Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Ciranda de Pedra

10 novelas e minisséries inspiradas em livros

0

Maria Cecília Costa, na Superinteressante

Aristóteles já dizia, em Poética, que a mimese, a representação da realidade por meio da arte, era uma das melhores formas de estimular o pensamento crítico do ser humano. Na Idade Média, poucos eram os que sabiam ler e, mesmo assim, só podiam ler os livros permitidos por quem estava no poder. Sabia-se o potencial que o acesso a determinadas obras tinha de criar questionamentos pouco convenientes aos poderosos.

Com o passar dos séculos, a leitura finalmente se democratizou. A literatura, por sua vez, não se deteve a continuar apenas em páginas de livros e tornou-se base para produções culturais nas mais variadas mídias. Na dissertação Literatura em televisão: uma história das adaptações de textos literários para programas de TV (Unicamp, 1995), Hélio de Seixas Guimarães ressalta a importância de obras da literatura nacional na produção de telenovelas e minissérie, e afirma que mais de um terço das 600 telenovelas brasileiras se basearam em obras literárias.

A seguir, algumas das novelas e minisséries brasileiras mais recentes inspiradas em obras literárias nas últimas décadas:

1) Orgulho e Paixão (2018)

(Divulgação/TV Globo)

Exibida atualmente, a novela é baseada em diversos livros da obra da romancista inglesa Jane Austen, incluindo o mais famoso deles, Orgulho e Preconceito. No entanto, também é possível ver semelhanças de enredo com Mulherzinhas, da estadunidense Louisa May Alcott. A novela, ambientada no auge do comércio de café, conta como cinco irmãs lidam com as normas e papéis de gênero no tempo em que vivem.

2) Dois Irmãos (2017)

(Divulgação/TV Globo)

Uma das mais recentes desta lista, a minissérie é baseada no romance Dois Irmãos, do escritor amazonense Milton Hatoum. A história é ambientada em Manaus, em meados do século 20, e gira em torno da relação destrutiva de Omar e Yaqub, gêmeos com ascendência libanesa, e seu impacto na vida familiar.

Assim como Capitu e A Pedra do Reino (2007), Dois Irmãos faz parte do Projeto Quadrante, liderado pelo diretor de arte Luiz Fernando Carvalho, que visa levar clássicos literários brasileiros para a televisão aberta.

3) Totalmente Demais (2016)

(Ellen Soares/Gshow/Divulgação)

Apesar de a relação entre as duas obras não ter sido muito explorada na divulgação, Totalmente Demais é uma adaptação para os dias atuais da clássica peça de teatro Pigmaleão, de Bernard Shaw. A trama básica é a de uma florista pobre – Eliza, em ambos os casos – sem maneiras rebuscadas, que é abordada por um homem mais velho disposto a transformá-la em uma dama da alta sociedade.

No meio do caminho, no entanto, o homem se apaixona pela moça já “transformada” e, mesmo com uma tensão entre os dois, a mulher o rejeita e prefere ficar com outro rapaz. A peça, por sua vez, é inspirada no mito grego do escultor Pigmaleão, que, ao esculpir uma mulher no mármore, se apaixonou pela estátua que ele mesmo produziu.

4) Verdades Secretas (2015)

(Felipe Monteiro/Gshow/Divulgação)

Provavelmente seria polêmico demais divulgar Verdades Secretas, uma novela das onze, e dizer que ela é uma livre adaptação da obra Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, que é narrado por um pedófilo em julgamento.

No entanto, é fácil perceber as similaridades entre as obras: um homem mais velho fica obcecado por uma adolescente – ou criança, no caso do livro – e é extremamente abusivo, chegando ao ponto de se casar com a mãe da menina para poder observá-la. Lolita e Angel, ainda que sejam personagens bem diferentes, têm 12 e 16 anos em suas tramas.

5) Gabriela (2012)

(Alex Carvalho/ TV Globo/Divulgação)

Jorge Amado é um dos autores com o maior número de obras adaptadas para a televisão: as novelas Tieta (1989) e Porto dos Milagres (2001), além da minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos são alguns dos produtos inspirados em suas obras.

Porém, foi a adaptação de Gabriela, Cravo e Canela (1958) que se tornou mais emblemática ao longo dos anos. Foi base para três produções em 1961, 1975 e 2012.

6) Capitu (2008)

(Divulgação/TV Globo)

A minissérie de 2008 é baseada em Dom Casmurro, de Machado de Assis, seguindo fielmente a talvez mais célebre obra machadiana. A trama conta a história de Bento e Capitu, um casal que se conhece e se apaixona na adolescência, mas vê seu amor ser coberto pelas desconfianças e paranoias de Bento, que passa a acreditar que Capitu o traiu com Escobar, seu melhor amigo. Com uma direção de arte maravilhosa, a minissérie tem uma das cenas finais mais lindas da televisão.

7) Queridos Amigos (2008)

(Márcio de Souza / TV Globo/Divulgação)

Baseada em Aos Meus Amigos, de Maria Adelaide Amaral, a minissérie conta a história de um grupo de amigos que se conhece no auge da ditadura militar brasileira. Após ficarem anos distantes, Léo, o maior elo entre todos, resolve reaver as relações entre seus amigos enquanto prepara seu suicídio.

8) Ciranda de Pedra (2008)

(Miguel Júnior / TV Globo/Divulgação)

Ciranda de Pedra, romance da escritora paulista Lygia Fagundes Telles, teve duas versões como telenovela, uma em 1981 e outra em 2008. A novela conta a história de uma família de elite de São Paulo em 1958. Laura, a mãe, tem alterações bruscas de humor e é infeliz no casamento. As obras, intimistas, focam em aspectos psicológicos dos personagens, ainda que, na televisão, tenham sido feitas mudanças no enredo original para manter a audiência.

