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50 tons de cinza resumido numa única imagem

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fonte: Leticce [via Testosterona]

Wanderléa e Thaeme avaliam best-seller erótico ’50 tons de cinza’

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Cantora Wanderléa reprova o best-seller britânico
por achar o livro ‘careta’ (Foto: Arquivo pessoal)


Publicado originalmente no G1

Ao ler um dos capítulos mais ousados de “50 tons de cinza” a convite do G1, a cantora Wanderléa, de 66 anos, não teve como não espezinhar: “Que coisa mais careta! Uma descrição de sensualidade muito antiga.” O livro britânico descreve a perda da virgindade da estudante Anastasia Steele e o início das relações sexuais sadomasoquistas com o misterioso Christian Grey.

Durante a leitura do best-seller, a cantora que lançou os primeiros sucessos aos 16 anos, na década de 60, se lembrou dos livros de sua adolescência. Para ela, foram mais excitantes e originais. “’O cortiço’, de Aluísio de Azevedo foi para mim de grande impacto. Obras como as de Jorge Amado nos trazem deliciosos momentos de exercícios da nossa tímida libido juvenil”, exemplifica a Ternurinha.

O rótulo de “pornô para mães” dado a “50 tons de cinza”, para a cantora, não é adequado. “As mães brasileiras da minha geração já não são assim, tão sem cor. Sua sensualidade já é mais exuberante e colorida”, opina. No casamento de mais de 30 anos com o guitarrista Lallo Correia, ela optou por morarem em casas separadas. O livro erótico nem passou pela pauta de conversas dos dois. “Não comentei com o meu marido, pois ele também não se interessaria”, explica.

A cantora tem duas filhas com idades próximas à da personagem Anastasia, de 21 anos. Mas Wanderléa acredita que nem elas se interessariam pelo livro. “As moças de hoje são bem informadas e experimentam o sexo sem culpa e não priorizam apenas o erotismo numa relação, mas sim o encontro amoroso, pois acreditam ainda que o sexo com amor é melhor”, opina a cantora.

Thaeme aprova

Cantora sertaneja Thaeme aprova a mistura de
romance e erotismo da escritora Erika L. James
(Foto: Arquivo pessoal)


Quadro décadas mais nova que a Ternurinha, a sertaneja Thaeme Mariôto, parceira de Thiago em canções como “Ai que dó” e “Tcha tcha tcha”, curtiu os capítulos indicados pelo G1. Quis ler mais. Ela deve adquirir os outros dois volumes, que completam a trilogia da autora britânica Erika L. James. Thaeme gostou, viu graça e boas lições no enredo.

“Pretendo ler os três livros. Não só pelo lado erótico”, diz ela. “E quero reler quando eu for mais velha. Achei a escritora muito criativa. As pessoas poderiam achar pesado, mas a autora deixou leve. Os pensamentos da personagem são puros, e achei muito cômico o livro.”

O sexo sempre foi tratado como um tabu na educação da jovem. Nascida e criada em Jaguapitã, interior do Paraná, Thaeme explica que nunca conversou abertamente sobre o assunto. Mas viu no livro uma espécie de “manual de dicas para mulheres casadas”, e recomendou a leitura às irmãs e até mesmo à matriarca da família. Ela concorda com um dos rótulos que a obra adquiriu após o lançamento mundial: pornô para mães. “Toda mulher deveria ler para não deixar o casamento entrar na rotina. Acho que agrega muito.”

Aos 26 anos, ela revela que se identificou com inúmeros pensamentos e dúvidas da protagonista de “50 tons de cinza”. Foi a primeira vez que a cantora teve contato com a literatura erótica. Recatada, ela comenta que ficou corada ao acompanhar as peripécias sexuais do casal Grey e Anastasia. “Foi engraçado ler um livro que expõe detalhes. Eu ficava com vergonha junto com ela.”

Solteira, Thaeme acredita que a mulher deva deixar os fetiches para realizar apenas com o marido. Para ela, as transas dos protagonistas em lugares públicos podem servir de inspiração e evitar matrimônios mornos. “No elevador, em cima do piano, lugares perigosos que eu nunca pensei antes. Mas de alguma forma, o proibido pode ser gostoso. Mas você só pode se comprometer se for casada.“

O sadomasoquismo e a dominação presentes no conto, entretanto, provocaram mais estranheza do que curiosidade em Thaeme. “Já pensava em usar algemas depois do casamento. Sabia que eu ia ter que inovar. Cabe ao homem e a mulher não deixar cair na rotina. São coisas simples, algema, amarrar a gravata no pulso – nem acho tão diferente assim. Mas as punições eu não gosto, não concordo e não faria. Ai já foge do prazer.”

