não tem pressa. Na era em que os livros parecem ser fabricados em série, publicou apenas seis em quase 25 anos de carreira – e escreve-os à mão.

Vencedor dos prémios Jabuti e Portugal Telecom de literatura defende que o escritor tem de ter coragem para escrever e mais ainda para ficar em silêncio.

Ele, que acredita nos bons leitores, diz que é assustador ver um presidente culto como Barack Obama em visita ao Brasil citar Paulo Coelho e não Machado de Assis ou Clarice Lispector.

Sobre o Brasil e o futuro do país do futuro? Votou em Dilma Rousseff – “as outras opções eram assustadoras” – e acha que ela vai ganhar de novo. As manifestações nas ruas da cidades brasileiras eram contra tudo: “O que a imensa maioria queria era uma política pública mais eficaz, porque há dinheiro para isso.”

Costuma dizer que “um dos enigmas da literatura é a passagem da experiência para a linguagem” – justamente o tema da conferência que veio fazer na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. É possível desvendar este enigma?

O enigma nunca é decifrado. Na literatura, o estético, como disse o Borges [o escritor argentino Jorge Luis Borges], é o lugar do enigma. O que é fascinante na literatura é justamente esta possibilidade de inventar aquilo que poderia ter existido ou aquilo que pode existir. O enigma que nunca é decifrado irradia possibilidades de leitura e de interpretação. Esta é a verdade da literatura, é a verdade das relações humanas, não é uma verdade científica nem das respostas definitivas. Ao contrário, ela coloca questões o tempo todo. No meu romance Dois Irmãos (lançado há 12 anos com mais de 140 mil cópias no Brasil e que agora vai ser adaptado para a televisão), o grande enigma é saber quem é o pai do narrador.

O grande desafio do escritor é transformar a sua experiência em linguagem. Todo mundo tem uma experiência, que pode ser mais rala, mais livresca, que pode ser uma experiência de leitura, de vida aventureira ou não. A questão da literatura é como isto se transforma em linguagem. A imaginação, que é o que para mim dá força à literatura, tem que traduzir esta experiência. O valor da arte está ligado à força da imaginação.

Escreve todos os seus livros à mão. Não usa o computador. Porquê?

Tem a ver com os gestos, com algo corporal, com o hábito do arquitecto de fazer desenhos. Eu fui arquitecto [é formado em Arquitectura pela Universidade de São Paulo] muito antes dos programas de computador. Na minha época, para entrar numa faculdade de Arquitectura, você tinha que dominar o desenho. E eu me acostumei a escrever à mão – com aquilo que a gente ligava o projecto ao desígnio, ao desejo. O Roland Barthes tem um texto bonito sobre isso, sobre os manuscritos dos escritores franceses, compara o manuscrito do Balzac a uma espécie de fogo-de-artifício onde há muitas correcções, uma coisa meio arbórea. Eu me sinto mais livre escrevendo à mão. Acho que meu pensamento flui. As ideias também fluem mais com a caneta do que na tela. Eu posso passar horas escrevendo e não cansa porque também não escrevo copiosamente. Em 25 anos – o meu primeiro romance, Relato de Um Certo Oriente, vai fazer 25 anos em Abril do ano que vem – eu publiquei seis livros.

Afirmou em algumas entrevistas que um escritor tem de ter coragem de escrever e também coragem de silenciar para não escrever asneiras. A sua coragem para silenciar é maior do que a de escrever?

Não vejo nenhuma importância em publicar coisas supérfluas. O leitor é esperto. Há bons leitores. O leitor percebe quando a coisa não é trabalhada, quando você não diz uma verdade íntima. Isso é muito claro. Se eu fosse mais rápido, teria publicado mais coisas de que gosto. E não prejudiquei ninguém com isso.

Agora é impressionante a quantidade de livros. É curioso, quando eu morava na França, ouvi uma conversa sobre literatura entre o Maurice Nadeau e o Roland Barthes (que depois foi publicada – Sur la Littérature). O Nadeau perguntou ao Barthes sobre a crise da literatura. “Não há crise da literatura” – disse o Barthes. “Há excesso de livros.” Isso em 1980. Então hoje a literatura virou outra coisa.