9) A Casa das Sete Mulheres (2003)

(Divulgação/TV Globo)

Ambientada durante a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, a trama é baseada no livro de mesmo nome da autora gaúcha Letícia Wierzchowski, publicado no ano anterior à exibição da minissérie. Misturando personagens reais e ficcionais, a obra conta a história do grupo de mulheres ligado à liderança farroupilha que vive enclausurado em uma casa durante a Guerra. Assim como em outros casos, a minissérie também teve que sofrer alterações em relação ao livro para manter o interesse do público.

10) Os Maias (2001)

(Divulgação/TV Globo)

Livremente baseada na obra homônima do escritor português Eça de Queirós, a minissérie contava a história da decadência da aristocracia portuguesa pela visão da família Maia. Na trama, uma série de desventuras amorosas, após anos, resulta em um relacionamento entre irmãos. Bastante elogiada, a obra é tida como uma das maiores em influência da teledramaturgia brasileira.

5 livros em que Lygia Fagundes Telles mostra que é um ícone literário

0

PARIS;FRANCE - MARCH 24: Brazilian author Lygia Fagundes Telles poses while in Paris,France during a book fair on the 24th of March 1998. (Photo by Ulf Andersen/Getty Images)

Caio Delcolli, no Brasil Post

O cantor Bob Dylan foi anunciado nesta quinta-feira (13) como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura deste ano.

Na disputa pelo prêmio, o Brasil foi representado por um de nossos ícones literários: Lygia Fagundes Telles, 93, escritora paulistana conhecida pelo estilo introspectivo e incisivo.

Além dos romances, a autora já publicou vários contos e crônicas, e também já trabalhou como tradutora e roteirista de cinema. Premiada, ela venceu o Jabuti quatro vezes – em 2001, 1996, 1974 e 1966 – e o Camões, em 2005. Em 1985, Telles foi nomeada membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se uma das poucas mulheres a ocupar uma cadeira na instituição.

A escritora pode não ter se tornado nesta semana a primeira de nosso País a vencer o Nobel, mas isso não a torna menos especial ou icônica. Para celebrar seu grande valor literário, o HuffPost Brasil lista abaixo alguns – dos vários – títulos já publicados por Telles.

1. As Meninas

No livro, Telles narra a história de três pontos de vista narrativos, das amigas Lorena, Ana Clara e Lia – todas vivendo em um pensionato de freiras –, para descrever tanto seus sentimentos e conflitos pessoais, quanto o crescimento durante a ditadura militar que o Brasil vivia à época em que As Meninas foi lançado, 1973.

2. Ciranda de Pedra

Neste provocante romance lançado em 1954, a autora aborda temas como eutanásia, suicídio e segredos de família. Ciranda de Pedra é protagonizado por Virgínia, caçula de três filhas e a única que retorna para a casa da mãe após a morte do pai. De seu ponto de vista, os segredos obscuros que sua família esconde sob a imagem de triunfo são trazidos à luz. A personagem coadjuvante Letícia é lésbica e compartilha com Virgínia uma relação com ares homoeróticos.

3. Verão no Aquário

Enquanto passa pelo verão mais quente e abafado de sua juventude, a angustiada Raíza considera a possibilidade de sua mãe, a escritora Patrícia, ter um caso com o atraente seminarista André. Isso intensifica os sentimentos de rivalidade e rejeição que a protagonista tem pela mãe – a protagonista decide, então, disputar André com Patrícia. Raíza segue se recordando de seu pai, que está morto, enquanto vê de dentro a imagem de uma família tradicional se quebrar em vários pedaços.

4. Antes do Baile Verde

É considerada pela crítica literária uma das melhores coleções de contos de Telles. Os temas das histórias são variados: vão de infidelidade conjugal até a obsessão de um personagem com uma tapeçaria antiga. A autora narra com maestria, dos mais variados pontos de vista, a crise de seus personagens de maneira tocante e envolvente.

5. A Disciplina do Amor

Este livro, considerado pela própria autora o seu melhor, traz Telles à vontade com a escrita de diversos gêneros entrelaçados nas mesmas peças literárias. A Disciplina do Amor é outro livro de contos da escritora, e um de seus mais aclamados.

Lygia Fagundes Telles é a primeira mulher brasileira indicada ao prêmio Nobel de Literatura

0

n-LYGIA-large570

Luciana Sarmento, no Brasil Post

A escritora Lygia Fagundes Telles, autora de clássicos como As Meninas e Ciranda de Pedra, foi indicada ao prêmio Nobel de Literatura. O nome da autora foi encaminhado nesta quarta-feira (3) pela União Brasileira de Escritores (UBE) à Academia Sueca e foi eleito por unanimidade pelos seus membros, de acordo com informações do UOL.

“Lygia é a maior escritora brasileira viva e a qualidade de sua produção literária é inquestionável”, afirmou o presidente da UBE, Durval de Noronha Goyos, em nota à imprensa.

Nascida em São Paulo, Lygia foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985 e recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa, em 2005. Suas obras já foram traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco e tcheco.

Ariano Suassuna, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto e Ferreira Gullar estão entre os brasileiros que já foram indicados ao Nobel de Literatura ou tiveram seus nomes sondados. Nenhum deles, no entanto, levou o prêmio. Lygia é a primeira mulher brasileira a entrar nessa lista.

O anúncio do vencedor deve acontecer em outubro deste ano em Estocolmo, na Suécia. O prêmio de 2015 foi para a bielorrussa Svetlana Alexievich.

Go to Top