“Cinquenta tons de cinza” se torna febre entre os jovens ao redor do mundo

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Nova trilogia da literatura erótica (divulgação)


Gabriel Machado, no A Crítica

Alguns o consideram uma versão mais pesada do bestseller mundial “Crepúsculo”, outros já o acham uma tentativa desesperada de emplacar a próxima sensação da literatura juvenil. Fato é que não se fala em outra coisa: o livro “Cinquenta tons de cinza” se tornou uma febre ao redor do mundo e tem tudo para seguir os passos dos gigantes “Harry Potter” e “Jogos vorazes”.

A obra, escrita pela britânica E.L. James, não possui bruxinhos, jovens revolucionários ou vampiros. Pelo contrário, ela acompanha as aventuras sadomasoquistas de Christian Grey e Anastasia Steel, um executivo e uma estudante que firmam um acordo pouco comum: ele pede à garota que assine uma espécie de contrato, no qual ela concorda em desempenhar um papel de “submissa” numa série de “atividades eróticas”.

“Eu gostei muito do livro, mas reconheço que o seu conteúdo é bastante pesado e que possui cenas de sexo desnecessárias”, comentou a arquiteta Maria Margareth Pimentel, que leu a primeira parte da trilogia – completada por “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade” – logo que ela saiu nos EUA, em março.

Apesar dos comentários dos fãs, que classificam a obra como “revolucionária”, o erotismo está longe de ser novidade na literatura. Ao longo dos anos, nomes como Marquês de Sade, Nelson Rodrigues e Sidney Sheldon também já abordaram o tema em seus livros. “Na verdade, o erotismo pode estar presente em várias obras. O conto de Machado Assis ‘Uns Braços’, por exemplo, descreve um rapaz que é seduzido pelos braços desnudados de uma senhora”, exemplificou Lajosy Silva, professor de Língua Inglesa e Literatura na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Erotismo x Pornografia

Uma das polêmicas que cerca a trajetória de “Cinquenta tons de cinza” é o excesso de cenas de sexo, apimentadas por uma grande leva de descrições detalhadas. O que nos deixa a questão: onde termina o erotismo e começa a pornografia? Existe diferença entre os dois?

Segundo Lajosy, o primeiro está ligado ao sensorial e à sugestão do desejo, enquanto o segundo é a mera exposição da sexualidade nua e crua, sem floreios. O professor, responsável por lançar uma coleção de obras eróticas no ano passado, como parte do projeto “Clube do Autor”, porém, faz uma ressalva: “O que separa esses elementos tem mais a ver com os valores morais estabelecidos pela sociedade e o senso comum que se atribui a essas duas palavras”.

’50 Tons’ para homens: editoras agora investem no ‘daddy porn’

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Bruno Astuto, na Revista Época

O mercado está desesperado para encontrar uma “resposta” ao fenômeno 50 Tons de Cinza. A palavra de ordem nas editoras inglesas é descobrir quem será o próximo ou a próxima E.L. James com seus milhões e milhões de livros eróticos vendidos em todo o mundo. Uma autora contou recentemente a um tabloide que desistiu de oferecer seu romance infanto-juvenil, meio magia à la Harry Potter, meio vampiresco à la Crepúsculo, porque estava cansada de lhe “bateram a porta na cara”. Segundo ela, os editores avisavam que a prioridade agora eram os romances adultos, de cunho erótico, os chamados ‘mummy porn’.

É interessante essa evolução dos fenômenos editoriais nos últimos anos. As cifras espetaculares começaram com Dan Brown e seu Código da Vinci, uma ficção policialesca que tentava decifrar e dessacralizar os dogmas cristãos, evidenciando a religião como instrumento de controle. Em seguida, como se tivéssemos nascido de novo, veio Harry Potter e seu mundo mágico de bruxaria. Um menino bem ao estilo Avenida Brasil; educado durante toda a adolescência para vingar a morte dos pais pelo feiticeiro malvado, alternando momentos de inocência dignos de Rita/Nina e o caráter duvidoso de Carminha. Seguiu-se a saga Crepúsculo, com seus vampiros, lobos e zumbis açucarados e apaixonados, que freavam os ímpetos de morder o pescoço alheio em nome do coração. E foi a partir dela que E.L. James cunhou seus 50 Tons de Cinza, soltando, na base do chicote, a franga e a repressão sexual.