O Presidente Obama, um homem culto, que se formou em Harvard, uma das melhores universidades americanas, quando visitou o Brasil não falou do Machado de Assis, da Clarice Lispector, do Guimarães Rosa, do Graciliano Ramos. Ele citou Paulo Coelho. Então é um desprestígio enorme para a literatura brasileira. Uma coisa assustadora, a assessoria do Presidente culto – vamos dizer assim -, uma assessoria que não conseguiu transmitir o básico. Ainda bem que ele não falou Isabel Allende [risos]. Se fosse o Bush… teria dito qualquer asneira. Na literatura a quantidade não interessa. Há dois grandes exemplos de escritores que publicaram pouco e não precisam publicar mais. O mexicano Juan Ruffo, que só escreveu um romance, e o brasileiro Raduan Nassar, que escreveu o Lavoura Arcaica, O Copo de Cólera e um livrinho de contos. Isso é coragem.

Está a trabalhar num novo romance?

Estou escrevendo um romance há quatro anos, que são dois volumes. Na verdade, eu não sei se vou juntar num só. É um romance que tem muito a ver com a minha experiência. O leitor comum pensa que você transcreve a vida. Não é verdade. Você inventa a vida ou transcende a vida. Este é um romance que acompanha de perto a minha trajectória: desde que eu saí de Manaus, fui sozinho para Brasília, em Dezembro de 1967. Tem algo de autobiográfico, mas a partir do momento em que a vida é incorporada ao texto, a vida se torna texto, se torna literatura.

O romance é muito inventado, claro, mas tem uma parte em Brasília onde eu presenciei o biénio de horror [época da ditadura militar]. Eu tinha 15, 16 anos. Morei dois anos em Brasília. Entrei de cara no movimento estudantil. Não aguentei a barra em Brasília e fui para São Paulo. Entrei na Faculdade de Arquitectura, fiz uma revista de poesia com amigos.

E quando é que decidiu largar a arquitectura e ser escritor?

Escrevi alguns contos nos anos 1970. Rasguei todos. Uma editora do Rio leu e gostou, mas eu era muito inseguro (ainda sou). Achei que foi generosa de mais e não acreditei. Desconfio de todo o tipo de elogio rasgado. Eu queria muito ser poeta. Publiquei um livro de poesias naquela época, 1978, com fotos do Amazonas de amigos meus. Chamava-se Amazonas, um Rio entre Ruínas (está esgotado).

Mas eu só comecei a escrever o primeiro romance aqui na Europa. Foi na Espanha.

Este novo romance tem título?

Tem um título provisório que é O Lugar mais Sombrio. Está ficando muito grande… não sei quando vou acabar.

Veio a Lisboa para o programa Futuro Próximo da Gulbenkian em que conversa com o poeta sírio Adonis. O que é que Adonis tem que o Milton não tem?

O que ele tem e eu invejo é o domínio pleno e íntegro da língua árabe. Eu sou filho de libanês. Meu pai era libanês, morreu, e minha mãe era brasileira – filha de libaneses -, mas era uma brasileira amazonense típica. E não falava árabe comigo. A língua materna era a língua portuguesa. É incrível que estes 12 milhões de brasileiros de origem árabe não falem árabe. Isso também aconteceu com os italianos, os filhos não falam italiano. O Brasil é peculiar. Os imigrantes queriam que os filhos se integrassem. Isso facilitou a mestiçagem. Na minha família ninguém se casou com filho de árabe. Ninguém. É fantástico isso.

Agora o Adonis é um dos grandes poetas vivos. Ele foi e é uma figura central na poesia árabe contemporânea. Saiu de Damasco, foi para o Líbano ainda jovem e se exilou. Renovou a poesia árabe e trabalhou com versos livres. Mostrou ao Oriente e ao Ocidente a ponte que já existia e que estava oculta entre a poesia destes dois mundos. O Adonis recuperou muita coisa da poesia árabe que estava escondida: a poesia pré-islâmica, ele fez uma bela antologia, a poesia sufi.

Tem um livro que relaciona o surrealismo, Rimbaud, e a poesia sufi. E tem tudo a ver. Há ligações profundas, como se fossem correntes subterrâneas da imaginação livre, solta. O Adonis procurou estas confluências da poesia árabe e da poesia do Ocidente. A questão do duplo, dos sonhos, desta imaginação solta, do êxtase do Rimbaud, o êxtase dos poetas sufi.

O Adonis é uma inspiração?

É. Ele, o Edward Said. Pessoas que não separam uma cultura da outra. Uma cultura morre quando você a separa ou se você dá um status para ela, um significado de superioridade falsa. Não há culturas superiores.

Se pudesse ter uma conversa imaginária com o seu pai, como explicaria o que está a acontecer no Médio Oriente?