Durante o império do Código, muitos tentaram — sem sucesso — criar fábulas de mistérios religiosos almejando as listas dos livros mais vendidos. Enquanto Harry Potter voava em sua vassoura, nenhum outro herói infantil conseguiu roubar-lhe a vedete. Aberrações vampirescas também sobravam, empoeiradas, nas livrarias ao passo que as sequências de Crepúsculo desapareciam delas. De onde se deduz que a febre sadomasô de 50 Tons também tende a morrer com ele.

Mas há os que ainda tentam, caso da reedição da trilogia The Hand Reared Boy, de Brian W. Adliss. Para quem não conhece os livros, eles foram os 50 tons de toda uma geração de garotos sexualmente reprimidos do início dos anos 70. Trata-se da saga de um menino, Horatio Stubbs, durante a descoberta de sua sexualidade. A editora alardeia o relançamento como a “resposta masculina à trilogia de E.L. James”. O herói passa boa parte do tempo se masturbando, procurando mulheres em série, comendo o mundo inteiro. Até que vai para a guerra, perde as ilusões da juventude e se torna um homem mais consciente – embora não menos tarado. Tudo é descrito à maneira crua masculina, sem o requinte ou a frieza de Christian Grey, herói de 50 Tons. Horatio é um homem como todos os outros, que tenta, até o último momento, alimentar o garoto que existe dentro de si.

Nos 50 Tons, a protagonista encontra o amor à sua maneira; em The Hand Reared Boy, Horatio é até um pouco patético em suas desventuras sexuais. Ele não é sexy, não é um herói do coito. Na verdade, desperta até uma certa piedade diante de seu drama para levar as mulheres para a cama. É o anti-herói erótico, que se parece com a maioria dos homens da vida real. Talvez, por isso, os leitores masculinos possam até se identificar com ele.

Mas o mundo mudou, e não estamos mais no início dos anos 70 quando os garotos tinham que bolar peripécias para ver a vizinha pelada ou conseguir uma revista masculina que aliviasse seus hormônios em ebulição. O sexo está hoje escancarado em toda parte; nas novelas, nos filmes, nos comerciais e, sobretudo, na Internet. Garotos que sonhavam com os seios das atrizes de cinema hoje os encontram com uma banalidade frugal. As divas sexuais não estão trancadas nos dancings ou nos teatros de revista; elas estão, de biquíni, nos reality-shows da TV, rebolando o enorme patrimônio calipígio para todas as idades.

Muito mais excitáveis por estímulos visuais do que por palavras da literatura erótica, qualquer homem hoje em dia achará The Hand Reared Boy um conto de Chapeuzinho Vermelho. Não haverá, portanto, um ‘50 tons’ masculino ou um ‘daddy porn’. Você, aliás, conhece um único homem que tenha gostado do livro? A imaginação sexual dos adolescentes morre quando eles descobrem a senha do pay-per-view do pai ou encontram no YouTube o banho caudaloso de Viviane Araújo na Fazenda. Por isso, quem sabe, Christian Grey esteja fazendo tanto sucesso com as mulheres. Ele sabe manipular o Viagra que mais funciona com elas: a fantasia.

E.L. James diz que sua trilogia erótica ajuda as jovens a escolher melhor os parceiros

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SUCESSO
A autora inglesa E.L. James, de 49 anos, em Londres, em maio. Sua trilogia, Cinquenta tons de cinza, vendeu 40 milhões de exemplares em quatro meses. O segundo volume chega ao Brasil (Foto: Bohdan Cap/Contour/Getty Images)

Luis Antonio Giron, na Revista Época

Meio-dia, soa o Big Ben. É uma sexta-feira quente de verão. Estou numa sala no 1º andar da agência literária Valerie Hoskins, no centro de Londres. De repente, uma moça vestida com uma calça âmbar aparece na outra sala, agacha-se para verificar se seu laptop branco está carregando, vira-se, olha, sorri e me acena. Sim, é ela: espevitada, jovial, roliça e… ouso dizer… sensual. Erika Leonard James, ou E.L. James, aparenta menos que seus 49 anos. Parece ter 30 e poucos. É mais bonita que nas fotos.