Acho que ele é que me explicaria. Ele viveu o período colonial francês em Beirute. Era funcionário do Ministério da Justiça. Ele diria que o mundo árabe é um mundo desagregado. Era o que ele dizia para mim, que a colonização deixou este mundo desagregado. E com o agravante de que o mundo árabe não alcançou a modernidade talvez pelas próprias condições do colonialismo, como a África não alcançou, menos ainda. O sentido do clã, das religiões, o sectarismo, isso tudo é uma loucura.

E como vê a Primavera árabe?

É um processo que está começando. Seria muito difícil dizer “a Primavera Árabe aconteceu naquele mês de Julho”. É um processo longo. Vai demorar muito porque os anos, as décadas de autoritarismo, de ditaduras praticamente em todo o mundo árabe, este tempo longo criou também mentalidades arcaicas, conservadoras, com o agravante de que o país mais conservador, mais autoritário do mundo árabe, a Arábia Saudita, é o maior aliado político e militar dos Estados Unidos. Por que não se diz isso? Por que o Obama – ou o Bush – não tenta democratizar a Arábia Saudita? Esta é uma pergunta interessante. Por que levar a democracia só ao Iraque? A que custo? Todas estas intervenções foram criminosas.

Eu não tenho esperança. Também não sei qual é a importância de ter esperança. Também não sou religioso. Acho que as pessoas devem lutar por causas mais justas. Isso não me dá esperança, mas me dá uma vontade de viver. Agora é difícil ter esperança quando você vê o que está a acontecer na Síria, os bilhões que são gastos em armas.

O Saramago dizia que a democracia acabou. De certo modo ele tem razão. Tudo está contaminado pelo poder económico.

(mais…)

Um poema em cada árvore (Mobilização Nacional 2013)

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A poesia orgulhosamente apresenta:

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Publicado por Instituto Psia

Dia 21 de setembro de 2013 será realizado o Um poema em cada árvore (Mobilização Nacional), quando acontecerá em 70 cidades brasileiras uma edição simultânea do Um poema em cada árvore – iniciativa de incentivo à leitura que utiliza as árvores como suporte de leitura.

No dia em que se comemora o Dia da árvore, uma rede poetas, educadores, agentes culturais e sociais estarão mobilizados em levar a poesia aonde o povo está.
O Um poema em cada árvore é uma iniciativa de incentivo à leitura realizada mensalmente desde agosto de 2010 na cidade de Governador Valadares, Minas Gerais.
Idealizada pelo poeta Marcelo Rocha e realizada pelo Instituto Psia, a iniciativa caracteriza-se por utilizar as árvores como suporte para a leitura, pendurando mensalmente poemas de poetas desconhecidos do grande público nos oitis valadarenses.
Esta foi uma forma encontrada para construir novos espaços de fruição poética, ampliar o acesso da população à poesia e colocar o trabalho de poetas contemporâneos em contato com novos públicos.
O Um poema em cada árvore foi uma das iniciativas finalistas do Prêmio Vivaleitura 2011 e atualmente é um dos projetos finalistas do Prêmio Vivaleitura 2012, premiação executada pela OEI – Organização dos Estados Ibero-Americanos.

CIDADES

ALEXANDRIA – RN
ALMENARA – MG
AQUIDAUANA – MS
AROAZES – PI
BACABAL – MA
BAGÉ – RS
BELO HORIZONTE – MG
BOQUEIRÃO – PB
CAMPINA GRANDE – PB
CAMPO GRANDE – MS
CAMPO NOVO DO PARECIS – MT
CAMPOS DOS GOYATAZES – RJ
CANELA – RS
CAXIAS DO SUL – RS
CERQUILHO – SP
CHAPADA GAÚCHA – MG
CONGONHAS – MG
CRUZ DO ESPÍRITO SANTO – PB
CURITIBA – PR
DIVINÓPOLIS – MG
DOURADOS – MS
ESPLANADA – BA
EUNÁPOLIS – BA
FORTALEZA – CE
FREDERICO WESTPHALEN – RS
GARANHUNS – PE
GARÇA/SP
GOVERNADOR VALADARES
GUARANÉSIA – MG
HERVAL D’ OESTE – SC
IBATEGUARA – AL
ILHÉUS – BA
ITABAIANA – PB
ITABUNA – BA
JARAGUARI -MS
LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA – BA
MAJOR SALES – RN
MANAUS – AM
MARINGÁ – PR
NOVA ANDRADINA – MS
PARANÁ – RN
PELOTAS – RS
PIAÇABUÇU – AL
PIRACICABA – SP
PORTEIRINHA – MG
PORTO ALEGRE – RS
PORTO VELHO – RO
PRATA DO PIAUÍ/- PI
QUELUZ – SP
RIBAS DO RIO PARDO – MS
RIO DE JANEIRO – RJ
RIO DOCE – MG
SALVADOR – BA
SANTA CRUZ DO SUL – RS
SANTA MARIA – RS
SANTO ANDRÉ – SP
SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS
SÃO FRANCISCO DO SUL – SC
SÃO JOSÉ DO CALÇADO – ES
SÃO MATEUS -ES
SÃO PEDRO DA ALDEIA – RJ
SOBRADINHO – DF
TEIXEIRA DE FREITAS – BA
UBERABA – MG
UIRAUNA – PB
UNAI – MG
VALENÇA – BA
VILA VELHA – ES
VITÓRIA – ES
XAPURI – AC

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dica do Jarbas Aragão

As 100 melhores universidades do mundo

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Publicado por Olhar Digital

O site Times Higher Education divulgou a lista das melhores universidades de 2013. Após ficar para trás no último ranking, a Harvard volta a liderar entre as instituições de ensino. A Stanford, Berkeley, MIT e a Universidade de Cambridge aparecem em seguida, fechando a relação das cinco primeiras.

As faculdades norte-americanas saem na frente no top 10, perdendo para o Reino Unido apenas na 5ª a e 10ª posições. Já o Brasil, diferente da última publicação que listava as mais renomadas, não aparece entre as 100 melhores. Em ranking divulgado em março último, a USP (Universidade de São Paulo) ficou entre as 70 universidades com melhor reputação, desbancando a francesa Sorbonne.

Vale lembrar que a melhor escola de ensino superior do mundo tem cursos de TI disponíveis. Para entrar na Harvard, contudo, não é preciso se submeter a um vestibular. O comitê de admissão da instituição analisa as notas obtidas pelos alunos durante o ensino médio, o nível de envolvimento com a comunidade local, atividades extracurriculares e experiência de trabalho.

Um representante do escritório de admissões da Harvard costuma visitar cidades brasileiras para dar detalhes sobre o processo seletivo e bolsas oferecidas pela universidade. Há diversas etapas que incluem entrevistas e proficiência de inglês que, aliás, precisa ser comprovada pelo exame TOEFL (Test of English as a Foreign Language).

Para quem se interessou, saiba mais aqui. E aproveite e veja aqui como participar do processo de admissão de outras faculdades listadas como as melhores do mundo.

Veja os 25 primeiros lugares abaixo ou a lista completa aqui.

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dica do Ailsom Heringer

Cidades com mais livrarias são as que mais compram livros pela web

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Ranking feito pela Saraiva é liderado por Sudeste; compra virtual de títulos cresce mais no Nordeste
Dados indicam que lojas físicas servem de estímulo para o hábito de leitura no Brasil, dizem especialistas

Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Os maiores compradores virtuais de livros no Brasil estão exatamente nas áreas mais abastecidas por lojas físicas –embora o comércio eletrônico seja sempre lembrado por especialistas em leitura como alternativa para áreas onde não há livrarias.

Das dez cidades que mais compram livros pela internet no país, nove estão na região Sudeste, segundo levantamento per capita realizado pela Livraria Saraiva, a maior do país, a pedido da Folha.

O levantamento cobriu todas as cidades brasileiras e considerou o período de junho de 2012 a maio de 2013.

A lista é liderada por Niterói (RJ), São Caetano do Sul (SP) e Vitória (ES), três municípios entre os 50 com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país e que têm, respectivamente, uma livraria para cada 21 mil, 19 mil e 18 mil habitantes –a média nacional é de uma livraria para 63 mil.

O ranking da venda específica de e-books acompanha a tendência, com Santana do Parnaíba (SP) liderando a lista seguida de Niterói, Florianópolis (SC), São Caetano do Sul e Vitória.

Na Saraiva, o e-commerce representa hoje 34% das vendas da rede, que tem 104 lojas físicas no país. Já na Cultura, o comércio via internet chega a 22% do total. Em ambas, a loja on-line é a que mais cresce em toda a rede.

Para livreiros que trabalham com venda pela internet, é nítida a diferença no comportamento dos consumidores em cidades onde as lojas físicas estão presentes.

“O e-commerce não é só conveniência para quem não tem acesso a outros canais. Sempre que abrimos loja numa cidade, aumenta a compra on-line local”, diz Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura.

Fabiano dos Santos, subdiretor no centro de fomento à leitura na América Latina da Unesco, diz desconhecer estudos sobre o impacto das livrarias na formação do hábito de leitura, mas vê aí “boa agenda de investigação”.