Erika – ela concede que eu a chame assim – diz que ainda pode andar pelas ruas de sua cidade sem ser assediada. “Acho bom ter vida normal”, afirma. “Não me interessa essa coisa de celebridade. É tudo o que não quero.” É uma questão de tempo para que comece a causar tumulto nas ruas. E.L. James ostenta hoje o título de maior sucesso de vendas mundial com sua trilogia de romances eróticos Cinquenta tons de cinza. A história está em adaptação para o cinema, com sua supervisão. Deve reprisar o furor da saga Crepúsculo – em cujo enredo Erika se inspirou para contar a iniciação sexual da jovem Anastasia Steele pelo bilionário Christian Grey, em sessões de sadomasoquismo embaladas por música erudita. De abril até hoje, 40 milhões de volumes da série erótica foram vendidos no mundo todo. No Brasil, o primeiro volume, que dá nome à trilogia, atingiu os 300 mil exemplares e 10 mil e-books vendidos. O segundo, Cinquenta tons mais escuros (Intrínseca, 512 páginas, R$ 39,90; e-book: R$ 24,90), chega ao Brasil com uma tiragem de 350 mil cópias. Os americanos apelidaram a saga de “pornô da mamãe”, porque as cenas são tão picantes como o vocabulário para descrevê-las soa respeitável e sem palavrões.

“Evitei o palavreado grosseiro típico da literatura pornô, até porque fica mais excitante quando você descreve as cenas de sexo em bom estilo”, diz. Ao contrário do que eu poderia prever, Erika se mostra mais “pornô” do que “mamãe” ao longo de nossa conversa. Bem-humorada e despretensiosa, não se furta de falar abertamente sobre sexo e vida literária. Ela afirma que jamais contava com o sucesso. “Meu único sonho era ver um dia meu livro numa vitrine de livraria”, diz. “Tudo começou com um grupo de fan fiction de Crepúsculo. O primeiro livro saiu em e-book, só depois interessou a uma editora.” As redes sociais ajudaram. “Sou louca por Twitter, e isso criou curiosidade. Mas o que valeu foi o boca a boca.”

Erika trabalhava havia dezenas de anos como produtora executiva na área de direitos autorais de uma emissora de televisão, quando entrou para o grupo de fan fiction, que escreve variações das obras que admira. A proposta do grupo era criar uma história de amor ambientada nos Estados Unidos. Foi assim que Erika, fã de autoras de best-sellers como Stephenie Meyer e Norah Roberts (jamais leu Sade nem Anaïs Nin), procurou no Google dados sobre Seattle e Portland, onde se passa o livro. São cidades que ela só conhecerá em outubro. “Meu livro mistura Google e fantasia”, afirma. “Queria realizar minhas fantasias sexuais no texto. Não imaginava que tantas mulheres tinham os mesmos desejos.” Diz que leitoras de 15 a 80 anos lhe pedem conselhos. “Os homens agora me procuram. Adoram ler porque esclareço dúvidas deles sobre sexualidade feminina.”

Uma das lendas sobre Erika foi a reação dos filhos, dois meninos de 15 e 17 anos. Segundo jornais ingleses, eles ficaram com vergonha por causa do livro. “Eles me disseram que acham ‘bacana’ a mãe deles fazer livros eróticos. Na escola, os colegas passaram a admirá-los.” Segundo ela, seu marido, o autor de séries de TV Naill Leonard, ficou orgulhoso. “Ele me ajudou a montar a estrutura do livro e se animou para estrear no romance.” Diz que os dois levam uma vida amorosa discreta, o que não significa que não façam o que ela narra no livro. “Não interessa a ninguém o que as pessoas fazem na cama”, diz, piscando um olho.

Ela não se importa com a reação dos conservadores que a acusam de desencaminhar jovens. Nem das feministas que apontam a trilogia como reforço ao machismo. Erika não vê problema em incitar as jovens (adultas) a práticas de perversão sexual. “Espero que as meninas escolham melhor seus parceiros com o livro. Sobre o sadomasoquismo, ele pode ser saudável se as partes envolvidas estiverem de acordo, se o ambiente for controlado e seguro.” Quanto às feministas, ela começa a rir: “Elas não leram o livro. Acham que Anastasia é passiva. Ela é que domina aos poucos. Ela é virgem de corpo, mas
Christian é virgem de alma”.

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