“A livraria tem função social na democratização do acesso e na promoção da leitura. Todo livreiro é ou deve ser um mediador cultural.”

Para Eliana Yunes, diretora da Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio, os dados fazem pensar no limite da democratização da leitura permitida pela internet, até pelo fato de a inclusão digital também ser maior em áreas mais ricas.

“Quanto mais diversificados os canais de compra, melhor para a população. Mas quem não tem acesso a livrarias e bibliotecas dificilmente solucionará um déficit de leitura com o computador. A esses foi negado o aperitivo, o gosto de experimentar.”

NORDESTE

O Nordeste é a segunda região mais bem colocada na compra de livros on-line, embora seja a terceira região com mais livrarias, atrás do Sul.

Entre os 50 municípios que mais compram pelo site da Saraiva, na contagem per capita, 29 são do Sudeste, 11 do Nordeste, cinco do Sul, dois do Centro-Oeste, dois do Norte e um do Distrito Federal.

Na Saraiva e na Cultura, o Nordeste foi a região em que a compra on-line mais cresceu em 2012, acompanhando tendência de crescimento do PIB local (2,05% no primeiro trimestre) na comparação com o resto do país (1%). “O Nordeste foi uma opção federal em termos de investimento. Isso se reflete na compra de livros”, diz Frederico Indiani, diretor de compras da Saraiva.

Em apostilas de escolas do Rio, soma de 173 com 100 dá 253

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Lucas Vettorazzo, na Folha de S.Paulo

Na rede municipal de ensino do Rio, a soma de R$ 173 com R$ 100 dá R$ 253 e a de R$ 173 com R$ 10 é igual a R$ 283.

Esses são os resultados apresentados em uma apostila de matemática distribuída aos professores do quinto ano do ensino fundamental, com os gabaritos dos exercícios já impressos.

A apostila a qual a Folha teve acesso apresenta ao menos mais um erro, em outra questão. Nela se pede ao aluno que represente numericamente uma quantia apresentada por extenso. Na resposta, dezoito mil e quarenta e sete vira 12.047.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que envia erratas sempre que encontra incorreções no material e que é opcional o uso das apostilas com as respostas pelos professores.

Não é a primeira vez que apostilas da rede municipal apresentam problemas. Em maio, descobriu-se que material distribuído aos alunos do quinto ano “ensinava” que a capital de Pernambuco é Belém e a da Paraíba, Manaus.

A questão, de matemática, pede que o aluno calcule as distâncias e o tamanho entre cidades brasileiras. Os erros estão no quadro que acompanha o enunciado. Nele, estão discriminados nove Estados brasileiros, com suas siglas, nomes, capitais e tamanhos em quilômetros quadrados.

Nos dois primeiros Estados indicados -Pernambuco, cuja capital é Recife, e Paraíba, cuja capital é João Pessoa- há equívocos. Um terceiro erro está na sigla do Estado da Paraíba: PA (que é a sigla do Pará), em vez de PB, a correta.

NÃO TEM PREÇO

A Folha encontrou também propaganda da MasterCard inserida em um exercício de uma apostila de leitura para ilustrar uma questão de interpretação de texto.

A peça publicitária é da campanha “Vida real 10×0 Videogame: Não tem preço”, na qual filhos de clientes podem concorrer a entrar em campo de mãos dadas com jogadores de futebol de times cariocas. A questão pergunta, entre outras coisas, o significado do texto publicitário.

As apostilas são distribuídas a cada início de bimestre para os 683.449 alunos da rede municipal do Rio.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação do Rio afirmou que encaminha erratas para as escolas sempre que encontra incorreções no material e que o uso das apostilas é facultativo para os professores.

A produção, afirma o texto, é feita com a supervisão de sua área técnica e de consultores de áreas das principais universidades federais do Rio.

Sobre a publicidade no caderno de leituras, a pasta diz que a “orientação é para que os cadernos abordem a realidade e o cotidiano da cidade, do país e do mundo, com todos os tipos de linguagem e gênero, e questões que trabalham leitura de não ficção em todas as disciplinas a partir de assuntos tratados pela mídia”.

A secretaria ressaltou ainda que o Ministério da Educação utiliza o trabalho com propaganda no chamados descritores da matriz de referência da Prova Brasil, que avalia o desenvolvimento da educação no país, e está presente nas chamadas orientações curriculares do ministério.

A MasterCard informou que “não utiliza, em hipótese alguma, materiais didáticos como veículos de mídia para suas campanhas publicitárias e não teve envolvimento na publicação do anúncio em questão”.

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